É inacreditavelmente verdadeira a trajetória da taça Jules Rimet.
Quando começou a Segunda Guerra Mundial, a taça estava na Itália, que havia sido campeã mundial na Copa da França. E, mesmo sendo a Itália uma aliada da Alemanha de Hitler, havia o fundado receio de que os nazistas roubassem o troféu, como estavam fazendo com muitos objetos de arte surrupiados nos países invadidos.
Ottorino Barassi, dirigente da Federação Italiana de Futebol em 1943 ▪️ Facebook: Leyendas
Os gentis oficiais da Gestapo desconfiaram e deram uma batida em seu apartamento, porém não olharam embaixo da cama. Saíram meio desconfiados e voltaram de surpresa no dia seguinte. Só que Barassi havia entregue a taça para seu vizinho, o general Vaccaro, que a escondeu. Não tendo achado o troféu, os educados alemães saíram do apartamento de Barassi e... foram procurar no apartamento do general, que se mostrou indignado. Era amigo pessoal de Hermann Göring, e, com isso, os meninos foram embora.
No dia seguinte, lá se foi a taça para um novo esconderijo, uma chácara próxima a Puglia, onde mergulharam-na por três anos num barril de azeite, até ser devolvida à Fifa no Congresso de Luxemburgo.
Pickles, o cachorro que farejou a taça Jules Rimet desaparecida ▪️ Fonte: Hulton Archive
E, finalmente, chegamos a 1983, quando o troféu foi roubado da CBF, no Rio de Janeiro. O inquérito policial dá conta de que os ladrões fundiram a taça e venderam os lingotes de ouro por 15 mil dólares.
E foi? Mas vem cá; primeiramente, a taça era de prata folheada a ouro. Já não daria tantos lingotes de ouro, né? Em seguida, cabe a pergunta: os ladrões desconheciam que poderiam vender a taça por cem vezes mais?
Na verdade, eu e Ariel Palacios, no seu excelente livro “Futebol Lado B”, desconfiamos de que a taça se encontra na coleção particular de algum milionário que encomendou o roubo.
Afinal, isso aqui é o Brasil, né?







