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Começou em fevereiro o Clube de Leitura e Escrita: Fale mal, mas fale de você , da cronista e podcaster Tati Bernardi; inscrevi-me porq...

Começou em fevereiro o Clube de Leitura e Escrita: Fale mal, mas fale de você, da cronista e podcaster Tati Bernardi; inscrevi-me porque gosto da Tati, ouço os seus muitos Podcasts, assim como ela, gosto de psicanálise (ignorante sou), e vi nesses encontros,

As mulheres têm que estar nuas para poderem estar num museu? Menos de 5% dos artistas na seção de arte moderna são mulheres; no ent...

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As mulheres têm que estar nuas para poderem estar num museu? Menos de 5% dos artistas na seção de arte moderna são mulheres; no entanto, 85% dos nus são de mulheres. Guerrilla Girls
Foi lançado, no último sábado, o livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba (Arribaçã Editora, 2025), pesquisa da Profª. Doutora Madalena Zaccara (professora da UFPE, com currículo vasto e potente) e da Doutora Sabrina Melo (historiadora, museóloga e professora da UFPB). “94 perfis, recuperando histórias, obras e trajetórias que muitas vezes permanecem dispersas ou pouco registradas na historiografia artística. A obra se dedica a investigar, documentar e valorizar parte da trajetória das mulheres artistas visuais que atuaram na Paraíba, com recorte temporal que se inicia na década de 1920 e se estende aos dias atuais”.

"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei. ... que a importância de uma coisa não se mede com fita...

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"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei.
... que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.” (Manoel de Barros)
Certo dia, assistindo a um documentário sobre o poeta do Brasil Central, Manoel de Barros, fiquei enternecida com aquele homem tão simples, de versos singelos e únicos, a dizer que não sabia fazer nada na vida e que o que mais gostava era ficar à toa. Identificação instantânea! Por favor, não me julguem arrogante; estou só me comparando ao não saber fazer nada e ficar à toa… Infelizmente, não sei fazer versos, ainda…

Não foi um crime… Foi um colapso da humanidade dentro de um homem só. Quando um pai mata os próprios filhos, mata um e o outro, para ...

feminicidio vicario violencia domestica
Não foi um crime… Foi um colapso da humanidade dentro de um homem só. Quando um pai mata os próprios filhos, mata um e o outro, para ferir a mãe, não estamos mais falando de ódio. Estamos falando de falência moral absoluta. De um lugar tão escuro que já não existe linguagem que explique. Só silêncio constrangido. Porque filhos não são extensão de vingança. Filhos são território neutro. Sagrado até para quem não acredita em nada. Aquele homem não quis matar duas crianças. Ele quis assassinar emocionalmente uma mulher… usando o que ela tinha de mais vivo. Isso não é sobre separação. Não é sobre disputa. Não é sobre guarda ou ciúme. É sobre posse. Sobre a incapacidade de aceitar que o outro é livre. Jornalista Flavio Ferraz (Instagram)
A definição de feminicídio vicário é: “uma forma extrema de violência de gênero em que o agressor mata filhos, enteados(as), ou outras pessoas próximas à mulher (como animais de estimação) com o objetivo específico de causar sofrimento, dor insuportável e punição à mãe, agindo como um ‘feminicídio indireto’”. É uma ferramenta de controle, poder e vingança utilizada após o fim do relacionamento ou para subjugar a mulher, atingindo-a “onde mais dói”.
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GD'Art
Ao comentar o caso em Itumbiara, o Instituto Maria da Penha, organização não governamental (ONG) que atua no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres, confirmou que casos de violência vicária não são exceção. “É uma forma de violência de gênero que atinge mulheres por meio de crianças e adolescentes. Quando filhos e filhas são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem” (Agência Brasil).

“As Muriçocas nascem da obstinação alegre de um folião visionário, mas crescem como expressão coletiva, reunindo artistas, amigos, ...

