Ele adoeceu, recolheu-se por meses e não o visitei. Achei melhor assim. Nascemos no mesmo ano e a dois meses da data completa. Curtíamos e...

Ele adoeceu, recolheu-se por meses e não o visitei. Achei melhor assim. Nascemos no mesmo ano e a dois meses da data completa. Curtíamos essa bolha de nível entre outras relevâncias da nossa amizade. Não estudamos na mesma classe ginasial, mas num intervalo de recreio, como eu pasmasse ante a destreza da sobrinha do padre diretor no teclado da Remington, vem Zé Campos e me diz: se estás teso por causa da moça, tudo bem, mas se for pela corrida no teclado é melhor ver o galego de Cabaceiras. Faz fila na janela do cartório.

A Maíra, Iam, Tao e Jade. Ravi, Maya, Ben e Joaquim. Flores do meu jardim. Andrea, Fidoca, Ítalo e Aline.

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A Maíra, Iam, Tao e Jade. Ravi, Maya, Ben e Joaquim. Flores do meu jardim. Andrea, Fidoca, Ítalo e Aline.

Logo depois de O SOM AO REDOR, ainda em 2010, fui convidado a trabalhar como ator em ERA UMA VEZ EU, VERÕNICA, do Marcelo Gomes – célebre...

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Logo depois de O SOM AO REDOR, ainda em 2010, fui convidado a trabalhar como ator em ERA UMA VEZ EU, VERÕNICA, do Marcelo Gomes – célebre autor de CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS. Para me preparar e à Hermila Guedes, o jovem cineasta Pedro Freire foi chamado do Rio e teve um trabalho enorme pra que eu deixasse de lado o personagem – gozador rico e abusado – do filme do Kleber Mendonça Filho, pra me tornar o doente terminal que sustentava o curso de medicina da filha com bicos de contador.

A vida tem me feito refletir, pensar, sentir, lembrar. Voltando no tempo, lembro-me do café da manhã de 27 de janeiro de 1996 aqui na P...

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A vida tem me feito refletir, pensar, sentir, lembrar. Voltando no tempo, lembro-me do café da manhã de 27 de janeiro de 1996 aqui na Pitumirim

Pessoas correndo de um lado pro outro, espelhos pendurados nos diferentes cômodos da casa, crianças de todos os tamanhos correndo agitadas, enfeitadas, canecas de café com leite em meio aos pedaços de tule que sobraram dos enfeites, fitas, panos. Uns comendo, outros se penteando, se vestindo, uma mistura de cheiros na ar.

Eles formam a dupla de compositores de maior sucesso da nossa música popular. Desnecessário dizer que se trata de Roberto e Erasmo Carlos....

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Eles formam a dupla de compositores de maior sucesso da nossa música popular. Desnecessário dizer que se trata de Roberto e Erasmo Carlos. Nasceram no mesmo ano de 1941, em datas com menos de dois meses de diferença. Ao completarem, em 2021, 80 anos de idade, pode-se dizer que, embora tenham começado juntos a vida artística e mantido uma longeva parceria na composição, os dois trilharam, como intérpretes, carreiras distintas.

É da Professora Beatriz Jaguaribe a tese segundo a qual "a literatura e outras artes retomaram o realismo estético, ou ‘o choque do r...

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É da Professora Beatriz Jaguaribe a tese segundo a qual "a literatura e outras artes retomaram o realismo estético, ou ‘o choque do real’, como uma das manifestações mais importantes da cultura globalizada (a expressão ‘choque da cultura é assim definida pela professora: ‘a utilização de estéticas realistas que visam a suscitar efeito de espanto catártico no espectador ou leitor’)". 1

Há 25 anos, interessados em registrar a atividade na Imprensa da Paraíba, os jornalistas Jorge Rezende e Nara Valusca publicaram o livro ...

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Há 25 anos, interessados em registrar a atividade na Imprensa da Paraíba, os jornalistas Jorge Rezende e Nara Valusca publicaram o livro "Imprensa de cada um – 15 anos depois". Trabalho que revela o pensamento de um grupo de jornalistas que, à época, atuavam em diferentes jornais, rádios e televisão.

Ando dedicada a ofício novo: uma apreciação muito exata das coisas mínimas e um artesanato do meu cotidiano. Cada detalhe da minha vida de...

