como a manhã o sol
como o brilho o cristal
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Que tela mais singela, viva e verdadeira que não seja a própria terra, ou um canto de calçada, um pedaço de tábua? E que pincel ou lápis ma...
O Dr. Giovanni Londres da Nóbrega era mesmo uma figura. Médico com doutorado em São José do Rio Preto, mal chegou a João Pessoa e já possuí...
Sentiu de repente vindo das profundezas, do mais íntimo do seu ser...A clientela cresceu e agranfinou-se. Passou a freqüentar as colunas sociais. Daí foi um passo para ver que seu consultório precisava de uma boa reforma, que o tornasse moderno por dentro mantendo a fachada tombada. Para isso contratou uma arquiteta.
A surpresa é um ótimo tempero da emoção. Tem sabor diferente daquela que buscamos sob o afã da boa saudade, digamos, de uma emoção desejada...

Quando entramos na sala onde estava o piano, não consegui controlar o choro quase soluçadoGraças à intimidade com a Música, desde a tenra infância, tendo como pai e mãe grandes apaixonados pela divina arte, e, talvez, também a traços avocados de outras encarnações, foi com natural espontaneidade que sintonizei com as grandes obras, ainda criança.


A Escola rudimentar mista de Confusão foi criada no Governo de Oswaldo Trigueiro, por iniciativa do vice-governador José Targino, em 1947. ...
nem mesmo os grandes homens podem conter o sistema apodrecidoO idealismo da professora compensava o que pudesse ser precariedade. O ensino mantinha o nível de conteúdo orientado pela Secretaria de Educação do Estado. Todos os anos minha mãe viajava à Capital para receber os programas e livros correspondentes às diversas séries. E desenvolvia integralmente com os alunos estes conteúdos, atendendo, no mesmo horário, diferentes séries.



O fanatismo se assemelha à burrice. Forte a expressão? Claro que não, é a pura verdade. O fanático age na irracionalidade, é prisioneiro de...
Os fanáticos teimam em não querer pensarO problema é que resistimos a fazer uma autoanálise quando nossos procedimentos assumem a característica do fanatismo. A paixão cega pelo que defendemos e acreditamos nos impede de encontrar a humildade para admitirmos as divergências, o contraditório, os pontos de vista discordantes. Alcançamos um estágio de exaltação exagerada em que nos achamos donos da verdade, senhores da razão.
Foi numa chuvosa quarta-feira de Cinzas. Tragado por toda sorte de sentimentos reflexivos, fui com meu pai (seu Paulo Roberto) para uma mis...

uma rainha que desconhecia rancor, ódio e também ingratidãoChega o Padre, inicia-se a missa, a chuva aumenta e as luzes se apagam. A partir de então, só havia luz em alguns postes fora da igreja. Pela porta principal entrava um pouco de claridade que flertava com a sinuosidade dos detalhes entalhados, o altar iluminado por três velas e a celebração continuou ainda mais bela. O lume dos círios ia alcançando as porções mais altas do altar, teto e janelas, devagar, em gradual cadência. Mais acima, os últimos frisos só podiam ser imaginados (não vistos!), ao mesmo tempo que a voz do Padre (sem microfone) e os cânticos eram entoados majestosamente, em coro, sem instrumentos, a sensação era de estar mergulhado no período colonial, séculos atrás, com tantos detalhes aludindo ao passado, aguçando ainda mais a minha reflexão e homenagem. E comecei a pensar nela.
Admiro-me com a reação exacerbada das pessoas diante da morte, como se ela não fosse parte da vida. Não deveríamos nos surpreender com a “I...
O suicida não tem a mínima ideia das dores que vai encontrarEm qualquer das possibilidades apresentadas, a morte será sempre uma passagem: para o aniquilamento, para uma vida posterior ou para novas vidas de aprendizagem. Nesse último caso, uma aprendizagem que terá como Mestre, no mais das vezes, a dor, que deverá nos preparar para as outras vidas que teremos. Se formos bons alunos, aprenderemos depressa e diminuiremos a nossa frequência de vidas e de mortes. Se formos maus alunos, nos atrasaremos e aumentaremos os nossos encargos, cujas responsabilidades negligenciaremos, além de acusarmos os outros por escolhas que são nossas.
Não tinha amigo algum, no entanto, ia ser visto, anos depois Como um dos pouquíssimos rebentos finais daquela casta condenada Que um dia ...

