ANCESTRALIDADE (Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência....

poesia capixaba jorge elias neto
 
 
 
ANCESTRALIDADE
(Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência. ) O som como se soletram os mortos, o remorso, a solidão da passagem das sombras, o interlúdio, o ludibrio das expectativas, as cartas reembaralhadas e seu cheiro de saudade, algum resto de tinta revestindo as paredes dos sonhos, e o testemunho da História que é sua, dentre tantos esquecidos.

Quando estou sozinho tenho muitas coisas que não existem. A poesia é uma delas. (Hildeberto Barbosa Filho) Sábado (1 de abril), nã...

Quando estou sozinho
tenho muitas coisas que não existem.
A poesia é uma delas.
(Hildeberto Barbosa Filho)

Sábado (1 de abril), não foi mentira!! fui ao lançamento duplo do poeta, crítico, professor, escritor, Hildeberto Barbosa Filho, para ver de perto os seus “pensamentos provisórios”, e quem sabe os permanentes. Aliás, desde que chegou nas redes, escrevendo suas ideias, devaneios e pensamentos, com esse título que me deixou des-norteada; que me pego meio tonta de tantas palavras mais lindas que findas, para refletir sobre tantos assuntos da vida e da literatura. Fico esperando esses escritos que me abastecem, me intrigam, me fazem mais conhecedora do universo literário, poético e filosófico da vida. Hildeberto tem imaginação, conhecimento, trajetória e ação para produzir inimaginavelmente. Como disse Paulo Sérgio Vieira na orelha do livro Cemitério Vivo:

O menino atira o olhar em forma de flecha pela janela e atinge muitos tempos. Das eras dos outros garotos, dos velhos nas praças, d...

infancia olhar crianca
O menino atira o olhar em forma de flecha pela janela e atinge muitos tempos. Das eras dos outros garotos, dos velhos nas praças, do motorista da condução apressado, do sorveteiro concentrado no equilíbrio dos negócios para que não derretesse, da menina sonhadora da outra janela. E mirou máquinas modernas e ultrapassadas que se encontravam nas esquinas, nos desenhos e nos destinos.

Em termos estritamente materiais, a vida é um processo físico-químico. Sem a química do carbono, por exemplo, não existe vida, na form...

haeckel augusto anjos hawkins
Em termos estritamente materiais, a vida é um processo físico-químico. Sem a química do carbono, por exemplo, não existe vida, na forma como a conhecemos. Isto é ponto pacífico entre os cientistas e, principalmente, entre os evolucionistas. Ernst Haeckel, em Os enigmas do universo, é um dos precursores na constatação da importância do carbono para a criação da vida.

Apesar de ser a vida um processo físico-químico, não se pode dizer que cientistas do porte de Richard Dawkins e Ernst Haeckel – este contra o papismo romano, mas com uma profissão de fé monista; aquele ateu confesso –

    DESPEDIDA A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol ...

poesia paraibana marineuma oliveira
 
 
DESPEDIDA
A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol se reflete nas cinzas espargidas no ar. Lágrimas contidas escorrem por dentro de mim.
 
DESALENTO
O que se espera da vida se o que mais nos acomete é o inevitável espanto diante de inusitadas partidas? O que nos explica a morte quando, na dor incontida, ela insiste em deixar bem abertas as nossas feridas?

Juro que é verdade e há provas. Nesses esquemas revelados pela finada operação lava-jato é impressionante o que a mídia deixou escapar...

lava-jato corrupcao politica brasileira
Juro que é verdade e há provas. Nesses esquemas revelados pela finada operação lava-jato é impressionante o que a mídia deixou escapar, fatos que com certeza serviriam para um excelente roteiro de cinema destinado a um Oscar.

Os mensageiros das construtoras envolvidas na safadeza costumavam marcar com os destinatários das propinas as datas e locais para entrega dos milionários valores. Ocorre que algumas vezes havia desencontro e aquela dinheirama toda ficava na mão dos mensageiros, sujeitos a pessoas desonestas, né?

Houve uma época em que lemos um bocado sobre a história da nutrição, inclusive participamos de cursos com Dr. Flávio Zanatta, bioquímic...

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Houve uma época em que lemos um bocado sobre a história da nutrição, inclusive participamos de cursos com Dr. Flávio Zanatta, bioquímico carioca, discípulo do professor George Ohsawa, fundador da Macrobiótica, teoria alimentar afinada com a Filosofia do Princípio Único.

Desde quando o conheci, em 1983, há 40 anos, deixamos de comer carne vermelha. Há uns 4 anos, optamos por não mais nos alimentar de carne de nenhum animal.

Era tarde demais, 12h de uma sexta-feira à noite. Ele havia chegado cedo e pensou em dar uma volta, correr riscos, se é que eles viri...

noite solidao
Era tarde demais, 12h de uma sexta-feira à noite. Ele havia chegado cedo e pensou em dar uma volta, correr riscos, se é que eles viriam. Mas pros diabos se não viessem.

Pior seria em casa, pensando nas perdas de tempo, na pandemia, ou nos livros de contos. Os tempos não eram para volumosos romances nem para entender o mundo e muito menos a si próprio.

