As ruas desta cidade já foram mais curtas quando andávamos a pé. O desembargador Osias Gomes, advogado dos mais solicitados, secretário de Estado, não via enfado em lombar a pé de sua casa, um daqueles chalés de quatro águas no alto da Almirante Barroso, até ao tribunal ou ao antigo convento dos jesuítas, quando secretário do Interior e Justiça.
Av. Guedes Pereira (1932) J. Pessoa-PB ▪️ Instagram: @sospatrimoniohistorico /// GD'Art
Nós nos queixávamos do atraso da cidade, com o transporte coletivo limitado ao bonde, a área urbana começando a crescer com a pavimentação da Epitácio. Vem Pedro Gondim e recobre de paralelepípedos as ruas centrais. E, preparando as ruas para o futuro, que é o trânsito de hoje, arranca os trilhos da cidade que se foi com eles. E haja asfalto a deixar lisinhas, bem aplainadas, as vias do automóvel, enquanto a calçada, reservada por lei universal ao homem, é um desastre.
Testemunha ansiosa por tudo isto, pago hoje o meu preço, contando os passos, medroso a cada um deles, já não ousando pisar no asfalto.
E tudo ficou muito mais distante... muito longe. Ir à farmácia da esquina, a duas ou três casas, uma temeridade. A cidade dos meus afetos, das minhas ansiedades e dos meus pequenos êxitos parece ter se ido com os trilhos que Pedro Gondim, em nome do progresso, jogou fora.
Bonde de Tambiá no antigo Centro Histórico de J. Pessoa (PB) ▪️ Instagram: @curtaomelhordejampa
Há pouco mais de vinte anos, revisitando a reserva florestal que cercava capela e casa-grande das antigas terras da fábrica de cimento, bem depois Cimepar,
Degmar Peixoto Diniz ▪️ Instagram: @espacoecologiconoar
Era iniciativa da velha fábrica de cimento que tantas vezes noticiei e reclamei como poluidora da Ilha do Bispo. Saí por dentro e corri até a fábrica a dar alvíssaras a quem respondesse pela obra. Ganho uma entrevista e um álbum ilustrado com as 100 espécies, a partir da Caesalpinia que nos batiza.
Sem mais fôlego nem pernas para essas aventuras e ver como prospera a iniciativa que tanto me surpreendera, tenho a notícia de que a reserva, adquirida por um grupo de empresários da construção civil, vai ser ocupada por condomínios residenciais, com área comercial e uma parte voltada para o espaço ambiental. Seria a parte pertencente ao parque? Quem garante?
Publicado hoje, 13/09/26, no jornal A União










