HISTÓRIAS DE MULHERES
Histórias contadas, histórias caladas, histórias públicas, histórias privadas. Belos sonhos, terríveis pesadelos, tórridos romances, amores de desvelos. Longas histórias contadas ao vento, como o desenrolar de um novelo. Histórias de vilãs, histórias de heroínas, histórias de fadas, histórias de meninas. Todas as histórias, guardadas no tempo, tatuadas na memória dos “bem-me-queres” e “mal-me-queres”. História de mulheres. SILÊNCIO
Eu ouço os passos na calçada se afastando até sobrar só o silêncio. Eu já não ouço a tua voz, ficou só o murmurar do vento. Eu olho para o céu pintalgado de estrelas e nuvens que caminham lentamente. E sorrio, aliviada. Tudo que mais quero agora é o silêncio: deletar teu ser do meu coração e mente. ENQUANTO NÃO CHEGA O CÉU
Enquanto não chega o céu, espera: a noite é escura, o dia claro, quimera. Enquanto não chega o céu, não desespera: a dor é tamanha, mas eu sei que nos aguarda nova era. Enquanto não chega o céu, confia: não há sofrimento eterno, haveremos de nos achar no amor terno. Enquanto não chega o céu, descansa em mim a tua dor, meu coração é porta aberta para acolher-te com amor. REPENTE TEIMOSO
Difícil convencer um coração teimoso a simplesmente desamar. Coração é terra que ninguém manda, e o meu é rebelde, é valente. Ele resolveu viver para te amar e não vai desistir assim tão facilmente. Meu coração é curtido nas durezas do sertão. É forte como a caatinga na estiagem e rebrota florido e doce na primeira chuva da estação. Por isso, só de teimosia, eu vou te amar feito um joão-de-barro esperançoso, que constrói o ninho zeloso, esperando o amor voltar. Eu vou te amar como o cantador de repente: mude a rima, mude o mote, a poesia surge plangente. Vou te amar, mesmo que tu não queiras. Vou ser como cigarra do verão, alvissareira, que anuncia seu amor ao vento, a cantar, até que o cantar seja tanto que a faça estourar. Só por teimosia... RASTROS
Ontem eu seguia teus rastros e deixava sinais na estrada, em cada curva um verso, uma flor, um raio de sol, na esperança de que tu me achasses, me reconhecesses, validasses o puro amor que te devotei incansavelmente. Doce ilusão de quem busca explicar a cor a um cego. O fato é que amor não se suplica, ele apenas acontece, espontaneamente, como um sorriso verdadeiro. Dessa forma, eu desisti do intento, não lançarei mais versos ao vento, não te procurarei nas madrugadas. Sigo agora meus próprios rastros, a fim de encontrar onde deixei largada a chave de mim. DESENCANTO
Que dor é essa que me lateja o peito, enchendo-me os olhos de lágrimas, deixando meu mundo sem jeito? Que tristeza é essa que vai além do pranto, que me cala o coração, tolhendo-me o verso, por pura falta de inspiração? Que dor é essa que mata em mim a poesia, que me faz contar os dias, que faz do tempo uma lenta agonia, deixando-me em perene nostalgia? Ah, maldita dor! Chegaste assim de inopino, tomaste-me a alma sem aviso, e o meu riso leve transformaste em duro siso. Ah, maldita dor! Ainda chorarei por uns tempos; todavia, amanhã seguirei, enxugarei meu pranto. E haverás de morrer, ó triste desencanto! UNIVERSO PARTICULAR
Eu tenho uma ilha só minha, meu universo particular, formado de medos e segredos. Eu tenho um mundo só meu, uma ilha deserta rodeada pelo mar do silêncio. Nessa ilha eu me sento na areia branca da saudade e converso comigo mesma em monólogo amistoso. Eu me pergunto por que carrego um coração amante, se é meu destino o degredo dos amores impossíveis? E o silêncio me responde que eu sou rio: por onde passo me derramo e fertilizo corações com meu carinho. Mas, por ser rio, não posso ficar, a colheita não posso esperar, pois meu destino é só um: a solidão e o silêncio do amar.
