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Narrei, há poucos dias, as conversas dos galos da minha vizinhança, cheias de ritmo e me dizendo coisas interessantes. Para a minha satisfa...
O mito do galo
Narrei, há poucos dias, as conversas dos galos da minha vizinhança, cheias de ritmo e me dizendo coisas interessantes. Para a minha satisfação, o Dr. Adhailton Lacet Porto, Juiz de Direito, leu o meu texto e me informou que havia julgado um processo em que uma moça se queixava da vizinha, cujo galo cantava cedinho.
Nos acostumamos a ouvir a afirmação de que o amor e o ódio sempre andam juntos. Dois lados de uma mesma moeda. Há uma linha tênue que separ...
O amor e o ódio caminham juntos
Nos acostumamos a ouvir a afirmação de que o amor e o ódio sempre andam juntos. Dois lados de uma mesma moeda. Há uma linha tênue que separa um do outro. Interessante perceber que tem muita gente que fala de amor com ódio no coração. Essas emoções conflitantes se encontram em todo ser humano. Nietzsche já afirmava que “O amor e o ódio não são cegos, mas cegados pelo fogo que levam por dentro”
Sempre tive o hábito de acalentar a madrugada. Como durmo muito cedo, geralmente acordo por volta das 4 da matina. Desde que começou esse...
Um dia isso passa...
Sempre tive o hábito de acalentar a madrugada. Como durmo muito cedo, geralmente acordo por volta das 4 da matina.
Desde que começou esse confinamento, no entanto, vejo que tenho muitas companhias. Acordo, fico bolando na cama, mexo no celular e encontro um monte de gente online, fazendo postagens, curtindo, comentando.

Como se não bastasse o confinamento, ainda vêm as notícias de morte, as doenças na família. Como diria Gullar, estamos com o corpo riscado de hematomas. Mas sempre existe a cura. E quando ela chegar, a madrugada é que nos acalentará.
2020 é praticamente um ano perdido. Tudo sendo adiado para as calendas gregas. Quando não, cancelado.
Não há perspectiva de mudança. O pico sempre fica para o mês seguinte, já que não se tem a cura e o vírus está no ar.
E há outros vírus que estão no ar, mas desses é melhor nem falar.
O certo é que a vida está suspensa e não somos os que se equilibram em cima do arame. Nós somos o arame.
Cuidemos um do outro e aguardemos!
Uma hora isso tudo passa.
Talvez alguns leitores estejam se perguntando o que significa adversativo; outros talvez estejam dizendo que já viram vários títulos dados ...
Jesus adversativo
Talvez alguns leitores estejam se perguntando o que significa adversativo; outros talvez estejam dizendo que já viram vários títulos dados a Jesus, mas não este. Para responder a essas dúvidas, é importante começar lembrando que a adversatividade é a condição da contraposição que se manifesta linguisticamente pelas orações adversativas - aquelas iniciadas pelas conjunções coordenadas mas, porém, contudo, entretanto, todavia.
"Sub specie aeternitatis" - A expressão latina consta da Ethica, de Espinosa , e tem sido traduzida de diferentes maneiras. Há os...
À luz da eternidade
"Sub specie aeternitatis" - A expressão latina consta da Ethica, de Espinosa, e tem sido traduzida de diferentes maneiras. Há os que a entendem como “à luz da eternidade”, enquanto outros preferem “do ponto de vista da eternidade”, como o escritor Paulo Rónai. Pessoalmente, penso que as duas traduções são boas, pois expressam com razoável fidelidade o “espírito” da frase, isto é, uma perspectiva de vida eterna colocada como parâmetro, referencial ou contraponto à vida terrena dos homens.
Tudo aconteceu desse jeito mesmo, tal e qual. Era a época em que Rita Pavone buscava um martelo para com ele dar na cabeça daquela exibida ...
Os tons da saudade
Tudo aconteceu desse jeito mesmo, tal e qual. Era a época em que Rita Pavone buscava um martelo para com ele dar na cabeça daquela exibida de olhos pintados. Também, nas dos casais coladinhos, em baile com música lenta e luzes apagadas. Que raiva isso dava naquela mocinha com modos de criança, mas já então nos palcos do mundo.
Num desses paradoxos da vida, passei nove meses calado, em 1997, pintando minha homenagem ao mestre supremo da palavra - William Shakespea...
