As velhas casas escoam seus sapatos
a cada chuva, a cada partida
Mas há um íntimo que
perpassa a ausência:
O peso das solas, dos passos,
das meias volta indecisas,
do andar em devaneio
e um certo calor
despido de inocência
Velhas casas,
cenário do canibalismo dos justos,
dos que se largam sobre o espaldar
do trono da misericórdia
No ano do centenário de nascimento do Padre José Comblin (*), é momento de relembrar sua caminhada na Igreja do Brasil e da Paraíba. Uma caminhada iniciada quando aqui chegou com outros sacerdotes europeus, em junho de 1958, logo construindo amizade com destacados nomes da Igreja que buscavam novos caminhos para estar mais perto do povo.
Apresentamos aqui a síntese de uma pesquisa que venho desenvolvendo a partir de duas questões: Quem era Marília de Dirceu e até que ponto um eventual triângulo amoroso teria fomentado a Inconfidência Mineira? Partimos de dois pressupostos: Havia mais de uma Marília, sendo uma delas amante do poeta Tomás Antônio Gonzaga e, simultaneamente, do Governador da Capitania de Minas. O curioso é que muito provavelmente ela tenha sido o estopim das Cartas Chilenas, cuja divulgação estimulou efetivamente o efervescente movimento separatista já existente em Vila Rica. Pergunta-se até que ponto uma simples vingança amorosa, cujo objetivo era denegrir satiricamente o rival e, ao mesmo tempo, escancarar os desmandos de seu governo,
As peças que apresentam temas trágicos, geralmente, caracterizam-se por transmitirem romances que são intensamente impulsionados pela paixão, e os seus personagens são amaldiçoados através de uma cultura que expressa comportamentos invioláveis de uma sociedade cruel. Nessas tragédias, a morte torna-se a concretização do amor. Muitas delas usam o princípio clássico quando afirmam que o personagem mais importante deve ter um caráter admirável, mas imperfeito, e o público precisa compreendê-lo e simpatizar-se com ele.
O antigo significado do coração e o contexto humanístico da medicina, sob à luz e a ótica do grande médico goiano e insigne mestre da cardiologia brasileira, o prof. Celmo Celeno Porto (ainda vivo), — que tenho a honra de conhecer e privar de sua amizade, advinda do meu saudoso e ilustre pai —, estão em seu livro “Doenças do coração: prevenção e tratamento”,um verdadeiro libelo no que se refere à abordagem humanista do médico e da medicina.
Antes de viajar, ela chamou o marido e recomendou:
— Não se esqueça de aguar as minhas orquídeas. Basta uma vez por semana. Uma, não mais. Se você esquecer, elas morrem.
Ele ouviu com ar compenetrado e prometeu que aguaria as orquídeas. Uma vez por semana. Feita a promessa, ajudou-a a botar as malas no carro e a levou para o aeroporto. Na despedida, beijaram-se. Ele lhe desejou boa sorte no estágio e fez a carinhosa recomendação:
Longe do pleno emprego nem todos têm escolhas fáceis na rua para seguir como boa trajetória. A desigualdade nas ofertas de trabalho no Brasil provoca grandes necessidades devido à ausência frequente desse "item", e também promove a falta de mercadorias na casa do cidadão, acabando por encurtar o viver e a obrigar que repense sua vida, porque a morte anda por perto, ultimamente.
Chegaram à quitinete com os devidos instrumentos musicais. Era visita de supetão: o amigo morava com os pais velhinhos que, àquela hora da noite, já estavam agasalhados. O visitado fora guitarrista de uma banda da juventude transviada. Alberico era para mais de sessenta. A turma nessa média.
O poeta Sérgio de Castro Pinto está de livro novo. É mais um que vem se juntar à sua já vasta obra literária, na qual, claro, pontifica a poesia, mas sem prejuízo para a produção em prosa, de qualidade inegável. E é exatamente neste segundo segmento que se enquadra O Leitor de Si Mesmo, Arribaçã Editora, Cajazeiras, 2022, coletânea de textos publicados originalmente no jornal A União.