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Ando dedicada a ofício novo: uma apreciação muito exata das coisas mínimas e um artesanato do meu cotidiano. Cada detalhe da minha vida desimportante me fascina e encanta. Retiro pequenezas da estante da simplicidade e as elevo, novos ídolos, ao altar das divindades recém-nascidas. Lá permanecem, dourados instantes, a me confortar na paisagem cinza destes dias longos.

Existem as pessoas que não sabem arrumar o quarto, existem as que não organizam os horários e existem as que não conseguem engavetar, orga...

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Existem as pessoas que não sabem arrumar o quarto, existem as que não organizam os horários e existem as que não conseguem engavetar, organizar ou empilhar sentimentos.

Estes geralmente são avessos a ordens, normas e protocolos. Vagam contemplando coisas que quase ninguém vê. Enxergam uma “flor no lixo”, ou “que o fim da tarde é lilás”, ou “o avesso do avesso do avesso”.

A página aberta num branco em formato ofício que já não é mais palpável como em tempos idos, assim como a caneta que rabiscaria palavras...

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A página aberta num branco em formato ofício que já não é mais palpável como em tempos idos, assim como a caneta que rabiscaria palavras desconexas conectadas ao interior do ser. Em breve, apenas uma bolinha amassada de confissões desimportantes para o mundo, onde diálogos imaginados e nunca realizáveis eram montados, palavra a palavra, peça a peça, quebra-cabeça da própria mente.

Abri as torneiras e deixei a água correr ao piano de Brigitte Engerer. A banheira era um luxo que nunca desfrutei em minha vida e era a pr...

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Abri as torneiras e deixei a água correr ao piano de Brigitte Engerer. A banheira era um luxo que nunca desfrutei em minha vida e era a primeira vez que a preparava. Ainda não sabia direito como produzir aquele monte de espuma que se vê nos filmes, nem o que fazer com as pétalas de rosa vermelha, mas eu iria tentar…

É um hábito do menor esforço sair deixando em cada livro da estante o papel ou documento que, na pressa, nunca atino onde guardar. Às vez...

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É um hábito do menor esforço sair deixando em cada livro da estante o papel ou documento que, na pressa, nunca atino onde guardar. Às vezes, se é poema ou citação preciosa de autor com lugar cativo na estante, sei de olhos fechados onde localizar o livro e, lá, deixo o achado.

Estar recluso numa UTI, e espreitar o entorno, a quem quer que seja é sentir-se incomodado como se estivesse numa ante-sala da morte. A...

Estar recluso numa UTI, e espreitar o entorno, a quem quer que seja é sentir-se incomodado como se estivesse numa ante-sala da morte. A racionalidade imposta pelos nossos sombrios e atuais cotidianos impõe-nos esta trágica e nua verdade. Os frios números da dura realidade se encontram expressos nas inexoráveis estatísticas que atemorizam, e pairam sobre todos infelicitados. Tristeza para os que vão. Felicidade para os raros que conseguem dela sair.

No sombrio tempo contemporâneo impera o sentimento de que a morte está à espreita e nos impõe a dura transcendência de que esta virá impetuosa, sem pedir licença. O tempo de viver, apenas, se reparte entre um abrir e fechar de olhos. Estranhamente, dilacerante é conviver com o sentimento de que um dia a mais, é sempre um dia a menos.

De repente, o prazer de todos os dias, de abrir os olhos que sorriem para a vida que em segundos, pode não mais ser perene. O dia surge radiante e cálido, e ao nosso mirar está a natureza que viceja compartilhando com a alegria dos viventes. Subitamente, o que seria mais um dia de celebração, me atingiu um ritmo cardíaco declinante dando às claras sensações de desaceleração e de inesperado declínio. As aurículas e ventrículos tão preciosos dão sinais imprecisos e convulsos, anunciando que a distância e o tempo nos aproximam e sinalizam que a morte ronda. Passo a viver uma mise en scène, e protagonizar um grave enredo ao mais comum dos mortais: simplesmente morrer.

E, celeremente, percebi que os meus batimentos, que tanto na minha vida se exultaram com belas e intrépidas emoções, em muitos anos, já não eram os mesmos. O coração vacilante não creditava mais ao cérebro, e a todos os órgãos, a energia e a eletricidade vital. O corpo demonstrava passos cambaleantes, a respiração ofegante, e a oxigenação dos pulmões se revelava precária. Os batimentos cardíacos se refletiam de modo grave em ritmo declinante e destemperado, o que sinalizava um estado de torpor arrítmico comandado por um bloqueio total que poderia estar anunciando a proximidade de uma morte súbita.

