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Mulheres, esperar o quê delas? (As Avós) Ao ver o título desse romance da ganhadora do prêmio Nobel de Literatura 2013, Doris Lessi...

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Mulheres, esperar o quê delas?
(As Avós)


Ao ver o título desse romance da ganhadora do prêmio Nobel de Literatura 2013, Doris Lessing, achamos fofos. E pensamos que vamos encontrar bolinho de chuva, tricô, e meus netinhos. Pista enganosa!

"Wenders toma para si, em Dias Perfeitos, o trabalho de “cinematizar” esse paradoxo da previsibilidade dentro do caos, revelando u...

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"Wenders toma para si, em Dias Perfeitos, o trabalho de “cinematizar” esse paradoxo da previsibilidade dentro do caos, revelando um lado da condição humana que quase nunca tem vez no cinema"
(Crítica Omelete/internet)

Primeiro vi o post de Glorinha Kalil, jornalista e consultora de moda, falando dos banheiros de Tokyo, mais visitados que os museus. Ela comenta sobre um projeto inusitado: O dono das lojas esportivas e sustentáveis ao redor do mundo, Uniclo, queria fazer algo pelo seu povo e criou o “Tokyo Toilette Projetct”. Junto com os maiores arquitetos, cada um deles desenvolveu um projeto de arquitetura sofisticada para os banheiros públicos da cidade. E depois foi atrás do diretor de cinema Wim Wenders, que fez o filme Dias Perfeitos. Devo dizer que, depois desse filme, fiquei ainda com mais vontade de conhecer o Japão. Nem só de cerejeiras e templos vive uma cidade.

Dias Perfeitos, 2023, direção Wim Wenders (Mubi), a história de Hirayama, um homem silencioso e solitário que trabalha limpando banheiros públicos em Tokyo. No idioma original, o filme de Wenders se chama Komorebi, "uma palavra japonesa para a luz que cintila e as sombras criadas pelo balançar das folhas com o vento". Hirayama, Interpretado silenciosa e lindamente por Koji Yakusho, vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cannes em 2023. O filme também foi o indicado a melhor filme estrangeiro na festa do Oscar de 2023. Um homem metódico, que mora num bairro pobre e que vê o Skytree de longe e de todas as cores. Hirayama tem como hobby, fotografar, com máquina analógica, as copas das árvores e seus efeitos diante dos raios do sol, ou do sol nascente.

A toda hora vemos a modernidade dessa megalópole, suas vias, sua impessoalidade, versus a vidinha cotidiana do protagonista. Sua invisibilidade no serviço é feroz; as pessoas não o veem cheio de esfregões, detergentes e esponjas. A sua única visibilidade se dá através de um bilhete deixado por traz de um dos vasos, onde ele brinca de jogo da velha com um transeunte invisível também. E pelos momentos do seu dia, vemos através dos seus olhos observadores, as meninas indo à escola, crianças no parque, uma vassoura despertando nas calçadas, um senhor que faz Tai chi chuan no meio do parque ou da rua, pássaros que voam, o céu azul, árvores tantas, ventos, um bocejo, uma bicicleta, a silhueta das pessoas, as sombras das folhagens, tudo isso se constituindo em rimas poéticas no filme.

Hirayama é um homem culto. O seu pequeno canto em um sobradinho apertado, tem estantes abarrotadas de livros; dentre eles: Palmeiras Selvagens, de William Falkner; Eleven, de Patricia Highsmith, e Árvores, de Aya Koda. E coleções de fita cassete, esse objeto estranho e anacrônico, cheio de hits do passado, Van Morrison e “Perfect Days”, de Lou Reed, que dá título ao filme, e “A casa do sol nascente” que, cantado em japonês, fica ainda mais tocante como o próprio sol desse país. “Mulheres não gostam de homens que resmungam, diz a dona do bar e que entoa essa música. Também ficamos sabendo da vida de Hirayama, através da sua sobrinha que cai de paraquedas na sua rotina costumaz. Sua irmã aparece, de outro mundo, dos vários mundos sem conexão, mas com notícias do seu pai isolado. Ele chora copiosamente por esse seu mundo do “lado de lá”. Ou de cá, das copas das árvores.

