Fim de tarde. Meus pés pisam as folhas úmidas enquanto caminho na mata fechada. Desvio das urtigas, esmago saúvas e sinto o cheiro da baunilha no ar abafado. Piso com cuidado, atenta aos ruídos. Ela me espreita. Ouço seu respirar leve e quase posso ver o sangue que lhe pulsa nas têmporas, inundado de urgências. Ela está aqui, eu sei. Ergo a cabeça e farejo o ar. Atrás! Volto a cabeça para o filho que caminha a um passo de mim e tento avisá-lo. Tarde demais. O bote é certeiro, exato. Mal vejo uns olhos amarelos e manchas no pelo, e a musculatura poderosa já desaba sobre o pequeno, sem tempo para um grito. As presas se cravam no pescoço fino e a fera desaparece com ele em meio às folhas grandes como sombrinhas. Um uirapuru pia ao longe.
Arte: H. Rousseau, 1891 ▪ National Gallery, Londres
Estou paralisada. O coração explodindo no peito.
Volto para os meus abrindo caminho entre os cipós. Um uivo escapa da minha garganta. A floresta não o ecoa. É um campo de batalha. Hoje foi meu dia de perder. Só me resta o rugido no peito.
O grito é alto o suficiente para eu despertar no cubículo escuro em que vivo agora. Suada, ainda zonza, sentindo o odor forte da mata, o esturro da onça, a força dos músculos inquietos. Respiro rápido, o peito sobe e desce no compasso da agonia.
Demora algum tempo para eu me situar. Se estivesse contando, saberia que dia é hoje, mas não conto. Dizem que nem tenho noção do tempo. Tolos. Meu tempo é o da morte do meu filho. Tempo presente.
Tenho sono pesado. Durmo com um prazer feroz. Nem as moscas que passeiam sobre os meus braços ou o barulho de algo sendo desmontado ao longe são capazes de me despertar da letargia autoimposta.
O sonho está presente todas as noites.
No outro dia, fico meio desfeita, sem forças.
Arte: H. Rousseau, 1901 ▪ Barnes Foundation, Philadelphia, EUA
Nascer na floresta é tragédia e sagração. Homem e natureza lutam pela sobrevivência. O olho estrangeiro vê paisagens formidáveis. Eu vejo apenas casa. Cenário de selvagerias e dramas, como toda casa. Estou longe da minha terra há tempo demais. Quanto mais o tempo passa, mais a percebo gravada em mim. Não a notava sob a pele. Hoje a sinto inquieta, aguardando.
A prisão aniquila. O corpo pesa e a irritação come a alma devagar. Saboreia um pedacinho todo dia, até a gente ouvir o conhecido uivo na noite. Dói ouvir aquilo, sabe? O som vai entrando pelo ouvido, mastiga o coração e se põe a pingar ácido no sangue.
Sento no chão e encosto a testa na parede fria. Às oito horas o zelador vai chegar. Espero. Vou ouvir primeiro o assovio à distância e os pés se arrastando ao ritmo da canção, depois o barulho das chaves abrindo a porta externa. Por fim, a voz esganiçada a me desejar bom-dia e perguntar como estou.
Ele chega pontualmente. Usa máscara e luvas de borracha. As luvas amarelas são ridículas. Estou em silêncio, imóvel, os braços caídos ao lado do corpo.
“Bom dia, Donna. Trouxe a sua comida”, sorri.
Arte: H. Rousseau, S.XX ▪ Col. particular
Não respondo. Nunca respondo. Todos os dias ele traz o café da manhã, o almoço e a janta. Continuo muda. Não me mexo para pegar. Ele aguarda um pouco. Pela fresta da porta, vejo que se apoia numa ou noutra perna. Observa a mim, a comida e o interior do cubículo onde moro.
