A nuvem sai do vermelho abrasivo e paira no ar a partir da madeira negra transformada pelo fogo. Pequenas labaredas que ameaçam explodir ...
Das coisas do fogo
Provavelmente os queridos leitores já ouviram falar da empresa Agroceres, potência da agricultura nos mais diversos segmentos do tal agr...
Um brasileiro notável
Nasceu nos cafundós de Minas, filho de pequenos agricultores. Seu pai morreu quando ele era criança e sua mãe, que mal sabia ler e escrever, convenceu um vizinho que estivera 3 anos na escola a ensinar o básico do básico ao menino. Em troca presenteava esporadicamente o professor com uma galinha ou um bacorinho.
Quem somos nós, assim encerrados em corpos sexuados, construídos enquanto natureza, passageiros de identidades fictícias, construídas em c...
Pós Oito de Março
Espelho do outono Miro o espelho do outono estarrecida Os olhos como o fundo De um rio vasculhado... O tempo não perdoa. N...
Espelho do outono
É espantosa a força ou a permanente novidade de certos livros. Li “O vermelho e o negro”, de Stendhal, na idade exata do seu protagoni...
Livros da vida inteira
Li “O vermelho e o negro”, de Stendhal, na idade exata do seu protagonista. Ele no 1830, a viver febrilmente o longínquo 18 Brumário do jovem general Bonaparte; eu aqui no bairro da Torre, 120 anos depois e na sua mesma idade, querendo atalhar seus passos, pois antevia, afundado na leitura, que pelo tipo que se desenhava, pelo seu bonapartismo, iria, como se impusera, colar o rosto e beijar a mão da patroa, a nobre e belíssima sra. de Renal, mulher do prefeito, em cuja casa havia pouco o acolhera como preceptor das crianças. O cálculo, o ímpeto,
Muitos estudiosos da literatura brasileira – do quilate de Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Luís Augusto Fischer e José Cas...
Por que ler Rubem Braga?
Eram três sítios, um pertinho do outro lá nas brenhas do mundo. Os proprietários, Zé Belarmino, Tião Frozino e Juca Damasceno eram amigos...
O Teodolito e o burrico Salomão
Nasci em 1949, ano em que os comunistas venciam a guerra civil na China e soviéticos e americanos intensificavam a disputa pela hegemonia ...
Depois dos 70...
No excepcional livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan escreve sobre a curiosidade de crianças: “Eu vejo que muitos adultos...
Cor azul, pergunta de criança
Sempre que pergunto em classe qual o oposto da hipérbole, a turma responde que é o eufemismo. Não me deparei c...
O oposto da hipérbole
A verdade é que o contrário da hipérbole não é o eufemismo. Essas figuras não podem se contrapor, uma vez que se situam em áreas diferentes. A hipérbole diz respeito ao “pathos” (paixão), enquanto que o eufemismo está ligado ao “ethos” (caráter).
Meu amigo Chico Viana escreveu, semana passada, sobre as máscaras da pandemia , essas que temos usado nos últimos dois anos, de todas as c...
As outras máscaras que não as da pandemia
Paraíba, 27 de março de 2022
Quando pensamos ter esgotado todo o acervo de orações, vemos que a sintonia com os elevados estados de espírito é infinita. Em cada dia, a...
Convite à prece
A casa na Almirante Barroso, abrigo do médico, humanista, culto, simples. Cheguei por lá, em verde juventude, o abraço largo. Nas prazer...
O mestre que não tive
Cheguei por lá, em verde juventude, o abraço largo. Nas prazerosas cadeiras de balanço, começamos a conversa. Havia nele uma dimensão de transcendência e de acolhimento naturais encarnados em seu ser de agradável cosmopolitismo que se espraiava pelos problemas gerais. A noite esplêndida, enxuta: no céu o fruto branco da lua madura.
Para José Ramos Tinhorão, um dos mais rigorosos pesquisadores da música popular do Brasil, ele representava: “um dos mais surpreendente...
A segunda vida de um gênio do Brasil real
São sempre tempestuosas as águas de março. Abrindo a crônica de 1817, que passa de um volume a outro das “Notas”, o guardião-mor da nossa ...
Águas de março
Quando a Magnum Photos publicou esta imagem, em 2016, no dia em que Robert Redford completou 80 anos, a reação foi raivosa. “Não, Redford...
A velhice
Instigante, o mais recente livro de Hélder Moura, O princípio da diversidade e outros anarquismos: textos pandemônicos (João Pessoa, Idei...
A difícil arte de autogovernar-se
São tantas as afinidades entre as Memórias e a ficção romanesca, que a aproximação entre as duas espécies narrativas se impõe, naturalment...
