No caminho para o Sertão, já nas proximidades do limite da Paraíba com o Rio Grande do Norte, nos deparamos com um bonito lugar, fasc...

jerico paraiba historia
No caminho para o Sertão, já nas proximidades do limite da Paraíba com o Rio Grande do Norte, nos deparamos com um bonito lugar, fascinante e acolhedor.

Na cidade de Jericó, homônima da antiga Jericó bíblica, me deu vontade de ficar ali por mais tempo, esperar manhãs para colher o sol ao surgir por detrás de colinas, e no entardecer, recolher paisagens como mensagens espirituais.

      Não estamos sós: a Terra, como nós, é setenta por cento água e parte dessa nossa parte está, sempre, irreal, a levitar,...

poesia paraibana solha
 
 
 
Não estamos sós: a Terra, como nós, é setenta por cento água e parte dessa nossa parte está, sempre, irreal, a levitar, mais leve do que o ar, em nuvens, até que, com quinhentas toneladas, deságua.

Natal é tempo de dar e receber presentes. Sei que o espírito da festa se expressa melhor em dar do que em receber. Trata-se de uma...

natal presentes
Natal é tempo de dar e receber presentes. Sei que o espírito da festa se expressa melhor em dar do que em receber. Trata-se de uma ocasião em que o outro se constitui em alvo da nossa generosidade. Nela não cabe o cinismo com o qual um conhecido político cunhou a frase: “É dando que se recebe.”

O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação e desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, à espera de sua co...

mulheres atenas
O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação e desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, à espera de sua colaboração e sustento.

O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório. Já o poder espiritual sustenta a igreja com determinadas regras e posturas limitadas pela fé. Substancialmente diferenciado, com espírito e alma aos pés de sua prole,

O caderno de desenho sobre a carteira. Tempo de primário, lápis apontados, desenhos por colorir. Figuras diversas: bichos, gente, coisa...

criança escola palhaço
O caderno de desenho sobre a carteira. Tempo de primário, lápis apontados, desenhos por colorir. Figuras diversas: bichos, gente, coisas. Um navio ancorado. A professora, circulando a voz fanhosa entre nós, tocou a ponta da unha no navio ancorado: pinte, menino.

Os chamados medalhões existem desde sempre. Mesmo nas cavernas já existiam aqueles que queriam parecer importantes, distintos e respe...

medalhao machado assis vaidade
Os chamados medalhões existem desde sempre. Mesmo nas cavernas já existiam aqueles que queriam parecer importantes, distintos e respeitáveis, enfim, merecedores da admiração dos demais, sobre os quais pretendiam exercer, em proveito próprio, uma espécie de ascendência ou superioridade. Os medalhões, sabemos, desejam estar sempre por cima, seja no grupo, seja na sociedade; enfim, eles almejam ser e parecer exatamente… medalhões.

Não aprendi música. Nem realejo toquei, mas como devo a suas aparições nalguns momentos em que de mim próprio senti-me abandonado!

alagoa nova nostalgia musica erudita
Não aprendi música. Nem realejo toquei, mas como devo a suas aparições nalguns momentos em que de mim próprio senti-me abandonado!

O problema do mal tem implicações práticas na experiência humana, provocando um diálogo interdisciplinar sobre o sofrimento e a busca p...

O problema do mal tem implicações práticas na experiência humana, provocando um diálogo interdisciplinar sobre o sofrimento e a busca pelo sentido da existência. Trata-se de uma indagação profunda sobre a natureza do universo, do sagrado e da humanidade diante da dor e da injustiça.

Era uma manhã de sol, não me lembro mais qual era o dia da semana, no vão central da pequena capela de Nossa Senhora da Conceição, que ...

colonia getulio vargas bayeux hanseniase
Era uma manhã de sol, não me lembro mais qual era o dia da semana, no vão central da pequena capela de Nossa Senhora da Conceição, que no dia 8 de dezembro rendemos homenagens, estava um caixão contendo o inerte instrumento, que um dos espíritos mais elevados que tive o privilégio de conhecer, se utilizou para desempenhar sua missão sobre essa terra.

Nordeste A porta partida em duas Mode não entrar os bicho Lá dentro os dois no cuchicho O tempo contado em luas As alma...

stelo queiroga poesia paraibana
Nordeste
A porta partida em duas Mode não entrar os bicho Lá dentro os dois no cuchicho O tempo contado em luas As almas se pondo nuas Rezar, conferir menino O labutar severino O pote uma vela acesa O cururu na frieza Um poema nordestino…

Muitos textos possuem esse título. Mas a violência patrimonial contra mulheres e pessoas idosas nunca deixou de acontecer e, atualmente...

teseu ariadne baco
Muitos textos possuem esse título. Mas a violência patrimonial contra mulheres e pessoas idosas nunca deixou de acontecer e, atualmente, ocorre com muitas famosas e ricas, que vêm a público denunciar esse tipo de agressão.

