7.11.24
Em um mundo cada vez mais interconectado, a polarização do conhecimento se tornou um fenômeno notável. A atualidade nos apresenta...
Em um mundo cada vez mais interconectado, a polarização do conhecimento se tornou um fenômeno notável.
A atualidade nos apresenta uma sociedade fragmentada, onde diferentes grupos coexistem, mas frequentemente se afastam uns dos outros, criando um verdadeiro labirinto intelectual.
7.11.24
7.11.24
O Decamerão ou Decameron (Abril Cultural, Tradução de Torrieri Guimarães, 1970) é um clássico da literatura, escrito entre 1348 e 135...
O Decamerão ou Decameron (Abril Cultural, Tradução de Torrieri Guimarães, 1970) é um clássico da literatura, escrito entre 1348 e 1353, por Giovanni Boccaccio (1313-1375), num período turbulento da Idade Média, e que rompeu com a moral medieval de forte teor religioso, escandalizou a Europa e praticamente decretou o começo do realismo na literatura, que viria culminar com o humanismo alguns séculos depois.
7.11.24
6.11.24
Quando o vento é o maestro, Faz valer a sinfonia, E tudo é pura beleza, E tudo é pura poesia: As folhas se entrelaçando, As...
Quando o vento é o maestro,
Faz valer a sinfonia,
E tudo é pura beleza,
E tudo é pura poesia:
As folhas se entrelaçando,
As palhas se balouçando,
E o céu azul de vigia.
6.11.24
6.11.24
A ladeira da Rua da República, vinda dos lados do mangue do rio Sanhauá, passava pelas fábricas. A Matarazzo, a de bebidas, descaroç...
A ladeira da Rua da República, vinda dos lados do mangue do rio Sanhauá, passava pelas fábricas. A Matarazzo, a de bebidas, descaroçadora de algodão e desfiadora de agave. Pinica levantava cedo, o balde de leite percorrendo as ruas sonolentas. O céu indeciso. Nem noite, nem dia. Ele entregava a voz explodindo na calma do amanhecer.
6.11.24
6.11.24
O POETA É UMA ILHA O poeta é uma ilha naufragando em si mesmo. Constrói sua trilha no verso averso a atalhos e afeito aos ...
O POETA É UMA ILHA
O poeta é uma ilha
naufragando em si mesmo.
Constrói sua trilha no verso
averso a atalhos e afeito
aos obstáculos da palavra.
O poeta se sabota
e agora enxerga sua poesia
como uma maldição que
o desnorteia. Melhor ser insensível?
6.11.24
5.11.24
O poeta e tradutor Ivo Barroso (1929-2021) me ligou do Rio, a voz ainda bela e clara, pra saber como eu estava. Na conversa, ele - gr...
O poeta e tradutor Ivo Barroso (1929-2021) me ligou do Rio, a voz ainda bela e clara, pra saber como eu estava. Na conversa, ele - graças a quem eu lera clássicos italianos (como os de Ítalo Svevo e Umberto Eco), franceses (como os de Malraux e Perec), ingleses (como os de Jane Austen), alemães – como os de Herman Hesse – me disse, a propósito de “Demian”, obra desse último, dentro da tradição literária alemã do bildungsroman (“romance de formação”), que se identificara muito com o choque de Sinclair – menino puro dando de cara com as durezas do mundo, ao que respondi “eu também”.
5.11.24
5.11.24
Nunca foi fácil ser mulher e continua não sendo até os dias de hoje. Por questões históricas, a...
Nunca foi fácil ser mulher e continua não sendo até os dias de hoje.
Por questões históricas, a mulher permaneceu por muito tempo à sombra do sexo masculino em diversas aspectos, inclusive nos aspectos artísticos e culturais. Isso é fato. Para conseguir ocupar qualquer espaço, seja nas ruas, nas escolas, nas urnas, ou na literatura foi, e ainda é necessário, muita luta. Estamos num tempo de falar, de reclamar, de termos vez e voz, e, principalmente, não ter medo.
5.11.24
5.11.24
Numa aula-conferência sobre Luís de Camões e seu poema épico Os Lusíadas, o professor e acadêmico da Academia Paraibana de Letras ...
Numa aula-conferência sobre Luís de Camões e seu poema épico Os Lusíadas, o professor e acadêmico da Academia Paraibana de Letras
Milton Marques Júnior falou, repetidas vezes, não ser escritor, mas professor. Um professor escritor que escreve para ministrar as aulas.
5.11.24
5.11.24
Lembro-me de uma cena que presenciei, há alguns anos, num restaurante da praia que eu costumava frequentar. Nele quase sempre havia...
