As coisas estão muito desequilibradas. As ideias, digamos, progressistas ocuparam todos os espaços com a velocidade da luz. Na verdade c...

A mesa grande

As coisas estão muito desequilibradas. As ideias, digamos, progressistas ocuparam todos os espaços com a velocidade da luz. Na verdade conquistaram a hegemonia. A mídia é o dínamo do rolo compressor, até porque a turma da vanguarda é bastante influente nos meios de comunicação.

Equivocam-se os que relegam a validade dos mercados públicos, os que entendem que aqueles espeços estão superados. Engano, eles apenas não...

O espaço das feiras

Equivocam-se os que relegam a validade dos mercados públicos, os que entendem que aqueles espeços estão superados. Engano, eles apenas não são administrados com o respeito devido a sua histórica e fiel clientela.

Que clientela? A que não vai onde não pode regatear. Onde os preços só privilegiam, unilateralmente, os donos da maquininha de remarcação, hoje já em voga diária, querendo lembrar os tempos de Sarney, depois do fracasso de seu plano.

Todos sabem o que é o “politicamente correto” – esse modo de pensar inclusivo, aberto às diferenças e inimigo do...

Corrigindo o Carnaval

Todos sabem o que é o “politicamente correto” – esse modo de pensar inclusivo, aberto às diferenças e inimigo dos preconceitos. Ele tem se estendido a vários aspectos da sociedade, mas estranhamente deixou de lado o Carnaval. Uma breve pesquisa sobre as músicas carnavalescas, no entanto, mostra o erro de tal omissão É verdade que há algum tempo se baniu “Tropicália” e "Cabeleira do Zezé" , mas não são apenas essas canções que embutem um conteúdo preconceituoso.

Quem conta a história é Gertrude Stein. A escritora americana de estilo personalíssimo e que viveu em Paris, como tantos outros conterrâne...

O novo e o antigo

Quem conta a história é Gertrude Stein. A escritora americana de estilo personalíssimo e que viveu em Paris, como tantos outros conterrâneos seus, na primeira metade do século XX. Ela conheceu e foi amiga de Picasso no início de suas carreiras e sobre o pintor espanhol escreveu um ensaio, publicado no Brasil em 2016, pela Editora yiné. O ensaio intitula-se simplesmente Picasso, como se não precisasse dizer mais nada. E não precisava mesmo.

Paraíba, 27 de fevereiro de 2022

Pauta Cultural (Ep. 30)

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Paraíba, 27 de fevereiro de 2022

Os níveis de saúde são avaliados hoje pela medicina moderna como um resultado direto e focado primordialmente no estado de nosso sistema ...

Ria de tudo, até de si próprio

otimismo bom humor velhice rir
Os níveis de saúde são avaliados hoje pela medicina moderna como um resultado direto e focado primordialmente no estado de nosso sistema imunológico. Se as defesas estão plenas, nenhum abalo à saúde sofrerá. E como a ciência já provou que as condições de imunidade são intrinsecamente ligadas à emoção, ao otimismo e à alegria de viver, não restam dúvidas sobre os benefícios do humor e seus efeitos na longevidade. Decididamente, bom humor é sabedoria.

Janeiro de 1940. O Brasil vivia em plena ditadura do chamado Estado Novo, que havia sido implantada, três anos antes, por Getúlio Vargas. ...

O concurso de Carnaval que eliminou a mais popular canção brasileira

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Janeiro de 1940. O Brasil vivia em plena ditadura do chamado Estado Novo, que havia sido implantada, três anos antes, por Getúlio Vargas. Os opositores do regime abarrotavam as prisões e Vargas estendia o controle do governo sobre todas as manifestações sociais. No mês anterior, o ditador havia criado o Departamento de Imprensa e Propaganda, o famigerado DIP, como ficou conhecido o órgão que tinha, entre outras atribuições, a responsabilidade

      Estado de graça Em estado de graça, não faço nada. Num Infinito de estrelas e amores - Perfeitos Só contemplação... ...

De lajedos, sombras e suspiros

 
 
 
Estado de graça
Em estado de graça, não faço nada. Num Infinito de estrelas e amores - Perfeitos Só contemplação... Em estado de graça, sou tudo e sou nada. Tenho flores, perfumes, tenho luz Sem peso, tenho asas no coração. E vou aonde quero, num passeio sem fim. Em estado de graça não me falta nada O amor e o céu vêm juntos a mim.