O assunto está em alta. Até pouco tempo atrás, as mulheres tinham vergonha de expor violência patrimonial e o próprio Judiciário dava à questão um tratamento irrelevante. Por que muitos homens nas suas relações se apropriam e gerenciam o dinheiro de suas mulheres e filhas?
teseu ariadne baco
Teseu e AriadneA. Kauffmann, S.XVIII
É uma extensão do direito de posse e coisificação da mulher e o homem “colhe” os frutos de sua “posse”. Vamos falar novamente sobre aquela que teve um triste fim por não saber quando parar. Tratemos, então, desse tema: a apropriação pelo parceiro.

A história de Ariadne apresenta um significado espiritual e iniciático. Façamos uma análise a partir dos dados exotéricos (com x mesmo), lembrando como muitas de nós, por amor, damos mais do que recebemos.

A bela Ariadne, para conseguir o amor de Teseu, passou por cima dela mesma. Teseu deveria enfrentar o Minotauro, monstro que habitava o labirinto, na ilha de Creta. Buscava a vitória, a glória. Por essa razão, mesmo sem corresponder da mesma forma ao amor de Ariadne, casou-se com ela. Sabia que ela o levaria à glória.

Ariadne, na esperança de ter seu amor correspondido, deu a Teseu um fio para que ele pudesse encontrar o caminho de volta em seu percurso no labirinto. E, assim, ele venceu a luta contra o Minotauro.

Porém, na história, só Teseu levou os louros. Logo após a vitória, ele parte com sua esposa e a abandona numa ilha, retornando para sua pátria.

teseu ariadne baco
Ariadne abandonada por Teseu na ilha de NaxosAngelica Kauffmann, S.XVIII
A partir daí surgem várias versões. Numa delas, o seu amor não era suficiente e por isso resolveu deixar a esposa. Em outra versão, Afrodite, a deusa do Amor, teria se comovido com o desespero da jovem e encarregou Dionísio de desposá-la. Há, também, o relato de que Ariadne morreu e, ainda, a versão de que Teseu quis evitar novos conflitos, caso fugisse com a Princesa. Mas Dionísio se apaixona por ela.

Na verdade, Dionísio rege os mistérios da iniciação, da espiritualidade e, talvez por isso, também simbolize a embriaguez dos sentidos. Talvez qualquer ser humano sugado em um relacionamento amoroso necessite se conectar com sua espiritualidade para, então, poder se redescobrir.

teseu ariadne baco
Ariadne e DionísioTiciano, 1523
Em nossa sociedade, vemos vários tipos de Ariadnes. O parceiro, muitas vezes ciente do amor que lhe é depositado, apropria-se das coisas que lhe são postas à disposição por aquelas que não sabem haver limites para amar. Essas Ariadnes são aquelas pessoas que, com medo de perder o amor do outro, se submetem a qualquer coisa. Tornam-se objeto e posse do outro.

Na condição de coisa, o outro pode se apropriar de seus frutos, sejam eles quais forem. No direito civil, vemos que um dos efeitos da posse é justamente a percepção dos frutos. Quando o possuidor está de boa-fé, os frutos já percebidos continuam consigo.
teseu ariadne baco
AriadneAngelica Kauffmann, 1774
Quando de má-fé, esses frutos devem ser devolvidos ao verdadeiro possuidor, dono.

Mas, na vida real é assim? Seria se, em nossa sociedade, não vivêssemos tantas incertezas nos relacionamentos descartáveis, nos quais as ameaças e medos de um fim não fossem o impulso das vontades. Seria se o parceiro não se desfizesse do sentimento e ameaçasse o outro com finais e abandonos.

São formas de apropriação inevitáveis. É comum, nas classes média e baixa, vermos bares e restaurantes em que todas as pessoas da família trabalham. Porém, quando nessa família existe um pai ou um marido, o nome do empreendimento tem o nome dele. Mulheres só dão nomes a bares e restaurantes quando trabalham sem auxílio de marido ou companheiro. Em regra, o nome de fantasia é sempre o do homem.

