Sigmund Freud olhou para a alma humana como quem desmonta um relógio roubado: cercado de peças pequenas, molas nervosas e culpas herda...

Qual o poder das mães?

mae dia das maes psicanalise
Sigmund Freud olhou para a alma humana como quem desmonta um relógio roubado: cercado de peças pequenas, molas nervosas e culpas herdadas da infância. Entre suas ideias mais polêmicas estava a tal “inveja do pênis”. Segundo ele, em algum ponto da infância, a menina perceberia que não possui aquilo que o mundo transformou em cetro, espada e crachá do poder masculino. E sofreria por isso.

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A tragédia talvez não estivesse na anatomia, mas no balcão da sociedade. O menino ganhava o cavalo, a rua, a voz alta. A menina, o espelho, a vigilância e os bons modos. Freud viu desejo onde talvez houvesse apenas a percepção precoce da desigualdade. Como se a criança não invejasse um órgão, mas o direito de ocupar o mundo sem pedir licença.

Décadas depois, muita gente desceu a marreta na teoria. E com razão. A psicanalista Karen Horney respondeu com ironia elegante: talvez os homens é que sofressem de “inveja do útero”. Afinal, impérios, guerras e arranha-céus podem ser apenas compensações neuróticas de quem jamais poderá fabricar um ser humano dentro do próprio corpo.

José Ângelo Gaiarsa chegou a propor a criação de um partido das mães, numa provocação à política predominantemente patriarcal.

Num mundo governado por valores masculinos ligados à competição, violência, hierarquia e repressão emocional, ele exaltava o papel das mães como representantes de uma experiência mais concreta da vida, do cuidado e da preservação humana.

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Gaiarsa sugeria que, se as mães, especialmente mães comuns, envolvidas diretamente com a criação dos filhos, tivessem mais poder real nas decisões sociais e políticas, talvez o mundo fosse menos destrutivo. Para ele, quem gera, alimenta e protege uma criança tenderia a desenvolver uma percepção mais orgânica da fragilidade da vida humana.

Homens que nunca passaram pela experiência corporal da gestação decidem sobre guerras, economia, violência e poder com uma distância emocional perigosa. Gaiarsa via nisso uma espécie de deformação civilizatória.

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Mas ele não defendia simplesmente um “governo feminino” ingênuo ou essencialista. O ponto central era outro: a sociedade valoriza excessivamente características tradicionalmente masculinas, como domínio, produtividade e agressividade, e despreza qualidades ligadas ao cuidado, à escuta, ao afeto e à preservação da vida.

Talvez o planeta estivesse menos cheio de cemitérios se fosse administrado por quem já carregou um coração batendo dentro do próprio corpo.

As mães talvez sejam a forma mais próxima que Deus encontrou de permanecer visível. Porque, enquanto o mundo disputa poder, elas se dedicam a sustentar vidas.

Todo poder às mães!

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