Segundo o historiador Simon Sebag de Montefiore , no seu livro “Written in History – Letters that Changed the World”, a filha do ditador ...

Joseph Stalin ou Vladimir Putin?

stalin putin ucrania otan holodomor russia uniao sovietica comunismo
Segundo o historiador Simon Sebag de Montefiore, no seu livro “Written in History – Letters that Changed the World”, a filha do ditador Joseph Stalin, Svetlana cresceu no Kremlin. Desde a idade dos sete aos 11 anos (começo dos anos 1930), ela escrevia frequentemente ordens que qualquer criança adoraria vê-las executadas. Um dia, ela escreve uma ordem para o “Primeiro Secretário” (Stalin) e para os outros “Secretários” (do Partido Comunista) exigindo que todo dever de casa deveria ser eliminado nas escolas soviéticas. Stalin gostava enormemente dessas brincadeiras e firmava todas essas ordens recebidas, como também as autoridades do Politburo, as assinavam.

De um vaso coríntio, do século VI a.C. (~560), que, segundo informação de Timothy Gantz ( Mythes de la Grèce archaïque , Paris, ed. Belin,...

Sereia, mulher-pássaro ou mulher-peixe?

mitologia odisseia sereias arte asas
De um vaso coríntio, do século VI a.C. (~560), que, segundo informação de Timothy Gantz (Mythes de la Grèce archaïque, Paris, ed. Belin, 2004, p. 266), encontra-se em Boston, nos vem a imagem de Odisseus atado ao mastro de seu navio, com uma sereia voando ao redor dele, outras duas apoiadas em duas rochas, enquanto seus marinheiros continuam remando. Há um nítido contraste entre a atitude de Odisseus, olhando para cima, e a impassibilidade dos remadores ou a instrução do timoneiro, que, inquestionavelmente, lhes diz de continuar remando, conforme se sabe pela narrativa do poema homérico.

      É necessário buscar espaço para o silêncio — ocupar-se dele. Até que nada mais sobre solucionável pela palavra. Existe u...

Bestando a apreciar bromélias

 
 
 
É necessário buscar espaço para o silêncio — ocupar-se dele. Até que nada mais sobre solucionável pela palavra. Existe uma sonoridade distante no silêncio. As palavras estão sempre com seus olhos atentos a me observar do silêncio.

Refletindo sobre o quanto Jesus foi corajoso ao falar de forma tão direta e eloquente aos fariseus e mestres da lei, cheguei a uma conclus...

O Brasil precisa de pessoas corajosas

politica religiao corrupcao
Refletindo sobre o quanto Jesus foi corajoso ao falar de forma tão direta e eloquente aos fariseus e mestres da lei, cheguei a uma conclusão: precisamos, urgentemente, de pessoas que tenham a coragem dEle em nosso país! Em sua época, o povo simples não suportava a falsidade pregada pelos fariseus e doutores da lei. Hoje, no Brasil, a população também não suporta mais a hipocrisia que reina na política.

ENTRE PARÊNTESES - Poemas "Qual é a sua identidade? De que memórias você não abre mão? Como é conviver com seus desatinos, seus an...

Entre parênteses


ENTRE PARÊNTESES - Poemas

"Qual é a sua identidade? De que memórias você não abre mão? Como é conviver com seus desatinos, seus animais e a natureza que cerca você e envolve seu cotidiano? Essas são algumas das indagações que o livro ENTRE PARÊNTESES – POEMAS, de Marineuma de Oliveira, traz, propondo reflexões de cunho existencial."

Duvido existir alguém que entenda mais de garçons do que eu. Como não tenho casa, faço as refeições em restaurantes, lanchonetes, bares, m...

Os garçons

garcon tratar bem cordialidade respeito
Duvido existir alguém que entenda mais de garçons do que eu. Como não tenho casa, faço as refeições em restaurantes, lanchonetes, bares, muquifos e outros locais menos votados. E isso desde muitos anos. Posso afirmar que os garçons são iguais a Papai Noel; tudo que você pede eles trazem, com a vantagem de não termos de nos comportar bem, né?

“É Deus no céu e esse homem na terra”. O menear das cabeças em gesto de evidente aprovação traduzia a grandeza do vulto a quem na varanda,...