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“As Muriçocas nascem da obstinação alegre de um folião visionário, mas crescem como expressão coletiva, reunindo artistas, amigos, comunidades e milhões de foliões e foliãs. Ao narrar essa trajetória, o autor revela um carnaval que tem tempo e lugar, que não se desloca do seu território simbólico nem da sua memória afetiva. Um carnaval enraizado nas pessoas, nas individualidades e nos coletivos, que fez das Muriçocas de Miramar não apenas um bloco, mas um marco do carnaval de João Pessoa, da Paraíba, do Nordeste e do Brasil.” Fred Maia
Domingo, dia 1 de fevereiro, o compositor e puxador do Bloco das Muriçocas do Miramar, Mestre Fuba, lançou o livro A Celebração da Alegria: 40 anos das Muriçocas do Miramar (Editora A União). O livro, diz o jornalista Fred Maia, na orelha, “é mais que o registro de um bloco carnavalesco: é a narrativa de uma cidade em festa e de uma geração que fez do carnaval um gesto contínuo de pertencimento... Ele se constrói no encontro, na amizade, na soma de paixões.”

Esse é o nome de um quarteirão , ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontro...

nostagia baixo tambau boemia degradacao urbana
Esse é o nome de um quarteirão, ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontros e transgressões. Lugar onde também pontos de cultura e comportamento se estabeleciam. O Bloco das Virgens, no Bar do Convívio, é um exemplo. Bares como o Boiadeiro, Travessia, O Quintal, o Peniqueiral, o Bar da Xoxota, o Do Meu Cacete, o Do Pau Mole (vale conferir os nomes!) e tantos outros. O Última Sessão, que depois virou O Apetitto (sede do Bloco As Piabas, posteriormente), com seus pratinhos nas paredes. As calçadas cheias de jovens.
nostagia baixo tambau boemia degradacao urbana
Praia de Tambaú, anos 70, em J.Pessoa-PB ▪️ Instagram: @joaopessoabrasil
A Peixada, o Chinês, a Lanchonete Natural, e a boemia correndo solta. O Empório Café fez e faz onda ainda. Ricky Mala, Suzy Lopes e seus Saraus Poéticos, e Toinho Matos, que também movimenta o Carnaval. Tudo junto mesmo.

Para o querido amigo Buda Lira, ator do filme O Agente Secreto , em nome de quem saúdo esse elenco divino e maravilhoso. Mais que todo...

cinema brasileiro agente secreto ano 1977 ditadura brasil
Para o querido amigo Buda Lira, ator do filme O Agente Secreto, em nome de quem saúdo esse elenco divino e maravilhoso. Mais que todos, os paraibanos.
Este foi o ano retratado no filme O Agente Secreto, do premiadíssimo diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho, que, na semana passada, recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco (Gabriel Domingues). O Brasil inteiro celebrou com a camiseta do Bloco Olindense Pitombeira (numa referência à camiseta usada no filme pelo personagem de Wagner).
cinema brasileiro agente secreto ano 1977 ditadura brasil
Kleber Mendonça, diretor do filme O Agente Secreto ▪️ Foto: Harald Krichel
Dona Tânia Maria, com seu vestido florido e seu cigarro desaforado, também aconteceu. E viva o Cinema Brasileiro! E viva o orgulho da cultura pernambucana!

Minha cabeça gira por : Shakespeare, o escritor referência para a literatura ocidental. Tragédias, comédias, sonetos. Minhas aulas com ...

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Minha cabeça gira por: Shakespeare, o escritor referência para a literatura ocidental. Tragédias, comédias, sonetos. Minhas aulas com a professora Vitória Lima, com João Batista de Brito,

Toda grande imagem simples revela um estado de alma. A casa, mais ainda que a paisagem, é "um estado de alma". "Quando...

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Toda grande imagem simples revela um estado de alma. A casa, mais ainda que a paisagem, é "um estado de alma".
"Quando a casa é feliz, a fumaça brinca delicadamente acima do telhado". A Poética do Espaço – Gaston Bachelard 
Meu filho caçula, Daniel, saiu de casa em janeiro de 2020. Foi para São Paulo batalhar a vida. Fiquei de cama, literalmente. E logo eu que dizia que não me importava se meus filhos ganhassem os mundos. Uma coisa é o que idealizamos ser, outra, o que somos. E eu dizia isso quando era mais jovem, todos em casa, família reunida. Lucas, o filho mais velho, já havia saído de casa há tempos. Mas mora perto, e a casa de mãe é logo ali... tem outros significados. Mas, mesmo assim, e com outro temperamento, tenho certeza do lugar que essa casa simbólica ocupa no seu coração.

