Estou eu aqui quebrando a cabeça para escrever um texto sobre diabetes mellitus para ser divulgado no trabalho. Já fiz uma pesquisa s...
A tal da 'IA'
Nem se pense em preconceito: mas o personagem é pesadão em quilos. Não consegue passar por uma lanchonete sem que a invada. Muitas ve...
Gorda e magra
“[...] eu nascera, crescera e envelhecera num só dia” Mia couto Se é verdade que poeta nasce velho, então sou uma comprovação. Não ...
Tempo de poesia
Mia couto
Quando se completaram três anos da leitura de Os Miseráveis, de Victor Hugo, uma silenciosa leitura recomendada pelo mestre Milton Mar...
O bispo dos miseráveis
ESSÊNCIA FEMININA No mês de junho, em Campina, Em arretado forró, No bairro Bodocongó, Vi a essência feminina. Coisa l...
Coisa linda, nordestina
No mês de junho, em Campina, Em arretado forró, No bairro Bodocongó, Vi a essência feminina. Coisa linda, cristalina, Conquistou meu coração, Me pegou de supetão, Com vestido todo em flor: Encontrei o meu amor, Numa noite de São João.
Eu preferia não receber originais de poesia ou ficção. Quando o rapaz ou a moça nos entregam...
O noivado e o poema
Uma das hipóteses sobre a origem dos indígenas brasileiros, descrita pelo Instituto Socioambiental (ISA), é que eles descendem dos po...
Os rios já estavam aqui
Dimensões As palavras estão sempre lá, com seus olhos atentos a me observarem do silêncio.
O Estalo da Palavra (III)
As palavras estão sempre lá, com seus olhos atentos a me observarem do silêncio.
A linguagem neutra (LN) é uma inovação linguística preconizada, a meu ver, pela comunidade LGBTQIA+ (doravante LGBT), que se sentiu e...
A linguagem neutra
E eis que de repente, sem ele notar e ninguém ao seu redor, o geógrafo e professor Modesto Siebra Coelho chega aos oitenta anos, es...
Modesto Siebra Coelho, um jovem oitentão
A lembrança mais vívida que os outros terão de nós, será sempre em torno da impressão que deixamos em seus sentimentos. Mais do que de ...
Qual o sentido de ser gentil?
De qualquer ponto da propriedade, sua efígie nebulosa, envolta na cerração do amanhecer, sobressaia pontiaguda do céu lavado do sertão...
A Serra da Engabelada
Na vasta planície da antiga Mesopotâmia, na região do atual Iraque, erguia-se uma cidade que transcenderia os limites do tempo e do esp...
Babel: Archote de Luz
Quando são feitas listas com os principais escritores paraibanos o cronista, novelista e romancista José Vieira, quase sempre, é esquec...
Um esquecido escritor paraibano
mm José Vieira nasceu, em 1880, em Mamanguape. Ficou órfão muito jovem e, conforme um perfil biográfico elaborado pelo pesquisador e historiador Eduardo Martins, “fora obrigado a trabalhar no comércio, em profissão modesta, até os dezoito anos, quando ingressou num curso noturno recém-fundado e destinado aos comerciários”.
José Vieira, inicialmente, se mudou para a capital da Paraíba, onde se matriculou no Liceu Paraibano em um curso preparatório para tentar ingressar na Faculdade de Direito do Recife. Não chegou a concluir os preparatórios na Paraíba e, em uma nova mudança, foi para a capital pernambucana. Passou pouco tempo no Recife e se transferiu para o Ceará atendendo um convite do escritor e político paraibano José Rodrigues de Carvalho. Em Fortaleza, José Vieira ingressou no curso de Direito, fez parte da direção de um colégio e iniciou sua produção literária. Para Rodrigues de Carvalho:
Convidado por paraibanos que militavam na imprensa de Belém, José Vieira se mudou para o Pará, mas durou apenas um ano a sua permanência na cidade. Nas palavras de José Américo de Almeida, ele foi outra vez “à procura de sua estrela que podia estar brilhando em outros céus” e o Rio de Janeiro, a capital federal, o centro cultural do país, onde se publicavam os principais jornais do Brasil, seria a sua próxima parada.
Em 1913, José Vieira publicou o seu primeiro livro, A Cadeia Velha – Memória da Câmara dos Deputados. A Cadeia Velha era o prédio onde funcionou por quase 90 anos (1826-1914) a Câmara dos Deputados. Anteriormente, se instalara na edificação uma cadeia onde esteve aprisionado Tiradentes e que de lá foi retirado para ser enforcado. No local, foi construído o Palácio Tiradentes, atual sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O período abordado por Vieira no A Cadeia Velha foi aquele no qual se sobressaia no Congresso o senador gaúcho Pinheiro Machado, o “chefe dos chefes”, que “distribuía pistolões, empregos, elegia deputados, reconhecia senadores e dava até ordens ao Presidente da República”,
A correção com que José Vieira relatava as sessões da Câmara para os jornais o levou a ser indicado para ocupar o cargo de redator dos debates da Casa. No Rio, Vieira concluiu o curso de Direito e passou a frequentar a vida literária da cidade. Entre os seus amigos estava o escritor Lima Barreto, conforme registrado por Francisco de Assis Barbosa, um dos principais biógrafos do autor de Triste fim de Policarpo Quaresma.
