Já tenho 50 por essas bandas das Maldivas. Aqui são oito horas à frente do fuso de Brasília. O menino do interior que nasceu numa casa emprestada completa meio século. E precisou provar dos sabores e delícias de um lugar precioso, considerado o mais bonito do mundo!
Costumo brincar com os meus alunos das disciplinas de Estudos Clássicos, contando-lhes a essência de um mito e perguntando-lhes de quem estou falando. Como as várias culturas mediterrâneas e suas vizinhanças se interpenetram, existe na bacia do Mediterrâneo um verdadeiro cadinho cultural, com narrativas muito semelhantes em suas estruturas. Entenda-se pelo termo narrativa o seu sentido grego, contido na palavra mito (μῦθος), que chegou até os nossos dias um tanto distorcido, significando, o mais das vezes, mentira.
Meu avô materno Manuel dos Anjos fundou a Academia Paraibana de Poesia. A cadeira 1 leva seu nome. Mas também fundou blocos carnavalescos. Minha mãe Creusa Pires fundou o bloco da melhor idade. Portanto, carnaval está no sangue, né? Não cabem aqui as maravilhosas lembranças do corso, das matinais na AABB e dos bailes noturnos do clube Cabo Branco, mas apenas explicar a Baratona, o bloco carnavalesco mais improvável do Brasil, que tornou-se um tremendo sucesso graças à adesão do povo.
Ao analisar o belo e a arte, Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762), filósofo iluminista alemão, publicou o seu livro Aesthetica sive theoria liberalium artium (1750). Essa obra é composta de duas partes, uma teórica, na qual estuda as condições que proporcionam o conhecimento sensível que dizem respeito à beleza; outra, a prática, a qual contém os princípios necessários à formação do gosto e da habilidade artística através de um exercício estético contínuo. Suas pesquisas priorizam os estudos das sensações, e fundamenta a estética com o objetivo de entender o belo, de forma a construir uma teoria da significação de beleza. No livro citado acima, isto é, Estética ou Teoria das Artes Liberais, Baumgarten (1993, p. 99) afirma que:
Às vezes, a saudade fornece o tempero faltoso àquilo que nos vai à boca. Pode ser qualquer coisa: um fígado acebolado, uma galinha de cabidela, um bolo, um sorvete. Mas, para que assim ocorra, é necessário que tenhamos a mente e os pés no lugar onde um dia vivemos nossos melhores momentos. É preciso que o vento nos sopre um sotaque, um tom de voz, uma melodia. E que o sol ilumine paisagens que nunca nos saíram da cabeça nem do coração.
O salão de Vera fervilhava! Uma semana após o Natal. Havia uma concepção de “fechar o ano” de forma deslumbrante. O movimento da vaidade era intenso e sem tréguas. Os profissionais se revezavam para atender a clientela. Seis mulheres ocupavam simultaneamente as cadeiras diante do espelho de parede inteira, que escondia a difícil tarefa de devolver uma imagem bela e proporcional às longas esperas.
Jesus é diácono por excelência, o primeiro a servir com plenitude. Desde os primeiros momentos quando apresentava o Reino de Deus, o essencial na vida das pessoas, foi no sentido de exercitar a koinonia cristã em sua perfeição. Na nascente comunidade de seguidores foi seu primeiro diácono. A instituição da Eucaristia, a Crucificação e a Ressureição marcam seus gestos de suprema diaconia. Ele, servidor, abraçou com fervor o projeto do Pai.
A diaconia de Jesus se concretiza, plenamente, na Cruz, de onde brotaram os caminhos da Salvação, tornando-nos participantes de Sua vida.
De repente a pandemia fez o mundo ficar triste. Agora, ao que parece, foi suspensa ou se ultimou. Ninguém sabe se ainda volta, vestida de corona ou com outra fantasia. Pouco mais é carnaval. Que a saúde se resguarde, que a folia prevaleça, traga outras alegrias, e nas máscaras se reflitam a enganar a nostalgia.
Mas tristeza tem dois lados e nos fazem refletir, comparar, evoluir. A vida surpreende, toda hora, todo instante, não adianta se enganar. De repente muda tudo, como foi na pandemia.
A sinfonia começa com um solo de fagote, lento e sombrio . Reconheço o padrão musical que desde o barroco serviu como um símbolo do luto. Notas musicais murmurando sobre a finitude. Penso em meu pai, que há dezoito anos deixou a vida.
Acaricio a memória com os risos seus, tão ricos. A música responde. Torna-se rápida, com violinos nervosos e fanfarras. A vida transborda, mas não demora a se desvanecer – como na minha memória que já não separa a saudade áspera das lembranças macias. Violinos e violoncelos de repente gemem, ternos, cantando a existência do meu amado. Os instrumentos de sopro ecoam, delicadamente, a honrada vida que teve.
Ontem (29/01) foi aniversário de morte de Nam Paik. A arte lhe deve tributos. Este é um texto que deveria ser escrito em linguagem recheada de adjetivos e, quem sabe, até em letras garrafais, só para homenageá-lo.
Não se pode silenciar ou ser econômico diante de personagem de tamanha envergadura nas artes plásticas e visuais, como foi Nam Paik. Sempre muito polêmico, dominou estas artes com soberba e revolucionária criatividade.
O nosso querido Gonzaga Rodrigues, por quem tenho admiração e carinho especiais, escreveu sobre a sua teimosia em Escrever fora do seu tempo (A União). Mas para a felicidade da cidade, ele continuou a escrever – sempre aos domingos! Imagina se passamos sem ler a sua crônica publicada no Jornal A União toda semana? Já faz parte, pelo menos do meu ritual, ao tomar meu café.
Um dia Clodomiro chamou Heloísa e, sem mais nem menos, disparou:
⏤ Precisamos nos separar. Do contrário, o pessoal vai acabar nos censurando.
⏤ O quê?!
⏤ Somos casados há quase duas décadas. Isso não existe mais.
A mulher não conseguia entender: ⏤ Mas está tudo bem entre nós... Não temos nenhum problema sério.
A dificuldade de viver com qualidade, que se mantém frequentemente na Coreia do Norte, se opõe à imensidão bélica que desfila para o ditador e sua família. Ele impõe um governo com rédeas curtas e vidas vazias.
Em oposição aos maus tratos a esse povo, seus vizinhos da Coreia do Sul seguem em curso um belo gesto Humanitário, presenteando os famintos do norte com o envio de arroz em garrafas pet jogadas na correnteza. O rio as transporta até o norte por intermédio de suas artérias gentis e clandestinas, sem cobrança de frete e impostos, os quais engordam Kim Jong-un. Além do arroz, dentro dos pequenos barcos, segue escondido um pen-drive, em que estão gravados ‘shows’ de TV para diversão de seus amigos mal alimentados e proibidos de assistir, por ordem presidencial.
Vamos sair do Royal Hotel, em Londres, descer juntos a curta Bedford Way, contornar a Russell Square e entrar na pequena Montague Street, ao lado do gigantesco, magnífico Museu Britânico.
De repente, vê o que eu digo?
Não parece que entramos na ilustração de um conto de fadas, não lembra aquele sonho de Kurosawa em que o personagem penetra os quadros de Van Gogh?