Para Maxwell da Cunha Lobo e Luis Cláudio Paiva Duarte, que hoje vibram em outras dimensões. É madrugada. Não que haja o silênci...

Infindável Sinfonia

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Para Maxwell da Cunha Lobo e Luis Cláudio Paiva Duarte, que hoje vibram em outras dimensões.
É madrugada. Não que haja o silêncio que os poetas tatuam no mais profundo de suas poesias, mas silêncio de solidão. Silêncio, sim, ainda que eu escute música em minha mente e aumente o seu volume, porque é um rock'n'roll.

Também há o soprar de um vento que se espreguiça e, em movimento pelo quarto, a cada giro, como se a bisbilhotar o vazio de um lado em minha cama, dilui acordes e, de dissonâncias, faz solidão e, da solidão, outra vez, silêncio.

O rock'n'roll continua!

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GD'Art
O som de um automóvel que passa pela rua, lá fora, faz-me lembrar antigas madrugadas. Aquelas cheias de nós, de luz, de sóis e de um globo de espelhos enfeitando a escuridão com pequenas estrelas flutuantes... Aumento ainda mais o volume para que eu cante e para que eu possa ouvir o canto com a mesma força que sacode meus átomos e faz meu corpo virar notas em cambalhotas pelo ar.

Por fim, a memória decide descansar e volta à realidade como se fosse ela Beethoven a compor na escuridão dos seus ouvidos.

É quando percebo que flutuo na intermitência dos acordes e, nos espaços vazios que lhes dão sentido, me estendo neles como um recorte contra a luz. É hora de também me deixar vazio para entender o abismo.

O que há depois do fim do acorde? Através do silêncio, haverá ele de soar outra vez? O que terá sido feito do seu corpo? E, ao soar de novo, será o mesmo acorde, feito das mesmas notas, ou terá ele para sempre desaparecido na imensidão do hiato do silêncio?

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GD'Art
Por um instante, abandono perguntas tão tolas, porque me acho somente ouvidos e não sons. Mas é nesse momento que me chega a incerteza sobre o que ocorrerá em mim, que me suponho só orelhas, quando mergulhar no desconhecido infinito do silêncio.

Mas é muito mais que isso. É muito mais que música, dança, silêncio, luz. É consciência de si mesmo e do que há à sua volta. É estar dentro do ato e fazê-lo ser, mas também é saber que, como todas as canções, acaba.

Como continuar a dança?

Apago a luz, procuro me alojar na ausência de memórias e, sem me perguntar nada, encontrar o que me diga como esquecer que sou, até que a eterna angústia de ser desapareça.

Inevitável!

Ocorre-me então perguntar ao provável compositor, que tem poderes de arranjar-me, dar-me voz e executar-me, se não podia ele fazer-me um som que nunca mais parasse de me fazer ser...

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GD'Art
Entendi, pois, que orelhas, silêncios e sons só são possíveis em movimentos que podem ser harmônicos no caos.

Já não é mais madrugada, mas uma pequena eternidade que se foi. Agora, as notas ainda compõem os mesmos acordes; porém, os acordes já compõem uma outra música. O galo canta, e não é o mesmo.

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GD'Art
A sinfonia não se acaba. Puro som de cordas vibra pelo vazio dos átomos, embalando o dissolver-se do que é sólido e o solidificar-se do que é som.

Aumentem o volume!

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