Janeiro de 1997. Ocupava eu uma das salas alugadas na Avenida Dom Pedro II, em João Pessoa, pelo “Jornal do Commercio”, do Recife, quan...

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Janeiro de 1997. Ocupava eu uma das salas alugadas na Avenida Dom Pedro II, em João Pessoa, pelo “Jornal do Commercio”, do Recife, quando a secretária avisou: “Está aqui o prefeito de Monteiro à sua procura”. Levantei-me para receber o velho amigo Carlos Batinga e, antes de qualquer cumprimento, ouvi dele: “Eu não falei que te levaria à nascente do Rio Paraíba? Pois estou aqui para combinarmos a viagem”.

Um dia, em plena pandemia da Covid-19, achei de dar uma olhada, ao cair da tarde, na Rua Gabriel Malagrida (Beco da Faculdade de Direi...

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Um dia, em plena pandemia da Covid-19, achei de dar uma olhada, ao cair da tarde, na Rua Gabriel Malagrida (Beco da Faculdade de Direito). Logo ao entrar, antes de descer as escadarias para a General Osório, imaginei estar em um mirante para o poente, que me permitiu vislumbrar um manto de luz no céu se projetando sobre o calçamento, deixando o beco com aquela aparência mágica de uma vereda iluminada para o infinito.

Sim, foi ela, a professora Neide Medeiros que fez acender esta velha chama que eu mantinha a salvo de minhas vontades. Eu havia prometi...

Sim, foi ela, a professora Neide Medeiros que fez acender esta velha chama que eu mantinha a salvo de minhas vontades. Eu havia prometido não tocar mais no assunto, mas não resisti à sutil provocação da querida e mais recente imortal de nossas letras. Explico.

Terça-feira, 5 do corrente mês, manhãzinha ainda, Fred me aparece à hora do meu desjejum trazendo à boca este poderoso rotativo embrulhado num saco plástico transparente. Sim, esse meu camarada de quatro patas, como costumeiramente faz, trouxe-me o “A União” do dia.

Já conhecíamos boa parte do trabalho de Hélder Moura, desde os anos em que ele se fez diariamente presente nas residências dos paraiban...

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Já conhecíamos boa parte do trabalho de Hélder Moura, desde os anos em que ele se fez diariamente presente nas residências dos paraibanos como repórter e jornalista dos mais atuantes, nos noticiários das TVs locais, sempre elegante e competente. Como colunista dos impressos, Hélder se destacou, por muito tempo, como cidadão sintonizado, bem informado e preocupado com a situação política do estado e do país, defendendo suas convicções com coragem e contundência.

Contam que Dom Pedro II costumava dizer que, se não fosse Imperador, seria professor. Ainda irei confirmar isso com Lau...

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Contam que Dom Pedro II costumava dizer que, se não fosse Imperador, seria professor. Ainda irei confirmar isso com Laurentino Gomes, o maior especialista no estudo de nossa Monarquia. Em diversas ocasiões o imperador brasileiro demonstrou afeição pelo Magistério, pois teve gestos concretos ao patrocinar a Ciência e sempre estava com olhar benevolente para as Artes.

“Eu sou Kala, o tempo, destruidor de mundos, manifestado em minha plenitude para o extermínio da linhagem humana. Nenhum sequer dos...

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“Eu sou Kala, o tempo, destruidor de mundos, manifestado em minha plenitude para o extermínio da linhagem humana. Nenhum sequer dos guerreiros dos dois exércitos inimigos escapará da morte”.
Krishna. Bhagavad-Gita.

Quando o que fui neste mundo estiver reduzido a cinzas, o que terá valido a pena? Penso enquanto o carro percorre uma estrada empoeirada.

A expressão em latim memento mori costumava ser pronunciada em Roma Antiga, onde eram realizados grandiosos desfiles em homenagem ...

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A expressão em latim memento mori costumava ser pronunciada em Roma Antiga, onde eram realizados grandiosos desfiles em homenagem a algum general recém-vitorioso no campo de batalha. A cerimônia, esteticamente impressionante, tinha o objetivo de tornar-se inesquecível, devido ao impacto dos resultados heróicos, e fazia com que o comandante militar se sentisse como um deus. Havia sempre um servo cuja única função era seguir atrás do corpo do general vencedor e repetir: “Respice post te. Hominem te esse memento. Memento Mori!”, frase que pode ser traduzida como:

Voltamos a refletir sobre tão sublime e importante tema, pelo fato de vislumbrarmos que o coração somente é visto, como órgão, produto...

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Voltamos a refletir sobre tão sublime e importante tema, pelo fato de vislumbrarmos que o coração somente é visto, como órgão, produtor de patologias, pensamento que é uma constante nas mentes de grande parte da classe médica, como da população como todo, portanto, convidamos os leitores para vê-lo de uma forma mais romântica, objetivando minimizar os medos e os pavores, com o toque filosófico do sentimento.

