Em homenagem a bell hooks, que faleceu ontem, 15 de dezembro de 2021
Este é o título do romance da americana Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, 1993. Esse livro foi escrito entre 1962 e 1965 e, como ela afirma no posfácio, “é uma tentativa de dramatizar a opressão que o preconceito racial pode causar na mais vulnerável das criaturas: uma menina negra”.
Ela tinha marcas no corpo e na alma, e estava decidida a mudar. Foi assim que Helena – ela me pediu para não revelar seu nome verdadeiro - iniciou a jornada rumo a uma grande transformação em sua vida. Ela não precisava de ajuda de ninguém pois, para ela, naquele momento a ajuda estava dentro dela, não fora. Ela precisava se redescobrir, descobrir uma nova versão de si mesma. Essa versão estava em seu interior, adormecida, pronta para ser despertada, explorada e vivida.
Hoje, 27 anos depois, parece-me imperdoável que o Conselho Estadual de Cultura não tenha reeditado o livro de Irenêo Joffily logo na primeira leva da Biblioteca Paraíbana, iniciativa pela qual tanto nos batíamos no propósito de reanimar a tradição editorial do Estado na instrumentação de sua cultura. Integravam o conselho José Octávio, José Elias Borges, Wellington Aguiar, Itapuan Botto e o locutor que vos fala. Os que não eram vinculados à história ou à antropologia, eram a elas afeiçoados. E passamos batidos
Numa certa edição do Correio das Artes, Linaldo Guedes contou uma história que caracterizou como escândalo absurdo. História, envolvendo cinco pessoas, numa mesa de bar. Pessoas que se dedicam à poesia e à Crítica Literária e que, naquele instante, protagonizaram uma cena de desequilíbrio e violência.
As folhas secam pelo sol, pelo fogo, pelo tempo, mas ainda preservam a beleza. Podem mudar de lugar, porque assim desidratadas, voam com mais leveza e rapidez. De Bananeiras a João Pessoa, seguem uma escala de cores temporária, do verde ao cinza, como se o brejo se tornasse sertão.
Roggers foi o sítio de um inglês, Richard Roggers, que aqui chegou, na primeira metade do Século XIX. Teria sido um viajante que largou o navio, no Porto do Varadouro, seduzido pelas belezas do lugar. Aqui, fez fortuna; casou-se com uma morena bem brasileira, dona Francisca Romana, e foi feliz para sempre, nos trópicos.
As Tragédias Gregas põem em cena a imperfeição humana. O personagem atua seus conflitos e suas falhas, que levam ao πάθος, ao sofrimento, dele próprio e daqueles a quem está vinculado.
Ájax, como personagem trágico da peça homônima sofocliana, traz em si as características do herói da tragédia. Ele não reflete antes de agir, está deslocado em relação ao seu contexto, sua trajetória está impregnada de ações desmedidas, se deixando tomar pela soberba e pela ira.
Suas ações, movidas pelo princípio do prazer, tendo na base as representações ideativas das pulsões do Id, frustram-se ao se deparar com a realidade que se impõe. E nesse movimento entre processos internos e acontecimentos externos, Ájax é o típico herói trágico, que se vê diante de aporias, sem saída para o seu conflito.
Pais e mães que procuram meu curso para seus filhos costumam fazer a ressalva: “Queremos um curso de redação, não de gramática.” Geralmente acrescentam a essas palavras a informação de que os filhos não leem, ou leem pouco, por isso têm dificuldade de escrever. O acréscimo é pertinente, demonstra bom senso. Quem não lê não escreve. O que não se entende é a restrição à abordagem gramatical. Como se fosse possível produzir satisfatoriamente um texto sem o conhecimento das normas que disciplinam o uso da língua.
O historiador inglês Peter Burke, acadêmico de primeira linha (é — ou foi — professor em Cambridge) e colaborador do jornal Folha de S. Paulo, publicou em 2009, pela Editora Civilização Brasileira, uma coletânea de ensaios intitulada O historiador como colunista. Livro erudito e leve ao mesmo tempo, oferece ao leitor reflexões sobre temas os mais diversos, todos de grande interesse cultural, entre os quais destaquei,
'O cargo de Gênio da Raça Brasileira ainda está vago', diz D. Pedro Dinis Quaderna no romance da Pedra do Reino, de Ariano.