“Da próxima vez é da próxima vez”, e “Agora é Agora”, diz Hirayama, para a sua sobrinha, quando esta lhe pede para irem até o oceano e mudarem a perspectiva das coisas. Poderia ser um norte para os rumos que a história toma. Um Japão moderno, indiferente, robotizado, mas que a modernidade toma conta dos antigos espaços físicos e subjetivos. Num certo momento, um senhor ao ver um terreno vazio, se preparando para construção diz: “O que tinha aqui antes? Isso que é envelhecer?” Se pergunta amargurado. Realidade nossa de cada dia todo e em qualquer lugar.

Os dias de Hirayama parecem realmente perfeitos. Ele acorda cedo, trabalha, cuida das plantas, faz a barba, escova os dentes, olha pela fresta da janela, ouve suas músicas preferidas, frequenta uma casa de banho, janta sempre no restaurante de uma galeria e termina o dia lendo um livro. Mas seja pela belíssima fotografia de Franz Lustig, ou pelos ângulos que jamais serão os mesmos numa jornada onde se faz tudo igual, Hirayama olha para a câmera de Wenders e, numa tomada longa e profunda, ao som arrebatador de Nina Simone, nos transmite num silêncio sepulcral, o sentido/propósito da vida – VIVER! E a beleza do banal

A escritora inglesa Virginia Woolf dizia que as mulheres sempre escreveram, mas se perguntava no início do século XX porque então não...

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A escritora inglesa Virginia Woolf dizia que as mulheres sempre escreveram, mas se perguntava no início do século XX porque então não ouvimos falar delas; e responde com toda a sua propriedade: a resposta pode estar trancafiada nos velhos diários, entocados em gavetas, escondidos nas memórias do tempo. Pode estar também na vida e na sua obscuridade, nos corredores sombrios da História, onde vagamente as figuras de gerações de mulheres tão pouco eram percebidas. Porque muito pouco se sabe das mulheres. A História da Inglaterra é uma História de uma linhagem masculina e não feminina. Dos nossos pais sempre sabemos de algum fato, alguma distinção. Eles foram soldados, ou marinheiros, pertenciam a alguma instituição e faziam as leis. Mas sobre as nossas mães, nossas avós, nossas bisavós, o que restou? Nada, mas uma tradição. Uma era bela; outra tinha o cabelo vermelho; uma outra foi beijada pela Rainha. Não sabemos nada delas a não ser seus nomes e as datas dos seus casamentos e o número de filhos que tivera. (Virginia Woolf, “Women and Fiction”, tradução livre)


No último dia 26 de março, A Fundação Casa de José Américo fez um evento por ocasião dos festejos do Dia Internacional da Mulher, chamado de “Escritas nas Estrelas - Mulheres na Literatura da Paraíba”. Evento esse que, teve como ponto de partida, a pesquisa da Professora Doutora Ana Coutinho, cuja tese de doutorado na UFPe, 2005, título “Tecendo fios de liberdade: escritoras da Paraíba
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do começo do século 20”. Tese essa que teve como foco o resgate/visibilidade das escritoras paraibanas do início do século até uma determinada data. Ana trabalhou com memória e estudou algumas das nossas escritoras até então desconhecidas e/ou silenciada, como Eudésia Vieira, Maria Ignez Maris, Olivina Olivia Carneiro e Lylia Guedes, que se destacam pela produção literária significativa. Ana, hoje é voluntária da FCJA, e junto com a equipe dessa Casa e em parceria com a Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana e a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), por meio da Editora A União, resolveram estender essa homenagem às escritoras de hoje, da atualidade, dando assim um pontapé inicial para uma catalogação mais efetiva das mulheres que escrevem aqui na Paraíba.