Médicos experientes me vociferaram: busque socorro! Olhei em paz ao meu lado, e fui acudido por um filho querido, também chamado de Francisco, que pelas mãos divinas estava ali numa grave hora. Acomoda-me num bólido, e infringindo todas as cautelas do trânsito, num ritmo alucinante, percorre 150 kms e calmamente diz – “Vamos, Pai.” E num piscar de olhos chegamos ao hospital.

Celeremente, me desembarcam numa UTI, diante da insistência de desatinados batimentos que já não ultrapassavam um percentual mínimo. O coração iria me decretar morte súbita.

Com o olhar vago, vejo uma UTI e seu sinistro ambiente. Tudo o que ninguém deseja. E de pronto, a aleatoriedade. De modo involuntário vão surgindo inconsistentes divagações e pensamentos. Não havia desespero. Sabia que tinha uma caminhada difícil, e, tinha a certeza de que diante das minhas orações obteria a benevolência divina.

Tive a felicidade de acalmar os meus filhos na porta da UTI. Dediquei-lhes o meu sorriso e os meus gestos de paz como um sinal de que eles me esperassem. Não iria demorar. Tinha certeza que o meu coração não iria ser indelicado com eles, e menos ainda comigo. Logo ele, que tanto havia dividido comigo mais momentos de felicidade do que de amargura. Havíamos de continuar juntos.

A Covid, tempos antes me atingira. Passou célere. E eu alegremente a observei dobrando a esquina. Pressentia desde que me enfurnei na UTI, e acreditei, mesmo vendo o lado soturno e desalentador daquele ambiente quase funesto, que iria mais uma vez ter um sursis divino que me restituiria a doçura da vida. Assim o foi.

Ninguém entra numa UTI impunemente, há sempre um preço a pagar. Hoje, apenas um mês depois, tenho a mais absoluta convicção do drama que significou para as 460.000 mil vítimas que vivenciaram o término de suas vidas cercados de desespero e dos sons aterradores do sofrimento. Um ambiente onde ressoavam gemidos e aterrissava a morte.

O pesadelo passou. E com coração novamente forte, tributário da cirurgia, solfejando alegremente num diapasão que o continuará sintonizado com a minha doçura de viver. Com clara percepção, sei hoje o que significa ir ao inferno e ressurgir em paz rumo ao céu da vida em paz. Longe, muito longe da mescalina de Huxley, me distanciei do mundo, viajei e vi quase tudo.

Cumpre-me agradecer aos que me propiciaram a alegria de me sentir redivivo.

Aos meus filhos, pelo afeto, em especial Francisco, que, competente e arrebatado, me conduziu ao hospital como um distinto Samaritano, iluminado pelo espírito franciscano da extremada e virtuosa amiga médica, Dra. Maria de Lourdes Lopes. Igualmente aos médicos Marco Antônio Barros, ao competente cirurgião André Avelino de Queiroga, e aos uteístas que me acudiram nos meus dias e incontáveis horas, meus distinguidos agradecimentos e homenagens.

Muitos são os mundos que não vemos. Nem imaginamos quantos existem, ainda ocultos, desconhecidos. Com o tempo, a ciência foi e vai descob...

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Muitos são os mundos que não vemos. Nem imaginamos quantos existem, ainda ocultos, desconhecidos. Com o tempo, a ciência foi e vai descobrindo, revelando, provando uns e comprovando outros. E parece não ter fim. Tanto na esfera sideral como na microscópica, quando se pensa ter encontrado a menor das partículas, surge uma nova, supostamente indivisível.

E vão-se descobrindo mais e mais, outrora inconcebíveis. Os ambientes moleculares, atômicos, quânticos, nanos, assim como os espaços cósmicos, estão permanentemente a desvendar novidades em direções e
dimensões que se engrandecem progressivamente, como se encontrassem nas extremidades opostas um só universo: o infinito!

E assim muita coisa veio e prossegue chegando ao conhecimento, multiplicando-se na busca curiosa e insaciável por mundos misteriosos, que se entremeiam ao que vemos, palpamos e vivemos materialmente, ainda que invisíveis a olho nu.

Quanta coisa transita por planos incorpóreos! Imagens em ultradefinição percorrem frequências intangíveis para se exibir nos vídeos de quartz com extraordinária qualidade. Dados e informações viajam pelo planeta, de pólo a pólo, imaterialmente codificados e se reconstroem em dimensões surpreendentemente reais à nossa frente. Imagine o que se há de descobrir no futuro com o crescente aperfeiçoamento tecnológico, da inteligência e da percepção humana…

Há igualmente o mundo das emoções, por onde o amor trafega, imperceptível ao tato, mas sensível ao aconchego do espírito. Não existe mais como negá-lo perante o avanço da Ciência, da Física e das experiências que se aprofundam nos fenômenos do Magnetismo.

