Fiquei com um amargor na alma diante da notícia de que a Open AI, proprietária do ChatGPT, resolveu em 88 horas um problema matemático complexo que ficou sem solução por 90 anos.
GD'Art
Não sou apocalíptica, detesto alarmismos e sou fã de tecnologia, mas minhas preocupações são muitas com relação à IA. Destaco duas delas. A perda de nossa capacidade intelectual e uma real ameaça à vida na Terra.
1
A combinação perigosa de celulares, redes sociais e inteligência artificial está mudando o funcionamento de nosso cérebro. Cada vez mais viciados em filmes curtos, rolando sem parar as telas, pedindo à IA para escrever até comentários bobos em redes sociais, caminhamos para uma grave dependência e acentuada preguiça mental. Nossa capacidade de concentração está cada vez mais comprometida, pouco lemos e se lemos já somos fisgados por uma certa ansiedade. A solução do problema que a Open AI conseguiu em 88 horas deixou matemáticos do mundo inteiro frustrados (inclusive os que dedicaram a vida inteira a encontrar a solução) e deveria ser lamentada por nós. O que nos fez chegar até o progresso atual foram os desafios que impusemos aos nossos cérebros, o estímulo constante para superar obstáculos. Estudar, ler, escrever, treinar o raciocínio lógico, ser curiosos, competitivos, ousados. Tudo isso está agora sob tremenda ameaça.
GD'Art
2
A velocidade com que a IA avança e começa a se tornar uma ameaça para a vida humana. O que me preocupa aqui é a voracidade insana dos barões da tecnologia fazendo com que as IAs comecem a ganhar uma autonomia que pode, sim, nos extinguir. Com as últimas notícias de crescentes iniciativas não programadas dos agentes e de que um dos modelos da Anthropic conseguiu hackear computadores de parceiros e escapou do ambiente de controle apontam para a possibilidade de que no futuro outros agentes também escapem e se infiltrem por sistemas mais sensíveis, como controle de instalações
GD'Art
É mais que óbvio que nós, os cidadãos comuns, temos nenhum poder para impedir os gigantes da tecnologia de expandirem seus domínios, mas a nós cabe uma tarefa que hoje já me imponho: proteger os nossos cérebros. Eu o faço restringindo ao mínimo meu uso de celular e de IA, e diversificando minhas atividades. Pintar, escrever à mão, ler muito, mergulhar na natureza, fazer jardinagem, conversar com amigos, viver o dia a dia com mais riqueza. Há tantas opções e pessoas além das telas. As redes sociais são ótimas e aqui fiz muitos amigos incríveis, mas uso com moderação. Evito cair no poço sem fundo. Redes são como drogas para o cérebro: dão um retorno imediato. Há um sentimento de gratificação fornecido por curtidas. Pena que seja uma armadilha mental.
Sobre as Big Techs, em vez de solucionar, por mera vaidade e competição por mercado, um enigma matemático que não terá resultados práticos em nossas vidas, mais louvável seria dedicar essa força impressionante para buscar soluções médicas que aliviassem o sofrimento dos seres humanos.
GD'Art