Ele entra e está a dois passos de mim. Quando me fala, sua voz tem um tom amigável. Ele sempre fica um pouco mais de tempo. Vale-se de pequenas desculpas para esticar a visita: uma torneira pingando, uma lâmpada queimada, retirar o lixo. Por vezes traz, junto com a comida, algum mimo barato, geralmente uma fruta. Eu o ignoro. Olho para ele e depois para a janela numa tentativa agoniada de que ele entenda que já não quero viver. Gostaria de poder dizer abertamente das minhas dores, mas não consigo.
Escuto seu suspiro no instante em que deposita o prato.
Quando sentir fome eu o pegarei. Não agora.
Não sei quando comecei a morrer. Talvez no meio de janeiro do ano em que vim morar aqui.
Encosto a testa no vidro que me separa do mundo e me demoro nas colinas da Califórnia. Ainda estão verdes neste fim de primavera. Nada me dizem.
Arte: H. Rousseau, 1909 ▪ Philadelphia Museum of Art, EUA
Eu vim do reino da fartura líquida a se infiltrar no corpo. Aqui a água é pouca. Sinto que seco no mesmo compasso em que meu espírito desidrata nesta terra estranha.
Penso em escapar, mas um torpor me vence.
Gosto de silêncio, mas não deste – pegajoso e incômodo.
Toda a minha liberdade foi tolhida de uma vez, de chofre. Nunca me preparei para isso porque não é da minha natureza o isolamento. As paredes são garras em torno de mim. Desejo pô-las abaixo, as indesejadas.
Eu e meus vizinhos partilhamos a prisão. Os contatos se limitam a cruzarmos olhares. Temos um pacto não verbal de compartilhar, no máximo, a beleza dos jardins bem cuidados, os aposentos razoavelmente limpos. Sem amizade, sem contato físico, sem troca de palavras. Aqui é um lugar de estrangeiros. Não falamos a mesma língua. E se falássemos, de que nos adiantaria? Conversa não extingue dor. Nem cogitamos.
Só não contávamos com as paredes a nos trair. São finas o suficiente para que eu ouça o que acontece nos espaços ao lado. O silêncio favorece a escuta. De madrugada ouço o vizinho a se arrastar de um lado para outro. Não sossega. Farejo sua agonia. Adivinho seu desejo de escapar, sentir o orvalho sobre a cabeça. No compartimento à esquerda há os suspiros tristes de um outro. Ele levanta
Arte: H. Rousseau, 1905 ▪ MoMA, NY
e bebe um pouco d’água. Talvez queira companhia. Vive só, como eu. Certamente os outros também ouvem o meu desconforto, mas nenhum de nós se importa ou se compadece.
Deito. Durmo de imediato.
Estou em casa.
Respiro forte perto de outra boca. Um sexo selvagem, rápido. Amor vem depois, quando enfio os dedos nos pelos do peito dele. As unhas embaraçam nos fios negros. Ele gosta, geme.
Sinto-lhe os músculos do braço retesados. Uma força bruta, de bicho.
Sobre nós uma luz cegante, que cheira a liberdade.
Desperto ofegante. A escuridão ri de mim.
Viro para o outro lado e deixo apagar-se mais um pouco do que sou. Frágil luz a se desfazer.
Acordo horas depois. Pisco diante da luminosidade morna.
Levanto sem vontade. Cochilei perto da porta.
Logo o zelador estará aqui de novo.
Arte: H. Rousseau, 1900 ▪ Barnes Foundation, Philadelphia, EUA
Ele chega e no seu rosto há algo que não decifro.
“Donna, você está deprimida, não é?”
Não reajo.
Ele aperta os lábios.
“Eu trouxe a sua comida.”
Permaneço calada.
Ele volta, apoia as mãos no batente e fala como quem pede desculpas:
“Donna…”
Não sei se foi a expressão dele, mas a dor no ventre repentinamente cresce e me domina a ponto de não evitar o gemido. Cambaleio, apoio as mãos na parede e tento sentar no chão. Não consigo. Caio e ouço o ruído seco dos meus ossos contra o piso.
