As setenta e oito páginas iniciais de Grande sertão: veredas funcionam, do ponto de vista da organização da narrativa, como uma intro...

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As setenta e oito páginas iniciais de Grande sertão: veredas funcionam, do ponto de vista da organização da narrativa, como uma introdução, longa introdução (22ª ed. 3ª impressão, São Paulo, Companhia das Letras, 2019). Não pense o leitor que, por ser uma introdução, o trecho é de fácil leitura. Não, muito pelo contrário. O narrador não facilita, em nada, a vida do leitor, pois ele próprio se dá conta de sua maneira digressiva de narrar:

“Ai, arre, mas: que esta minha boca não tem ordem nenhuma. Estou contando fora, coisas divagadas” (p. 22).

Há em Patos um personagem conhecido como “Chico das Preacas”. Dizem que ele é chegado a um dinheirinho emprestado; já pagar, que é bom,...

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Há em Patos um personagem conhecido como “Chico das Preacas”. Dizem que ele é chegado a um dinheirinho emprestado; já pagar, que é bom, é outra conversa. Pois esse tal Chico soube que um novo gerente havia assumido a agência local do Banco do Brasil. Imediatamente, pôs seu terno branco, chapéu, gravata vermelha e subiu apressado a escada que dá acesso à gerência do banco. Largo de gestos e bem-falante, foi logo se apresentando.

O tempo faz perder o fio da memória. Os encontros se dissolvem em segundos, mas permanecem em fragmentos que resistem dentro do corpo....

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O tempo faz perder o fio da memória. Os encontros se dissolvem em segundos, mas permanecem em fragmentos que resistem dentro do corpo.

O ASSALTO Na casa do irmão de Painho, os acontecimentos eram maravilhosamente fora da curva. Tio Fernando e Tia Creuza faziam de tu...

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O ASSALTO
Na casa do irmão de Painho, os acontecimentos eram maravilhosamente fora da curva. Tio Fernando e Tia Creuza faziam de tudo para a vida ter a magia da felicidade. Todos os revezes eram vistos como aprendizado.

Reencontrei minha entrevista com Heitor Coutinho Maroja para uma edição de junho de 1990, da Revista A CARTA. O texto fala de um hom...

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Reencontrei minha entrevista com Heitor Coutinho Maroja para uma edição de junho de 1990, da Revista A CARTA. O texto fala de um homem que, aos 73 anos, trocou o ócio da aposentadoria pela ingrata e exaustiva tarefa de restaurar prédios e monumentos históricos.

O pardal entrou pela janela do meu quarto. Coitadinho, ficou tão assustado que acabou quebrando a asa. Não é igual a quando um mo...

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O pardal entrou pela janela do meu quarto.

Coitadinho, ficou tão assustado que acabou quebrando a asa.

Não é igual a quando um morcego entra de noite e fazemos um fuzuê para matá-lo.

Heitor Villa-Lobos (1887–1959) construiu uma linguagem composicional pan-brasileira, na qual une as diversas culturas musicais de t...

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Heitor Villa-Lobos (1887–1959) construiu uma linguagem composicional pan-brasileira, na qual une as diversas culturas musicais de todas as regiões do Brasil. Nesse processo, incorporou temas do folclore, da música popular, das tradições indígenas, afro-brasileiras e da música de concerto europeia. Segundo Mário Raul de Morais Andrade (1893–1945), poeta, contista, cronista, romancista, musicólogo, historiador da arte, crítico e fotógrafo brasileiro, em seu livro Ensaio sobre a música brasileira, publicado em 1928, a construção de um gosto musical deve estabelecer diálogo com as manifestações musicais existentes no território nacional. Para o modernismo brasileiro, a cultura popular é uma fonte para a construção de uma identidade estética nacional.

O olhar é uma janela para a alma, uma expressão rica que revela emoções profundas. Cada olhar pode contar uma história: um brilho d...

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O olhar é uma janela para a alma, uma expressão rica que revela emoções profundas. Cada olhar pode contar uma história: um brilho de alegria, a tristeza que se esconde, a contemplação silenciosa ou a angústia que sufoca. Muitas vezes, esquecemos o poder que um olhar pode ter, a capacidade de transmitir amor e compaixão.