Palavra e cor
Num desses paradoxos da vida, passei nove meses calado, em 1997, pintando minha homenagem ao mestre supremo da palavra - William Shakespeare – no retângulo de 3,60 X 7,20 m, composto de trinta e seis telas, que está lá no auditório da reitoria da UFPB. Em lugar de criar espetáculos teatrais, seus textos me proporcionaram “fotogramas” deles. Foi o que vi Miguelângelo fazer no teto da Sistina, com os versículos do Gênesis.
Tinha vários colares de pérola. E este era velhinho; guardado a sete chaves. Com um fecho especial, há tanto tempo, havia sido um presente ...
Ela e seus pequenos tesouros...
Dos picos pedregosos desceu o avô para a vila, a fim de arrumar matrimônio. Egresso dos Pintados, os quais, sabe Deus sob que tecnologia an...
O avô
Era possível reconhecer nas letras uma certa impressão digital de cada pessoa. Um registro individual, a identidade de cada remetente nas c...
Cartas
Era possível reconhecer nas letras uma certa impressão digital de cada pessoa. Um registro individual, a identidade de cada remetente nas curvas e traços da escrita. As cartas manuscritas e toda uma série de sentimentos. Da expectativa de sua chegada, nem sempre prevista, ao desvendar dos seus "segredos" contidos em palavras. A passagem do carteiro era uma festa. Os dias da chegada desse visitante ilustre sabia-se de cabeça.
Tenho em minhas mãos um exemplar de Les cinq livres des faits et des dits de Gargantua et Pantagruel (Os cinco livros dos feitos e ditos d...
Livro, um artigo de luxo
Tenho em minhas mãos um exemplar de Les cinq livres des faits et des dits de Gargantua et Pantagruel (Os cinco livros dos feitos e ditos de Gargântua e Pantagruel), publicados originalmente entre 1532 e 1564, da autoria de François Rabelais (1494-1553), escritor renascentista, de grande importância para o reconhecimento do francês como uma língua de cultura.
Nunca me libertei da primeira impressão que uma antiga folhinha do ano me marcou com a estampa de um “prado bem verde mesclado de cores de ...
Sevilha e Ingá
Nunca me libertei da primeira impressão que uma antiga folhinha do ano me marcou com a estampa de um “prado bem verde mesclado de cores de predomínio amarelo que ornavam um lago azul, diferente da água barrenta do pequeno açude lá de casa.” Essa impressão me rendeu a única página de que não me arrependi neste meio século de literatice. Marcos Tavares não imagina o instante feliz que vivi quando a apontou, sério, num rompante dos seus, para integrar a coletânea de autores paraibanos editada por iniciativa do professor Neroaldo Pontes quando secretário de Educação.
Quando Zélia começou a namorar Jorge, a mãe dela disse que ele era um homem muito preparado, e que ela não estava à altura dele. Zélia cont...
Lado a lado e de mãos dadas
O hábito começou muito cedo. Dizia “papá” e “mamã” com um prazer especial em jogar com as sílabas. “Pa... pá”, “mã... mã” – os sons iam e v...
O colecionador de palavras
O hábito começou muito cedo. Dizia “papá” e “mamã” com um prazer especial em jogar com as sílabas. “Pa... pá”, “mã... mã” – os sons iam e voltavam até que ele os guardava para depois, quando quisesse, brincar de novo. Com o tempo foi juntando outros fonemas (“bu... bu”, “pi... pi”, “tó...tó”). Um dia teve febre e ouviu “dodói”; enamorou-se da palavra e ficou repetindo-a em seu delírio.
As três coisas mais fortes da existência humana, eu vi de uma vez só: a morte, o amor e a vida. Eu era menino e um garoto mais velho da r...
As três feridas
Imagine-se numa eletrizante excursão na Bavária alpestre, pelas lentes de um drone, de uma madrugada ao anoitecer, guiado por uma grande ob...
Uma viagem sinfônica
Imagine-se numa eletrizante excursão na Bavária alpestre, pelas lentes de um drone, de uma madrugada ao anoitecer, guiado por uma grande obra musical; assim é o Opus 64 de Richard Georg Strauss. Ao convite irrecusável orbitam algumas informações sobre seu criador, a obra em si e os desdobramentos dessa aventura que impressiona pela pujança e emotividade.

Espirituoso, Richard, sim, teve descomunal trabalho, muito embora tenha tido uma verve criadora e facilidade no compor que sequer requeria aproximar-se do piano durante seu processo composicional. Mas o trabalho deveu-se à intrincada trama de relacionamento temático, além das alusões imagéticas, baseadas numa viagem que fizera aos alpes bávaros, aos seus quatorze anos, e, ainda, nos recursos timbrísticos muito ricos que desprendeu na instrumentação, sem perder de vista uma orientação filosófica nietzscheriana. Para ainda mais adensar essa urdidura sinfônica, ele a faz como uma espécie de conto fantástico, façanha alpinista de um adolescente – ou de suas lembranças – reunida ao respeito que nutria por Mahler e sua obra: diversas são as alusões à música mahleriana e seu peculiar estilo.