Bloco dos sujos

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“É Deus no céu e esse homem na terra”. O menear das cabeças em gesto de evidente aprovação traduzia a grandeza do vulto a quem na varanda, cercada de amigas, Dona Marina então se referia e a quem, no meio da tarde, acabara de oferecer um pedaço generoso do bolo de limão mais desejado das redondezas.

Dr. Arnaldo Tavares sempre me lembrou uma peça do dramaturgo e ficcionista Luigi Pirandello: “Seis personagens em busca de um autor”. Só q...

Dr. Arnaldo Tavares, os livros

Dr. Arnaldo Tavares sempre me lembrou uma peça do dramaturgo e ficcionista Luigi Pirandello: “Seis personagens em busca de um autor”. Só que Dr. Arnaldo não era apenas seis personagens, mas mil e uma personagens, desde o médico, o poeta, o artista plástico, o cientista, o humanista, passando pelo boêmio, pelo causeur, pelo enxadrista, até outras tantas que ele desejasse ser, com a diferença de que não vivia em busca de um autor, pois, como no poema de José Régio, o poeta português, parecia dizer: “Não, não vou por aí, só vou por onde me levam os meus próprios passos”.

A morte do corpo físico, ou desencarnação segundo a terminologia espírita, pode apresentar alguns temores, em decorrência da interpretaçã...

A morte do corpo físico

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A morte do corpo físico, ou desencarnação segundo a terminologia espírita, pode apresentar alguns temores, em decorrência da interpretação transmitidos por tradições religiosas ou por educação familiar, a despeito de ser a desencarnação um fenômeno natural e inevitável. Na verdade, a verdadeira vida não é a que transcorre no plano físico: “A vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito; sua existência terrestre é transitória e passageira, espécie de morte, se comparada ao esplendor e atividade da vida espiritual. O corpo não passa de vestimenta grosseira que reveste temporariamente o Espírito, verdadeiro grilhão que o prende à gleba terrena, do qual ele se sente feliz em libertar-se.[…].”

Martinho Lutero foi, sem dúvida, um revolucionário. Foi ele que disse: “Confiem em Deus, não nos ‘autonomeados’ intérpretes de Deus.” Tal ...

A Bíblia das Bíblias

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Martinho Lutero foi, sem dúvida, um revolucionário. Foi ele que disse: “Confiem em Deus, não nos ‘autonomeados’ intérpretes de Deus.” Tal afirmação desafiadora à poderosíssima Igreja Católica Romana, com seu séquito interminável de exegetas da lei divina, hierarquicamente distribuídos em diversas funções eclesiásticas, muito tinha a ver com um tremendo feito do monge agostiniano: ele, em 1522, publicara a primeira versão vernácula,

Desde pequeno eu monto uma espécie de um álbum de figurinhas da cidade. Um catálogo individual, de valor único para o ser eu. É uma coleçã...

Pedaços da cidade

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Desde pequeno eu monto uma espécie de um álbum de figurinhas da cidade. Um catálogo individual, de valor único para o ser eu. É uma coleção de imagens, coisas, momentos e sensações existentes e provocadas pela cidade. Um acervo que cresce e se renova. Do som do alto-falante do parque de diversão armado na lateral do mercado público no Castelo Branco, com suas velhas, inseguras e, ao mesmo tempo, geniais canoas; assim como as sementes vermelhas de casca dura enfeitando calçadas da Avenida Epitácio Pessoa durante desfiles de 7 de setembro em épocas nebulosas.

Em seus componentes físicos a noite é a mesma. Solitária e imensa se vivida numa antiga aldeia rural e quase despercebida no ruge-ruge da ...

A árvore que se larga

Em seus componentes físicos a noite é a mesma. Solitária e imensa se vivida numa antiga aldeia rural e quase despercebida no ruge-ruge da grande avenida.

Vivi as duas situações. E vi a noite encurtar à medida que a opção de vida e de trabalho foi me atraindo para outras compulsões. A quantas madrugadas cheguei, o sol se anunciando pelos vitrais da redação, sem perceber que a noite sumira quase inteira no fechamento das últimas páginas. Os jornais, nesse tempo, não encerravam antes da meia-noite. Fechávamos cedo o noticiário local, as resenhas da assembleia, do governo, da polícia, mas ficávamos na dependência das agências de notícias, que se comunicavam pela radiotelegrafia. E os conspiradores daquele tempo, os malfeitores da vida social sempre escolhiam a noite para agir.