Nessa pandemia tivemos que nos virar nos 30 para sobreviver. Entre quatro paredes. O trabalho doméstico foi um peso, mas também uma s...

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Nessa pandemia tivemos que nos virar nos 30 para sobreviver. Entre quatro paredes. O trabalho doméstico foi um peso, mas também uma saída, os vinhos, as leituras, filmes e séries também. Tudo valia para driblar o medo e a ansiedade.

Esse foi o tema da Roda de Conversa para a qual fui convidada, pelo Ministério Público do Trabalho na Paraíba, em alusão ao Mês da Mulh...

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Esse foi o tema da Roda de Conversa para a qual fui convidada, pelo Ministério Público do Trabalho na Paraíba, em alusão ao Mês da Mulher. Uma alegria esse convite. Ainda mais, na companhia da atriz e educadora Zezita Matos, e da escritora e também professora, Patrícia Rosas. Na verdade, na sincronia de todas sermos professoras.

Uma parte de mim É multidão Outra parte estranheza E solidão Ferreira Gullar Acho que, desde muito pequena, fui uma criança solitá...

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Uma parte de mim É multidão Outra parte estranheza E solidão
Ferreira Gullar

Acho que, desde muito pequena, fui uma criança solitária. Fazia muitas amizades na rua, no colégio, mas a saúde era frágil. Sofria com a garganta e tinha todas as mazelas que afligem as amígdalas. Desenvolvi uma paciência extra para ficar doente, perder aulas, tossir a noite toda, tomar lambedores e não poder tomar friagem, chuvinha fina etc. O que era normal para todos, para mim, era sempre um suspense. Gracias a la vida, tomei

Dizem que o ano começa depois da quarta-feira de cinzas. Acabou o mês interminável de janeiro. Passaram as festas do Ano Novo, as fér...

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Dizem que o ano começa depois da quarta-feira de cinzas. Acabou o mês interminável de janeiro. Passaram as festas do Ano Novo, as férias, e a festa do momo. Que venham as águas de março e o sabor de recomeço e renovação. O ano letivo também já começou, as ruas movimentadas com os carros e os alunos com suas mochilas. A cidade quase na normalidade, os turistas voltaram para as suas casas. O calor? Teima em continuar escaldante.

“ A ideia é trazer um pouco desse caminho cultivado por muitas mãos: das mestras que tivemos o prazer de compartilhar experiências, da...

A ideia é trazer um pouco desse caminho cultivado por muitas mãos: das mestras que tivemos o prazer de compartilhar experiências, das mulheres que participaram de nossas oficinas de percussão e que nos ensinam a cada conquista por elas alcançadas, pelas manifestações culturais afro-brasileiras que são o norte de nossa estrada(As Calungas)

Tenho um tambor dentro de mim. Digo isso porque, desde menina, não podia ouvir um Ala Ursa que queria seguir atrás. Aquele som, mais a liberdade de sair batucando pelas ruas e anônima, muito me tocavam lá dentro. Literalmente. Sou do Carnaval. Adoro. Muito mais do que o São João, como preferem outros. Mas no meu tempo, como dizem os mais velhos, não tínhamos o que hoje se apresenta. O máximo era o Corso, no Centro, e eu me conformava com o mela-mela, as lança-perfumes e o pouco que brinquei nos Clubes. Mas, nos salões da AABB e Cabo Branco, eu queria sumir entre os confetes e fazer os passos do frevo como hoje vejo no Recife. Deus sabe o que faz! Não fosse o mundo pequeno em que vivia, acho que eu teria dado para passista, se tivesse nascido no Rio. Na Mangueira, (fui uma vez num ensaio oficial e tremi nas bases). Ou no Acho é Pouco, em Olinda, onde brinquei no final dos anos 70 e começo dos 80. Ladeira abaixo.