Embora ainda não inteiramente aceita em alguns segmentos científicos, a existência dos planos espirituais por onde a vida segue fortalece-se além da percepção mediúnica e intuitiva, que vem de séculos, para se consolidar nos experimentos cada vez mais sofisticados da Ciência.

A arte e a música também orbitam esta curiosidade acerca da transcendentalidade dos mundos e fomentam a inspiração humana há milênios. Nas antigas mitologias que tanto enriqueceram a literatura, o imaginário se espargiu a universos espantosamente fecundos, cenários deslumbrantes, trágicos, místicos e misteriosos, que encantam até hoje os amantes da criação estética.

As elucubrações sobre o chamado “mundo dos mortos” e suas repercussões no íntimo de cada ser arrebataram plateias, leitores e espectadores levando-os a estados nirvânicos, catárticos ou
mesmo a intrigantes angústias existenciais. E do belo ao bizarro, do trágico ao sublime, esculpiram-se lendas épicas e monumentais epopeias.

A música desfrutou gloriosa relevância nesta atmosfera, sempre enfatizando a força de seu poder criador em muitas formas de expressão artística.

No Mito de Caronte, em busca desesperada para ter de volta a sua amada Eurídice, Orfeu consegue convencer o barqueiro de Hades, encarregado de transportar os mortos para o “outro lado da vida” através do rio Estige. Ao ouvir a inebriante canção que soava da lira de Orfeu, Caronte concedeu-lhe, mesmo temeroso, a travessia que era proibida aos vivos. Ciente dos encantos de sua música, o herói grego, sem pagar o óbolo então exigido pela travessia, garante ao lúgubre navegador que não haverá problemas ao chegar em Hades, pois com sua lira emocionará todo o mundo dos espíritos.

Este virtuoso personagem foi notadamente dramatizado na ópera de Gluck, "Orfeu e Eurídice", que estreou em outubro de 1762, em Viena, e se insere entre as mais importantes do século XVIII. O tema já havia sido musicado nas óperas “Eurídice”, de Jacopo Peri e Giulio Caccini (1600), com libreto de Ottavio Rinuccini baseado nas “Metamorfoses de Ovídio”, e “Orfeu”, de Claudio Monteverdi (1607), fielmente inspirada no mito helênico e com grande ênfase ao poder da Música. A história registra os dois dramas líricos como possíveis fundadores do gênero operístico.


Embora as obras-primas de Gluck tenham origem nas riquezas culturais da Antiguidade, na concepção deste enredo mitológico, tudo gravita apenas e principalmente em torno dos três personagens “Orfeu, Eurídice e o Amor”, com resultado musical de rara beleza em todo o drama.

Quando Orfeu, enfim, realiza o sonho do reencontro e se depara com sua amada, ouve-se um dos mais belos solos de flauta já compostos na literatura musical erudita: A Danças dos Espíritos Abençoados , que preludia o aparecimento da ninfa Eurídice a surgir das profundezas do Tártaro. A inefável melodia sagrou-se mundialmente pelas plateias e influenciou compositores a diversas transcrições, inclusive para piano, como a versão de Giovanni Sgambati, fulgida em interpretações célebres dos pianistas Evgeny Kissin (Rússia), Hélène Grimaud (França), Yuja Wang (China) e dos brasileiros como Guiomar Novais e Nelson Freire.


Há várias curiosidades e excentricidades imaginárias acerca dos mundos dos espíritos além e derivados do governado pelo deus Hades, como o Campo de Asfódelos, o Poço do Tártaro, a Ilha dos Afortunados, os Campos Elíseos. Alguns inspiraram a música, as artes plásticas e vice-versa. Um destes emblemáticos efeitos se consagrou na “Ilha dos Mortos” — série de pinturas de Arnold Böcklin que terminou motivando Sergei Rachmaninoff em seu formidável poema sinfônico de mesmo nome.

Contrapondo-se ao esquisito barqueiro Caronte, surge na mitologia finlandesa o belo e negro Cisne de Tuonela, com a função de transportar, pelo obscuro rio Tuoni os materialmente finados aos planos espirituais. É outro mito encenado na divina arte, pelo compositor finlandês Jean Sibelius, inserido no poema sinfônico “Quatro Lendas”, também conhecido como Suíte Lemminkainen e baseado na compilação de poesias da mitologia da Finlândia.

