“A Somália é um paradoxo político: é um país unido à superfície e mortalmente dividido em profundidade. Trata-se do Estado-Nação mais homogéneo do planeta. Tem nove a dez milhões de habitantes, que falam quase todos a mesma língua e têm a mesma origem étnica. Mas tudo está dividido em clãs.”
Jeffrey Gettlemanin “O País mais perigoso do Mundo”; Courrier Internacional, edição Nº 160 de Junho de 2009
O Estado da Somália (As-Sumal) tem-se caracterizado, nas últimas três décadas, como um país em constante guerra civil, com lutas entre clãs e senhores da guerra, catástrofes humanitárias e como santuário para grupos insurgentes. Ao longo dos anos tem havido uma série de intervenções no país, processos de paz e de ajuda humanitária promovida por atores externos e organizações regionais e internacionais, que têm sido determinantes no equilíbrio político.
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Ainda assim, a existência de inúmeros protagonistas envolvidos no país acaba por ser um indicador da dificuldade em perceber as dinâmicas locais e encontrar soluções inovadoras que permitam gerir a crise somali.
A forma geográfica da Somália é frequentemente descrita como um “número sete invertido” (ou número sete inclinado). Localizada na costa leste africana e rodeada pelo Golfo de Áden e o Oceano Índico, a Somália forma, juntamente o núcleo central de países como a Etiópia (Ityop’iya), o Quénia (Jamhuri Ya Kenya), o Djibouti (Jumhuriyah Jibuti), a Eritreia (Ertra ou Tigrinya) e, numa designação mais alargada, a República do Sudão (frequentemente chamada apenas de Sudão), a República do Sudão do Sul e o Uganda (Jamhuri ya Uganda), uma área geográfica conhecida como Corno de África, e que assume uma importância geoestratégica vital na região entre a África subsaariana e os países da Arábia e do sudoeste da Ásia, tendo, por isso, naturalmente, implicações significativas ao nível da segurança e da estabilidade regional e internacional.
Fonte: Guia Geográfico
Devido à sua proeminência geográfica, o contacto com outras culturas ao longo dos séculos acabou sempre por ser regular. Egípcios, gregos, romanos, persas e até portugueses acabaram por influenciar o que é hoje a cultura somali. Apesar de não ter recursos naturais que parecessem justificar este interesse, outrora ingleses, italianos, franceses e a potência regional Etiópia lutaram pelo controlo da região, principalmente devido à sua posição geográfica.
Guerreiros somalis fotografados no início do século XX, representando a cultura dos clãs da Somália, onde a defesa da comunidade desempenhava papel importante na organização social. ▪ Fonte: Wikimedia
Apesar de fazer parte da África, a Somália nunca se reconheceu como país africano, identificando-se mais com o mundo árabe. Ao contrário da maioria dos restantes Estados do continente, a Somália é um dos poucos países onde há uma relativa homogeneidade étnica, cultural, religiosa e linguística. Encontra-se, porém, fracionado por um outro critério preponderante: os clãs. Através da sua linhagem, os somalis identificam-se com determinados clãs, subdivididos de modo contínuo e dinâmico, chegando mesmo ao nível familiar, numa estrutura que depois acaba por também se correlacionar com o território, determinante para a identidade somali.
Estudos antropológicos definem que a organização da Somália baseia-se sobretudo num sistema de linhagem segmentar descentralizado, o qual segue fortemente um complexo de genealogia baseado nas estruturas desses clãs, geograficamente e economicamente distintas entre si. De resto, os clãs sempre tiveram um papel de particular relevo na formação da Somália, intervindo socialmente a todos os níveis, condicionando não apenas o processo de tomada de decisões políticas, mas também o económico e financeiro.
Família somali fotografada por volta de 1900. A imagem mostra uma aldeia tradicional, com cabanas de cobertura cônica e paredes de barro, oferecendo um raro registro do cotidiano doméstico e da organização comunitária da Somália no início do século XX. ▪ Fonte: Wikimedia
Desde muito cedo, as crianças aprendem a memorizar e a recitar de cor a sua genealogia, até cerca de 20 ou 30 gerações atrás. Os anciãos não têm o comando dos clãs, mas são respeitados e exercem um considerável poder de influência nas ações tomadas, agindo geralmente nos bastidores, existindo uma grande dificuldade em conseguir identificá-los.