Como se fosse um romance
Parecia real, era como se os sinais acordassem em mim e apontassem, “vai por aí”. Lembrei das intuições, dos tempos de leitura quando ...
Um grito de alerta
Era vermelha e branca. Tinha dois espelhos retrovisores com boa visão de tudo aquilo que atrás estivesse. Tinha um farol para clarear a no...
Conversa com o neto
Trazia uma bomba para encher os pneus quando secassem e uma bolsa atada ao quadro, logo abaixo da sela, para guardar duas chaves de boca com as medidas, ali, de todas as porcas e parafusos.
Não me compadeço dos supostos incautos que são vítimas dos vigaristas. É que na quase totalidade são pessoas que perseguem uma vantagem no...
Vigarices
PINTANDO O OUTONO Andei colorindo as folhas de meu outono cinzento não sei ainda se aguento essas cores, acres, ocres folh...
Outono
Andei colorindo as folhas de meu outono cinzento não sei ainda se aguento essas cores, acres, ocres folhas secas pelo chão um tapete adormecido sussurram em um gemido sofrendo a ingratidão dos que um dia partiram sem aviso, sem adeus desertaram assustados ao constatarem frustrados as voltas que o mundo deu... Dos que hoje esqueceram do carinho recebido palavras em seus ouvidos de estímulo e de ternura partiram amargurados e com línguas afiadas me infringindo tortura dos que partilharam um dia dos banquetes coloridos hoje me negam o pão da vida, dando-me a morte das relações em pedaços mãos soltas sem direção procurando outros braços que lhes deem mais atenção estão sempre a procurar outros ombros, outros olhares vivem a vida a usurpar espoliar sem remorsos esquecem a alteridade a empatia também e nessa busca infrene deixam dores lancinantes deixam corações duros com medo de amar alguém deixam mentes revoltadas deixam muitos pelas estradas amargurados, por fim mas hoje vou colorir as folhas que um dia deixaram descoloridas pra mim!
Estou a colher as folhas de outono são ocres, são pardas não sei quais seus nomes só sei que em tempo já adrede pensado e bem calculado será primavera... E minha espera das flores em cor botões se abrindo como nosso amor espero que os homens controlem a avareza pois vejo a tristeza em seus rostos pálidos espero que os mesmos controlem a ira eis que qualquer dia serão seus vassalos estou a esperarpor dias mais claros com o sol teimando em iluminar nosso rosto triste por dores acerbas por duras tristezas e feia cobiça não há quem assista aos noticiários com os seus rosários de tristes notícias escândalos, mortes os crimes hediondos parece um estrondo em nossos ouvidos... São os matricídios movidos por filhos que pensam no brilho das moedas que um dia seus pais trabalharam com tanto afinco para lhes deixarem de herança um dia mas a afazia, ganância atroz a pressa feroz não os deixam esperar que os seus pais partam para lhes deixar o ouro que um dia pensaram em juntar como garantia para seu futuro mas qual o futuro de um matricida? senão a prisão nos cárceres do estado mas se escaparem com seus corpos livres não há quem os livre da dura prisão de sua consciência eis que o tribunal consciencial, será seu martírio.
Meu coração é teimoso ele sonhou no verão sonhou na primavera no outono... E quando deveria se aquietar no friozinho do inverno, ele sonha mais ainda é o tempo de rever prioridades organizar as gavetas descartar os objetos desnecessários as relações tóxicas murmúrios e ingratidões é tempo de artesania passar horas e horas no mesmo ofício procurando focar no importante nos afetos, nos olhares, nos silêncios cheios de som é o tempo da leitura não apenas dos livros dos periódicos mas acima de tudo, da natureza que sempre esteve ali com suas maravilhosas lições No inverno, meu coração ganha força chora com intensidade alegra-se com a verdade que tentamos esconder para agradar aos demais.
Como misturo as estações... a razão de tal mistura, não sei bem talvez por entender que me convém eis que as tais das estações também são minhas. Quando estão na primavera, sou outono Os verões chegam pra tantos, sou inverno uns amigos estão no céu, eu no inferno O paraíso para alguns, meu purgatório Já cansei de reza em vão, Objugartorias.
Dos tios, embora bem mais velho, Manuel era o que me parecia mais do meu tamanho. Não de tope, ele já era bem mais alto, mas de meninice. ...
Horas perpétuas
Na manhã em que o achei assim, ele entrou lá em casa no exato instante em que o relógio de parede, o mais rico ornamento da sala, batia suas oito ou nove horas bem batidas. Nem deu tempo a que fechasse a porta de baixo. Ali mesmo, uma mão na porta e a outra no queixo, plantou-se ele transportado a cada enleio que as batidas ressoavam.
