19.5.23
Das coisas que costumo consumir na internet fazem parte os conteúdos de entretenimento, incluindo aqueles que desafiam a minha mente, e...
Das coisas que costumo consumir na internet fazem parte os conteúdos de entretenimento, incluindo aqueles que desafiam a minha mente, especialmente as imagens que contêm ilusões de ótica. Além de atraentes, elas são expressões com claros objetivos de explorar nossos limites psicológicos e cognitivos, levando-nos a uma percepção diferente da realidade que supomos ser.
19.5.23
19.5.23
⏤ Não esqueça o meu Capricho. ⏤ Esqueço não, Marlene. E lá me punha eu, às terças-feiras, na carroceria de um caminhão de feirant...
⏤ Não esqueça o meu Capricho.
⏤ Esqueço não, Marlene.
E lá me punha eu, às terças-feiras, na carroceria de um caminhão de feirantes, rumo a Itabaiana, à falta de banca de revistas na pequena cidade onde cresci. A viagem de 24 quilômetros, ida e volta, teria o propósito único da compra de gibis não fosse a encomenda das fotonovelas por aquela prima da minha mãe, uma jovem dona de casa com marido e filho.
19.5.23
18.5.23
Basta de vermos animais arrastando carroças em meio a centenas de veículos pelas ruas de João Pessoa. Basta de observarmos o sofriment...
Basta de vermos animais arrastando carroças em meio a centenas de veículos pelas ruas de João Pessoa. Basta de observarmos o sofrimento de jumentos expostos ao sol do meio dia, tendo que puxar centenas de quilos sob chibatadas em seu lombo. Basta de corrermos o risco diário de uma tragédia anunciada com uma eventual disparada do animal, enlouquecido de tanto ser acicatado e partindo para cima dos automóveis, provocando um acidente fatal. Não creio que passem de uma centena os proprietários de carroças aqui na capital.
18.5.23
18.5.23
Conta a tradição cristã a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Sentado sobre um burrinho, foi saudado pela multidão em delíri...
Conta a tradição cristã a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Sentado sobre um burrinho, foi saudado pela multidão em delírio. Os quatro evangelistas narram a mesma história: foi recebido por gente que estendia as suas vestes sobre o chão poeirento. As patas do burrinho pisavam os ramos das palmeiras espalhados para enfeitar seu caminho. Os devotos sorriam, bradando entre amor e fé: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
18.5.23
18.5.23
Nutri, durante algum tempo, uma espécie de r...
Nutri, durante algum tempo, uma espécie de ranço preconceituoso com relação àqueles que acumulavam as funções de poeta, de artista plástico, de dramaturgo etc. Quem assim procedia, parecia-me querer açambarcar o mundo com as pernas. E que, não podendo fazê-lo, mostrava-se negligente, incapaz de dar conta do recado.
18.5.23
17.5.23
Prateleiras, gavetas e caixas guardam uma coleção de objetos, coisas coletadas ao longo da vida. É um álbum, um armazém de memórias...
Prateleiras, gavetas e caixas guardam uma coleção de objetos, coisas coletadas ao longo da vida. É um álbum, um armazém de memórias guardadas. Volumes catalogados num repositório de lembranças jamais esquecidas, só devidamente estacionadas, que, às vezes, emergem ao se disparar gatilhos. Coisas dos humanos, um ser improvável, que equilibra-se quando bambeia mesmo sozinho.
17.5.23
17.5.23
Um tal de José Domingos de Morais nasceu na cidade de Garanhuns, agreste pernambucano, oriundo de uma família humilde e numerosa. Seu p...
Um tal de José Domingos de Morais nasceu na cidade de Garanhuns, agreste pernambucano, oriundo de uma família humilde e numerosa. Seu pai, “mestre Chicão“, era um conhecido sanfoneiro e afinador de acordeons. Sua mãe poeticamente era conhecida como “Dona Mariinha”. Ambos, alagoanos.
Dono de uma prolífica discografia (sua produção vai de 1964 a 2010), desde menino José Domingos já se interessava por música, por influência do pai, que lhe dera uma sanfona de oito baixos. Aos seis anos de idade, aprendeu a tocar o instrumento e começou a se apresentar em feiras livres,
17.5.23
17.5.23
O poeta Waldemar José Solha e o maestro José Alberto Kaplan, com assessoramento de Dom José Maria Pires, escreveram e apres...
O poeta
Waldemar José Solha e o maestro José Alberto Kaplan, com assessoramento de Dom José Maria Pires, escreveram e apresentaram a Cantata pra Alagamar, que se tornou um hino de louvor aos camponeses que, em 1978, impuseram a bandeira de lutas por um pedaço de terra. O padre católico, o judeu e o ateu deram voz às famílias espezinhadas na terra ensanguentada, onde antes plantavam e colhiam.
17.5.23
16.5.23
Cumprindo seus ciclos astrais com a maestria de sempre, seguindo a rota cósmica sob as leis e a ordem do Universo, a lua novamente surg...