O sistema familiar somali de clã engloba centenas de clãs e subclãs, podendo variar o seu número de elementos entre cem mil a um milhão nos clãs e entre dez mil a cem mil membros nos subclãs.
Mãe e filho somalis retratados em um cartão-postal do início do século XX. A fotografia registra trajes tradicionais e aspetos do cotidiano da Somália durante o período colonial, quando imagens como esta eram produzidas e comercializadas como registros etnográficos destinados ao público europeu. ▪ Fonte: USC/EUA
As linhagens dos clãs da Somália são complexas e não existe a capacidade de conseguir visualizá-las e destrinçá-las de forma simplificada. A identidade cultural comum dos somalis não é suficiente para superar as rivalidades de sangue e linhagem, tornando o país um exemplo único onde o conflito não nasce da diferença, mas sim da disputa interna.
A população divide-se, basicamente, em duas famílias de clãs: a Somale (ou Samaale) e a Sab. Estes, por sua vez, são subdivididos em seis clãs principais: os Darood, Dir, Isaq e os Hawiye (da família Somale) e Digil e Rahawayn (da família Sab), que partilham entre si laços linguísticos e culturais muito consolidados. Consideram-se ainda os Tunni, que ocupam o trecho de costa entre Marca (banhada pelo Oceano Índico, a cerca de 70 km a sudoeste de Mogadíscio, a capital nacional) e a cidade portuária de Kismaayo (Kismayo ou Chisimaio), perto da foz do rio Jubba, no sul do país. Em direção à fronteira com o Quénia, a estreita faixa costeira e as ilhas próximas à costa são habitadas pelos Bagiunis, um povo de pescadores suaíli (ou Waswahili).
Pescador em sua embarcação nas águas de Bossaso, principal porto da região de Puntland, no nordeste da Somália. A pesca artesanal está entre as principais atividades econômicas das comunidades costeiras do golfo de Áden. ▪ Imagem: VoA / Gov. EUA
Estes grupos normalmente não possuem uma estrutura fixa, e subclãs de um mesmo clã não significa necessariamente que sejam aliados. Este sistema complexo acaba por ser fundamental quando se pretende entender a política do país, os senhores da guerra, os movimentos sociais e os próprios grupos insurgentes. Aliás, a falta de confiança entre clãs dificulta a criação de um exército e forças de segurança unificadas e de instituições nacionais estáveis.
Mohamed Siad Barre (1919–1995), presidente da Somália de 1969 a 1991. Pertencente ao clã Darood, governou o país sob regime de partido único, até ser derrubado por uma coalizão de grupos armados, episódio que marcou o início da guerra civil. ▪ Wikimedia
Provavelmente o maior clã da Somália, contando com cerca de 35% da população e também o mais disperso em termos geográficos, mormente em Puntland, o clã Darood, que se dedica predominantemente à pastorícia, está dividido em 6 subclãs: Harti, Dhulbahante, Marehan, Majertee, Ogadeni e Warsangali. O antigo presidente Siad Barre (cujo mandato presidencial decorreu de outubro de 1969 a janeiro de 1991) era um Darood. Os Dir, divididos nos subclãs Gadabursi, Idagale e Issa, estão maioritariamente concentrados na região da Somaliland, representando cerca de 7% da população. O clã Isaaq, dividido nos subclãs Eidegalla, Habr Awal, Habr Toljaala e Habr Yunis, pode ser encontrado fundamentalmente na zona oriental da Etiópia e a noroeste da Somaliland, representando sensivelmente 20% da população. O clã Hawiye, origem do atual Presidente da República Federal da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, representa cerca de 21% da população somali e domina praticamente a região da capital do país, Mogadíscio (Muqdisho, Xamar ou Maqadishu, em árabe). Encontra-se dividido em 6 subclãs: Abgal (o mais expressivo dos subclãs que, desde 1994, controla a zona norte de Mogadíscio), Ajuran, Degodia, Habr Gadir (instalado na zona sul da capital), Hawadie e Murusade. O clã Rahawayn representa 17% da população. Este e o Digil, preponderantemente agrícolas, normalmente conhecidos por Digil-Mirifie, encontram-se estabelecidos maioritariamente na zona sul do país, detendo menos influência na política nacional.
