Logo que o juiz se assentar, tudo o que está oculto, aparecerá: nada ficará impune. O que eu, pobrezinho, poderei dizer? Mozart , Requ...

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Logo que o juiz se assentar, tudo o que está oculto, aparecerá: nada ficará impune. O que eu, pobrezinho, poderei dizer?
Mozart, Requiem em ré menor (K. 626). Tuba Mirum.

“Quando o anjo da morte lhe cobrir com seu sudário, sua vida não terá sentido se você não tiver feito algum bem na terra". Esta nota — que o pintor francês William-Adolphe Bouguereau anexou ao esboço de sua pintura Egalité devant la mort (Igualdade perante a morte) em 1848 – foi o primeiro pensamento que me ocorreu quando comecei a elaborar meu testamento esta semana.

Todos os sábados eu leio as crônicas do engenheiro Carlos Pereira de Carvalho, de quem sou leitor assíduo. Assim que recebo o meu ex...

Todos os sábados eu leio as crônicas do engenheiro Carlos Pereira de Carvalho, de quem sou leitor assíduo.

Assim que recebo o meu exemplar, o primeiro caderno que pego é o de Cultura. Lá na segunda página me deleito com os deliciosos passeios no passado em nossa cidade, promovidos por Carlos Pereira.

Geralmente ele escreve sobre o seu bairro de meninice e adolescência, Jaguaribe. Mesmo considerando a diferença de idade dele para mim, naquele tempo os anos passavam lentamente, e a vida nos bairros de João Pessoa, inclusive no Tambiá que eu morava, eram muito parecidas. O fato é que o seu tempo parecia-se muito com o meu tempo, mesmo anos depois, com pequenas diferenças.

Juca era uma dessas figuras ímpares, que surgem em grandes intervalos de tempo, como os cometas, era uma rara unanimidade, em nosso m...

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Juca era uma dessas figuras ímpares, que surgem em grandes intervalos de tempo, como os cometas, era uma rara unanimidade, em nosso meio intelectual e cultural. Não quero crer que houvesse alguém que não gostasse de Juca.

Sempre gentil, educado,  cordato, sempre calado, do pouco falar e do muito fazer,  Juca nos acolhia com o sorriso, de boca e olhos, como era o seu habitual. Não era de rir, mas o sorriso nos conquistava, por estar ali a prova indelével e inquestionável do acolhimento do amigo.

Acordei de madrugada com a notícia da passagem de Juca Pontes . Tive um choque na hora e não acreditei, saindo a perguntar a um monte ...

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Acordei de madrugada com a notícia da passagem de Juca Pontes. Tive um choque na hora e não acreditei, saindo a perguntar a um monte de gente.

Juca era um amigo muito bom, de todos que o conhecia. Nunca o vi falar mal de ninguém e ajudava quem podia. Era um dos nossos melhores poetas.

E também um dos melhores editores de livros que conheci.

No início de dezembro de 1634, os holandeses desembarcaram nas imediações da atual praia do Bessa, na expedição em que, após duas tenta...

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No início de dezembro de 1634, os holandeses desembarcaram nas imediações da atual praia do Bessa, na expedição em que, após duas tentativas anteriores frustradas, conseguiram, afinal, conquistar a Paraíba. Nos primeiros embates que foram travados no local com as forças de defesa os batavos fizeram alguns prisioneiros. No relato do holandês Joannes de Laet, “entre os prisioneiros havia um Portuguez importante, Bento do Rego, do qual se obtiveram muitas informações que mais tarde foram muito uteis aos nossos”.

Ela trabalhava na pequena biblioteca da cidadezinha, e dividia essa atividade com uma rotina entediante e repetitiva. Tinha nome de sa...

Ela trabalhava na pequena biblioteca da cidadezinha, e dividia essa atividade com uma rotina entediante e repetitiva. Tinha nome de santa, Maria da Luz, que só existia internamente. Acordava logo cedo e após preparar o café do companheiro, que ficava dormindo, estendido na grande cama, seguia pontualmente para cumprir seus dois turnos da lida. Quando encontrava pessoas no caminho, sorria e sempre solícita distribuía gentilezas. No entanto, ao fechar a porta da sua sala secular, com janelões sempre fechados, avaliava sua qualidade de vida, do tempo que fugia, dos sonhos que tivera, da saudade da poesia que fora tão presente na sua vida.

Arrumando meus guardados, em mais uma mudança, me deparo com o cartão postal do fotógrafo Ricardo Peixoto. EU 100 anos - Aug...

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Arrumando meus guardados, em mais uma mudança, me deparo com o cartão postal do fotógrafo Ricardo Peixoto. EU 100 anos - Augusto dos Anjos. As imagens trouxeram lembranças preciosas. Olhei para o belo trabalho do fotógrafo e me senti ali também.

Sentada na cadeira como um diretor de cinema, solto a minha imaginação para assistir pedaços distantes da minha história. A cena mostra tudo cinza e embaralhado, imagens sobrepostas na memória. Foi assim que me senti com a morte do meu avô. Eu com 11 anos passando pela segunda maior separação da minha vida.

Sou do tempo em que, no Colégio Marista (1968-1973), levantávamos quando professores, diretores, autoridades entravam na sala de aula....