Na Ucrânia é inverno, longo, gélido, com ventos fortes e céu encoberto. A noite chega mais cedo e, após um prato quente de Borscht, todos...
Por que?
Embarque no trem numa manhã qualquer e siga... A composição vazia segue tranquilamente serpenteando o caminho feito uma centopeia de pés...
Em trilhos
Não tem erro: sopé da Ladeira São Francisco, à direita: Rua Augusto Simões (antigo Beco dos Milagres), nº 59. No muro da casa está incrust...
O Caminho das Águas
Pouco depois da hora média que marca momento de oração para os cristãos católicos, percorríamos a calçada da Praça 1817, espremidos por ...
Um passeio pela memória
Dona Zefinha é uma idosa que vive num sítio há muitos anos. A casa fica às margens de uma estrada; da janela da sala ela vê o movimento de...
Cachorros não comem pessoas?
"E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido" (Chico Buarque) Eram amigos desde os ...
Tonho Cachaça & Juca Cabeção
E se acabou no chão feito um pacote flácido"
(Chico Buarque)
Tenha-se em mente estarmos agora numa época em que o típico visual Hippie não fosse ainda familiar para a maioria das pessoas, herdeira...
Direto da Telona (II)

EU SOU ASSIM Uso sapatos confortáveis, Tenho tinta no cabelo, Mente inquieta, Olhos mansos, adoráveis. Gosto da quietude...
Perder-se por aí
... mas algo, em mim, sempre me diz "resista" Minha primeira peça de teatro, O VERMELHO E O BRANCO, de 68, teve três ou quat...
A vida vive me dizendo ''desista''...
A máscara é o mais característico objeto associado a esses dois anos de pandemia. Os infectologis...
De olho na máscara
O célebre álbum de John Lennon foi inicialmente lançado nos EUA em 9 de setembro de 1971 e no Reino Unido em 8 de outubro do mesmo ano. Aq...
Imagine, cinquenta anos
Paraíba, 20 de março de 2022
Quiseram os compositores de música que sentíssemos o mesmo que os inspirou? Seus arroubos à poesia, conflitos e indagações? Suas dúvidas e...
O gás da vida em chamas
O POLÍTICO Quando ele nasceu, foi batizado com o nome de Carlos (Karl) Frederico (Friedrich), homenagem a Karl Marx e Friedrich Engels...
A caricatura que marcou um político
E se a escritora aceitar o meu convite? Tenho me perguntado cada vez mais, pensando como vai ser, o que devo fazer, pois gosto muito de d...
E se ela vier?
Ah, sim: antes de continuar, deixem-me apresentar a escritora. Trata-se de Marlena de Blasi, jornalista que escrevia para vários periódicos norte-americanos sobre gastronomia internacional e crítica de restaurantes pelo mundo.
Dimas Batista de Toledo era (para não deixar em desuso um velho jargão do economês) um classe-média-baixa originário do serviço público. A...
Num cruzar de porta
Estabelecemos as nossas paralelas a partir de A União de Juarez Batista com um irmão do dr. Osias, Odemar Nacre Gomes, na gerência. Eu me firmando na redação e Dimas do outro lado, na parte contábil.
Volta e meia me pedem para falar sobre a campanha de 1986, aquela em que Burity deu um banho de votos em Marcondes Gadelha na disputa pel...
Outra História
Nas minhas aulas de literatura, costumo repetir, à maneira de um mantra, duas frases, que me parecem essenciais para quem quer lidar com...
Ficção é transfiguração
Só sei que vou te amar I À quantas anda a secura de tua boca? Fulgura ainda em teus lábios a liga do beijo? Entendas que...
Só sei que vou te amar
Flagrei-me ao lado do escritor, artista, crítico, intelectual e pensador Waldemar José Solha , e de sua adorável esposa Ione, quando os do...
Uma tarde em Paris com W. J. Solha
Poder ter participado de uma tarde dentre os dias dessa festa é algo que guardarei comigo para sempre. Nos dias de hoje, invadido por redes sociais, em que vemos tantos casamentos de fachada, não é para qualquer um passar cinquenta anos de sua vida ao lado de outra pessoa.
Pouquíssimas coisas me falam tanto à alma quanto a velha máquina de costura de Dona Vininha, minha mãe. Tão logo me dei por gente, na idad...
Carretel e linha
Procissão Voz que ecoa dos gestos Um povo em procissão Passos lentos Cadência solene Coreografia do corpo da humanidad...