Geralmente em janeiro é época de chuvas pelo Sudeste e com as mudanças climáticas só o que se vê é enchente, rios transbordando, miséri...

enchente sudeste janeiro desigualdade social
Geralmente em janeiro é época de chuvas pelo Sudeste e com as mudanças climáticas só o que se vê é enchente, rios transbordando, miséria e tragédias. Anunciadas todas. A natureza é implacável, mas os governos incompetentes não se previnem, não tomam conta da população, não fazem o mínimo do dever de casa. E fico muito triste ao ver na TV as mortes, os carros boiando, as casas destruídas, as pessoas sem casa e perdendo tudo. Outra vez.

Velho, não entardecido talvez Antigo sim. Me tornei antigo porque a vida, tantas vezes, se demorou. e eu a esperei como um rio aguard...

idade setenta anos aniversario tempo
Velho, não entardecido talvez Antigo sim. Me tornei antigo porque a vida, tantas vezes, se demorou. e eu a esperei como um rio aguarda a cheia.
(Mia Couto)

Essa velhice do nascedouro tem ambiguidades pontiagudas a juventude sem compromisso e a maturidade latente do peito da mãe que se doa. Carências e ofertas. Tudo junto. Mistura entre lírico e samba, entre tango e frevo. E o torturante fado a me acompanhar. Entre o calar e o gritar.
(Albiege Fernandes)

Sou Ana Adelaide Peixoto Tavares – Viúva, mãe de Lucas e Daniel, avó de Luísa. Professora Doutora da UFPB, aposentada – Departamento de Letras Estrangeiras Modernas. Escrevo crônicas no jornal A União e no blog Ambiente de Leitura Carlos Romero. Gosto de viajar e de não fazer nada. De cinema, ler e de dançar. De comer massa com pão de alho. De moda e de música. Não necessariamente nessa ordem... E de contemplar a vida... e todas as horas! “A prontidão é tudo”! Com poesia. Sempre! Já tive os cabelos vermelhos. Hoje não mais.

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Ana Adelaide Peixoto Tavares Acervo da autora
Assim está o meu pequeno currículo.

Sou aquariana e amante da liberdade. E do sossego. Sou muito grata por ter nascido em meados dos anos cinquenta e ter assistido a transformação inimaginável do mundo. Final do século XX e começo do XXI. Quantas mudanças! e a tecnologia e junto com ela, a gente com um celular na mão e uma loucura na cabeça. Mas tenho que admitir que, sem essa maquininha, a minha vida e transformações íntimas não teriam sido possíveis – ficar viúva, ninho vazio, e morar sozinha. Essa simultaneidade das coisas e instantaneidade me dão companhia e a ilusão de pertencimento, mas, a essa altura, quem quer saber da verdade? Contento-me com a ilusão.

Com tantas décadas no lombo, vamos mudando também. Vou ficando mais parecida com meu pai, ensimesmada. Mas sem o seu xadrez, infelizmente. Sempre fui caseira, mas tinha um pé no mundo. Hoje bem menos. Ainda gosto da rua, mas o calor me deixa dormente.

idade setenta anos aniversario tempo
Gosto de olhar para trás e ver tudo o que aconteceu comigo. Não tudo, claro. Se pudesse mudar, sim, mudaria alguns destinos. Quem nunca?

Festa? Lembro da personagem de Virginia Woolf, Mrs Dalloway, que vivia a dar festas. Uma forma de uma mulher naqueles tempos londrinos observar o mundo, se expressar e viver o mundo público. Eu já gostei muito de festas. Não por esses motivos. Mas também para me expressar dançando, beijando os meninos bonitos, e explodindo as alegrias da juventude. Lembro que nos meus 50 ofereci uma festa para a família e amigos chegados, no Parahyba Café, e amanhecemos o dia, eu e Juca dançando Caetano: “E agora, que faço eu da vida sem você?...você não me ensinou a te esquecer”.

