Yoani, que sobrevive ministrando aulas de espanhol para estrangeiros, foi incluída, pela Revista Time, na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, em razão do blog que escreve há um ano: o Generación Y. Ela viveu durante dois anos na Suiça e teve que voltar ao "território de Fidel" para cuidar de seus pais, que estavam doentes. Em seu retorno, foi advertida de que JAMAIS poderia sair de Cuba novamente.
Outro ponto destacado na entrevista foi a precariedade dos serviços de telecomunicações. Segundo a entrevistada, o acesso à internet constitui privilégio de estrangeiros e de altos funcionários do governo ditatorial. E, para os poucos civis a quem se permite o uso da rede mundial, os preços são exorbitantes, chegando a custar quase um terço do salário do cubano médio, por hora de conexão.
É surpreendente constatar que um país ocidental ainda esteja mergulhado em sombras políticas tenebrosas, sob a batuta de uma liderança absolutista, que se julga no direito perpétuo de governar sem promover a consulta eletiva de seu povo. Também é difícil conceber que a autoridade estatal possa ditar o destino de uma pessoa, a ponto de restringir o direito de locomoção, sem que lhe seja imputado nenhum crime.
Oxalá as mudanças que se anunciam timidamente naquele país, com o afastamento do "Dono da Ilha" e a passagem do cetro para o seu irmão, não se traduzam apenas em uma tentativa de angariar um pouco de simpatia da comunidade internacional, que ainda não conseguiu digerir o fuzilamento sumário de dissidentes políticos. Se for assim, a substituição do governante, para os cubanos, significará mero cumprimento de rito, ou seja, apenas uma troca de 6 por meia dúzia.
