E a passagem do ano foi na intimidade do meu canto. Com pernil, lentilha, romãs — que adoro pela cor e textura — e espumante. Assi...

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E a passagem do ano foi na intimidade do meu canto. Com pernil, lentilha, romãs — que adoro pela cor e textura — e espumante. Assistindo, desde cedo, aos fogos ao redor do mundo. Gosto desse dia e de ver o calendário rodando mundo afora. Como no Natal, já fui invadida por angústias dessa festa também. Tinha problemas com o álcool em família, e essa apreensão só deixa todo mundo cabisbaixo.

Faço todos os anos. Gosto de mergulhar no mar. Agradecer o ano. Pensar sobre ele. E, no dia primeiro, faço igual: meus pedidos. Poucos...

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Faço todos os anos. Gosto de mergulhar no mar. Agradecer o ano. Pensar sobre ele. E, no dia primeiro, faço igual: meus pedidos. Poucos. Saúde é o primeiro. E para os meus. E para o mundo. Faça a paz e não a guerra! Tão distante esse slogan e tão atual. O homem andou pouco nesse sentido.

Natal. Tempo de sentimentos ambíguos. Para quem é religioso, há toda uma liturgia e rituais a cumprir. A contrição do nascimento de Jes...

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Natal. Tempo de sentimentos ambíguos. Para quem é religioso, há toda uma liturgia e rituais a cumprir. A contrição do nascimento de Jesus. A festa. No meu caso, aniversário da minha mãe também.

Eu evito ruas desertas/ Evito vielas/ Escadarias de bairro/ Mesmo cantos internos de calçada.// Eu evito praias desertas/ Caminhos soli...

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Eu evito ruas desertas/ Evito vielas/ Escadarias de bairro/ Mesmo cantos internos de calçada.// Eu evito praias desertas/ Caminhos solitários na madrugada./ Evito a sombra das árvores/ Eu evito a própria noite/ Que é metade de um dia/ Que é metade da vida./ Mesmo quando acompanhada/ De outra mulher.// Mudo o caminho/ Dou a volta/ Meia volta/ Espero/ Mudo de calçada./Observo. (Veronica Ferriani)

Nasci numa casa feminina. Somos quatro irmãs e uma mãe. Vivemos todos os medos e avisos dessa citação acima. Sabemos bem do que se trata o espiar à nossa volta e fazer as devidas equações de proteção, da mais tenra infância à velhice.

A abertura do Festival Literário Internacional da Paraíba, FliParaíba, no último dia 27 de novembro, aconteceu naquele lugar especial qu...

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A abertura do Festival Literário Internacional da Paraíba, FliParaíba, no último dia 27 de novembro, aconteceu naquele lugar especial que é o Centro Cultural São Francisco. Lugar que frequento desde menina, onde dei os meus primeiros beijos por entre os arcos, por entre os azulejos portugueses. Uma orquestra de sanfonas me fez chorar. E a filha de Vital Farias, cantando junto — Margarida — mais lágrimas, por entre o barroco e os anjos daquela capela da Nave Central.

Ah, viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não para, viver parece ter sono e não poder dormir – viver é in...

idade velhice maturidade
Ah, viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não para, viver parece ter sono e não poder dormir – viver é incômodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.
(Clarice Lispector)

Essa nada mole vida na terceira idade não tem sido fácil! Tema da redação do Enem: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Não sei se os jovens que fizeram a prova tinham o conhecimento necessário para tal desafio, embora muito tenha se falado em etarismo, preconceitos e envelhecimento nos últimos anos. E sempre soube que, para qualquer exame, ler jornal, sites e estar bem-informado conta. Já eu, se fosse fazer a Redação, talvez tirasse dez. Muito o que contar sobre acordar, sair, solidão, invisibilidade, limitações, expectativa de vida, de como somos tratadas no diminutivo, os tantos fins, o ladeira abaixo, alegria de viver, amizades e amores. Ou a falta!

