Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a no...

Nem sempre o apoio vem de quem está mais perto

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Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a nossa história. Demorou um tempo para entender que não é bem assim. Muitas vezes, quem mais conhece os nossos medos acaba usando eles para nos parar. Dizem que é cuidado, na verdade, acaba apagando o brilho dos nossos sonhos.

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Foto: Kaboom
Desde criança gostava de fazer maquiagem. Passava horas praticando, testava tons, estudava cada detalhe, até chegar um ponto de conseguir deixar qualquer rosto mais bonito. Mas minhas amigas não diziam nada, nem aos menos parabéns. Se eu aparecesse arrumada, maquiada, fingiam que eu estava de rosto lavado. Mas quando viam uma modelo na rua, ou uma desconhecida na internet, logo eles elogiavam alto: “Que profissional, que traço perfeito!”. E se precisassem de alguém para um evento, preferiam contratar uma que morasse no bairro nobre, mesmo pagando mais, a me pedir a mim que estava ali, sempre à disposição. E o pior: Quando falei para o meu namorado em fazer um curso para me aperfeiçoar, logo ouvia: “Pra quê gastar tanto dinheiro com isso?”, “É tão caro, não vale a pena”, “Melhor você arrumar algo mais sério”.

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Foto: L. Becerra
E eu fico me perguntando: por que valorizam tanto o que está longe, e dão tão pouco valor ao que já está ao lado? Será que acham que o que é nosso pode ser graça? Será que só dão valor quando tem que pagar caro, quando vem de outro lugar? Ou talvez porque nos veem todos os dias, acabam esquecendo que possamos ser bons no que fazemos.

Não sei. Só sei que dói ver aplaudirem o que é igual ao que eu sei fazer, mas fecharem os olhos para mim.

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