O fato de jamais termos alcançado o Nobel – nem Suassuna – tem a ver com isso.
Bem,
Tolstoi, Joyce, Borges e Fernando Pessoa morreram sem recebê-lo, o que quer dizer muita coisa. Alguns autores apenas medianos, no entanto, foram premiados, o que nos diz mais ainda. Mas é claro que há uma lista de escritores notáveis que deram ao Nobel uma importância extraordinária. Cito – de memória - Camus, Faulkner, Hemingway, Bergson, Octavio Paz, Gabriel García Márquez, Saul Bellow, Neruda, Beckett, Steinbeck, Gide, Pirandello e Thomas Mann.
Nascido em Campina Grande - PB, em 1935, Orlando Tejo, faleceu em Recife - PE, em 01 de julho de 2018. Advogado, jornalista, ensaista e poeta, é conhecido por sua obra prima - Zé Limeira O Poeta do Absurdo (1973) - mais um caso clássico em que, a obra, ou o personagem, superam o próprio autor. Um bom exemplo, é o das gêmeas Ilíada e Odisseia que brilham além de Homero, e que também registram mitos transferidos pela tradição oral.
De nascimento prematuro, só tardiamente estreou em livro. Tal paradoxo seria suficiente para ilustrar a cronologia da vida e da obra de Mário Quintana, fronteiriço de Alegrete, Rio Grande do Sul, onde nasceu no dia 30 de julho de 1906.
Na verdade, a cronologia desse poeta gaúcho se perfaz sob a égide da solidão de ter nascido antes da maioria dos seres gerados à época em que ele o foi; de lançar-se a público aos 34 anos com um solitário livro de ressonâncias simbolistas quando se vivia a quase unanimidade do modernismo e, finalmente, pela condição de fronteiriço não por ser natural de Alegrete, mas por extrapolar
O Pássaro Secreto, um livro muito forte, profundo, verdadeiro, que impressiona pela narrativa densa, bem sequenciada e sem arrodeios. Uma leitura impossível de ser interrompida, mesmo entre um capítulo e outro, ou por alguns segundos, pelo mistério e suspense que o envolvem, tão bem ornamentado.
A atmosfera criada por Aglaia, protagonista capaz de amar e odiar, com a mesma intensidade que experimenta ciúmes e desprezo, possibilita-a mergulhar no seu mundo próprio, mas com boas leituras dos clássicos, do teatro, da literatura, da música, em um universo doméstico composto de constante aprendizado. Assim ela aprende a se impor como uma pessoa diferente, com forte personalidade, pois o conhecimento adquirido não a permite usar a máscara da falsidade para se relacionar com o mundo exterior.
A moça que vem ajudar pergunta o que fazer duma cartilha de plástico escura, grossa de poeira, achada em cima do guarda-roupa.
Coisa velha sempre mandam para mim. E lá vêm umas provas em papel com timbre do instituto de Maria Bronzeado onde estudou, no fiado, a maioria dos meus filhos. E, junto, uma fatura da Casa Pires, de Creusa e Adrião, de um rico jogo de talher em caixa de mogno usado uma única vez, que me lembre, num jantar que oferecemos a Tarcisio Burity aproveitando a presença, em João Pessoa, do dr. Italo Gandelmann, autoridade maior da pós-graduação em cirurgia buco-maxilo facial que filho e nora, Fabiano e Tânia, faziam na UFRJ.
O deslocamento do mito, em O pássaro secreto, traduz o próprio deslocamento da personagem Aglaia Negromonte, que necessita romper com a linearidade da rotina e ir em busca de um relato mais íntimo que dê conta de si mesma e de sua separação do mundo.
Quem me contou foi Otinaldo Lourenço, uma espécie de museu do rádio paraibano, falecido em fevereiro passado, vítima de complicações provocadas pela Covid-19: O velho Venâncio era um homem enorme e sua ignorância tinha o tamanho do corpo dele, gigantesca. Morava na João Machado, rua de grã-finos, em frente à Cândida Vargas. Era um ex-motorista que se tornou dono da linha de marinetes do Comércio, aqui em João Pessoa.