Lembro-me de uma cena que presenciei, há alguns anos, num restaurante da praia que eu costumava frequentar. Nele quase sempre havia pouca gente, de modo que era possível se sentar, pedir uma cerveja e passar minutos ou horas matutando. Enquanto as garrafas vazias se multiplicavam, abrandando o peso das noites de sábado, a gente pensava na vida – às vezes, também, na morte – e curtia uma rala, iluminada, melancolia.
5.11.24
4.11.24
Eis que surge uma notícia desafinada e triste: o silenciar de um piano. Morreu o pianista carioca Arthur Moreira Lima, aos 84 anos, v...
Eis que surge uma notícia desafinada e triste: o silenciar de um piano. Morreu o pianista carioca Arthur Moreira Lima, aos 84 anos, vítima de câncer. Imediatamente me vem à memória o inusitado dia em que o entrevistei para o extinto Jornal O Norte, do Diários Associados.
4.11.24
4.11.24
Não se pode querer ser Deus. Ninguém é melhor que o outro na terra. Ou somente bom. Ou somente mal. Aceitar nossas humanidades é, ai...
Não se pode querer ser Deus. Ninguém é melhor que o outro na terra. Ou somente bom. Ou somente mal. Aceitar nossas humanidades é, ainda, o caminho correto para fazer melhor uso delas.
4.11.24
4.11.24
A desigualdade se manifesta nas desumanas relações de sistemas econômicos que estruturam a vida em sociedade e são sustentadas tanto...
A desigualdade se manifesta nas desumanas relações de sistemas econômicos que estruturam a vida em sociedade e são sustentadas tanto por mecanismos materiais quanto por ideias e valores culturais para intensificar o acúmulo de mais privilégios para algumas pessoas. Consequentemente, a cruel distribuição de recursos e as faltas de oportunidades de desenvolvimento pessoal geram a violência entre todos.
4.11.24
4.11.24
Bendita seja a árvore, semeadora de livros. Cada pessoa tem seu Pinóquio, vou contar a história do meu, o leitor poderá também con...
Bendita seja a árvore, semeadora de livros.
Cada pessoa tem seu Pinóquio, vou contar a história do meu, o leitor poderá também contar a sua. Pinóquio está presente nas minhas mais antigas recordações da infância. Lembro-me de um episódio que me marcou muito, era pequena, devia ter oito anos, fui com minha mãe assistir ao desenho animado de Pinóquio, uma versão romantizada de Walt Disney. O cinema ficava em Campina Grande, Cine Avenida, situado na Avenida Getúlio Vargas. A sala que exibia o filme estava completamente lotada, ficamos em pé. No meio do filme, minha mãe resolveu sair,
4.11.24
4.11.24
Desinformação? Improvável. Preconceito? Sem dúvida. Se um articulista regular de O Globo escreve nos dias de hoje que o Nordeste é um...
Desinformação? Improvável. Preconceito? Sem dúvida. Se um articulista regular de O Globo escreve nos dias de hoje que o Nordeste é um cafundó, não pode ser desinformação, só pode ser o velho preconceito sudestino, de cariocas e paulistanos “cosmopolitas”, contra os nordestinos de sempre, para eles, os “cosmopolitas”, eternos símbolos de atraso, ignorância e matutice. Pode?
4.11.24
3.11.24
Para que possamos enxergar com clareza qual o nosso papel no quadro da vida, precisamos permitir que um Propósito Superior nos orient...
Para que possamos enxergar com clareza qual o nosso papel no quadro da vida, precisamos permitir que um Propósito Superior nos oriente os passos.
Em face dos desafios que nos rodeiam, por vezes nos abatemos. São conflitos domésticos, desentendimentos, dificuldades na sobrevivência material, hostilidades aparentemente gratuitas, julgamentos injustos, agressões recebidas, desentendimentos e outros episódios que trazem dor e angústia, numa prova de que ninguém passa incólume pela existência.
3.11.24
3.11.24
Nem bem termino de ler as Elegias do poeta maduro, de Hildeberto Barbosa , expansão em ritmo de repente dos seus 70 anos, bate-me à p...
Nem bem termino de ler as Elegias do poeta maduro, de
Hildeberto Barbosa, expansão em ritmo de repente dos seus 70 anos, bate-me à porta a Regente final surgida das sombras no último fragmento do poema, dessa vez interrompida pelo desgarramento de
Vladimir Carvalho de sua obra. Obra que, por mais que eu tente comentar, pouco viria acrescentar a outra elegia, esta em prosa de Silvio Osias, escrita sob o imediato efeito da notícia e, paradoxal que possa parecer, de final feliz.
3.11.24