Morei em Recife durante algum tempo e o que mais ouvi foi a frase: não pode... é perigoso. Chegou o carnaval, que eu adoro, e tudo não po...

Bacurau

carnaval recife seguranca folia bacurau olinda
Morei em Recife durante algum tempo e o que mais ouvi foi a frase: não pode... é perigoso. Chegou o carnaval, que eu adoro, e tudo não podia. Ver a saída do Galo da Madrugada... não pode, muito perigoso. Acompanhar os blocos... perigoso. Olinda? Que doida você é?

O carnaval acontecendo e eu cercada de “não podia”. Lembrei que eu fora, durante anos, rodeada de nãos e minha alma rebelde falou baixinho em meu ouvido – o que você pode perder? Eu que vivi chorando perdas, perder o que mais?

Os causos que vez ou outra publico nesta coluna não são invencionices ou frutos de minhas maldades. Chegam-me por “ouvi dizer” e nem posso...

Coronel Belarmino e o Jeep 51

conto humor campos jordao gondola
Os causos que vez ou outra publico nesta coluna não são invencionices ou frutos de minhas maldades. Chegam-me por “ouvi dizer” e nem posso declinar a autoria porque já percorreram tantas bocas e orelhas que não sei há quanto tempo habitam o imaginário de nossa gente. Fazem-me pensar um pouquinho até nos heróis de Homero que ganharam o mundo através da oralidade e assim seus feitos atravessaram gerações.

Dizem que perdoar é ato dos fortes. Não duvido, eis que guardar ressentimentos é bem mais comum em nosso comportamento. Ressentimento sig...

Sem mágoas nem ressentimentos

Dizem que perdoar é ato dos fortes. Não duvido, eis que guardar ressentimentos é bem mais comum em nosso comportamento. Ressentimento significa sentir novamente, e geralmente cultivamos o hábito de trazer aos nossos painéis mentais sentimentos negativos vivenciados em algum momento de nossas vidas, bem como as pessoas ou grupos que responsabilizamos por tais eventos.

Talvez por estarmos mais habituados a nos comprazer com a dor, decepção e mágoa, por algum atavismo cujos meandros não serão objeto desta reflexão, (por se tratar de assunto complexo e controverso), ou pelo simples fato de não cultivarmos com a mesma disposição a gratidão.

CC0
Na terra, somos invariavelmente visitados por um número incontável de decepções e dores, desgostos, medos e frustrações, mas também por outro número, talvez bem maior de momentos de alegria, felicidade, conquistas, demonstração de amizades, solução de conflitos e êxito, em alguns inúmeros tentames.

Não nos referimos tão somente aos êxitos materiais, mas também as vitórias sobre nossos vícios, falhas e defecções.

Não temos a pretensão de analisar com profundidade e/ou abordar a necessidade do perdão, como proposta religiosa, ou de evolução espiritual, na busca da passagem para um céu, nirvana ou paraíso, a depender da cultura. Mas tão somente pelo prisma da saúde mental, física e emocional.

Na prática do ressentimento, cultivamos invariavelmente a mágoa, que etimologicamente quer dizer má água. Se observamos o percurso de um córrego ou fonte cristalina, os movimentos do mar ou dos rios, percebemos que os mesmos, além da beleza e fonte de nutrição e hidratação, carrega em suas entranhas uma variedade de seres vivos, quer sejam vegetais, minerais ou animais, e pela força do movimento arrastam, para suas profundezas, ou para superfície, os corpos mortos, carregados de vibriões, larvas, fungos e bactérias.

CC0
Pelo contrário, a água parada, serve de reserva de insetos, animais e vegetais mortos, que certamente têm sua função em a natureza, mas geralmente causa inúmeros males à saúde e bem estar do homem.

A mágoa, pode ser associada a um pântano ou lago, com suas águas, pestilentas e insalubres, e em alguns casos, periculosas, como as que estão carregadas de lixos tóxicos ou resíduos indústrias, causando enfermidades, deformações fetais e morte. E estas condições são agravadas pela ausência de movimento, ou seja, por estarem paradas. O ressentimento, que vem posteriormente à mágoa, apresenta uma estrutura funcional semelhante. De tanto trazermos à nossa mente imagens de eventos dolorosos, traumáticos e frustrantes, bem como a raiva das pessoas eventualmente partícipes ou causadoras desses eventos, essas imagens se sedimentam dando lugar à mágoa que, à semelhança de ferrugem, ou qualquer elemento cáustico, vai, aos poucos, corroendo nossas resistências físicas, mentais e emocionais.