Cumprindo seus ciclos astrais com a maestria de sempre, seguindo a rota cósmica sob as leis e a ordem do Universo, a lua novamente surgiu cheia, no céu límpido sobre o mar azul, em um magnífico fim de tarde, no seu segundo dia de plenitude.
16.5.23
16.5.23
Eu o vi abrir com “My Way” — em fabuloso solo de seu trombone – a tarde que nos concedeu, a nós poucos, happy few, band of brother...
Eu o vi abrir com “My Way” — em fabuloso solo de seu trombone – a tarde que nos concedeu, a nós poucos, happy few, band of brothers, às 17 horas daquela quinta—feira, no segundo piso da extremamente silenciosa biblioteca da UFPb, para o primeiro encontro mensal com celebridades paraibanas que eu retratara para a série Pense Grande, capas do caderno FIM DE SEMANA do jornal O Norte, de janeiro de 2000 a julho de 2001.
16.5.23
16.5.23
Há dias a mídia veiculou a notícia de um casal londrino que ganhou um prêmio bilionário na loteria. Tan...
Há dias a mídia veiculou a notícia de um casal londrino que ganhou um prêmio bilionário na loteria. Tanto quanto haver ganhado o prêmio, o que chamou a atenção foi a reação dos dois. O marido, após receber a notícia informando a premiação, esperou que a mulher acordasse para lhe comunicar o fato. Já a mulher, depois de informada, tomou calmamente seu café e foi para a repartição. Exemplo melhor da fleuma britânica não poderia existir.
16.5.23
15.5.23
Os Ucranianos, seus descendentes e aqueles que por amor adotaram essa cultura comemoram na terceira quinta-feira do mês de maio o dia...
Os Ucranianos, seus descendentes e aqueles que por amor adotaram essa cultura comemoram na terceira quinta-feira do mês de maio o dia da Vyshyvanka (вишиванка, em ucraniano, pronunciada como vêshêvánka), a tradicional “camisa bordada”.
15.5.23
15.5.23
Quem anda decifrando meus escritos deve ter percebido que estou meio impaciente com certo tipo de gente. Criaturas que andam à minha v...
Quem anda decifrando meus escritos deve ter percebido que estou meio impaciente com certo tipo de gente. Criaturas que andam à minha volta, não porque eu queira, mas por circunstâncias da vida. Fazer o quê? Dizia um falecido amigo meu: “A burrice é invencível!” E não é? Ando intolerante com esses cérebros obtusos. Mas, não só com eles. Estou por aqui, com a turminha dos embromadores, aqueles uns ou umas que jogam uma conversinha nas minhas orelhas e já pensam que levaram no bico, que, como dizem por aí, me engabelaram.
15.5.23
15.5.23
Escrever que ela marcou minha geração é uma obviedade dispensável. Porque ela fez mais que isso, pois não apenas marcou, mas moldo...
Escrever que ela marcou minha geração é uma obviedade dispensável. Porque ela fez mais que isso, pois não apenas marcou, mas moldou minha geração, fazendo-nos ser aquilo que nos tornamos, ou seja, menos caretas, mais livres e – por que não? - mais felizes. Conduzindo-nos ao mundo novo, a partir dos anos 1950, tivemos Elvis, os Beatles, a Jovem Guarda e Os Mutantes. E, com estes, tivemos a ruiva e irreverente Rita Lee, diferente de tudo que então havia na MPB e na própria cultura brasileira. Quem não se surpreendeu – ou se espantou – com aquela garota sapeca provocando-nos com seu jeito, suas palavras e sua música com ares vanguardistas?
15.5.23
14.5.23
FIM DO MUNDO Sou de gêmeos. Amanheço dócil e feliz, Anoiteço triste e feroz. Sou meio bicho, onça, leoa, cadela n...
FIM DO MUNDO
Sou de gêmeos.
Amanheço dócil e feliz,
Anoiteço triste e feroz.
Sou meio bicho, onça, leoa, cadela no cio.
Sou mistura de índia, preta, branca, brasileira.
Sou daquelas que voa alto,
Cai, rola com a cara na poeira,
Mergulha nas profundezas do mar
Buscando tesouros que não estão mais lá
Tenho a fatalidade no olhar
Uma predestinação aos silêncios
A amar muito e a errar sempre
Sou forte, brava e sem medo
14.5.23
14.5.23
Sou dos que resistem a aceitar como igreja a edificação da Universal que faz vizinhança ao prédio onde moro. Fala-se da imensa for...
Sou dos que resistem a aceitar como igreja a edificação da Universal que faz vizinhança ao prédio onde moro. Fala-se da imensa fortuna do seu dono e fundador, da sua mitra inventada, e sem ser um religioso praticante, sem brigar por religião, olho com indiferença, o enorme edifício que vem servindo de templo e de referência ao meu endereço. Nossa antiga empregada, mãe de dois filhos, estava entre os seus adeptos. Morava num fundo de quintal alheio, esfalfava-se em “extras” para mantê-los regularmente na escola pública, mas não relaxava o “dízimo” que, analfabeta, ela dava graças a Deus satisfazer e pronunciá-lo com todas as letras e acentos.
14.5.23