A pessoa que ora transforma-se em um foco irradiador de energias salutares que beneficia a si mesma e a quem se encontra no seu campo de ac...

A prece segundo o Espiritismo

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A pessoa que ora transforma-se em um foco irradiador de energias salutares que beneficia a si mesma e a quem se encontra no seu campo de ação. Daí os Espíritos orientadores recomendarem, insistentemente, a oração como um bom hábito que deva ser incorporado ao cotidiano da existência.

A prece, à luz do entendimento espírita, não se restringe a mera repetição de palavras, algumas até sem sentido, que representam mais uma fórmula sacramental ou ritualística do que a união da criatura humana com o seu Criador. Importa, pois, exercitar a fé raciocinada, considerando este esclarecimento de O livro dos Médiuns:
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Somente a superstição pode atribuir virtudes a certas palavras e somente Espíritos ignorantes ou mentirosos podem alimentar semelhantes ideias, prescrevendo fórmulas. Entretanto, em se tratando de pessoas pouco esclarecidas e incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, pode acontecer que o uso de determinada fórmula contribua para lhes infundir confiança. Neste caso, a eficácia não está na fórmula, mas na fé, que aumenta por conta da ideia associada


Conceito de prece

A prece é um tipo de apelo que permite à pessoa entrar em comunhão com Deus, Jesus e com os Espíritos superiores a fim de receber proteção e auxílio: “[...] Sua ação será tanto maior quanto mais fervorosa e sincera for.


A prece é uma evocação. Através dela o homem entra em comunicação, pelo pensamento, com o ser a quem se dirige. Podemos orar por nós mesmos ou por outros, pelos vivos [encarnados] ou pelos mortos. As preces feitas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução de suas vontades; as que se dirigem aos Espíritos bons são reportadas a Deus.


Quando alguém ora a outros seres que não a Deus, está recorrendo a intermediários, a intercessores, visto que o hábito de orar é de valor inestimável e deve ser exercido diariamente, pois tem o poder de criar um campo de forças positivas ao redor de quem ora, concedendo-lhe “[...] a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, se deste se afastou. Por esse meio, pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas.”

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Um homem, por exemplo, vê sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim de seus dias, uma vida de sofrimento; terá o direito de queixar-se, se não obtiver a cura que deseja? Não, porque poderia ter encontrado na prece a força de resistir às tentações.

Outro grande benefício proporcionado pela prece é atrair o auxílio dos Espíritos benfeitores que, pelos canais da intuição ou da inspiração, vêm sustentar o indivíduo “[...] em suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos”. Estes Espíritos assemelham-se, segundo André Luiz, aos “[...] transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento...”


Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram. Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas. A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde.


Quando a pessoa ora emite vibrações mentais que se espalham no fluido cósmico por intermédio das correntes do pensamento, cujos mecanismos são assim explicados pelo Codificador:

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Quando, pois, o pensamento é dirigido a um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou de desencarnado para encarnado, estabelece--se uma corrente fluídica entre um e outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente guarda proporção com a do pensamento e da vontade. É assim que os Espíritos ouvem a prece que lhes é dirigida, qualquer que seja o lugar onde se encontrem.



A maneira correta de orar

A oração apresenta, em geral, três características fundamentais, anunciadas no Pai-nosso, modelo de prece ensinada por Jesus (Mateus, 6:9 a 13): louvor, pedido e agradecimento. Allan Kardec analisa a importância desta oração:


[...] É o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra-prima de sublimidade na simplicidade. Com efeito, sob a forma mais singela, ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão; o pedido das coisas necessárias à vida e o princípio da caridade. Dizê-la na intenção de uma pessoa é pedir para ela o que se pediria para si mesmo.


À medida que o ser humano evolui reconhece a misericórdia e bondade divinas que o cumulam de bênçãos. Com esta compreensão, as suas orações perdem o caráter de petitórios, sendo caracterizadas por louvores e agradeci- mentos dirigidos ao Criador. Nestas condições, o Espiritismo nos ensina qual é a maneira correta de orar, que pode ser resumida nos itens que se seguem.

