Muitas pessoas alegam que a falta de espaço do livro em suas vidas se deve à ausência de tempo. Na verdade, isso revela uma forma sutil...

Tempo para ler

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Muitas pessoas alegam que a falta de espaço do livro em suas vidas se deve à ausência de tempo. Na verdade, isso revela uma forma sutil de mostrar desinteresse pela leitura, pois tempo é uma questão de perspectiva. Vejamos.

Durante nossas atividades rotineiras, temos um considerável número de “horas mortas”. Essas horas referem-se a diversos momentos: fila de banco, espera em um consultório médico, o percurso que o ônibus demora para chegar ao trabalho ou à casa, entre outros. O que você faz nessas situações? Assiste à TV? Escuta música? Distrai-se com o celular (jogos, internet, SMS)? Bem, enquanto isso, você poderia ler um livro.

Os livros editados no Brasil têm, em média, 200 páginas. Levamos, em média, 15 minutos para ler 10 páginas. Isso quer dizer que, em 10 dias, leríamos cerca de 100 páginas e, a cada 20 dias, um livro, o que totalizaria 18 livros por ano! Será que você não dispõe de 15 minutos por dia para essa atividade?

Se é verdade que os brasileiros leem pouco, leem menos ainda literatura. A maioria dos livros lidos é didática, seja por uma atividade escolar, seja por estudos que visem à aprovação em um concurso. Quando muito, leem best-sellers. O livro mais lido é a Bíblia.

Se a desculpa para não ler é a de que “os livros são caros”, há bibliotecas e sebos! Se “não há bibliotecas”, há pessoas dispostas a emprestar livros. Se não há ninguém, existem vários livros para baixar gratuitamente na internet!

Em qualquer centro urbano, é fácil observar que há muitas pessoas (adolescentes, adultos e idosos) constantemente conectadas a outros veículos de informação: fones de ouvido, trocando mensagens, navegando de várias formas na internet. Tanta informação! Pena que a maioria tenha um valor irrisório para a vida prática e para o crescimento intelectual e espiritual.

Com tanta dispersão, fica realmente difícil encontrar tempo e concentração para ler. Tanta avidez por novidades eletrônicas e demais produtos culturais contemporâneos, para os quais há quem disponha de mais de 9 horas diárias...

Vivemos numa sociedade que mal possui tempo para contemplar a natureza, para conversar com a família, que prima pelo “fast”, que descarta o artesanal e idolatra produtos em série, instantâneos. Cada vez mais visuais, menos auditivos, menos degustadores. Esquecemos que a imagem também é um texto. Entretanto, nossos olhares apressados não enxergam para além das aparências.

Ler é produzir sentidos, é compartilhar experiências. É viver passado, presente e futuro numa única atmosfera. A literatura é sinônimo de matéria humana. Com a palavra, podemos ser um outro e sermos nós mesmos. É a pá que lavra nossa vida.

“Literaturizar-se” é nadar contra a corrente de informações que nos aprisiona e nos afunda na superficialidade e na pressa que assolam o essencial.

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