É esse o título do mais novo livro da escritora tão jovem e tão consagrada, Aline Bei . Já havia me encantado com os seus dois romances...

delicada coleção de ausencias aline bei
É esse o título do mais novo livro da escritora tão jovem e tão consagrada, Aline Bei. Já havia me encantado com os seus dois romances anteriores: O peso do pássaro morto e Pequena coreografia do adeus. A capa já tem uma aquarela de duas flores vermelhas e um título que dança. Dança? Mas esse não era o título do segundo livro? Sim. Tudo se interliga de uma certa maneira. Essa coleção. Essa delicadeza. Essas ausências.

Há algo de atroz em alinhar corpos no asfalto, em ter que ir buscar os corpos na mata cerrada, ir puxando um por um até que estejam to...

destino tragedia rio janeiro
Há algo de atroz em alinhar corpos no asfalto, em ter que ir buscar os corpos na mata cerrada, ir puxando um por um até que estejam todos expostos, à luz clara da manhã. Mas a atrocidade não é das famílias, não é dos cronistas: é das forças oficiais que consumaram essa realidade, é do governador que as comandou... (Julián Fúks)

Duas cenas marcaram profundamente as notícias da semana diante da tragédia do Rio de Janeiro no combate ao Comando Vermelho e da chacina na mata. A cena das dezenas de corpos estirados no chão, no meio da rua. E a mais triste: a cena de uma mãe, despedaçada pela tristeza, por cima do caixão do filho assassinado. O luto singular. Um rito de reconhecimento da dor do outro. Mais de 100 mortos e dezenas de feridos. E, no
destino tragedia rio janeiro
Lilia Schwarcz
meio de assassinos, gente da favela e policiais. Rio — uma cidade conflagrada, como li nos comentários de tantos. Uma pena de morte imposta pelo Estado. Como disse a historiadora Lilia Schwarcz: “A necropolítica da fabricação do anonimato e da ausência de informações. Mortes usadas como palanques.” E o governador do Rio, Cláudio Castro, chamando a operação de sucesso. Mas o que se viu, como disse Lilia, “foi barbárie com uniforme, terno e gravata. Uma tragédia com data, rosto e endereço, mas que, para o país, tornou-se apenas mais uma linha nas estatísticas da indiferença.” Um massacre!

E toda vez que me encontro diante das dores das mães, me pego com fotos dos meus filhos pequenos. Sincronicamente, o Facebook me trouxe uma foto com meu filho caçula, Daniel, ainda bebê, sentadinho à beira-mar da praia de Camboinha. Era cedinho de um domingo qualquer, há mais de trinta anos atrás, me peguei a pensar. Que privilégio foi o meu! O amor e a singeleza dessa foto para me abstrair da dor das mães da Favela do Alemão e da Penha.

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João e Elizabeth Jardelino
Meus sogros, Seu Jardelino e D. Tezinha, construíram sua casa à beira-mar, onde tinham terreno e a primeira casa desde os anos 60/70. Naquela época, essas praias tinham espaço para pessoas de classe média, hoje habitadas por ricos. Dessa nova casa, eu já tinha Juca como companheiro e Lucas, meu filho mais velho, com 4 anos. Mas foi depois de algum tempo que surgiu uma casa bonita de primeiro andar, com aquela vista de um mar manso e azul. Todos os carnavais, natais, ano-novo, Semana Santa, feriados e férias, eu podia ocupar uma suíte no primeiro andar, e lá eu era amiga do rei. Digo da rainha, pois, depois da partida de J.J., como meu sogro era chamado na intimidade, D. Tezinha morou longos anos sozinha naquela imensa e acolhedora casa. Era perigoso? Sim. Não como hoje. Mas ela se recusou a sair de lá, pois tinha seu jardim todo seu. Assim como em “Nos jardins de nossas mães”, de Alice Walker.