"No último dia de sua vida, quando ela estava com 257 anos, a poetisa cega, fazedora de milagres e profetisa Pampa Kampana completou a sua imensa narrativa sobre Bisnaga e a enterrou em um pote de barro selado com cera no coração do recinto real, como uma mensagem para o futuro".
Assim começa "Victory City", o novo livro de Salman Rushdie, lançado há duas semanas. O primeiro romance após o atentado que quase o matou em 2022.
É um dos mais belos livros que li nos últimos anos. O romance se passa no século XIV, em um império real, numa região que hoje se situa no sul da Índia.
O relojoeiro me fez viver um contentamento de menino, uma alegria de camisa nova, ao devolver-me recuperado um Mido de corda que dois amigos inesquecíveis me deram de presente.
Nesse tempo, o do presente, o Banco Indústria e Comércio, dos herdeiros de Flávio Ribeiro Coutinho, tinha uma agência na Duque de Caxias, ao lado da velha A UNIÃO, hoje Assembleia. Era a agência de Edmundo, tio do poeta e escritor Geraldo Carvalho, pessoa tão comunicativa que fazia desaparecer o nome do banco; para toda a cidade o banco era dele, de Edmundo.
Em fevereiro de 1630, os holandeses conquistaram, sem maior esforço, Olinda e o Recife. No ano seguinte, os neerlandeses construíram uma fortificação em Itamaracá e, no final de 1633, tomaram a fortaleza dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte. Para o historiador Ronaldo Vainfas, “a Capitania da Paraíba era uma verdadeira cunha no território holandês, entre o Rio Grande, ao norte, e o eixo Pernambuco-Itamaracá. O alto-comando militar da WIC (a Companhia das Índias Ocidentais) decidiu, então, concentrar forças para conquistar a Paraíba”. Além do seu valor estratégico, a Capitania da Paraíba possuía vários engenhos de açúcar, de modo que, conforme escreveu Vainfas, “a sua importância econômica era indiscutível”.
O fato é que devem existir cerca de oito bilhões de pessoas no mundo, neste início da década de 2020. Somos
bilhões de pessoas distribuídas em cerca de 200 países
(ONU, 2020), uma diversidade imensa de nações, considerando que, há cerca de um século, havia menos de 60 países
legalmente constituídos.
Para meu amigo, professor Zezão, que fui reencontrar depois de 43 anos+
Era o final dos anos 70 e o país começava a sentir os primeiros bafejos de liberdade, já quando os coturnos haviam desistido de pisotear nossas margaridas. Alguns anos depois a farda apeou do poder. Os exilados políticos começavam a retornar. Toda aquela gente que “partiu num rabo de foguete” estava de volta. Num canto ou noutro ainda choravam Marias e Clarices, mas de qualquer forma, já se respiravam os primeiros ares de nossa primavera democrática.
Meu caro Hélder Moura, eu gostaria, em primeiro lugar, de agradecer a sua gentileza de ter incluído, como posfácio, na segunda edição de seu livro O princípio da diversidade e outros anarquismos: textos pandemônicos, o meu artigo, “A difícil arte de autogovernar-se”, originalmente publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero. A sua gentileza, contudo, foi além, meu amigo, convidando-me para estar presente ao debate, por ocasião do lançamento dessa nova edição.
Foi preciso que alguns meses se passassem após sua partida para que eu tivesse coragem de falar sobre ele.
Eu o ganhei, há uns 40 anos, de um aluno da zona rural que vivia de caçá-los e de vendê-los a preço de ouro. Só depois é que eu soube que ele me deu aquela ave de presente porque ela tinha nascido com uma patinha deficiente e ninguém a compraria.
@sayonarabrasil
Naquela época, pouco se falava, pelo menos no meu entorno, de educação ambiental, de consciência ecológica e de proteção à vida animal. Era muito comum as pessoas prenderem pássaros em gaiolas, assim como terem soltos em casa papagaios e outras espécies parecidas.