Nos 60, eu estava enlutada e tivemos só um bolinho para a família no aconchego da minha casa. Hoje, com mais uma volta ao sol, completando essa data redonda, 70 anos, quadrada e triangular, agradeço – Gracias a la vida! Que me há dado tanto. E celebro com meus filhos, companheiras, neta, irmãs, sobrinhos e cunhados, a minha vida. Recentemente, tive sustos na saúde, sustos que chacoalham a nossa existência e temos que tirar forças outras para enfrentar a vida: que não vai te tratar bem...

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Quem quiser que fale bem de uma idade dita terceira. Queria mesmo era voltar aos 40! Mas não temos opção e seguir em frente é a Pasárgada possível. Comerei pastel de nata, sim! Darei uns mergulhos no mar, e já tenho os meus desejos íntimos. Conquistas? Nunca são muitas. Mas nunca fui ambiciosa. Ter um chão iluminado. Comidinha quentinha na mesa e contas pagas. Saúde e alegria de viver. Quem já teve depressão e síndrome do pânico, sabe do que falo. Um vestido novo, um sorvete de pinha, um entardecer, uma boa noite de sono, são luxos. Mas, e o Carnaval? A loucura dele é um êxtase que me faz falta.

A finitude? Assusta sim. Os cabelos brancos nos lembram sempre dessa data num futuro próximo, mas gosto de pensar num futuro perdido nas nuvens, que não tenho controle, que ele só aconteça.

E como as lobas das Mulheres de Clarissa Estés Pinkola, celebro:

“Coma Descanse Perambule nos intervalos Seja Leal Ame os filhos queixe-se ao luar Apure os ouvidos Cuide dos ossos Faça amor Uive sempre".

Para Luísa Hoje eu quero paz de criança dormindo E abandono de flores se abrindo (Dolores Duran) Final de ano, fico triste com as r...

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Para Luísa

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
(Dolores Duran)

Final de ano, fico triste com as retrospectivas, principalmente com a lista enorrrrrme dos mortos – anônimos e famosos. Passa a vida na cabeça, os dias, e o tempo que resta. Sim, estou na fase das jabuticabas de que falou Rubem Alves, a conta é decrescente. Mas não penso nisso. A vida é hoje, mas a tristeza é real. Ainda mais que fico sabendo da morte do amigo de infância, Alexandre Carneiro, meu par nas quadrilhas juninas do final dos anos 60, e depois amigo das noitadas e turma de que já falei aqui semana passada. Tudo urgente.

No final da década de 70, entrando pelos 80´s atravessei dificuldades na vida que mudava e mudava, ao som das músicas Esotérico de...

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No final da década de 70, entrando pelos 80´s atravessei dificuldades na vida que mudava e mudava, ao som das músicas Esotérico de Gil e Caetano e Travessia de Milton e Começar de Novo de Ivan Lins. Tornei-me uma mulher desquitada, na época era assim que chamava, e fui viver uma adolescência tardia aos 25 anos. E claro que, ao som do Taracon também, e noites na boemia, reencontrei amigos de infância e outros nem tão de infância assim. Uma turma de amigos que, curtiam encontros nas sextas à noite, sábados no bar de Lindenberg (Boibumbar) no Bessa, ou no Motocar, Ponta Cabo Branco.

E sobrevivemos ao Natal! Com os babilaques de sempre – comprei uma árvore minúscula e cafona, para brindar a minha neta, Luísa, que des...

E sobrevivemos ao Natal! Com os babilaques de sempre – comprei uma árvore minúscula e cafona, para brindar a minha neta, Luísa, que descobriu antes do tempo e quis ver. Lá se foi a surpresa.

Para Lara Nunca fui chegada a exercícios físicos. E sou feita de material genético diferente, pois nunca senti a adrenalina no após e...