Criança somali aguarda atendimento médico nos braços da mãe. A escassez de alimentos, as secas recorrentes, os conflitos armados e os deslocamentos forçados tornam as crianças o grupo mais vulnerável às crises humanitárias que afetam a Somália. ▪
A restante população é constituída por minorias, designadamente os Bantus e os Jareer, maioritariamente descendentes de escravizados e que são, por norma, ostracizados pelos restantes somalis. Há ainda comunidades árabes, os Benadiri ou Banaadiris (Reer Benaadir), também eles minoritários, presentes essencialmente nas regiões costeiras.
Décadas de instabilidade política e desafios de segurança, económicos e impactos climáticos, não têm permitido à Somália erguer infraestruturas sólidas que permitam fomentar o desenvolvimento socioeconómico do país. A economia somali continua até hoje assente no sector primário. Num país onde escasseiam os recursos naturais, as principais riquezas somalis são a criação de gado e a produção de açúcar.
A par dos conflitos internos, a Somália tem tido também algumas relações difíceis com os países vizinhos, em particular com a Etiópia (pela posição de liderança que assume naquela região), quer pela interferência externa na situação política somali, quer pela incidência que recai sobre as questões fronteiriças e a problemática dos refugiados somalis e da pirataria, o que contribui para a colocação de sérios entraves ao estabelecimento de relações de cooperação e solidariedade entre os vários intervenientes.
Refugiados somalis chegam ao centro de recepção de Dolo Ado, na Etiópia, antes de seguirem para um campo de acolhimento. Desde o início da guerra civil, milhões de somalis deixaram suas casas, formando uma das maiores populações de deslocados e refugiados do continente africano. ▪ Imagem: ONU
Acontecimentos múltiplos verificados nos últimos anos recolocaram a Somália nas agendas internacionais. O primeiro diz respeito à crise humanitária, resultante sobretudo de anos sucessivos de seca intensa na região que afeta particularmente as comunidades pastoris e agropastoris, que se vêm obrigadas a percorrer longas distâncias para encontrar alimento para os seus animais. Ao mesmo tempo, a redução da produção agrícola leva a um aumento do preço dos bens alimentares básicos, particularmente dos cereais.
Aldeia de Barey, nos arredores de Jowhar, inundada após o transbordamento do rio Shabelle. As cheias, recorrentes na região durante as estações chuvosas, provocam deslocamentos de milhares de pessoas e agravam a crise humanitária na Somália. ▪ Imagem: Amison
Grande parte do país é árido e muito pouco favorável à prática da agricultura, aparecendo como únicas exceções as regiões junto aos dois principais rios do país, o Jubba (com aproximadamente 1.600 km de extensão, formado pela confluência dos rios Dawa e Genale e que desagua diretamente no Oceano Índico, próximo à cidade portuária de Kismaayo) e o Shebelle ou Shebeli (com aproximadamente 1.820 km de extensão, que corre paralelo ao rio Jubba, sendo que durante períodos de fortes chuvas na Etiópia, une-se ao Jubba até ao Oceano Índico e, na estação seca, termina numa série de pântanos e bancos de areia perto de Gelib).
A Somália situa-se na linha do Equador, conquanto, ao contrário dos climas típicos desta latitude, ali as condições variam de áridas nas regiões nordeste e central a semiáridas no noroeste e sul. O ano climático compreende quatro estações. O gu, a principal estação chuvosa (que vai de abril a junho), a segunda estação chuvosa, chamada dayr (de outubro a dezembro) e, de permeio, uma estação seca, a jilaal, de dezembro a março, e a xagaa, de junho a setembro. Durante a segunda estação seca, ocorrem chuvas na zona costeira.