Tal como Franz Liszt, – que criou sinfonias, poemas sinfônicos e sonatas em formas unas e cíclicas – Strauss concebeu Ein Alpensinfonie como um romance imagético-musical, ou conto orquestral. Os vinte e dois títulos são guias para o ouvinte, representações visuais que se desdobram, sem pausas, num cenário montanhesco de impressões que o compositor reuniu: Noite, Nascer do Sol, Ascensão, Entrada na Floresta, Vagueando junto ao Ribeiro, Na Cascata, Aparição, Sobre Prados Floridos, Na Pastagem Alpina, Perdendo-se por entre o Bosque Denso e a Mateira, No Glaciar, Instantes Perigosos, No Cume, Visão, Aumento do Nevoeiro, O Sol encobre-se a pouco e pouco, Elegia, Calma antes da Tempestade, Trovoada e Tempestade, Descida, Pôr-do-sol, Final e Noite.
A obra inicia e finaliza-se com a noite fazendo-nos atentar para o fechamento de um ciclo natural com tempo próprio, dado pelas montanhas, suas sombras e espantosas belezas. Também, noutro perceber, a filosofia que há na própria apreensão desses pulsos naturais de recorrência. O intelectual Antônio Houaiss – que nasceu apenas treze dias antes da estreia de Ein Alpensinfonie – define o verbo perceber como uma tomada de consciência por meio dos sentidos; um conhecimento por intuição ou perspicácia. Compreender, então, esse mundo sinfônico, – tanto literal das imagens não só Richard, mas de todos os que às montanhas alpinas forem, como das referências composicionais que direcionaram, por exemplo, as relações motívicas com os conceitos de Nietzsche emprenhados em Strauss – tem como condição sine qua non essa ‘tomada de consciência’ das capacidades cógnitas straussianas. Compreensão musical que não se dará apenas em nível de performance, ou seja, do desempenho de intérpretes, mas, aqui, toma um sentido amplo e irrestrito: a contenção em nós do fenômeno, de suas articulações timbrísticas e discursivas, e de seu poder expressivo e referencial, seja por criadores, executantes e ainda quaisquer outros ouvintes.

A madrugada vai se movimentando para o amanhecer e os primeiros dilúculos (Sonnenaufgang), que se irrompem por sobre a cordilheira gelada, explodem na orquestração que é sempre cheia. Após os irradiantes fachos de luz dá-se a ascensão imperiosa do sol (Der Anstieg) que soa enérgica, acentuada, quase marcial: um intenso despertar. À poesia da natureza é incrementada a curiosidade humana de explorar o entorno e surge a misteriosa floresta; como um narrador em primeira pessoa, a música nos faz adentrá-la (Eintritt in den Wald). Antes da floresta propriamente, há recurso já bem conhecido porém numa dimensão ampliada cujo efeito é magnífico: doze trompas, dois trompetes e dois trombones longe do alcance de visão (fora do palco) a anunciar uma altruística empreitada de caça, a encorajar.
Na floresta a música reporta-nos para um caminhar pensativo ao lado de um curso d’água: a destreza de Strauss é de uma simplicidade e criatividade tal que só os grandes possuem; ele põe, lado a lado, dois grupos rítmicos, um mais melódico e outro em notas bem curtas e sinuosas como uma corredeira que brota e segue. A corrente de água vai tomando forma e desemboca numa cachoeira (Am Wasserfall) que primeiro é pressentida, ouvida a queda d’água, e depois, vista (Erscheinung).


Não, não era por acaso que se resolveu pela rejeição daquela nova moradora da rua. Uns a achavam um saco de impropérios, uma mulherzinha ba...
Vizinha esnobe
Não, não era por acaso que se resolveu pela rejeição daquela nova moradora da rua. Uns a achavam um saco de impropérios, uma mulherzinha banal que não iria trazer para ninguém uma convivência prazerosa. Era uma mulher nada serena, advinda de ricas procedências sulistas, neta de algum ricaço empresário da Pauliceia.
Já morando no atual apartamento, pensávamos que bichos seriam páginas viradas. Mas não contávamos com o amor que nossos filhos têm por eles...