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Para Lara

Nunca fui chegada a exercícios físicos. E sou feita de material genético diferente, pois nunca senti a adrenalina no após exercício, aquela energia que dizem todos sentir. Quando me exercito, fico exausta e querendo dormir. Mas gosto muito de caminhar, mesmo com alguns impedimentos; dançar – que amo; e de me alongar. Repuxar o esqueleto. Há alguns anos cuido disso, de forma não sistemática, mas sempre em busca do alcançar longe. E aí serve para tudo. E no mais, a coisa mais preciosa na velhice é a cabeça e a mobilidade. Ser autônoma é tudo que mais quero na minha vida solitária. E temos que correr atrás dos longos anos de sedentarismo da juventude.

O Tema da redação do Enem 2023- 'Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Br...

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O Tema da redação do Enem 2023- 'Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil'- me deu uma esperança de que existe luz no fim do túnel. Digo, para a vida das mulheres. Ou pelo menos, me deu alegria de ver os jovens de todos os gêneros, classes e credos a pensar e escrever sobre o assunto. E senti o impacto ao meu redor, quando vi pais discutindo o tema com os filhos.

Sou fã da escritora, atriz, roteirista, Fernanda Torres, embora não tenha lido o seu romance de estreia, Fim. Acho-a uma atriz de pes...

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Sou fã da escritora, atriz, roteirista, Fernanda Torres, embora não tenha lido o seu romance de estreia, Fim. Acho-a uma atriz de peso e engraçada. “Tapas e Beijos" me fazia rir muito. E os filmes Os Normais, O que é isso, Companheiro?, Terra Estrangeira, Eu sei que vou te amar, Casa de Areia, dentre tantos.

O filme Memórias de Paris (de Alice Winocour, 2022), no Festival de Cinema Varilux, tem como enredo os ataques terroristas em Paris ...

destino instante paris irreversivel cinema
O filme Memórias de Paris (de Alice Winocour, 2022), no Festival de Cinema Varilux, tem como enredo os ataques terroristas em Paris com foco num dos cafés atingidos.

A personagem principal, Mia (Virginie Efira), sai de um encontro com o marido depois de uma desculpa conveniente para ir a um encontro amoroso, e ela, por conta da chuva torrencial, resolve parar num Café. Fica a observar detalhes nos clientes. Duas moças que tiram selfie, um pescoço com um colar, uma outra que se dirige ao banheiro, um aniversário celebrado na mesa vizinha, um olhar sedutor do aniversariante, quando, de repente, uma explosão.

Há muitos anos que me incomoda a relação de nós mulheres com o nosso corpo. A pressão da sociedade por corpos irrealizáveis. Sempre fu...

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Há muitos anos que me incomoda a relação de nós mulheres com o nosso corpo. A pressão da sociedade por corpos irrealizáveis. Sempre fui magrela, e naqueles tempos, sofria por não ter peito grande. As minhas amigas todas tinham. E logo eu que adorava decotes ousados, transparências e biquinis minúsculos. Mas fui em frente até o namorado elogiar os meus pequenos. Precisei do olhar masculino para levantar a visão que tinha do meu corpo magro.

Sempre me dei bem com ela, pois descobri que nunca havia sentido esse estado, aquele mais sombrio; talvez conheci aquela solidão mais ...

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Sempre me dei bem com ela, pois descobri que nunca havia sentido esse estado, aquele mais sombrio; talvez conheci aquela solidão mais pontual e por ocasião de alguma viagem solitária, ou um momento específico da vida. E claro, aquela pior, que é a solidão acompanhada. Quem nunca?

“ Olhar o mundo geometricamente é mais simples ” (Raul Córdula) Fui na exposição do artista plástico Raul Córdula (pintor, artista gr...

raul cordula pintura arte paraibana
Olhar o mundo geometricamente é mais simples
(Raul Córdula)

Fui na exposição do artista plástico Raul Córdula (pintor, artista gráfico e crítico de arte), Energisa, 19 de outubro-18 novembro 2023. 80 anos de idade; 20 anos da Usina Energisa; 20 anos da sua mostra “antologia – 1963-2003”, a primeira de um artista paraibano na Usina.