Ele se aproxima com uma expressão aterrorizada.
“Ah, meu Deus! O que foi, querida?”
O mel das palavras me vence. Inclino a cabeça, enquanto algo escorre pela minha testa.
Arte: H. Rousseau, 1900 ▪ Col. particular
“Deixa eu ver. Está doendo, não é?”
Ele se agacha diante de mim, apoiado nas pontas dos pés. Estende as mãos com cautela, toca meu rosto e me mostra o dedo manchado de vermelho.
“Vai precisar de alguns pontos”, diz, franzindo a testa. O sangue começa a pingar do meu queixo.
A pressão no ventre ressurge com violência. Meu grito alto o assusta e ele perde o equilíbrio. Num gesto automático, suas mãos se apoiam na minha barriga inchada. A dor me cega. Bato com violência na mão dele e me encolho no chão, gemendo alto.
Ele se levanta rapidamente.
“Vou telefonar agora para o seu médico.”
Sai apressado. Noto que manca um pouco e suas costas estão ligeiramente curvadas. Deve estar sobrecarregado. Os outros funcionários são preguiçosos, uns encostados. Ele, não. Sempre nessa movimentação febril. Aqui e ali, catando o lixo que as crianças deixam nas áreas comuns. Daqui eu o vejo limpando o chão, recolhendo embalagens esquecidas, lavando vidros.
II
A porta range quando o homem moreno a abre. Hesita um pouco e bate com o nó dos dedos na parede.
“Posso entrar, doc?”
“Já entrou, Manoel”.
Arte: H. Rousseau, 1896 ▪ Col. particular
De costas, o médico levanta a mão e faz um sinal para que o zelador entre de vez.
“Como ela está?”
“Donna? Dormindo. Tive de sedá-la um pouco para fazer a sutura. Estava muito agitada. Quase arrancou a minha máscara quando dei a anestesia local. Não tive opção, estava sangrando muito. O corte foi feio.”
Espia o corpo deitado.
“Nem dormindo ela parece ter paz.”
“Nenhum de nós sabe o que é isso.”
“Obrigado por cuidar dela.”
O médico não levanta a cabeça. Sua voz soa abafada atrás da máscara.
“Não se deixa um paciente sangrando. Ainda bem que a administração tem um lugar preparado para essas pequenas emergências. Se tivesse de levá-la ao hospital seria complicado.”
O médico continua a dar os pontos na testa de Donna. Suas mãos se movem rapidamente. Com a mão esquerda usa a pinça para pegar a pele e, com a direita, segura o porta-agulha. A agulha mergulha na pele, a meio centímetro na borda da ferida. Emerge a meio centímetro da outra borda. O doutor cantarola baixinho enquanto enrola o fio no porta-agulha e
Arte: H. Rousseau, 1891 ▪ Galeria Nacional, Londres
dá os nós – um, dois, três. Pega a tesoura e corta o fio. Um centímetro depois, começa o ponto seguinte.
Someone told me long ago
There’s a calm before the storm...
O zelador acompanha tudo quase sem piscar.
“O que o senhor está cantando?”
“Uma canção antiga. Não é do seu tempo.”
“Doutor, o que ela tem?”
“Vou ver o resultado dos exames daqui a pouco. São os que ela fez na semana retrasada. Já vão enviar.”
“Já são quase cinco horas. O senhor toma um café comigo quando sair? Aí poderemos conversar.”
O médico dá de ombros.
“Pode ser.”
Em dez segundos o zelador está na porta.
“Vou buscar o café e esperar no banco perto da janela da Donna.”
Arte: H. Rousseau, 1908 ▪ Musée de l'Orangerie, Paris
Arranca as luvas e as joga na lixeira, sem esperar pela resposta.
