Ao chegar a determinado momento da vida, começamos a pensar no tempo que nos resta. O porvir passa a ser uma preocupação cada vez maior...

Longevidade

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Ao chegar a determinado momento da vida, começamos a pensar no tempo que nos resta. O porvir passa a ser uma preocupação cada vez maior para muitos de nós.

Eu, pessoalmente, sinceramente não tenho essa preocupação, pois o que mais me importa não é vida longa, e tão somente vida saudável.

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Preocupam-me muito mais coisas que são mais simples, como lucidez e autonomia. Ser senhor dos meus atos, com boa saúde e clareza de pensamento e, principalmente, não depender de ninguém, isso sim é a minha verdadeira preocupação.

Outro dia, o meu bom amigo me confidenciou que está fazendo um tratamento que irá lhe permitir chegar aos 120 anos. Olhei para ele e acreditei: aos 69 já está com cara de 100!

Mas, brincadeiras à parte, recentemente surgiu-nos o convite para participar de um curso sobre longevidade, promovido pela Casa do Cooperado da Unimed João Pessoa.

Seu lema, Vida Saudável, aborda a saúde e o bem-estar em prol da qualidade do nosso longeviver.

Nele não aprendemos a chegar aos 120 anos, como quer o querido amigo. O curso tem sido, isso sim, uma boa oportunidade para refletirmos sobre o que me preocupa: a qualidade de vida.

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Neste curso, palestrantes detentores de elevado conhecimento sobre o assunto promovem discussões de alto nível em torno do tema Viver com Qualidade.

As palestras são seguidas de boas discussões de grupo, nas quais cada participante tem a oportunidade de refletir e emitir a sua opinião. Está sendo um bom programa para mim e Ilma.

No encerramento do último encontro, foi feita uma pergunta muito interessante aos participantes:

“Em que momento você sentiu que era alguém?”

Desde esse dia, tenho refletido sobre essa pergunta intrigante. Tenho revisado a minha vida, procurando me lembrar de quando esse momento aconteceu.

Quando me formei? Quando assumi o meu primeiro emprego? Quando nasceu Henrique, o meu primeiro filho?

Após muito, muito refletir, cheguei à seguinte conclusão: o momento que me fez sentir alguém foi aquele em que a minha esposa, Ilma, entrou na minha vida numa situação totalmente inusitada. Vou contar.

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Nos Jogos Universitários de 1972, apresentei-me no Clube Astréa para defender a Área 2 na modalidade xadrez, contra a FACE de Campina Grande. Mas aconteceu uma situação totalmente imprevista: eu havia me inscrito para o xadrez e me colocaram no time de pingue-pongue!

Na realidade, a organização trocou as bolas: o amigo Romualdo se inscreveu para o pingue-pongue e o colocaram para compor a equipe de xadrez. Com um detalhe: ele não sabia jogar xadrez! Nem eu sabia jogar pingue-pongue.

Pois bem, perderíamos um dos tabuleiros. Então tive uma ideia. Convenci Romualdo a jogar de brancas.

Armei um tabuleiro perto da mesa dele e passei a analisar a partida e a definir o lance a ser dado. E ele jogaria exatamente o lance que eu indicasse.

Para não chamar a atenção do fiscal, o colega Bosco Delabianca, da Área 1, precisei simular que estava jogando. Então procurei alguém para fazer o papel de adversário.

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Foi quando vi duas belas moças da nossa Área 2, que estavam observando tudo. Fui até elas e perguntei se alguma sabia jogar xadrez. Uma delas, chamada Ilma, como vim a saber depois, apresentou-se. Contei-lhe do que se tratava e perguntei se ela poderia “jogar” comigo. Ela aceitou.

Quando o adversário fazia o seu lance, Ilma o repetia no nosso tabuleiro. Eu analisava e indicava o lance das brancas. Romualdo, discretamente, observava e repetia o meu lance. Ao final, a Área 2 venceu o adversário.

Comemoramos no restaurante do Clube Astréa com refrigerantes e fritas (era só o que o dinheiro permitia). O momento gerou muita simpatia, e saímos de lá como bons amigos.
Até eu conhecer Ilma, não sentia ter expressão. Era um jovem adulto bem relacionado entre os colegas, mais preocupado com o momento político do país, que vivia sob uma ditadura perseguidora de quem pensava diferente. E só.

A partir do instante em que enlaçamos os nossos destinos é que passei a ter e a me dar importância. Ilma ampliou o meu horizonte. Foi ela quem me revelou, quem me deu forma e quem me deu perspectivas de vida.

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A partir desse momento é que me senti alguém, com forma e importância.

Por isso é que estamos juntos até hoje. E espero nunca, jamais, vê-la partir!
Concluindo: para mim, longevidade é viver com saúde, ter cabeça e ter a esposa ao meu lado.

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