Nestes tempos de quarentena, além das dores, a espontânea expressão musical vem unindo o globo em torno do malfadado vírus. Em diversas for...
A música daquele domingo... arrancou-me para o mundo do sonhoNo pedaço do mundo onde habito não tem sido diferente. A partir das apresentações de um talentoso vizinho, que nos presenteou com o som de seu violino, a pracinha em frente ao meu edifício virou palco de generosas apresentações. Um palco estranho, é bem verdade, já que os ouvintes continuam entocados em suas varandas, dando a falsa impressão de que não existe plateia.
De repente o caos. O som do impacto silencioso reverberou pelo mundo. Fugimos para os lares com a pergunta: E agora? Muitos, atordoados, ...
Não existe máscara para evitar a pandemia de desesperoAs ruas vazias podem deixar equivocados e desavisados com a sensação que tudo está parado. Mas o mundo gira, em torno de si e do sol, não em torno de nós. Há guerra.
Mesmo que eu fale contigo todos os dias, os silêncios pesam porque tu não estás No alucinar das horas e de meu próprio discurso, vag...
Após o mundo controlar a pandemia, o que restará de bom? Se voltarmos na história do mundo recente e moderno, constataremos que já houve ...
Não vai ser um viruzinho como o corona que vai conseguir educar-nos ou sensibilizar-nosQuando analisamos a evolução tecnológica, contrastando, e muito, com seu progresso moral, somos forçados a admitir que as dores não são argumentos suficientes para melhorar o homem. Certamente, surgirão movimentos que enaltecem o ser humano, quando comunidades se reúnem para socorrer os mais sofridos nestas horas de angústia. Mas são ainda uma minoria com propensão para o bem, sempre com a tradicional omissão dos mais poderosos política e financeiramente. E quando dizem presente é para auto enaltecer-se e colher dividendos políticos e financeiros. Geralmente é o pobre que socorre o pobre.

Anos atrás, ao dar uma palestra pra psicanalistas, no “Espaço do Ser”, João Pessoa, pareceu-me que os surpreendi quando lhes assegurei que ...

"eu quase ia morrendoQuando ensaiávamos meu texto “O Vermelho e o Branco”, em Pombal, sertão paraibano, 1968, Ariosvaldo Coqueijo – que, além de dirigir o espetáculo contracenava comigo – jamais conseguia dizer seu monólogo inicial por inteiro, nos ensaios, pois chorava desesperadamente antes do parágrafo final. Na leitura de mesa de “Antígona”, uma adaptação minha do clássico de Sófocles, Emilson Formiga, que iria fazer o papel de um arcebispo, não “entrava” em seu personagem até que o fiz repetir o texto umas quinze vezes, sempre corrigindo o rumo de sua emoção. Aí, de repente, arrepiei-me sentindo que o “espírito” do sacerdote “baixara nele” e, extasiado, vi Emilson escalando a enorme montanha de sua dor, até que... deu um berro levantando-se, saiu correndo, chorando, e trancou-se no banheiro, insultando-me com palavrões.
com o velho personagem"

Era manhã de pandemia. Que nada tinha a ver com aquele dia. Quanta indiferença da natureza à aflição que o mundo vive. Que insensibilidade ...

Somos todos pó e alma que revolvem pela vida, ora em terra ora em céusConfinados, é só o que nos resta. Quiçá agora com mais tempo para ver os cenários a vagar, nos inspirem a refletir sobre o curso da história. Foram tantas pandemias, foram tantas agonias… Por elas inúmeras gerações transitaram, sucumbiram, superaram ou não seguiram. Umas se foram, outras chegaram, no vai-e-vem inexorável da vida que não pára, no que nasce e renasce, assim decide a Lei.

comunhão livros crepitam no forno das estantes livros são pães ...
os livros quase sempre encerram uma espécie de “invenção da verdade”Li, e ainda hoje leio, bulas de remédios, receitas culinárias e “fórmulas de preparado para pele”, como o fez – no caso destas últimas – o poeta Manuel Bandeira para encontrar os caminhos tortuosos e íngremes do verso livre, segundo ele uma conquista difícil, pois, situando-se na confluência do parnasianismo com o simbolismo, habituara-se, naturalmente, quase sem esforço, ao ritmo metrificado e às formas fixas dessas duas correntes da lírica brasileira.















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