Chega de buscas interiores. Nada mudaria o que ele se tornara. Não adiantaria tentar atenuar defeitos ou aceitar polidamente os dos outros. Não. Chega! Deixa como está. A vida é isto mesmo: um planejamento inviável, inatingível,

Eis que me falam dos 82 anos de Roberto. O moço é de 19 de abril de 1941. Escrevi sobre os 80, data redonda e tema então no jornalismo ...

roberto carlos jovem guarda
Eis que me falam dos 82 anos de Roberto. O moço é de 19 de abril de 1941. Escrevi sobre os 80, data redonda e tema então no jornalismo impresso, na tevê, no rádio, blogs e portais de notícia. Assim o fiz com a caneta do repórter que mora em mim, ao atentar para o fato de que um povo inteiro a ele concede o tratamento que as nações ricas e pobres costumam dar a seus grandes ídolos.

Todos os sentimentos do mundo proclamam a sua poética, sobremodo quando alguém se põe em frente à obra de Augusto dos Augusto. E, em po...

augusto dos anjos helder moura leopoldina
Todos os sentimentos do mundo proclamam a sua poética, sobremodo quando alguém se põe em frente à obra de Augusto dos Augusto. E, em poucos lugares, essa sensação é mais presente do que Leopoldina, em Minas Gerais. Ali, há um Augusto imortal e, ao mesmo tempo, de uma intrigante ubiquidade.

augusto dos anjos helder moura leopoldina
Hélder Moura (Túmulo de Augusto dos Anjos em Leopoldina (MG)
Acervo do autor
Por isso, estar em Leopoldina, diante de seu túmulo e, especialmente, do tamarindo que hoje lhe dá uma sombra de conforto, foi como experimentar também as emoções desse sentimento de paraibaneidade, em torno da vida e obra de Augusto, numa irmandade com todos quantos adotaram o nosso poeta maior entre os seus.

      GALOPE À BEIRA MAR I Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia ...

poesia paraibana raniery abrantes
 
 
 
GALOPE À BEIRA MAR I
Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia na minha algibeira, Formei, bem depressa, o poema mais lindo. Um verso, maneiro, surgiu me despindo, Chamei meu amor pra comigo nadar, A moça faceira me fez suspirar, O céu azulado se abriu de repente, E a moça bonita abraçou loucamente,

Se Caetano Veloso fosse criar “Sampa” hoje talvez mudasse um dos versos mais emblemáticos para: “É que Narciso acha feio o que não é Fa...

Se Caetano Veloso fosse criar “Sampa” hoje talvez mudasse um dos versos mais emblemáticos para:

“É que Narciso acha feio o que não é Facebook”.

Não só Facebook, mas redes sociais de modo geral.

Elas, as redes sociais, foram feitas para que possamos cultuar nosso narcisismo, na medida em que estimula as curtidas, os “amei”, “uau”, compartilhamentos e comentários em cada postagem.

O apodo vem provavelmente do nome. De Octavio (com “c” mudo), virou Tavico e depois, como era natural, se tornou Vico e Vico ficou pel...

campos jordao araucaria
O apodo vem provavelmente do nome. De Octavio (com “c” mudo), virou Tavico e depois, como era natural, se tornou Vico e Vico ficou pelo resto da vida.

Intitulava-se um “Nó de Pinho”. Vou explicar o porquê. A araucária, endêmica da Mantiqueira, oferece madeira vastamente usada em movelaria e construção civil. É árvore que chega fácil aos 30 metros de altura. No alto surge uma copa de onde sai a galharia formando uma espécie da taça de cabeça para baixo. É justamente dessa parte do tronco que está a parte de pouca utilidade como madeira. De onde saem os galhos é que nasce o nó, o chamado nó de pinho. O serrote comum de um carpinteiro não consegue encarar o dito cujo, é preciso serra elétrica para enfrentar o danado.

Ela está morando debaixo do nosso teto há 3 meses. Chegou pequenininha, mas aos poucos foi crescendo e expandindo sua jurisdição te...

teia aranha
Ela está morando debaixo do nosso teto há 3 meses. Chegou pequenininha, mas aos poucos foi crescendo e expandindo sua jurisdição territorial com suas teias.

Ela é da ordem “superior” dos artrópodes (esse superior aí foi por minha conta), e da Família nobre dos aracnídeos.

Tem de vários tipos, caranguejeiras, viúvas negras, jardineiras… A minha possui cores vermelhas, pequenas partes amarelas, mas predomina o preto. Possui uma abundante bunda que dá inveja nas cantoras e

Recentemente iniciei os estudos do idioma Tupi-Guarani (Nhandewa, falado em São Paulo e Paraná, basicamente). O tronco Tupi se apresent...

Recentemente iniciei os estudos do idioma Tupi-Guarani (Nhandewa, falado em São Paulo e Paraná, basicamente). O tronco Tupi se apresenta de forma distinta. Na Paraíba estuda-se o Tupi-Potiguara e me questiono sobre a diversidade de línguas tupis.

Não foi à toa que o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer recebeu o epíteto de “o filósofo do pessimismo”, pois via o mun...

filosofia schopenhauer jovem
Não foi à toa que o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer recebeu o epíteto de “o filósofo do pessimismo”, pois via o mundo dos fenômenos como produto de uma vontade metafísica cega, colossal e maligna.

Sua filosofia foi influenciada por Kant, “o maravilhoso Kant”, como costumava chamá-lo. Partindo do idealismo transcendental de seu conterrâneo germânico, desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético, buscando