Uma hora depois, os outros funcionários levam Donna de volta e descontaminam a salinha. O médico retira máscara, luvas, avental, touca e protetores de sapatos. Põe tudo na lixeira. Suspira diante da porta. Na sala ao lado, lava as mãos e veste os jeans e a camiseta. Calça os sapatos e pega a bolsa dependurada no gancho. Logo ele está na alameda estreita onde Donna vive.
O zelador está sentado no banco. Segura um copo de café da Starbucks. Seus olhos riem quando avista o médico. Aponta para o saco de papel. O doutor o cumprimenta com um levantar de sobrancelhas e pega a embalagem. Usa o copo para aquecer as mãos e senta no banco da frente.
É aquela hora da tarde em que os raios do sol incidem de um jeito especial, dourando folhas e relva.
O médico bebe dois goles e estica as pernas.
“Diga...”
“Donna. O que ela tem?”
Arte: H. Rousseau, 1908 ▪ Col. particular
O médico o encara com firmeza.
“Você gosta dela.”
“Muito.”
“Você sabe que ela tem um tumor no útero, não é?”
O rapaz fica ligeiramente pálido.
“O senhor vai recomendar uma operação?”
“Nessa fase não tem como operar. Ela não aguentaria...”
“Por causa da idade?”
“Também. Ela não aguenta uma cirurgia de grande porte por conta do avanço da doença, da idade e da fragilidade do organismo. Mas nem vale a pena tentar. Já se espalhou por outros órgãos. Há metástases.”
O médico parecia calmo.
“É o fim, então?”
“Sim.”
“Nenhum tratamento? Nada?”
GD'Art
“Seria arriscado e muito doloroso. Na verdade, já está sendo. Ela deve ter dores fortes e aquela barriga enorme tem um nome: ascite, barriga d’água. Não vamos submetê-la a mais sofrimento. Não vai trazer benefício algum para ela. Os opioides ajudam, mas é câncer. Câncer dói...”
“Eu tinha medo que fosse isso. O senhor acha que ela sabe?”
“De alguma forma, eles sempre sabem. Antes da gente, já sabem.”
O zelador apoia os cotovelos nas coxas e põe as mãos cruzadas sob o queixo. Uma ruga surge entre as sobrancelhas.
O médico o observa. Vê a pulsação da veia na testa e enxerga sob a pele as larvas de um desgosto brando e amordaçado.
“Olha, já vi várias vezes as pessoas se mantendo vivas à espera de algum evento. Então elas morrem.”
“O que acontece com elas?”
“Acho que desistem. Chegam a um ponto em que tudo talvez deixe de fazer sentido. Meu pai foi assim. Estava internado e me implorou pra voltar pra casa e comer um bolinho de carne que minha mãe fazia.”
“Ele comeu o bolinho?”
Arte: H. Rousseau, 1898 ▪ Col. particular
“Comeu. Morreu na mesma noite. Em paz.”
O zelador inclina o corpo para a frente, apoia os antebraços nas coxas e cruza as mãos.
“Doutor...”
O médico o encara, piscando devagar.
“O senhor acha que Donna já desistiu?”
“De viver? Não totalmente, mas falta pouco. Pense na vida dela. Sozinha em outro país, enclausurada num lugar apertado, sem amigos, sem parentes. Há quanto ela está aqui? Uns dezesseis anos? Então, imagine o que são pelo menos quinze anos nessa rotina árida.”
“O que ela está esperando?”
“Como saber?”
Por alguns segundos, o médico sente dó do rapaz cabisbaixo.
“Não fique assim. Vou falar uma platitude, mas vá lá. Tudo isso faz parte do ciclo da vida. Vai acabar para nós também.”
Arte: H. Rousseau, 1898 ▪ Barnes Foundation, Philadelphia, EUA
“O que me incomoda é a tristeza dela. É pontuda, sabe? Parece que fura a pele. E ela não fala. Então nunca sei ao certo como ela se sente.”
Um novo silêncio denso, o médico levanta.