Sim, nada dura ou é para sempre. Nem o nosso corpo, nem nossas alegrias, como também nossas dores ou o que se esconde em tudo o que n...

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Sim, nada dura ou é para sempre. Nem o nosso corpo, nem nossas alegrias, como também nossas dores ou o que se esconde em tudo o que nos foi negado saber.

Sou admirador de uma arte pouco reconhecida, a arte da mentira, da fantasia, a que dribla a lógica de forma implacável. Ficcionista...

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Sou admirador de uma arte pouco reconhecida, a arte da mentira, da fantasia, a que dribla a lógica de forma implacável. Ficcionista na literatura, não posso deixar de apreciar esse viés plantado na alma de nossa brasilidade: a arte de mentir. Daí o motivo que achei para rabiscar as linhas seguintes.

Lembro-me Belo Horizonte de manhãs claras, lavadas de sol, e noites ardentes, com o asfalto ainda devolvendo o calor do dia e as mon...

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Lembro-me

Belo Horizonte de manhãs claras, lavadas de sol, e noites ardentes, com o asfalto ainda devolvendo o calor do dia e as montanhas recortadas contra um céu azul crepuscular.

[...] “não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar...

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[...] “não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas.” Zygmunt Bauman
Amar é exercício de ambiguidade. Ao passo em que busca a completude, necessita que um vazio por vezes se instaure. Só se ama na falta? Ou se aprende a querer o que se tem para que o desejo fomente o que se pode chamar de amor? É fato que é muito fácil almejar o perfeito, isto é, aquilo que está pronto. Mas, um escultor retira da pedra bruta sua arte pelo movimento da constante lapidação. Se um poeta é um fingidor, ele precisa fingir a matéria grossa das palavras,

No último dia 3 de setembro, fui à UFPB assistir ao “Ciceli, V Congresso Internacional CriadorAS na Educação Literária e Intercultural”...

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No último dia 3 de setembro, fui à UFPB assistir ao “Ciceli, V Congresso Internacional CriadorAS na Educação Literária e Intercultural”. Mais especificamente, à mesa-redonda “Perspectivas Comparativas nos Estudos Woolfianos: questões de gênero, identidade e inovações narrativas”, com a Profa. Dra. Maria Aparecida de Oliveira, UFPB; Profa. Dra. Genilda Azerêdo, UFPB; Profa. Dra. Maria Rita Drumond Viana, Unicamp; Profa. Dra. Rosângela Neres, UEPB; e Profa. Dra. Nicea Nogueira, UFJF.

Quando o dia clareou sobre uma elevação de terra à frente, o sol tentava romper uma nesga de nuvem. Do meio da nuvem vinha um farol d...

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Quando o dia clareou sobre uma elevação de terra à frente, o sol tentava romper uma nesga de nuvem. Do meio da nuvem vinha um farol de raios muito brilhantes que descia sobre a vegetação esturricada da caatinga no Vale de Catolé do Rocha, que fotografei com a mente para carregar comigo. A cidade de Brejo do Cruz e a pedra decantada pelo poeta Zé Ramalho, refletindo os raios que entravam na nossa alma, ficaram para trás.

Fiquei com um amargor na alma diante da notícia de que a Open AI, proprietária do ChatGPT, resolveu em 88 horas um problema matemátic...

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Fiquei com um amargor na alma diante da notícia de que a Open AI, proprietária do ChatGPT, resolveu em 88 horas um problema matemático complexo que ficou sem solução por 90 anos.

Luana postou uma mensagem no meu blog dizendo que “adorou” as “Considerações heterodoxas sobre a paixão”, mas discorda de que esse s...

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Luana postou uma mensagem no meu blog dizendo que “adorou” as “Considerações heterodoxas sobre a paixão”, mas discorda de que esse sentimento “dura no máximo três anos”. “Às vezes é necessário que ele dure bem menos...”, objetou com ar de experiência. E terminou com este apelo: “Quero encomendar um novo texto: como encontrar um amor? Topa o desafio? Hehehe”.

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