Orar em secreto

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Na seguinte passagem do Evangelho Jesus ensina que durante a oração a pessoa deve estabelecer um momento de sintonia ou de intimidade com o Criador, no qual não cabe qualquer tipo de exibicionismo.


E, quando orardes, não sereis como os hipócritas, que gostam de orar pondo-se de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas largas, para se mostrarem aos homens [...]. Tu, porém, quando orardes, entra para o teu quarto interno e, tendo fechado a porta, ora ao teu Pai em segredo e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará [...].


É importante compreender que a expressão “orar em segredo”, não indica posicionamento físico ou postura especial, física ou mística. Representa, apenas, o estado de comunhão com Deus, mesmo que aquele que ora esteja a sós ou rodeado de uma multidão de pessoas:

A prece outra coisa não é senão uma conversa que entretemos com Deus, nosso Pai; com Jesus, nosso Mestre e Senhor; com nossos amigos espirituais. É diálogo silencioso, humilde, contrito, revestido de unção e fervor, em que o filho, pequenino e imperfeito, fala com o Pai, poderoso e bom, perfeição das perfeições.

Jesus orienta: “Orando, porém, não useis de vãs repetições como os gentios, pois pensam que com palavreado excessivo serão atendidos. Assim, não vos assemelheis a eles, pois vosso Pai sabe do que tendes necessidade, antes de pedirdes a ele.” O significado desta lição do Mestre está clara, conforme explica Kardec: “[...] não é pela multiplicidade de palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas”.


O poder da prece está no pensamento. Não depende de palavras, nem de lugar, nem do momento em que seja feita. Pode-se, portanto, orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum. A influência do lugar e do tempo só se faz sentir nas circunstâncias que favoreçam o recolhimento. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm o mesmo objetivo: é como se muitos clamassem juntos e em uníssono.


A oração deve falar ao coração

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Martins Peralva, citando Emmanuel, assinala a importância dos sentimentos quando em oração: “A verdadeira prece não deve ser recitada, mas sentida. Não deve ser cômodo processo de movimentação de lábios, emoldurado, muita vez, por belas palavras, mas uma expressão de sentimento vivo, real, a fim de que realizemos legítima comunhão com a Espiritualidade maior.”

A oração coletiva deve ser inteligível

A prece em conjunto possui força poderosa, conforme foi anteriormente anunciado, mas, para isto, é preciso ser realizada corretamente. O primeiro ponto a ser lembrado é que deve ser inteligível, como alerta o apóstolo Paulo, em sua Primeira epístola aos coríntios:


[...] se vossa linguagem não se exprime em palavras inteligíveis, como se há de compreender o que dizeis? Estareis falando ao vento. Existem no mundo não sei quantas espécies de linguagem, e nada carece de linguagem. Ora, se não conheço a força da linguagem, serei como um bárbaro para aquele que fala e aquele que fala será como um bárbaro para mim. [...] Se oro em línguas, meu espírito está em oração, mas a minha inteligência nenhum fruto colhe. Que fazer, pois? Orarei com o meu Espírito, mas hei de orar também com a minha inteligência.


A Oração deve ser simples, sem excessivo palavreado

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A prece só tem valor” — acrescenta Kardec — “pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer àquilo que não se compreende, pois o que não se compreende não pode tocar o coração. [...]”. E prossegue em suas argumentações:

"Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de um amontoado de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, é preciso que cada palavra desperte uma ideia; ora, a palavra que não é entendida não pode despertar ideia nenhuma. Será repetida como simples fórmula. Muitos oram por dever, alguns, até, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus lê no fundo dos corações; vê o pensamento e a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo."

Para o Espiritismo, portanto, a prece realizada nas reuniões deve ser simples, objetiva e proferida em uma linguagem que facilite o entendimento de todos.