Quando nos dispomos a perdoar, ou seja, desculpar ou compreender os limites do outro, tentando resignificar a dor que causou o trauma, fazemos um movimento análogo ao dos rios e mares, jogando para a supercie de nossa consciência, iniciando um processo de recolhimento daquele lixo mental que hora nos intoxica. Ou jogamos para as profundezas de nossa memória, de forma a não permitir que a dor seja experienciada cada vez que à lembrança visite nossos painéis mentais.

Merlijn
Não se trata de processo fácil, portanto não podemos nos iludir e realçar essa dor, fazendo uso de muletas psicológicas que podem vir a piorar nosso quadro, podendo, num momento ou outro, quebrar as comportas que impediram o escoamento dessas águas e causar um destrambelhamento em nossas já frágeis resistências, levando-nos às fugas espetaculares, através do abuso de drogas lícitas ou ilícitas, sexolatria, entretenimentos perigosos ou isolamento social, e até mesmo ao autocídio, ou suicídio.

É um processo que exige, vontade, perseverança e calma, eis que na natureza nada acontece de assalto.

Se o outro não aceitar o nosso perdão, não nos diz respeito, posto que perdoar nos tirará dos grilhões do ódio ou da mágoa, e essa alforria é pessoal, não dependendo da aprovação ou aceitação do outro.

CC0
Também não significa que refaçamos os líamos que foram quebrados, ou desrespeitados, ou que esqueçamos o ocorrido, afinal não se trata de amnésia ou Alzheimer, mas tão somente de deixar o evento no passado, lugar de onde nunca deveria ter saído.

Caso seja necessário, procuremos ajuda profissional ou mesmo religiosa, isso claro, sem fanatismo ou candidatura à santificação, para não adentrarmos num processo também grave, que é o da negação ou hipocrisia, pois esse tipo de ferrugem corrói nossa estrutura psíquica de dentro para fora, e não o contrário.

Viver é preciso, e viver de forma leve, sem mágoa ou ressentimentos desnecessários.

Vânia de Farias Castro é advogada e poetisa

É atribuído a Beethoven o seguinte diálogo. Já idoso, surdo e misantropo, numa das múltiplas trocas de domicílio em Viena, o compositor e...

A lição de Beethoven

É atribuído a Beethoven o seguinte diálogo. Já idoso, surdo e misantropo, numa das múltiplas trocas de domicílio em Viena, o compositor enquanto compunha sinfonias e estando em meditações, perguntou ao novo amigo que transpôs a porta de entrada de sua casa:

- O senhor tem árvores em seu quintal?

Pertinho do carnaval, eles saíam às ruas em comissão pedindo dinheiro aos moradores. Eram pessoas conhecidas, pobres, honestas e muito que...

Nosso carnaval de rua

carnaval corso nostalgia paraiba momo
Pertinho do carnaval, eles saíam às ruas em comissão pedindo dinheiro aos moradores. Eram pessoas conhecidas, pobres, honestas e muito queridas no Roggers, bairro que mudou de nome porque o dono da única linha de ônibus não sabia escrever “nome de gringo”. Sempre às manhãs de domingo, lá iam eles: Luís Monteiro, Agostinho Tomáz, Henrique Nascimento, Mário Teixeira, Eulálio Martins, Severino Lima, Edilson Paiva, Severino Almeida, Pedro Coutinho (pai do desembargador Júlio Aurélio), entre outros cidadãos comuns, recolhendo contribuições para o carnaval. Recebidos com satisfação aonde chegavam, os organizadores do carnaval do Roggers formavam

Não basta só uma vida, para ser mãe. Às vezes, sinto que a mãe (“órfã de filho”), fica sem jeito em responder quanticamente sobre os fi...

Mãe para a eternidade

Não basta só uma vida, para ser mãe.

Às vezes, sinto que a mãe (“órfã de filho”), fica sem jeito em responder quanticamente sobre os filhos... como se incluir quem já não está fisicamente, fosse errado.

