Quando o dia clareou sobre uma elevação de terra à frente, o sol tentava romper uma nesga de nuvem. Do meio da nuvem vinha um farol de raios muito brilhantes que descia sobre a vegetação esturricada da caatinga no Vale de Catolé do Rocha, que fotografei com a mente para carregar comigo. A cidade de Brejo do Cruz e a pedra decantada pelo poeta Zé Ramalho, refletindo os raios que entravam na nossa alma, ficaram para trás.
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Na semana em que Brejo do Cruz nos recebeu, o vento de agosto espalhava a brisa morna pela paisagem, em que o juazeiro, a oiticica, a baraúna, a umburana, a aroeira-vermelha, a
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A fazenda Cachoeira, localizada no baixio que recolhe todas as águas descidas das serras, tem os rastros de desbravadores dos sertões que carregavam consigo a civilização do gado e do algodão, até chegar aos antecedentes do ex-governador João Agripino e, depois, aquele universo continuou ocupado por seus descendentes. Ao longo dos anos, como registram os anais da história, o gado leiteiro perdeu a rusticidade e ganhou padrão de alta qualidade para a produção de leite.
Nos dias em que ali estive, na boca da noite, ver o pôr do sol sobre a vegetação me fez lembrar de Serraria, onde o entardecer adormece as encostas, enquanto as palmeiras acenam como a escutar os acordes da Ave-Maria, entoada pelo vento.
Catolé do Rocha (PB) ▪️ Ronildo Txarles /// GD'Art
Na manhã em que deixava a região, mais do que nos dias anteriores da nossa estadia, o sol despontou rápido, com o calor matinal. Olhando para a imensa pedra que inspirou Zé Ramalho, eu percebia os raios que se espalhavam com eflúvios pela cidade. Um espaço iluminado que refletia a força da terra.
A geografia de todo o vale, em período de longas estiagens ou não, e as narrativas de tempos atrás continuam esperando o cantador que alçou voo como a asa-branca. Cheio de astúcia, Zé Ramalho sempre retorna nas asas do pavão misterioso, cantando galope ou mourão quebrado para o deleite de todos nós.
Catolé do Rocha (PB) ▪️ Nara Valusca Miranda
Olhando o silêncio das pedras e a paisagem ao redor, chegam à nossa mente as metáforas sobre a vida do sertão, misturadas com o cosmos, os universos paralelos, os santos, anjos e as visagens que ajudam a vencer as dores da seca. Zé Ramalho, como o profeta, parece que galopa pelas veredas e riachos do lugar. Paisagem onde as sombras se movem e nos emocionam os cantos dos pássaros. Onde o coração responde que o fundamental é ser feliz.
Nem o silêncio em torno da obra do cantador do sertão retira o brilho de sua poesia sobre a cidade. “O amigo vento” ainda arrasta os sertões até a obra de Zé Ramalho.
O Brejo do Cruz esconde Zé Ramalho. Este poeta-filósofo que merece ser revisto:
“Quem esconde tem mel, dá o mel, quem tem fel, dá o fel, quem nada tem, nada dá”.