Essas mulheres encontram-se na cozinha ou nos serviços gerais, trabalhando até mais do que seus parceiros, do que seus pais. Elas são pessoas invisíveis. Mulheres cuja mão de obra é associada ao nome do homem e não aos delas.
teseu ariadne baco
AriadneE. Burne Jones, 1862
São mulheres que ajudam a crescer um empreendimento, mas que não são vistas. São trabalhadoras gratuitas em nome do que a gente considera a família tradicional, heterossexual e patriarcal, em que o homem comanda e se apropria da força de trabalho feminino.

Também constatamos esse tipo de comportamento quando observamos casais jovens e pobres. O homem pobre decide se casar com uma mulher pobre, mas que tenha força de trabalho para construir, com ele, um patrimônio considerável, que, mais tarde, dará a ele status e poder econômico. É igualmente comum que esse mesmo homem troque sua companheira por outra que possa dar visibilidade ao poder.

São muitas as Ariadnes. E os homens também podem ser Ariadnes. Ariadne é uma condição do ser humano carente, que entrega tudo o que tem, inclusive seu poder de barganha, sua força, sua mão de obra, em troca de um amor que possa ser correspondido. São pessoas que temem dizer “não” e receiam perder aquilo que talvez nunca tenham tido. São pessoas que dão presentes e tudo que possuem para conquistar um amor interesseiro. Talvez, qualquer dia, essas pessoas sejam abandonadas em alguma ilha.

Estamos alojados no Alto do São José, em Coimbra. Lugar estratégico, perto da Universidade, tendo a excelente vizinhança do Seminário M...

universidade coimbra portugal
Estamos alojados no Alto do São José, em Coimbra. Lugar estratégico, perto da Universidade, tendo a excelente vizinhança do Seminário Maior da Sagrada Família e do Jardim Botânico.

A caminhada para a Universidade é tranquila, amena, por nos encontrarmos quase no topo da colina, e já nos sinaliza a preservação da memória. Estamos perto das ruas Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano, grandes escritores do Romantismo português. As placas designativas das ruas são simples e, ao que parece, não diria imperecíveis, mais duráveis do que as que tenho visto no Brasil, produzidas em

Completei 69 anos esta semana e inventei de listar as coisas que me dão prazer atualmente. Mudei muito. Algumas alegrias antigas ma...

caminhada felicidade
Completei 69 anos esta semana e inventei de listar as coisas que me dão prazer atualmente. Mudei muito. Algumas alegrias antigas mamãe natureza cuidou de moderar, se é que vocês me entendem. Outras venho descobrindo com o tempo.

Leopoldo R. T. F. formou-se em Medicina. Graduou-se em universidade pública, lá no Rio de Janeiro. Rapaz estudioso e dedicado, pagou s...

conto cronica paraibana
Leopoldo R. T. F. formou-se em Medicina. Graduou-se em universidade pública, lá no Rio de Janeiro. Rapaz estudioso e dedicado, pagou seu tempo de residência, amargou plantões, fez tudo dentro do riscado e estava assim, apto para exercer o ofício de Hipócrates na especialidade de ginecologia, não fosse um contratempo que viria para tirá-lo dos eixos.

Um tranquilo beija-flor estaciona no ar diante da flor no equilíbrio vertiginoso das suas asas. Permanece ali no beijo...

cronica cenario paisagens
Um tranquilo beija-flor estaciona no ar diante da flor no equilíbrio vertiginoso das suas asas. Permanece ali no beijo apaixonado enquanto a manhã de preguiça dominical adentra o dia e o sol atira raios para todos os lados. O pássaro permanece ali alguns instantes até encerrar a curta relação de amor e seguir para um novo encontro floral e, assim, satisfazer o desejo da natureza. Os olhos humanos atentos apreciam a dança do colibri e o vento que balança suavemente o galho em um quadro momentâneo. E perto dali jarros brotam exuberância. Colorem o papel da manhã que se abre e ordenam a flor que se liberte.

Como pôde o bandido fazer isso comigo? Logo agora, com o tempo de vida que tenho? Com a idade do apego maior às coisas e símbolos do pa...

gato siames
Como pôde o bandido fazer isso comigo? Logo agora, com o tempo de vida que tenho? Com a idade do apego maior às coisas e símbolos do passado?

O infeliz nos chegou, faminto e ensopado, do tamanho de um rato, por volta das 5 da manhã de um sábado chuvoso. Eu, a Patroa e os meninos saímos da cama a um só tempo para socorrer o dono daquele choro ininterrupto, desesperado. Alguém, às escondidas, o depusera na calçada a fim de que ele atravessasse a grade e subisse à varanda onde também guardávamos o carro.