Não se deixa de ser mãe, quando um filho vai para outro plano, apenas, nos tornamos mãe em dois mundos, eternizamos nossa maternidade.

Há 110 anos, vinha a público um dos livros mais estranhos da literatura brasileira. Seu título? “Eu”. Seu autor? Um paraibano magro, nasci...

110 anos do ''Eu''

augusto dos anjoa poesia paraibana eu poemas
Há 110 anos, vinha a público um dos livros mais estranhos da literatura brasileira. Seu título? “Eu”. Seu autor? Um paraibano magro, nascido em engenho de cana-de-açúcar, que tinha no magistério o seu ofício e na poesia o meio de traduzir as obsessões que lhe tumultuavam o espírito.

Neste mês de fevereiro está sendo comemorado o centenário da Semana de Arte Moderna, evento que se deu no Teatro Municipal de São Paulo,...

Mário de Andrade na Paraíba

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Neste mês de fevereiro está sendo comemorado o centenário da Semana de Arte Moderna, evento que se deu no Teatro Municipal de São Paulo, sob a liderança do escritor Mário de Andrade, e que pretendeu, digamos assim, inaugurar o modernismo literário e artístico na Terra Brasilis. Sei que muito será escrito e publicado a respeito. E com razão, já que se trata realmente de data importante de nossa história cultural, a despeito das controvérsias inevitáveis. De minha parte, como forma modesta de participar do momento, escolhi comentar sucintamente a visita do célebre Andrade à Paraíba, nos idos de 1929, portanto ainda sob o eco do movimento por ele liderado.

Paraíba, 20 de fevereiro de 2022

Pauta Cultural (Ep. 29)

Paraíba, 20 de fevereiro de 2022

Quantas vezes ouvi, pelo rádio, a propaganda do Phymatosan – com a mesma... canção “Daisy Bell” que vi, em 1968, o computador HAL 9000 não...

Como era longa a propaganda do Phymatosan!

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Quantas vezes ouvi, pelo rádio, a propaganda do Phymatosan – com a mesma... canção “Daisy Bell” que vi, em 1968, o computador HAL 9000 não conseguir cantar até o fim, no filme “2001”, ao ter a memória destruída pelo astronauta David (numa sutil versão do embate Davi/Golias):

Há momentos em que podemos nos dar ao luxo de pensar sobre o porquê de determinados acontecimentos ocorrerem em uma época, ano, ou em um ...

Caminhos da arte

arte atual conflito classica moderna
Há momentos em que podemos nos dar ao luxo de pensar sobre o porquê de determinados acontecimentos ocorrerem em uma época, ano, ou em um período qualquer da vida.

É comum pensar que a manifestação artística, tomando como exemplos a música e a literatura, vivem um declínio relativo com o que já foi produzido em determinado tempo, usualmente vinculados aos nossos tempos de juventude e estabelecendo esta fase como um marco imbatível de criatividade.

Em janeiro de 1937, há 85 anos, dentro das comemorações do segundo aniversário da administração do governador Argemiro de Figueiredo, era ...

Tabajara: a Orquestra da Paraíba para o Brasil

musica brasileira orquestra tabajara severino araujo
Em janeiro de 1937, há 85 anos, dentro das comemorações do segundo aniversário da administração do governador Argemiro de Figueiredo, era inaugurada a Rádio Difusora da Paraíba, um marco na radiodifusão no Estado. Três meses depois, o governo estadual conseguia junto ao órgão nacional competente a alteração no nome da emissora, que passou a ser denominada Rádio Tabajaras.

Até aos que não ouvem é possível o mar cantar. Com o céu faz um dueto, em busca um do outro. No desenho ondulado infinita é a arte. Quebra...

Há sempre razão maior de viver

mar contemplacao natureza luar beleza natural
Até aos que não ouvem é possível o mar cantar. Com o céu faz um dueto, em busca um do outro. No desenho ondulado infinita é a arte. Quebra ali, surge acolá, explode adiante, sempre a rir bordando a espuma.

Aos que o ouvem, um deleite sinfônico em todos os timbres. Do grave robusto ao mais fino agudo, nuances sonoras, nunca iguais, formam seu canto, ainda que a rotina lhe escreva a pauta, ano após ano, era após era…

Foi justo, mais que merecido, o comportamento dos que fazem a TV Cabo Branco ao trazer de volta, bem vivo e em grande estilo, o velho Chic...