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Sou do tempo em que, no Colégio Marista (1968-1973), levantávamos quando professores, diretores, autoridades entravam na sala de aula. Havia respeito e admiração pelos mestres, como se fossem uma extensão de nossos pais. Relembro meus tipos inesquecíveis (ou meus “malvados favoritos”) no velho Pio X: cada um deles nos deixou um legado precioso: o Professor Cleodon (matemática, ordem, concentração), Professora Gisela (português, correção na postura e na linguagem) e Professora Josefina (ético, formação do caráter, espontaneidade diante das questões corporais)(1).

Nos poemas longos de Augusto dos Anjos, o desafio de leitura se impõe, sendo muito maior do que o observado nos sonetos. É o caso de ...

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Nos poemas longos de Augusto dos Anjos, o desafio de leitura se impõe, sendo muito maior do que o observado nos sonetos. É o caso de “As Cismas do Destino”, poema de 4 partes, contando com 420 versos, em que, o eu-poético, em estado alucinatório ou de delírio, percebe, na lubricidade e na animalidade humana, o atraso na espiritualidade de seres levados pelo instinto.

Já na primeira parte do poema, temos a dimensão do desconforto e da aflição do eu, no nojo expresso diante de uma humanidade violadora das leis da natureza. Trata-se de profundo asco por tudo que o homem, voltado para a materialidade lhe provoca. Nesse paroxismo aflitivo, ele chega a automutilar-se, revelando a situação de desequilíbrio em que se encontra (Parte I, estrofe 25, versos 97-100):

Leitores queridos, o saboroso assunto de hoje tem muito menos a ver com culinária do que com o nadismo, filosofia que sigo com sucesso...

culinaria peixada
Leitores queridos, o saboroso assunto de hoje tem muito menos a ver com culinária do que com o nadismo, filosofia que sigo com sucesso desde muito tempo. Nessa busca incessante de não me preocupar com nada que importe (mesmo porque nada que importa vale nosso tempo já que não podemos interferir junto aos poderosos que decidem sem nosso consentimento sobre tudo que importa) restrinjo-me a alimentar o corpo com o que realmente vale a pena. Reduzi muito minhas opções gastronômicas. Cortei carnes, massas, doces, refrigerantes… quase cortei os pulsos, mas enfim deverei morrer com uma saúde excelente.

E eis que novamente temos a Semana Santa mostrando um Jesus traído, condenado, chicoteado, ensanguentado e, por fim, crucificado, no al...

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E eis que novamente temos a Semana Santa mostrando um Jesus traído, condenado, chicoteado, ensanguentado e, por fim, crucificado, no alto de um monte chamado o Monte da Caveira. Lá estava ele, de braços abertos, agredido e tendo como companheiro dois marginais.

Não sou versado nesses assuntos e, portanto, não sei se João estava lá. Sei, porém, da história por ele contada, lá se vão uns do...

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Não sou versado nesses assuntos e, portanto, não sei se João estava lá. Sei, porém, da história por ele contada, lá se vão uns dois milênios. Mais do que simplesmente contada, narrada a bico de pena a fim de não restar a menor dúvida acerca do que então expunha.

A porta da antiga barbearia ainda está aberta. Na inclinada calçada vejo os mesmos batentes para facilitar o acesso ao estabelecim...

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A porta da antiga barbearia ainda está aberta. Na inclinada calçada vejo os mesmos batentes para facilitar o acesso ao estabelecimento. Do lado de fora, ao passar, observo de relance que pouco foi modificado. Duas cadeiras de barbeiro de frente para os espelhos e, por trás, um banquinho para quem aguarda a vez. A rua, a Peregrino de Carvalho, que hoje sei do nome, fervilha menos devido às mudanças impostas pelo tempo.

A Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, que, de acordo com os evangelhos, foi Morto na Sexta-feira Santa, Ressuscitando no do...

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A Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, que, de acordo com os evangelhos, foi Morto na Sexta-feira Santa, Ressuscitando no domingo de Páscoa, três dias depois. Para os cristãos, a Páscoa é uma celebração da vida, da esperança e da renovação da fé. É a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio e da esperança sobre o desespero.

Intriga que algumas pessoas tenham as habilitações vocacionadas para o processo de criação literária, ainda que eventualmente não exerç...

Intriga que algumas pessoas tenham as habilitações vocacionadas para o processo de criação literária, ainda que eventualmente não exerçam essa militância, enquanto tantas outras jamais conseguirão transitar no universo dessa concepção, por absoluta ausência de mecanismos criativos, ainda que eventualmente se apropriem e dominem as ferramentas necessárias à manufatura do texto literário.

Nosso sonho maior não era conhecer Jerusalém, cidade que foi palco dos momentos mais difíceis e cruéis da vida de Jesus. Era o desejo ...

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Nosso sonho maior não era conhecer Jerusalém, cidade que foi palco dos momentos mais difíceis e cruéis da vida de Jesus. Era o desejo de pisar nas margens do Mar da Galiléia, caminhar em Cafarnaum, cidade favorita do Mestre, onde ele iniciou sua pregação, começou a angariar seus discípulos e realizou suas primeiras curas. Foi grande e prazeroso o deleite experimentado ao visitar a sinagoga que Jesus frequentava, ao lado da casa de Pedro, assim como tocar as águas das margens que testemunharam os encantos que Dele emanaram.