A evolução dos bichos (III)
Já morando no atual apartamento, pensávamos que bichos seriam páginas viradas. Mas não contávamos com o amor que nossos filhos têm por eles e por mim. E me deram no Natal de 2006 uma linda salsichinha (dachshund) preta e marrom: Maria Luiza Pires de Sá Espínola. Ou Merilú, como ela gostava de ser chamada.
Sou acordada pela Banda de Música Santa Cecília. É a alvorada que a Banda me presenteia avisando que é dia de festa, é vinte e quatro de ju...
Por trás daquelas montanhas
Sou acordada pela Banda de Música Santa Cecília. É a alvorada que a Banda me presenteia avisando que é dia de festa, é vinte e quatro de junho, aniversário da nossa cidade. O frio, o céu azul e as músicas me despertam para as comemorações. Agora, é vestir o uniforme de gala, saia cuidadosamente plissada, blusa de manga comprida, gravata, boina, luvas brancas e os sapatos impecavelmente engraxados. Perfeita e pronta para desfilar pelas ruas da cidade representando nosso colégio.
O Sermão da Sexagésima é uma grande obra, em vários sentidos. Além de ser uma teoria da arte da parenética, por quem entende do assunto, v...
Ritmo para o Sermão
O Sermão da Sexagésima é uma grande obra, em vários sentidos. Além de ser uma teoria da arte da parenética, por quem entende do assunto, vem de alguém que conhece a matéria por dentro, sabendo como fazer o que teoriza. Esta peça do padre Antônio Vieira nos atrai pela bela imagem que constrói de um sermão, mostrando de maneira inequívoca o seu objetivo: a repreensão dos vícios para a frutificação do bem. Trata-se, portanto, de peça doutrinária.
A obra de arte sempre reflete o estado de espírito do artista, o ambiente em que vive, pois existindo harmonia em sua alma, ele coloca paz ...
Pinturas que são poemas
Não era tempo. Para algumas raras criaturas nunca será tempo. Ainda mais (para não dizer mormente, que agrediria seu ouvido) quando se trat...
Os guevaras que morremos
Não era tempo. Para algumas raras criaturas nunca será tempo. Ainda mais (para não dizer mormente, que agrediria seu ouvido) quando se trata de um remanescente do rebanho insubmisso de Augusto, o dos Anjos, destinado a fazer vagar na alma do mundo a noção expressa que colheu da vida e do mundo em seu “hidrogênio incandescente”.
A formação da família espiritual destina-se à família do mundo. Enquanto a humana é resultado de ato biológico, a espiritual é formada apen...
Parentes e amigos
A formação da família espiritual destina-se à família do mundo. Enquanto a humana é resultado de ato biológico, a espiritual é formada apenas por elos de amor entre os componentes. A finalidade da família na Terra é transformar parentes em amigos. Somos parentes às vezes à nossa revelia, mas para ser amigo é necessário o consentimento. E para bom êxito é comum termos até que engolir sapos.
Jesus é alegria Ser triste, sorumbático Circunspecto, de alma fria Macambúzio e apático Nunca foi ter sabedoria
Coração que arde
Na segunda metade dos anos sessenta um movimento nascido nos Estados Unidos ganhava o mundo: a contracultura. A juventude daquela época res...
A contracultura e os hippies
Na segunda metade dos anos sessenta um movimento nascido nos Estados Unidos ganhava o mundo: a contracultura. A juventude daquela época resolveu dar um grito de liberdade e se posicionar contra os valores impostos pela sociedade. Predominava um espírito de transformação dos costumes e padrões conservadores, um desejo de quebrar os tabus morais e culturais até então estabelecidos. Ousava transgredir regras, subverter convenções, promover uma revolução comportamental.
Já fui locutor de rádio. Ninguém imagina. Naquela época, década de 80, não havia as "lives" do mundo cibernético. Tudo era transm...
A fraternidade universal
Já fui locutor de rádio. Ninguém imagina. Naquela época, década de 80, não havia as "lives" do mundo cibernético. Tudo era transmitido em kilohertz e megahertz, sintonizado com o minucioso giro do botão do receptor. O programa era ao vivo, na Rádio Correio. Não me lembro se em AM ou FM. Começava com uma introdução musical e um texto declamado. Em seguida, entrávamos em cena.
Quem conta é Antônio Carlos Villaça em seu “O livro dos fragmentos”: o editor José Olympio Pereira Filho não lia livros; gostava de ler jo...
O editor que não lia livros
Quem conta é Antônio Carlos Villaça em seu “O livro dos fragmentos”: o editor José Olympio Pereira Filho não lia livros; gostava de ler jornais, mas livros não. Vejam só.
