Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e viera matar a saudade de sua Itabaiana na casa de Félix Galdino, vizinhos de sítio. Félix era vizinho de Nathanael, aqui em Tambauzinho, e, como era lá que nos reuníamos
Sivuca ▪️ Fonte: Sounds of David
todos os sábados à noite, arrastamos Sivuca para o nosso papo. Um papo que não se repetirá mais neste mundo. Como se vê, éramos Nathanael, Ednaldo do Egito, José Souto, Solha, às vezes Durval Leal, e o Félix já citado.
Foi ali que senti a verdadeira grandeza de Severino Dias, não pelo acordeão, que todos conhecíamos, mas revelando o grande homem que era ele, aumentado pelos olhos do mundo, mas mantendo-se em seu tamanho original. É o que me ocorre agora ao ler, em um portal, que, neste 2026, são vinte anos sem o grande paraibano.
São raras as figuras que suportam esse aumento, que se transformam em celebridade sem ficar bestas. Imaginávamos que ali Sivuca fosse reencenar sua vivência nos grandes palcos do mundo, contar como dirigiu musicalmente Miriam Makeba ou como se sentiu ao, a exemplo de Segovia com o seu violão, converter em clássico um instrumento de tradição folclórica mundialmente popular.
Severino Dias de Oliveira, conhecido mundialmente como Sivuca, um dos maiores multi-instrumentistas, maestros, arranjadores e compositores da história da música brasileira, nascido em Itabaiana (PB), eternizou-se por sua genialidade com a sanfona ▪️ Fonte: Discos Copacabana
Não, não foi esse tipo de conversa que ouvimos do genial visitante, mas, isto sim, como pôde ele viver em Nova York sem deixar de matar a sede puxada por uma boa trincha de carne-de-sol e um bom pedaço de rapadura. Nova York tinha a sua feira, descoberta por ele, com quase as mesmas coisas de Itabaiana. Não saiu de perto de nós um só instante. Não fez notar nenhuma diferença ao retornar ao nosso convívio. Nenhuma diferença entre Sivuca, parceiro de Makeba e de Chico Buarque, e Sivuca, moleque de nove anos, com o feirante Félix Galdino. Nós é que podíamos vê-lo grande, muito grande, sem que ele, necessariamente, jamais nos visse pequenos.