A música tem como protagonista um dos proeminentes heróis do poema épico nacional "Kalevala" um ser místico com poderes sobrenaturais de transmutar areia em pérolas por meio da música.

Em uma das versões da lendária Tuonela (terra dos mortos), que é circundada por um rio que a separa do mundo dos vivos, navega um garboso cisne negro que, como o grego Caronte, leva os mortos à “derradeira” morada. Para descrevê-lo, Sibelius originalmente compôs, em 1895, o que seria o prelúdio de uma ópera, “A construção do barco”, ideia abandonada e depois transformada em “O Cisne de Tuonela”, um dos quatro movimentos da “Suíte Lemminkainen”, estreada em Helsinque, em 1896.


O corne inglês foi o instrumento escolhido para delinear a imagem da elegante ave que desliza pelos obscuros cenários. Alguns sopros foram suprimidos para que o canto por ele entoado se sobrepusesse à orquestra com o pretendido destaque. Há quem insira o tema deste movimento da suíte entre os sublimes solos para corne inglês, a exemplo do Largo da Nona Sinfonia de Antonín Dvořák ("Novo Mundo").

Tudo se inicia em tons de alvorada. Logo surge o canto do cisne, dialogando nostalgicamente com a orquestra e os arpejos de violoncelo, numa introdução que bem delineia o contexto místico e sombrio . Então o cisne se exibe no primeiro canto enternecedor, envolvido pela orquestra, e prossegue solitário, como a se preparar para dar início a mais um percurso pelo rio que margeia a nebulosa região.

O romântico poema é triste pela fúnebre tarefa que o destino concedeu ao principal personagem, mas nele há lirismo, há doçura. O cisne e a paisagem estão sempre a se entreolhar na solidão e o solo ressurge com picos de angústia sucedidos pela resignação,
talvez ciente da importância de seu papel .

Após um interlúdio orquestral, o cisne se ergue com seu perfil nato de altivez e elegância, e principia o suave nado pelas águas que cintilam aos raios do luar, a se infiltrar sutilmente pela vegetação que guarnece o leito do Tuoni.

É noite, há mistério, um certo assombro no ar, e ele prossegue lindamente fluindo no sinuoso transcurso com os pizzicatos que beliscam a melodia, insinunado pingos de luz a se refletir na superfície aquática . Silhuetas e sombras da noite dançam entre as árvores, reverenciam a passagem da exuberante plumagem negra, aveludada, que voga serena por entre o córrego brumoso.

Ao enveredar por mais uma curva, eis que surge a lua inteira, soberana, acima da majestosa e eloquente paisagem .

Solenemente Sibelius assume a cena para exercer sua personalidade nacionalista, enaltecendo as belezas das terras fínicas e a punjança de sua história mitológica, num arroubo orquestral que evoca magistralmente a circunspecção exigida pela arquitetura romanesca da alegoria mística e transcendental .

Deste derradeiro proscênio, o cisne retoma o canto em registro mais grave e personificado pelo corne inglês para prosseguir ao final e concluir o poema com sua grandiosidade e formosura.

Por fim, Sibelius reexpõe o tema inicial encerrando o "Cisne de Tuonela", que permanece navegando nos recônditos e insondáveis mundos da espiritualidade, tão bem cantados e decantados há séculos pela Música.

A nomenclatura criada pela ciência para identificar a patologia “Síndrome do Coração Partido”, por estranho que pareça, um nome meio poéti...

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A nomenclatura criada pela ciência para identificar a patologia “Síndrome do Coração Partido”, por estranho que pareça, um nome meio poético, é banhada de tons patéticos e fulminantes.

No entanto, essa pandemia não fica para trás. É carregada em nossa atmosfera de vivências humanas num clima traumático de desassossego; tem carcomido a normalidade dos nossos nervos com avidez, provocando um mar de apreensões.

Se analisarmos a história da humanidade, descontados todo o otimismo gratuito e a perplexidade diante dos avanços da tecnologia nos último...

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Se analisarmos a história da humanidade, descontados todo o otimismo gratuito e a perplexidade diante dos avanços da tecnologia nos últimos sessenta, setenta anos, chagaremos à conclusão de que somos umas bestas. Que loucura começar um texto assim, não é? Por que tanta agressividade? Não seria melhor suavizar um pouco mais o discurso?