Procissão
Voz que ecoa dos gestos Um povo em procissão Passos lentos Cadência solene Coreografia do corpo da humanidade Destino irrevogável Somos um só Organismo vivo Somos um milagre - Quem nos explica ? O Supremo se derrama sobre nós Presença da estrela Faz brilhar o meu chapéu Rasgadas dores Pise devagar nas flores Cuidado com o degrau Deixe para trás seus pertences O tanque pesado cospe fogo Mata a Pátria O tempo de espera Dos meninos Que não voltam nunca mais A guerra que está lá Bate no meu coração No seu coração No nosso coração Mais coragem do que palavras vãs Para viver a Paz No silêncio claro Onde o amor vacilou Na ganância Na lama dos pés sem descanso Na fome Nos excessos O ar que respiro é um Se eu morrer morres também Aprendo a ler As pedrinhas do chão A mansidão do olhar das vacas A generosidade das abelhas Daí sou rainha Canto o mundo O quero inteiro O igual e o desigual Todos na asa leve do Anjo A cada dia gratidão Saí com vida ! É vida ! Alegria generosa Do jogo insano De mãos dadas com o perto E o longe Com a terra que não nega Fartura Homens sonegam comida e água Roubam encanto Do quintal da liberdade Distraída brincadeira de existir A luz alheia Faz de mim amor O leito do rio doce A morada limpa de sangue A mulher menstrua O homem sangra O coração da espécie O sol da bandeira do mundo Seca feridas No varal do tempo Clamor da fé Em procissão Um acorde Um acordo O estado simples da poesia Sem saber se é noite ou dia Anestesia Cria O caminho onde não há São luzes Da raiz do umbigo Coroa do tempo Que volta do redor do mundo Contas do rosário Na reza das mães Rola uma lágrima Pela terra perdida O sonho senhor da vida Carrega o andor De cetim lilás da esperança O anjo vivo Uma criança.
Tua cor rosa pálido A linda príncipe negro Rosa poesia De lábios macios Pele de seda Afrodite Emergindo das espumas Em você , Rosa Sonho acordada Teu rosto clássico A corola guardada Anoitece encarando a lua Olhando para o espaço Tão nua Amanheces vestida de orvalho Em ti meus sentidos Se expandem Sou perfume Na paisagem de ninguém Sinto a terra girar Mas nada importa Penso redondo Que força herdei De tua feminilidade !! Dou- me conta Do tempo Do mundo E do meu lugar Num e noutro Somos Eu e você Empoleiradas num globo giratório Tontas de amor Vidas no espaço Neste viver engolfado Sobreviveremos A séculos de chuvas Mares que se avolumam Guerras injustificáveis E a dor de um mundo Sem graça
Entre as margens A vida flui sossegada O corpo é água Na espera ... do instante que a imaginação conduz Apenas estar Hoje lhe compete a ficção a força da água Velejando no asfalto do caminho
Acima a noite convés em alto - mar onde deito sonhos no tom azul de águas limpas A lua que olha através das nuvens se sobrepõe a qualquer sentimento Tudo em toda luz espelho Onde escrevo teu nome com batom grená
As uvas em Kama Sutra línguas Corpo que desliza no profundo Onde se cose o gemer sem dor
Os brasileiros acordaram há 32 anos quase lisos. Só podiam sacar apenas 50 mil cruzeiros novos de todo o dinheiro que mantinham em de...
Quando o nosso dinheiro sumiu
Era o plano Collor, que impôs um feriado bancário de 3 dias. Enquanto a ministra Zélia Cardoso de Melo e o presidente do BC, Eris, tentavam explicar que aquela grana confiscada seria devolvida em 18 meses com juros de 6% ao ano mais correção (o que não aconteceu), a população começou um ciclo de vida que mal comparando seria uma meia pandemia covid, eis que ninguém tinha a menor ideia de como sobreviver sem grana. A justificativa do governo era o controle da inflação e o investimento em projetos econômicos.
Ah, esses meus delírios crônicos! Verdadeiros bálsamos que me salvam das agonias da existência. Vivo um tipo de luta permanente do bem co...
Sobre ir e Voltaire
Da inconsistência de todas as coisas a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacã...
Silabário mínimo
a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacão a vida esconde um véu cheio de fragilidades estampada na camiseta à venda na esquina do desequilíbrio fluida e frágil, escapa das intenções e do destino se querem dar-lhe nome de batismo e sobrenome de menino





































































