“Nada me atrai mais do que a palavra/ e toda palavra me trai;/nada me ocupa mais que a palavra/ e toda palavra me culpa.” É o que diz o meu amigo, o poeta José Antônio Assunção, em um dos seus poemas. Essa luta do poeta na sua busca da palavra, constatando a sua intangibilidade é
Vou contar esta história porque já vi o mesmo fato acontecer muitas vezes e sempre sobra a mesma lição, mote do livro que estou terminando de escrever: “O limite do suficiente”.
Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, era grande estudioso, dentre outras matérias, da Antiguidade Clássica Greco-Latina. Nesse sentido, não é raro nos depararmos, ao longo da obra do eminente psicanalista, com a presença desse acervo na elaboração da sua metapsicologia, tendo a clínica como campo de observação e de respaldo. Assim sendo, os mitos também fazem parte desse conglomerado analítico, funcionando como subsídio para se entender o ser humano, mais especificamente a sua subjetividade, uma vez que o sentido
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intrínseco do mito reflete manifestações da psique humana, tratando-se de instrumento de elaboração da subjetividade do homem de antanho, portanto, de valor atemporal.
Sou o décimo segundo filho de uma prole de treze (sete homens e seis mulheres). Nasci dentro de uma casa cheia de ancestralidade, vozes, passos, risos e barulhos — filho de João Gonçalves de Abrantes (comerciante) e Cremeilda Dantas de Abrantes (professora e poetisa) — e trago comigo a sorte rara de quem teve uma infância feliz. Vim ao mundo em Sousa-PB, no ano de 1965, mas foi em 1970 que a vida me levou, de mãos dadas com meus pais e irmãos, para João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, cidade que me ensinaria tudo o que sei.
Meu amigo João, com quem discuto temas graves da geopolítica, passou a gostar de uísque puro, ao estilo caubói. Meus 80 anos requerem a diluição dessas doses em gelo, muito gelo. O que ele propôs, quando do nosso recente encontro, foi um brinde com gosto de despedida, o toque dos copos como se fosse o último.
Há quem imagine que somente o humano acometido da “loucura” da criação literária é capaz de promover a usinagem das palavras com a matéria da universalidade, por ser ele, com essa insanidade, vetor de estranhamentos que desencadeiam mudanças profundas nos semelhantes e, por consequência, no mundo, porque está em si
Dando prosseguimento à série sobre os ingênuos e os nascidos escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves no ano de 1833, hoje traremos informações canônicas sobre o batizado de adultos, com base nas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia,
O altruísmo, como um dos pilares da convivência humana, se revela em gestos simples, mas profundos. A frase de Mahatma Gandhi ecoa em nossos corações: "A verdadeira medida de um homem não se vê nos momentos de conforto e conveniência, mas sim em seus desafios e controvérsias." Essa perspectiva nos convida a refletir sobre a importância do caráter e da integridade.
Perguntarão: o que essas três criaturas teriam em comum a ponto deste escrevinhador aqui tomar linhas à frente com tal assunto? Seria a espertise na arte da guerra? Não é. Os dois primeiros eram estrategistas; cada um no seu pedaço, mas eram especialistas. Já o terceiro, um cabo austríaco que se achava alemão...
Immanuel Kant (1724–1804), filósofo alemão, compreende o funcionamento do conhecimento humano a partir de três grandes faculdades: a de conhecer, a prática e a de julgar. Essas estruturam o modo como o ser humano se relaciona com o mundo,
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consigo mesmo e com os valores estéticos. A primeira é a faculdade de conhecer, responsável pelo conhecimento científico. Nela, a razão opera dentro dos limites da experiência possível, produzindo conhecimentos objetivos e universais. Kant afirma que “todo o nosso conhecimento começa com a experiência, mas nem por isso deriva todo ele da experiência” (KANT, Crítica da Razão Pura, B1). Isso significa que, embora o conhecimento tenha início na experiência, ele depende de estruturas a priori do sujeito para se organizar. A segunda é a faculdade prática, ligada à moral.
Quanto mais refletirmos, mais seremos guiados por aquilo que realmente desejamos e queremos do que por aquilo que os outros impõem sobre nós por acharem que se trata de um objeto ou ideia de que necessitamos. O desejo é da esfera inconsciente, e o querer pertence ao nível consciente. A lógica produtivista e neoliberal tem automatizado as nossas escolhas.
Quando a Igreja na Paraíba soluçava fatigada e envelhecida nas práticas elementares de evangelização, vivendo no silêncio causticante de regras atrofiadas sob o sol da esperança, encoberto por nuvens escuras, surgiram entre nós dois padres com o “cheiro das ovelhas e pés no chão”. Vieram como mensageiros da esperança e de sonhos, como foram os profetas da Antiga Aliança.
Escrevo para refletir sobre minha iminente mudança de endereço. É um olhar sobre o espaço que nos cerca, os hábitos e as percepções.
Moro neste apartamento há 21 anos. Sempre me deslocando pelo mesmo bairro ou por suas vizinhanças, percorro ruas nas quais me reconheço e sou reconhecida, íntima das fachadas dos prédios. Por toda parte,
Essa história aconteceu no tempo do ronca, quando o recato das moçoilas era-lhes o maior trunfo para os casórios. Quanto mais pudibundas, mais candidatas à celebração nupcial. Daí que se esmeravam em ostentar um ilibado comportamento em sociedade; quando iam às tertúlias, era na companhia das genitoras ou de alguém a quem incumbia vigiá-las.
Ela o fez numa terça-feira comum, entre o primeiro e o segundo gole de café. Decidiu que, naquele dia, tentaria encontrar a empatia. Não a palavra desgastada em discursos, não o conceito bonito das redes sociais. Mas a coisa viva, o fio de ouro que une as almas. Ela imaginou que fosse uma questão de olhar nos olhos das pessoas.
A trajetória de um dos homens mais importantes da história paraibana e brasileira, José Américo de Almeida, começou no dia 10 de janeiro de 1887, quando nasceu em Areia (Brejo), no Engenho Olho d'Água. Portanto, neste 10 de janeiro lembramos seus 139 anos de nascimento. Ainda jovem, sua 'estrela' já parecia prenunciar uma polivalência de atributos de que seria um dos mais destacados escritores, políticos e humanistas do cenário nacional. Precoce,