Histórias contadas, histórias caladas, histórias públicas, histórias privadas. Belos sonhos, terríveis pesadelos, tórridos romances, amores de desvelos. Longas histórias contadas ao vento, como o desenrolar de um novelo. Histórias de vilãs, histórias de heroínas, histórias de fadas, histórias de meninas. Todas as histórias, guardadas no tempo, tatuadas na memória dos “bem-me-queres” e “mal-me-queres”. História de mulheres. SILÊNCIO
Eu ouço os passos na calçada se afastando até sobrar só o silêncio. Eu já não ouço a tua voz, ficou só o murmurar do vento. Eu olho para o céu pintalgado de estrelas e nuvens que caminham lentamente. E sorrio, aliviada. Tudo que mais quero agora é o silêncio: deletar teu ser do meu coração e mente. ENQUANTO NÃO CHEGA O CÉU
Enquanto não chega o céu, espera: a noite é escura, o dia claro, quimera. Enquanto não chega o céu, não desespera: a dor é tamanha, mas eu sei que nos aguarda nova era. Enquanto não chega o céu, confia: não há sofrimento eterno, haveremos de nos achar no amor terno. Enquanto não chega o céu, descansa em mim a tua dor, meu coração é porta aberta para acolher-te com amor. REPENTE TEIMOSO
Difícil convencer um coração teimoso a simplesmente desamar. Coração é terra que ninguém manda, e o meu é rebelde, é valente. Ele resolveu viver para te amar e não vai desistir assim tão facilmente. Meu coração é curtido nas durezas do sertão. É forte como a caatinga na estiagem e rebrota florido e doce na primeira chuva da estação. Por isso, só de teimosia, eu vou te amar feito um joão-de-barro esperançoso, que constrói o ninho zeloso, esperando o amor voltar. Eu vou te amar como o cantador de repente: mude a rima, mude o mote, a poesia surge plangente. Vou te amar, mesmo que tu não queiras. Vou ser como cigarra do verão, alvissareira, que anuncia seu amor ao vento, a cantar, até que o cantar seja tanto que a faça estourar. Só por teimosia... RASTROS
Ontem eu seguia teus rastros e deixava sinais na estrada, em cada curva um verso, uma flor, um raio de sol, na esperança de que tu me achasses, me reconhecesses, validasses o puro amor que te devotei incansavelmente. Doce ilusão de quem busca explicar a cor a um cego. O fato é que amor não se suplica, ele apenas acontece, espontaneamente, como um sorriso verdadeiro. Dessa forma, eu desisti do intento, não lançarei mais versos ao vento, não te procurarei nas madrugadas. Sigo agora meus próprios rastros, a fim de encontrar onde deixei largada a chave de mim. DESENCANTO
Que dor é essa que me lateja o peito, enchendo-me os olhos de lágrimas, deixando meu mundo sem jeito? Que tristeza é essa que vai além do pranto, que me cala o coração, tolhendo-me o verso, por pura falta de inspiração? Que dor é essa que mata em mim a poesia, que me faz contar os dias, que faz do tempo uma lenta agonia, deixando-me em perene nostalgia? Ah, maldita dor! Chegaste assim de inopino, tomaste-me a alma sem aviso, e o meu riso leve transformaste em duro siso. Ah, maldita dor! Ainda chorarei por uns tempos; todavia, amanhã seguirei, enxugarei meu pranto. E haverás de morrer, ó triste desencanto! UNIVERSO PARTICULAR
Eu tenho uma ilha só minha, meu universo particular, formado de medos e segredos. Eu tenho um mundo só meu, uma ilha deserta rodeada pelo mar do silêncio. Nessa ilha eu me sento na areia branca da saudade e converso comigo mesma em monólogo amistoso. Eu me pergunto por que carrego um coração amante, se é meu destino o degredo dos amores impossíveis? E o silêncio me responde que eu sou rio: por onde passo me derramo e fertilizo corações com meu carinho. Mas, por ser rio, não posso ficar, a colheita não posso esperar, pois meu destino é só um: a solidão e o silêncio do amar.