Em 1913, José Vieira passou sete meses em tratamento em uma clínica na Suíça. Na volta para o Brasil, permaneceu certo tempo em Viseu, em Portugal, na casa do seu sogro, de onde escreveu uma série de crônicas que foram reunidas e publicadas, em 1918, com o título de Sol de Portugal. O livro foi bastante elogiado na imprensa carioca e na Paraíba causou grande impressão no jovem José Lins do Rêgo que o leu por influência de José Américo:
José Vieira somente publicaria a sua primeira obra ficcional em 1923, o romance O Livro de Thilda. As críticas, novamente, foram favoráveis ao texto de Vieira. O temido crítico literário Agripino Grieco sentenciou em O Jornal:
Em 1924, José Vieira publicou, nos meses de junho e julho na revista paraibana Era Nova, a novela Ladrão de Moças e, somente após um intervalo de uma década, apareceria uma das suas obras mais marcantes, O Bota-Abaixo (Crônica de 1904). A trama do romance acontece no período em que ocorreram as obras de reforma urbanística na área central do Rio de Janeiro implementadas na administração do prefeito Pereira Passos sob a orientação do Presidente Rodrigues Alves.
Em 1938, Vieira publicou pela Editora José Olympio, com a capa elaborada pelo paraibano Tomás Santa Rosa, um novo romance: Espelho de Casados. A obra foi elogiada pelo crítico Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde) que escreveu:
Com o fechamento do Congresso, em 1937, pela ditadura do Estado Novo, José Vieira passou a trabalhar no que viria a ser o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP do governo federal. Cabia a Vieira a revisão e o “tratamento literário” dos discursos de Getúlio Vargas, muitos deles feitos de improviso e a partir dos quais o escritor paraibano elaborava os textos com base em simples notas taquigráficas. Esses discursos de Vargas foram publicados em vários volumes sob o título de A Nova Política para o Brasil e acabaram envolvendo José Vieira em um episódio pitoresco.
Nos anos de 1941 e 1942, José Vieira publicou em duas edições da Revista Brasileira, que era editada pela Academia Brasileira de Letras, o Romance da Solteira. Em 1944, sairia a obra que foi o maior êxito literário de Vieira: Vida e Aventura de Pedro Malasarte. O livro, que teve a capa criada por Santa Rosa viria a ter uma segunda edição, em 1980, pela Editora A União, em comemoração ao centenário de nascimento do escritor. Quando da publicação da primeira edição de Pedro Malasarte o consagrado crítico Antônio Cândido classificou-a como uma “obra original, clássica ao seu modo, e de características invulgares nas nossas letras”. O escritor Oswald de Andrade escreveu sobre o livro que “da primeira à última página [...] o escritor nordestino humaniza com tal força e tal verdade e tão boa prosa, a figura lendária, que nos dá uma autêntica obra-prima”.
Em novembro de 1945, José Vieira foi nomeado Diretor do Expediente da Presidência da República, cargo no qual permaneceu até a sua morte. Em 1947, por decisão unânime dos acadêmicos,
Gonzaga Rodrigues também procurava em uma crônica o motivo para o esquecimento da obra de José Vieira:
Na mesma crônica, publicada em maio de 2023, Gonzaga Rodrigues lamentava a não inclusão de José Vieira entre os escritores da série A Paraíba na Literatura publicada pela Editora A União: “Acabamos de editar quatro belíssimas coletâneas abrangendo novos e velhos das nossas letras, um empreendimento cultural
Felizmente, as lembranças de Gonzaga Rodrigues alcançaram Naná Garcez e William Costa na EPC e A União e o Volume V da série A Paraíba na Literatura, lançado em abril deste ano, contemplou um capítulo sobre o esquecido escritor paraibano José Vieira.
Para o crítico literário Valdemar Cavalcanti, José Vieira “realizou no campo da ficção brasileira uma obra que seria profundamente injusto esquecer ou subestimar”, acrescentando:
Poderia ser, talvez, um feriado. Mas, mesmo nos feriados, havia sempre quem se aventurasse sair. Era mais que isso. Uma paralisação ger...
Pela primeira vez, estava só no mundo
A péssima condição para a subsistência humana é o critério que estabelece um conceito de pobreza. De acordo com o Banco Mundial, pobrez...






