Um outro Chico Maria

chico maria reporter paraiba radio
Foi justo, mais que merecido, o comportamento dos que fazem a TV Cabo Branco ao trazer de volta, bem vivo e em grande estilo, o velho Chico Maria. Não foram poucas as vezes em que me vi preso à entrevista mais pela pergunta de Chico do que pelo que viesse do entrevistado.

Sainte-Beuve, considerado o patrono dos críticos franceses, não reconheceu a grandeza de Stendhal, Baudelaire e Balzac. Sílvio Romero fez ...

O que pode a crítica?

critica literaria critico arte
Sainte-Beuve, considerado o patrono dos críticos franceses, não reconheceu a grandeza de Stendhal, Baudelaire e Balzac. Sílvio Romero fez pouco caso da obra do mestre Machado de Assis, para glorificar Tobias Barreto. Voltaire zombou de Homero. Tolstoi não aturava nem Shakespeare nem Victor Hugo. Proust permaneceu praticamente ignorado quando era vivo, assim como Nietzsche. Este não faria questão de um número considerável de leitores. Contentava-se com dez que o lessem com a condição de serem inteligentes. Esses são alguns dos muitos exemplos de escritores que tiveram suas obras pouco prestigiadas ou ignoradas.

A melhor definição que já vi para o epigrama encontra-se em Os sertões, de Euclides da Cunha. O escritor fala da organização metódica do M...

Um epigrama malévolo da História

guerra canudos euclides cunha machado bittencourt
A melhor definição que já vi para o epigrama encontra-se em Os sertões, de Euclides da Cunha. O escritor fala da organização metódica do Marechal Carlos Machado de Bittencourt, então secretário de Estado dos Negócios da Guerra, posto equivalente ao do antigo Ministro da Guerra, tomando as providências para criar uma base de operações, de modo a fazer fluir os comboios e apoio para as tropas da quarta expedição sitiadas em Canudos. Euclides traça o seu perfil como o de homem “friamente, equilibradamente, encarrilhado nas linhas inextensíveis do dever. Não era um bravo e não era um pusilânime” (“A Luta”, Parte IV – Quarta Expedição, Capítulo VIII, p. 541). Homem das normas, Machado de Bittencourt “tinha o fetichismo das determinações escritas.

Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre.... A vida gosta de quem gosta dela. A Suprema Felicidade , filme de Arnaldo Jabor Contin...

Memória, Pipoca e Felicidade

arnaldo jabor cinema memoria
Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre.... A vida gosta de quem gosta dela.
A Suprema Felicidade, filme de Arnaldo Jabor

Continuo a falar da Felicidade... da Felicidade do filme A Suprema Felicidade, do polêmico Arnaldo Jabor, falecido no último dia 15. Jabor disse que nasceu dentro de uma câmera e que este filme é uma volta ao passado, em que devolve sua vida a seus pais e ao Rio que o viu crescer. Comenta sobre a nostalgia do que era ser cineasta na sua época e dos sonhos dos “Cahiers du Cinema”:

O médico e jornalista Marcus Aranha, para comemorar o centenário de nascimento da professora Anayde Beiriz , publicou a correspondência de...

Anayde Beiriz, por ela mesma

anayde beiriz paixao marcus aranha angela bezerra
O médico e jornalista Marcus Aranha, para comemorar o centenário de nascimento da professora Anayde Beiriz, publicou a correspondência de amor, até então inédita, que ela manteve com Heriberto Paiva entre 1924 e 1926. O pesquisador considera que o livro é tão somente a menor das homenagens que se pode prestar" à polêmica figura feminina nem sempre avaliada com justiça, sobretudo em razão das paixões históricas decorrentes de 1930.

Para onde foram os pistões, trombones e tambores da minha e de tantas outras mocidades? Cadê as batucadas que puxavam os blocos de sujos i...

Velhos carnavais

nostalgia carnaval baile clube pilar engenho corredor
Para onde foram os pistões, trombones e tambores da minha e de tantas outras mocidades? Cadê as batucadas que puxavam os blocos de sujos improvisados e reforçados pelos amigos retirados da cama, fosse qual fosse a ressaca? O que fizeram do papangu, da ala ursa? Nos domingos de Carnaval, o pilarense Joãozinho, dono do Corredor, costumava chamar os músicos contratados para o Clube, a fim de animarem a manhã e a tarde dos convidados. Na verdade, de todos aqueles que se pusessem a caminho do engenho, onde nasceu o romancista José Lins do Rego, para a festança gratuita, no alpendre dos fundos.