A casa era enorme, mas decorada simplesmente. Tinha um mesão na sala de jantar para todos da família. Uma mesa farta com feijão verde e galinha de cabidela e, no café da manhã, mamão cortadinho e tapioca. Sim! E cuscuz no molho de coco, que amo. Um biquíni, uma canga na cintura e um par de Havaianas (mas não era Fernanda Torres na publi!).
destino tragedia rio janeiro
Ana Adelaide e Daniel
Assim, eu passava os dias. Tomando banho de mar e, depois, uma ducha no chuveirão do quintal, com o leve perfume das pitangas plantadas rente ao muro. Lá na frente, uma churrasqueira em que Juca se arvorava de gaúcho, e um pé de oliveira que eu vi crescer; daí passarmos os dias de lábios roxos. Eu, que vinha da fúcsia dos jambeiros da Av. Almirante Barroso, só mudava de tom. Lilases! Na beira-mar, nos encontrávamos para chupar caju e fazer castelos de areia com as crianças. Hoje, meus sogros e Juca já voaram mais alto e habitam as estrelas.

Quando tinha feijoada, a família toda vinha sentar-se à mesa gigante da sala. Antes, porém, tinha uma cervejinha. E, após essa iguaria, todos se recolhiam às redes para o cochilo costumeiro. E eu, dormindo só por um olho, ficava brincando com Daniel no mormaço enfadonho dos domingos à tarde. Não sem antes ver o sol e a lua, com um caranguejo em cada mão, uma cerveja na outra, mangabas e manga-espada das pintinhas pretas. Noites silenciosas. Crianças que dormiam o sono dos justos. A Rua Max Zagel era calma, crianças nas ruas e vizinhos sentados nas calçadas proseando.

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Júlio Jardelino e o filho Daniel (Praia de Camponha-PB) Acervo da autora
Nas férias de janeiro, meus cunhados que moram fora chegavam de Brasília, Recife e Salvador, e a festa crescia. J.J., com sua bermuda, seu ar bonachão, sempre embevecido com a casa cheia. D. Tezinha, atrás de mimos para todos. Sempre que chega o verão, lembro-me dos tantos amanheceres e anoiteceres da minha vida. Marcantes. Mas esses de Camboinha me levam para um lugar para além de Areia Vermelha e dos navios passantes. Me levam ao infinito. Saudades daquela casa. E de tantas outras casas da minha vida que permearam meus jardins e quintais.

E, quando penso nessas memórias tranquilas e serenas do meu bebê conhecendo o mar, reverencio aquela mãe debruçada no caixão do filho morto, em nome de todas as outras.

Foi por esses dias! Meu abraço a esses profissionais que lidam com as dores das pessoas. Sempre fui admiradora dos médicos. Tinha medo ...

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Foi por esses dias! Meu abraço a esses profissionais que lidam com as dores das pessoas. Sempre fui admiradora dos médicos. Tinha medo quando menina. Mas como precisei deles! Com a minha garganta frágil (operei as amígdalas aos sete anos); gripe toda hora. Aff! Não podia ver um pingo de chuva nem um sorvete. Isso, para uma criança, é o terror.

Por esses dias, fui surpreendida com a notícia da partida do ator e diretor americano Robert Redford. Confesso que chorei. Ando chorand...

robert redford nossas noites cinema
Por esses dias, fui surpreendida com a notícia da partida do ator e diretor americano Robert Redford. Confesso que chorei. Ando chorando à toa pela partida dos meus amores do cinema. Foi assim com Belmondo, Delon, Mastroianni, Brando, Fellini, Domingos Montagner, e agora com Redford.

Domingo, 12, foi Dia das Crianças. Dia de brincar, celebrar, pensar na infância, em como andam as nossas crianças. Pensar em educação, ...

dia das criancas celebrar refletir lembrar recordar infancia
Domingo, 12, foi Dia das Crianças. Dia de brincar, celebrar, pensar na infância, em como andam as nossas crianças. Pensar em educação, parentalidade, comportamento e tantos temas que permeiam as nossas vidas. O futuro!

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