A oração e as provações da vida


As provas e as expiações acontecem em decorrência da lei de causa e efeito, visto que os nossos sofrimentos resultam das “[...] nossas infrações às leis de Deus e que, se as observássemos regularmente, seríamos completamente felizes.” A prece, contudo, tem o poder de amenizá-las, tornando suportáveis as agruras da existência, ainda que Jesus tenha afirmado “[...] tudo quanto orardes e pedirdes, crede que o recebestes, e assim será para vós.”


Seria ilógico concluir desta máxima: “Seja o que for que peçais na prece, crede que vos será concedido”, que basta pedir para obter, como seria injusto acusar a Providência se não atender a toda súplica que lhe é feita, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem. É assim que procede um pai criterioso que recusa ao filho o que seja contrário aos seus interesses. O homem, em geral, só vê o presente. Ora, se o sofrimento é útil à sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura.


Ante os desafios da vida é importante que, ao orarmos, peçamos a Deus confiança, coragem, paciência e resignação, a fim de superarmos os obstáculos ou as dores das provações. Os bons Espíritos virão em nosso auxílio, não há dúvida, inspirando-nos boas ideias e sentimentos, sem contudo, impedir o cumprimento do planejamento reencarnatório.

Aprendemos, dessa forma, mesmo perante as maiores dificuldades, a fazer a nossa parte, recebendo, em contrapartida, toda proteção e amparo de Deus.

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Ele assiste os que se ajudam a si mesmos, conforme esta máxima: “Ajuda-te, que o céu te ajudará”, e não os que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das próprias faculdades. Entretanto, na maioria das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por um milagre, sem nada fazer de sua parte.


Oração e o perdão das ofensas

Ainda que sejamos catalogados como Espíritos imperfeitos, é importante que, pelo menos durante a oração, demonstremos o nosso esforço de melhoria espiritual. Lembrar que devemos aprender a perdoar, purificar a alma de qualquer sentimento infeliz e agir segundo os preceitos da caridade, como ensina Jesus: “E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes algo contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas transgressões”

A prece na reunião mediúnica

O Espiritismo aconselha o hábito da prece em todas as suas reuniões, não somente nas mediúnicas. E há uma razão de ser para esta prática: “Se o Espiritismo proclama a sua utilidade, não é por espírito de sistema, mas porque a observação permitiu constatar a sua eficácia e o modo de ação.

Por outro lado, não devemos esquecer o ensinamento do Cristo: “pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles.”

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Estarem reunidas, em nome de Jesus, duas, três ou mais pessoas, não quer dizer que basta que se achem materialmente juntas. É preciso que o estejam espiritualmente, pela comunhão de intenção e de ideias para o bem.

[...] Pelas palavras acima, Jesus quis mostrar o efeito da união e da fraternidade. O que o atrai não é o maior ou menor número de pessoas que se reúnem, pois, em vez de duas ou três, poderia ter dito dez ou vinte, mas o sentimento de caridade que reciprocamente as anime.

Neste sentido, vale destacar que a reunião mediúnica é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, quanto mais homogêneo for esse feixe, tanto mais força terá.

A prece não só harmoniza a reunião mediúnica, mas favorece a sua homogeneidade por tornar o ambiente favorável à manifestação dos Espíritos, sobretudo dos mais necessitados de socorro, pois, “chegando a um meio que lhe seja completamente simpático, o Espírito se sentirá mais à vontade.”

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Por outro lado, a prece beneficia o entendimento dos Espíritos que sofrem e dos que fazem sofrer, como os obsessores. Às vezes, o diálogo com determinados Espíritos é muito penoso, sobretudo quando se encontram presos a ideias fixas, ou a acontecimentos que lhes produziram graves traumas, como é a situação comum dos suicidas. Nestas condições, a prece não só é indicada como representa um ato de caridade, de amor ao próximo.

Os Espíritos sofredores reclamam preces e estas lhes são proveitosas, porque, verificando que há quem pense neles, sentem-se menos abandonados, menos infelizes. Mas, a prece tem sobre eles uma ação mais direta: reanima-os, incute-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação e pode desviar-lhes o pensamento do mal. É nesse sentido que a prece pode não apenas aliviar, como abreviar seus sofrimentos.


Marta Antunes de Moura é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira
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