Tua obra mais bela és tu mesmo. ( Léon Denis ) Com esse iluminado pensamento do Filósofo Espírita Francês, inferimos que a maior obra qu...

Decisão de ser feliz

espiritismo felicidade allan kardec
Tua obra mais bela és tu mesmo.
(Léon Denis)

Com esse iluminado pensamento do Filósofo Espírita Francês, inferimos que a maior obra que podemos ofertar à vida, somos nós mesmos. Trata-se de uma obra intransferível, gradativa, milenar, ancorada em valores eternos.

Recebi no início da semana uma ligação de um número cujo código de área era 048 (Florianópolis). A moça falava muito rapidamente, sem dar ...

É gopi!

Recebi no início da semana uma ligação de um número cujo código de área era 048 (Florianópolis). A moça falava muito rapidamente, sem dar tempo de um diálogo, mas anunciava que eu havia ganho uma ação e que deveria realizar alguns procedimentos para receber a quantia.

Era golpe!

É se olhar no espelho e aceitar que não se é perfeito; que o desejo de uma conduta impecável, por mais sincero que seja, por vezes não se ...

Autoamor, o que é?

auto ajuda danca bale etica autoestima
É se olhar no espelho e aceitar que não se é perfeito; que o desejo de uma conduta impecável, por mais sincero que seja, por vezes não se cumpre. Falha-se aqui e ali. Basta um descuido para as coisas tomarem um rumo de atrito e perda. E se vestir de paciência para se reerguer e recomeçar, dizendo a si mesmo: está tudo bem, você está tentando, continue a se esforçar.

Para justificar o gosto pela atividade de escritor, Ariano Suassuna dizia que estaria satisfeito se seu livro tivesse pelo menos um leitor...

O salário do escritor

tapuio jose nunes livro
Para justificar o gosto pela atividade de escritor, Ariano Suassuna dizia que estaria satisfeito se seu livro tivesse pelo menos um leitor. Mesmo assim valeria a pena escrever.

Me dou por satisfeito porque meu livro Tapuio – do nascer ao entardecer – (2020), editado para marcar seus 65 anos de vida, teve e continua angariando leitores.

Revisando notas e arquivos recolhidos a escaninhos de memória e outros repositórios, vez por outra encontro registros como este, que lança...

Um cavaleiro literário

poeta caixa dagua manoel jose lima
Revisando notas e arquivos recolhidos a escaninhos de memória e outros repositórios, vez por outra encontro registros como este, que lançados, por razões diversas, no baú de esquecimentos, foram submetidas a uma hibernação da qual refluem em momentos impensados, como o que me trouxe, agora, esta recordação.

A quebra da Bolsa de 1929 fez a América mergulhar em recessão seguida de depressão, pela qual viu o capital das empresas derreter-se rapid...

O Século I de Keynes

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A quebra da Bolsa de 1929 fez a América mergulhar em recessão seguida de depressão, pela qual viu o capital das empresas derreter-se rapidamente; o dólar se volatilizar ao extremo sem que tivesse como, nem a quem recorrer diante da abissal situação em que fora jogado pela roleta especulativa do mercado acionário. Em um dado momento da crise, a título de consultoria, o então presidente Roosevelt resolvera receber o jovem economista inglês John Maynard Keynes, recomendado como um novo talento da academia, criador de uma nova terceira via econômica. Tratava-se essa via de uma linha intermediária que, se por um lado não se curvava integralmente ao marxismo,

É assim mesmo, para certas situações não há explicação. Por mais que tenhamos razão, de nada adiantará nossas justificativas, pois as evi...

Nem adianta explicar

traicao mulherengo conto anedota
É assim mesmo, para certas situações não há explicação. Por mais que tenhamos razão, de nada adiantará nossas justificativas, pois as evidências estão contra nós, muito embora a verdade possa estar do nosso lado. Como no ‘causo’ que vou contar. Antes devo esclarecer que o enredo não é da minha lavra. Ouvi a trama nessas conversas com meus amigos de mesa e de copo. Aqui só dei, ao meu modo, uma temperada no mexerico que escutei dessa gente que anda encangada comigo pelos botequins da vida. Vou contar.