Todos precisávamos dar um sentido maior à vida. Nada justificava tanta passividade, tanto apego a uma falsa ideia de que aquilo era n...

solidao angustia
Todos precisávamos dar um sentido maior à vida. Nada justificava tanta passividade, tanto apego a uma falsa ideia de que aquilo era natural e viria permanecer para sempre. Mas jamais imaginávamo-nos que nossos objetivos também eram ingênuos, frágeis e facilmente esmagados por forças que nem supúnhamos existir.

Forças essas que em pouco tempo substituiriam nossos projetos colocando no lugar um mundo indiferente hostil e desumano que se aperfeiçoava como um predador que crescia em permanente e insaciável mutação.

Augusto dos Anjos é um dos poetas mais citados do Brasil. A originalidade de suas imagens e o vocabulário esdrúxu...

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Augusto dos Anjos é um dos poetas mais citados do Brasil. A originalidade de suas imagens e o vocabulário esdrúxulo sensibilizam o gosto popular. Muitos repetem mesmo sem entender fragmentos de seus poemas, seduzidos pela áspera musicalidade ou pela estranheza que deles se irradia.

Um homem rico chamado Calvicius Sabinus tinha uma memória minúscula, que o deixava com saia justa em diversas ocasiões. Resolveu, então...

navio vaza estocolmo
Um homem rico chamado Calvicius Sabinus tinha uma memória minúscula, que o deixava com saia justa em diversas ocasiões. Resolveu, então, gastar uma fortuna usando escravos culturais para preencher seu vazio intelectual, mesmo sabendo que nunca conseguiria absorver nada estudado pelos comprados.

Suas vagas lembranças eram tão ruins que, em alguns momentos, os nomes de seus amigos, Ulisses, Aquiles e Príamo, sumiam rapidamente sem deixar vestígios. Os escravos seriam sua memória para cada

Antes da pandemia, assisti ao espetáculo Violetas; “fruto da pesquisa “Memória da Voz”, realizada pela atriz Mayra Montenegro, com dire...

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Antes da pandemia, assisti ao espetáculo Violetas; “fruto da pesquisa “Memória da Voz”, realizada pela atriz Mayra Montenegro, com direção de Raquel Scotti Hirson (LUME Teatro) e assistência de direção de Eleonora Montenegro. O espetáculo trata do silenciamento de mulheres, guerreiras anônimas, sonhadoras solitárias, que dedicaram suas vidas aos filhos e maridos e não puderam realizar sonhos outros. O fio condutor é a história da avó de Mayra, dona Wilma, que com o seu exemplo de vida e amorosidade, inspira toda a pesquisa.”

Expressão que ecoa nos corações sensíveis à Espiritualidade – Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho – traz consigo um c...

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Expressão que ecoa nos corações sensíveis à Espiritualidade – Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho – traz consigo um chamado profundo e uma responsabilidade que transcende fronteiras e credos. Escrita por Humberto de Campos e psicografada por Francisco Cândido Xavier, essa obra convoca a reflexões íntimas e ações conscientes.

Aquele pobre homem de Póvoa de Varzim (distrito do Porto) e que se tornou um dos maiores escritores portugueses e universais de todos o...

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Aquele pobre homem de Póvoa de Varzim (distrito do Porto) e que se tornou um dos maiores escritores portugueses e universais de todos os tempos só agora, agosto de 2023, chega ao Panteão Nacional de Portugal, instituição que “acolhe e homenageia as pessoas mais importantes da história” daquele país. Nada mais justo. Afinal, ao lado de Camões e de Fernando Pessoa, o velho Eça está entre os deuses do Olimpo da língua portuguesa e não há dúvida quanto a isto. Ponto.

Não é todo dia que se diz uma coisa destas: “Só o que nos comove e sacode aumenta a nossa cultura. Há pessoas, por exemplo, e eu me en...

lima barreto literatura negra
Não é todo dia que se diz uma coisa destas: “Só o que nos comove e sacode aumenta a nossa cultura. Há pessoas, por exemplo, e eu me encontro entre elas, que depois de lerem Franz Kafka nunca mais são as mesmas.”

Que ele era um dos intelectuais mais ilustrados da Paraíba, eu já sabia. Que era um dos papos mais agradáveis da terrinha e um nome resp...

odilon ribeiro coutinho manduka thiago mello
Que ele era um dos intelectuais mais ilustrados da Paraíba, eu já sabia. Que era um dos papos mais agradáveis da terrinha e um nome respeitado nacionalmente, todos sabiam. Mas, por ser de outra geração sempre mantive respeitosa distância dele.