Há muitos e muitos anos vi um filme, " A Filha de Ryan " (Ryan's Daughter, 1970, de David Lean), que me deixou impressionada ...
Verão em Dublin
Há muitos e muitos anos vi um filme, "A Filha de Ryan" (Ryan's Daughter, 1970, de David Lean), que me deixou impressionada com um país (a Irlanda), pelas imagens grandiosas e pela poesia visual. Tempos mais tarde tive minha primeira aula de literatura irlandesa, e era sobre dois contos do livro Dublinenses (Dubliners, 1914), de James Joyce – Araby e Evelyn.
A Hora da Estrela Encontro-me comigo À hora da estrela. E um sem número de verdades Desfilam diante de um eu atônito.
Cada pedaço de mim
Isolamento é fogo. Tem efeito agravado no transcurso dos dias. Com o corpo preso, a mente ganha asas. Ando a sonhar na brevidade de qualque...
O frade e o rádio
Na véspera do São João, íamos à casa de minha avó paterna. Morava na rua Índio Piragibe. Uma casa de frontão, duas janelas e uma porta, aca...
São João do carneirinho
Na véspera do São João, íamos à casa de minha avó paterna. Morava na rua Índio Piragibe. Uma casa de frontão, duas janelas e uma porta, acasalada a outras do mesmo estilo, erguida sobre uma barreira. O rádio no mais alto volume: gente dançando baião, ao som do aparelho ABC. A criançada soltando fogos. A rua embandeirada em papel de seda.
Encantam-me muito os artigos escritos por Germano Romero sobre Música. Germano é pianista, virtuoso, e ensinou música a várias gerações. So...
Música: razão áurea
Adorava, e ainda adoro, esta época de São João! Amo pamonha, milho e bolo. E a música? O vozeirão de Luiz Gonzaga e de tantos mestres do fo...
Memória afetiva
Quando Gonzaga Rodrigues recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” da UFPB foi, sem dúvida, o grande acontecimento do ano. Por motivo supe...
Merecidas homenagens
O estudo contínuo da obra de Augusto dos Anjos dá-me a certeza para dizer que, contrariamente ao que muitos pensam e apregoam, o autor de E...
Floresta espessa e desconhecida
O estudo contínuo da obra de Augusto dos Anjos dá-me a certeza para dizer que, contrariamente ao que muitos pensam e apregoam, o autor de Eu não é o poeta da morte, mas do renascimento. A morte – “a alfândega, onde toda a vida orgânica/há de pagar um dia o último imposto” (Os Doentes) – é apenas um processo de transição a que matéria se submete e, tendo passado pelas agruras da degradação

Era uma mesa de cozinha. Sempre forrada com uma toalha de plástico com desenhos de frutas bem coloridas. A luz da janela acentuava aquelas ...
O mesmo copo de leite
O Regent's Park foi um presente de reis. Jamais imaginei um espaço como aquele fora dos paraísos que já vi pintados e descritos, ou das...
Puro êxtase
Saiu na mídia a informação de que os generais do governo Bolsonaro passaram a sugerir a recomposição da equipe com um ministério de notávei...
Coisas de ontem e de hoje
As bandeirolas Paleta de cores estendida no varal que junho enfeita e anuncia o arraial
Para lembrar São João!
Ao longo da vida na casa de meus pais eu criei diversos bichinhos. Tive um pombo chamado Carlitos, por causa dos seus pés na posição de 15-...
A evolução dos bichos (II)
Ao longo da vida na casa de meus pais eu criei diversos bichinhos. Tive um pombo chamado Carlitos, por causa dos seus pés na posição de 15-pras-3. Ele era muito romântico. Desenvolveu um amor platônico pela sua imagem numa cristaleira velha, onde ele morava. Como mamãe não queria bichos dentro de casa, deu fim à cristaleira e Carlitos foi morar no galinheiro: apaixonou-se por uma galinha!
No verão tudo se acasala. Isso é um lugar comum. Saía de casa de mãos dadas com Carlos para a nossa caminhada antes das 7 horas da noite,...
Réquiem para uma paloma gris
Acredite. Muitas vezes, não vale a pena pesquisar aquilo que não se entenda. E vale menos ainda se o assunto disser respeito à medicina e s...
Que os céus me ajudem
O politicamente correto chegou às cantigas infantis. A partir de agora devemos ter muito cuidado com o que cantamos para as crianças. Uma s...




































































