Gosto de gatos porque eles se posicionam, têm opinião. São exigentes, verdadeiros e misteriosos, num mesmo diapasão. Sua astúcia e independência contrastam com preguiça e doce carência. Como é que podem ser tão diversos, assim? Num dia, dormem ao pé de nossa cama. Em outro, somem do mapa, enfim. Querem carinho e atenção redobrada, mas só quando estão a fim. Não gostam de você incondicionalmente. É preciso que se sintam como presença desejada. Uma coisa é certa: quando você está triste, doente ou desanimada, são eles que lhe acolhem, em troca de nada.
No zoológico, a prisão, animais confinados, cujo destino é entreter as pessoas que passam. Triste sina! Urubus, harpias, cobras e jacarés. E vamos passando, admirando, como se eles fossem - e são – peças de um museu. Os pelicanos alçam tímidos voos, de lá para cá, de cá para lá. Os macacos, esses sabem de nós, e se exibem como quem diz: “Querem espetáculo? Tomem espetáculo!” E correm, de um lado para outro. Hipopótamos, camelos, leões, tigres e um urso. O urso olha nos meus olhos, como se dissesse: “Tem nada não... No futuro, quando destruírem o que lhes mantém, serão vocês a estarem aqui, nestas gaiolas-vitrine, a serem admirados, com tédio ou desdém, por seres outros...
O canto dos pássaros desperta a manhã que, rendida pela noite, dormia profundo. E eu, cúmplice, insone, finjo não ver essa troca de turno que me nega o sono e me mantém acordada.
A barata alça voo por sobre minha cabeça. Feito louca, grito e corro para me esconder. E ela nem sabe do poder que exerce sobre mim. E eu nem desconfio do porquê de ser assim.
Quando o gato me olha fixamente com seus grandes olhos azuis, sinto, da parte dele, afeto, estima e consideração.
Poemas incluídos no capítulo ANIMAL, do livro "Entre Parênteses - Poemas" (Ed. Da Autora), de Marineuma de Oliveira, com participação, em áudio, do grupo Poética Evocare.
Clique na imagem ao lado para acessar episódios completos do podcast homônimo, já publicados em plataformas de streaming (Link)









