Monte Shimbiris, o ponto culminante da Somália, na cordilheira de Cal Madow, no norte do país. A região destaca-se pelo relevo montanhoso e pela vegetação adaptada ao clima mais ameno das áreas elevadas. ▪ YT Mawell
O país divide-se na planície costeira de Guban, no norte, com terreno semiárido; no planalto setentrional, com cadeias montanhosas acidentadas que abrigam o pico mais alto do país (Shimbiris, também conhecido como Surud Cad, com uma altitude de 2407 m); e na região de Ogaden, que se estende para o sul a partir do planalto e é composta por vales rasos, leitos de água (wadis) e montanhas escarpadas. Esta última região prolonga-se até a planície de Mudug, na região central da Somália.
As chuvas torrenciais que se verificam alternadamente originam centenas de mortes, perdas avultadas de cabeças de gado e de dezenas de hectares de terra arável, a destruição de aldeias e o desalojamento de milhares de camponeses, sobretudo na região sudoeste do país, onde as enchentes chegam a submergir aldeias e infraestruturas e a danificar as principais estradas que ligam as cidades do interior aos centros urbanos. Não sendo o único país a ser atingido pela seca e fome no Corno de África, a Somália é, contudo, aquele cuja assistência humanitária se tornou praticamente impossível de assegurar, devido aos problemas de insegurança que se fazem sentir no território, deixando a sua população extremamente vulnerável.
Refugiado chega ao campo de Badbado, nos arredores de Mogadíscio, destinado a pessoas deslocadas dentro da própria Somália. A seca extrema e a fome que atingem o país obrigam centenas de milhares de somalis a abandonar suas casas em busca de alimento, água e assistência humanitária. ▪ Imagem: ONU
Outro foco de preocupação para a Organização das Nações Unidas e para a Comunidade Internacional é a incerteza no destino de mais de 400 mil refugiados somalis residentes no campo de Dadaab, no Quénia, a 100 km da fronteira com a Somália, considerado o maior campo de refugiados do mundo.
Por outro lado, é quase impossível falar-se da Somália sem se mencionar a pirataria, fenómeno que tem vindo a diminuir ultimamente. Com cerca de 3.025 Km de costa marítima, esta atividade ultrapassou, durante anos, a Bacia da Somália e o Golfo de Áden, estendendo-se à plataforma da costa do Iémen, Quénia, Tanzânia e mesmo ao Canal de Moçambique. As zonas mais problemáticas em termos de pirataria na Somália vão
Piratas somalis capturados por uma embarcação russa no Golfo de Áden. ▪ Wikimedia
desde os arredores das cidades costeiras de Eyl e Garaad, em Puntland, até às urbes de Hobyo e Haradhere, na zona central do país.
O típico pirata somali, em busca de embarcações cujo resgate tenda a ser rentável, como navios mercantes de grande dimensão ou petroleiros, opera em grupos de quatro ou cinco elementos em cada skiff (pequenas lanchas rápidas que permitem uma aproximação em velocidade aos navios atacados). Apesar da maioria dos navios pirateados constituírem alvos de oportunidade, acredita-se que alguns dos grupos piratas receberiam informação (rotas, horários, cargas, tripulação e outros dados) dos portos da região, de forma a não partirem para o mar completamente ao acaso. O capital obtido com os resgates acabaria por entrar na economia da Somália através do pagamento de serviços, aquisição de bens alimentares, viaturas e investimentos no setor imobiliário, dinamizando a atividade económica junto aos principais centros ligados à pirataria. Não obstante, não existindo investimento em infraestruturas ou serviços públicos, a possibilidade destes capitais serem redirecionados para senhores da guerra, acarta potenciais consequências em termos de perpetuação do conflito.
Homens armados vigiam a costa somali enquanto um navio permanece ao largo, após ser capturado por piratas. Durante os anos de maior atividade da pirataria no oceano Índico, trechos do litoral da Somália tornaram-se cenário de ações de grupos que sequestravam embarcações e mantinham suas tripulações em cativeiro até o pagamento de resgates milionários. ▪
Politicamente fracionado, a prioridade do governo somali liderado pelo primeiro-ministro Hamza Abdi Barre (no cargo desde junho de 2022) tem-se focalizado no relacionamento com todos os parceiros estratégicos. A prioridade passa por promover a manutenção do diálogo em todos os níveis de execução, para que seja possível criar condições favoráveis que estimulem a economia e garantam ao país a estabilidade e a segurança. Os maiores desafios são, nesta altura, o combate à corrupção, à criminalidade, ao ócio entre os jovens, o reforço no apoio à situação humanitária, a recuperação económica e a retoma do emprego, a reforma dos sectores da justiça e dos serviços sociais.
