Ó praia, praia bela! quanta paz te traz a chuva… Ninguém lembra como dantes por aqui te encontraram como dantes te mostravas ...

Na manhã iluminada

poesia mar rocha germano romero
Ó praia, praia bela! quanta paz te traz a chuva… Ninguém lembra como dantes por aqui te encontraram como dantes te mostravas ao tempo em que vivias no silêncio da neblina. Decerto como agora sob os pingos que te caem Que tapete tão macio essa areia umedecida… Que aroma cheio de vida têm as algas que te bordam Foste assim há quanto tempo? Por séculos ou milênios e quem sabe até bem mais... Tuas ondas beijam rochas desde quando o mundo é mundo Nunca batem até que furam Neste ardor só há carinho e a magia de um balé para poucos que enxergam Pus-me ali a observar, sob a linha do horizonte as carícias com que as ondas abraçavam aquela rocha As espumas ao seu redor o marulho interrompido pela saga do encontro desta pedra com o mar Daí imaginei quanto tempo isso acontece… E lembrei que pra sentir tudo que o passado evoca não precisa ir tão longe Basta caminhar um pouco ir ali na beira-mar pôr os pés naquela borda de espuma e fina areia pra que o cheiro da origem deste mundo tão bonito invada sua alma e lhe cante bem no fundo como aquele belo órgão que ouvimos, certa vez, na abadia milenar. Deste tempo que o tempo reconstrói no pensamento na emoção de quem enxerga mais além de sua vida mais além daquela estrela ou por trás daquela rocha que as ondas tanto beijam sem cansar da própria história A plateia é quase a mesma São coqueiros e falésias urubus e gaviões. Muitas vezes, bem-te-vis e corujas buraqueiras. Estas, sim, adoram ver, passam horas contemplando o horizonte sob a brisa. Faça sol ou faça chuva, estão sempre por ali. São fiéis ao seu amor em cuidado com o ninho. Vez por outra aparecem novas crias amparadas pelo céu que as protege. Tão frágeis que dão dó e receio de que sofram já que cavam o buraco sem devida proteção na mais pura inocência por achar que o habitat ainda é como Deus quis. Foi assim esta manhã que surgiu embelezada pela fresta da janela. Desde então imaginei que seria um paraíso esta praia sem ninguém, mas repleta de alegria toda vida e harmonia que nos chegam quando a chuva cai das nuvens sobre nós. E saí sem nem pensar no destino ou no caminho, a cheirar a terra úmida e sentir, ao respirar, como limpo fica o ar! E os pingos que escorriam pela pele refrescada nada havia tão macio tão suave e delicado. Adiante um pescador lá no mar se avistava. Dentro d'água entre as rochas recolhia a tarrafa. Deu pra ver que tinha sorte pois na rede reluziam dois pescados que decerto garantiam o almoço, e quem sabe até um beijo do amor que em seu lar esperava com fervor. Sempre tive afeição por quem tira seu sustento tão somente do que encontra na pureza deste mar Talvez esta sintonia com a beleza aqui presente dê-lhes mais sabedoria do que apenas o alimento. Afinal, não foi em vão que Jesus em seu convite prometeu que os faria pescadores da Verdade, do amor e da alegria como esta que encontrei na manhã iluminada.

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