“Antes de ir, doutor.”
“Diga...”
“É um outro assunto.”
O médico permanece de pé.
O zelador esboça um sorriso e a voz soa ligeiramente trêmula quando pergunta.
“O senhor acha que está perto o dia em que essa loucura toda vai acabar? Eu ando com medo. O ICE está por aí. Eu sou sozinho com a minha cara de latino.”
“Mas você não está ilegal...”
“Eles não se importam.”
Colocou o olhar no chão e engoliu em seco antes de prosseguir.
Arte: H. Rousseau, 1886 ▪ Col. particular
“Eu tenho medo do mundo, deste tempo em que eu vivo. Acho que já não sei viver neste nosso tempo”.
O médico ergue o copo e fala com a boca colada no plástico da tampa.
“Hic sunt dracones.”
“Desculpe, não ouvi o que o senhor disse.”
“Nada importante. Resmungando em latim, coisa de maluco.”
“Mas o senhor acha que melhora?”
O zelador continua a esperar. Uns olhos enormes, tingidos de expectativa, que por alguma razão o irritam. Não consegue evitar a rispidez.
“Não sei, Manoel. Ninguém sabe. Eu perdi a esperança. Talvez um dia seja vencida essa tendência à autodestruição, mas não arrisco dizer quando. Eu e você provavelmente já estaremos mortos. Agora deixe de bobagem e vá pra casa.”
O zelador baixa a cabeça. Suas orelhas vão do rosado ao púrpura em segundos. O médico adoça a voz.
“Desculpe, exagerei. Você é um bom rapaz. Estou cansado e fico um pouco irritado ao falar deste assunto. Vivemos uma espécie de overdose, entende? É tanta coisa acontecendo há tanto tempo. Satura.”
Arte: H. Rousseau, 1911 ▪ Col. particular
“É que eu tenho a impressão de que nunca vivi direito. Não é igual a vocês, mais velhos, que se esbaldaram pela vida. Woodstock, hippies, aquelas coisas coloridas dos anos 80. Perto disso, a minha parece oca, um não-viver em marrom e bege.”
“O passado parece bonito porque o vemos de longe e nos fixamos num quadradinho. Woodstock e a desgraça do Vietnam ocorreram ao mesmo tempo, sabe? O ser humano é um primata mostrando os dentes. Aprendemos a pensar e chamamos isso de civilização. Deveríamos dizer que é apenas verniz.”
III
Manoel – o zelador – é encantador. Tem uma cabeleira escura e densa, com dois redemoinhos no cocuruto. Quando sorri, o que ocorre muitas vezes, os olhos castanhos brilham de um jeito travesso e o fazem parecer um menino. Sua mãe morreu cinco anos depois que ele nasceu. O pai durou mais dois meses.
Arte: H. Rousseau, 1888 ▪ Col. particular
Para o avô, que o criou sozinho, sempre foi o ai-Jesus, o brilho verde no fundo da caixa de Pandora. O velho trabalhou até os 80 anos. Orgulhava-se de jamais ter faltado ao serviço, falava devagar, pronunciando todas as sílabas, e ensinou o neto a resolver qualquer problema com uma fórmula por ele considerada infalível: calma, prudência e capitalização.
O nome do avô era Otílio, mas Manoel o chamava Jerry, sem razão alguma para isso. Quando ele adoeceu, o neto tinha doze anos de idade. Pegou as mãos do velhinho e as segurou durante a noite inteira. Cantarolou velhas canções, imitou o ilustre Dr. Filgueiras e contou um segredo guardado desde os oito anos: a avó desbocada lhe ensinara várias piadas do Bocage. O avô riu até tossir, os olhos inundados de lágrimas.
“Você sabe quem é o Bocage?”
“Agora sei, né? Tive de pesquisar na internet. No começo achei que era um humorista ou algum cantor famoso da sua época de juventude. O sacana...”