Crianças somalis em um ponto de abastecimento de água no complexo de campos de refugiados de Dolo Ado, no sul da Etiópia, próximo à fronteira com a Somália. A região continua acolhendo centenas de milhares de refugiados que deixaram seu país em razão de conflitos e secas prolongadas. ▪ Imagem: Unicef
No domínio económico, urge promover o desenvolvimento em áreas com algum potencial de criação de riqueza. Atendendo à excelente localização geográfica do país e à extensão da sua costa, uma das áreas de maior potencial é o comércio marítimo, cuja retoma implica a revitalização dos maiores portos, nomeadamente Berbera, Bosasso, Mogadíscio e Kismaayo. Como esses portos se localizam no sudeste do país, no Golfo de Áden ou nos acessos ao estreito de Bab el-Mandeb (“Porta das Lágrimas”) que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Mar Arábico, a construção de um porto comercial na costa nordeste, expandindo um dos pequenos portos aí existentes, poderá também constituir-se como uma importante alavanca de desenvolvimento económico e até de coesão nacional, ao permitir aproximar melhor um território com muito deficientes ligações terrestres. Naturalmente, a revitalização dos portos deverá ser acompanhada pela construção de vias de comunicação que os liguem às principais áreas produtoras e consumidoras, de forma a envolver as regiões mais remotas na atividade comercial.
Litoral histórico de Mogadíscio, onde embarcações de pesca dividem espaço com edifícios marcados pela guerra civil. As ruínas à beira-mar lembram décadas de conflito, enquanto a atividade no porto evidencia a retomada gradual da vida cotidiana na capital da Somália.
▪ Wikimedia
Além disso, existem diversas outras áreas com potencial para proporcionarem alternativas de subsistência à pirataria, tais como a criação de gado, a exploração de petróleo, gás e minerais, a atividade piscatória, a aquacultura e mesmo no turismo. Apesar de alguns governos desaconselharem viagens não essenciais à Somália devido à elevada instabilidade, ameaça terrorista e criminalidade, a verdade é que, segundo o Departamento de Turismo somali, o país regista um aumento notável nas chegadas de turistas (10 mil turistas terão visitado o país em 2024, mais 50% do que no ano anterior), atraídos por destinos como as praias
Paisagens da Somalia ▪ YT Muhudin Alasow
com mais de mil anos que se elevam até quatro andares de altura, adornadas com portas e persianas finamente esculpidas em madeira da Índia e de Zanzibar), as mesquitas, museus e a beleza da arte rupestre neolítica de Laas Geel, na região autónoma de Somaliland.
de Mogadíscio, a pesca do atum e do tubarão, o bulicoso mercado Bakaara, as estreitas vielas de Hamar Weyne (bairro que se destaca pelas suas casas de pedra Apesar dos danos provocados pelos prolongados conflitos, Mogadíscio conserva vestígios da sua grandiosa história multicultural. O Farol de Mogadíscio (também conhecido como Torre Almnara, um marco histórico da era colonial italiana, situado junto ao porto antigo da capital), ruínas de mesquitas costeiras e antigas casas mercantis testemunham séculos de contactos com comerciantes árabes, swahili, italianos e otomanos. As cidades costeiras de Barawa e Marca preservam tradições swahili antigas, com pátios interiores, portas esculpidas e vestígios de muralhas defendidas por sultanatos que controlaram o comércio durante centenas de anos.
Paisagens da Somália ▪ YT Relaxation at Home
A Somália continua a enfrentar desafios complexos, mas o seu património arqueológico, cultural, natural e imaterial, permanece como testemunho de uma civilização antiga, resiliente e de enorme riqueza histórica. O país foi, durante milénios, um ponto de ligação essencial entre continentes, culturas e economias. Para o mundo académico e para os viajantes especializados, a Somália continua a oferecer uma das paisagens culturais mais autênticas e menos estudadas do planeta.