31.1.22
O meu neto, Arthur tinha 8 anos – hoje está com 10 –, quando me perguntou se eu sabia que ele tinha uma madrasta e um madrasto. Mesmo sabe...
Madrasto e Boadrasta
O meu neto, Arthur tinha 8 anos – hoje está com 10 –, quando me perguntou se eu sabia que ele tinha uma madrasta e um madrasto. Mesmo sabendo o que ele dizia, eu lhe pedi que me explicasse o que ele estava dizendo. Ele me disse que a namorada do pai era a sua madrasta; o namorado da mãe era seu madrasto.
31.1.22
O que melhor define uma amizade? É um sentimento que aproxima duas pessoas tendo como principal característica ser socialmente desinter...
Das cinzas pouco resta
O que melhor define uma amizade?
É um sentimento que aproxima duas pessoas tendo como principal característica ser socialmente desinteressada. Os adornos que muitos usam para colorir esta aproximação intensamente idealizada são apenas adornos.
E para onde vai o amor quando o amor acaba? Para onde foram a paixão e o amor e o que deles resultou?
31.1.22
Saio do barbeiro (falo “barbeiro” por algum obscuro resíduo machista; o certo hoje é dizer “cabeleireiro”) e vou caminhando pela praia. D...
O tema
Saio do barbeiro (falo “barbeiro” por algum obscuro resíduo machista; o certo hoje é dizer “cabeleireiro”) e vou caminhando pela praia. De máscara. Penso na crônica que devo escrever. Qual vai ser o assunto? Vou devagarinho pela calçada, sentindo-me recomposto em meu aspecto e, sobretudo, aliviado com os fios brancos – hoje são tantos! – que ficaram no chão. O barbeiro (ou cabeleireiro) fez um trabalho ao mesmo tempo estético e higiênico, decepando-me as marcas hirsutas de velhice. Tanto desbastou, que me sinto mais moço. E olho com uma euforia antiga, um quase adolescente vigor de espírito, a paisagem e as pessoas que passam por mim.
31.1.22
Começo contando a história, colhida de Luiz Felipe Pondé, o qual, segundo afirma em um dos seus livros, colheu-a de outros. Uma milionária...
A milionária e o jardim de 700 anos
Começo contando a história, colhida de Luiz Felipe Pondé, o qual, segundo afirma em um dos seus livros, colheu-a de outros. Uma milionária paulistana apaixonou-se por jardinagem e começou a cultivar um jardim em sua casa, certamente uma mansão. Para tanto, contratou os serviços da melhor firma de paisagismo de São Paulo, a qual, naturalmente, executou um belíssimo projeto. Muito bem. Imagina-se que o jardim da milionária, mesmo jovem e certamente incluindo plantas e árvores já crescidas, o que atualmente é perfeitamente possível nesse ramo de atividade, tenha enchido os olhos da dona e de suas amigas, como seria de esperar. Continuando interessada em jardinagem, certo dia, em viagem pelo interior da Inglaterra, nossa milionária avistou uma casa com um jardim que a encantou.
30.1.22
Paraíba, 30 de janeiro de 2022
Pauta Cultural (Ep. 26)
Paraíba, 30 de janeiro de 2022
30.1.22
Nos filmes que amo, amo tudo, até os personagens mais secundários. Em “Janela indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954), por exemplo, adoro uma...
Senhorita Coração Solitário
Nos filmes que amo, amo tudo, até os personagens mais secundários. Em “Janela indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954), por exemplo, adoro uma personagem da qual ninguém lembra, ou nem sequer sabe que existe. É a “senhorita coração solitário”.
30.1.22
Quando eu conduzia estudos de meditação na Escola de Yoga Clássico de Brasília, costumava propor um desafio. Durante alguns minutos, pedia...
Elogio da solidão
Quando eu conduzia estudos de meditação na Escola de Yoga Clássico de Brasília, costumava propor um desafio. Durante alguns minutos, pedia aos praticantes que imaginassem como reagiriam se, de repente, se encontrassem absolutamente a sós consigo mesmos.
30.1.22
Em 1934, na voz do cantor Francisco Alves, saía o disco com a gravação de “Não tem tradução”, um dos melhores sambas do gênio de Noel Rosa...
O Cinema Falado foi o culpado?
Em 1934, na voz do cantor Francisco Alves, saía o disco com a gravação de “Não tem tradução”, um dos melhores sambas do gênio de Noel Rosa. Letra e música do Poeta da Vila Isabel, conforme o registro de João Máximo e Carlos Didier, os mais rigorosos biógrafos de Noel. Embora tivesse, na ocasião, apenas 23 anos, Noel Rosa já se tornara um atento e aguçado cronista dos fatos do cotidiano da sua época. “Não tem tradução” é um primoroso exemplo do olhar de Noel sobre o seu tempo.
29.1.22
Deve ter ocorrido séria mudança de comportamento dos filhos desta cidade em seu gosto e zelo por ela. Em algum tempo houve esse amor o...
E o anfiteatro se foi
Deve ter ocorrido séria mudança de comportamento dos filhos desta cidade em seu gosto e zelo por ela.
Em algum tempo houve esse amor ou interesse? Mais que se tenha deixado ruírem altares e igrejas, certamente salvou-se o principal. São Francisco, São Bento, Carmo, a mais rogada de todas que é a Misericórdia, restam a garantir que o sentimento religioso é sempre superior à solidez do calcário. Fora dele, desse sentimento que mais parece temor que devoção, não temos sido mais que descuidados. André Vidal de Negreiros, herói de toda uma nacionalidade, veio ter seu retrato numa galeria de palácio no governo de Camilo de Holanda. Deve permanecer no mesmo lugar, na parede de frente com Roosevelt e o famoso Barão do Rio Branco.
29.1.22
Quão de pronto nossos pensamentos se atiram a um novo objeto, erguendo-o por um pouco, assim como formigas que carregam febrilmente uma la...
A Marca na Parede
Quão de pronto nossos pensamentos se atiram a um novo objeto, erguendo-o por um pouco, assim como formigas que carregam febrilmente uma lasca de palha e depois a abandonam...
Virginia Woolf
A Marca na Parede. Esse é o título de um conto de Virginia Woolf (publicado em 1917), exemplo da sua escrita poética da existência. Enquanto olha um ponto preto na parede, o pensamento passeia pelos mais diferentes temas filosóficos da vida.
29.1.22
Quais são os caminhos percorridos pela criação? Muitos, sem dúvida. Às vezes, uma simples referência se esconde em um labirinto, cujas via...
Os caminhos da criação ou o Touro e a Sucuri
Quais são os caminhos percorridos pela criação? Muitos, sem dúvida. Às vezes, uma simples referência se esconde em um labirinto, cujas vias nem sempre são fáceis de palmilhar. Peguemos, como exemplo, uma passagem de Os sertões. O estilo de Euclides da Cunha, nessa obra é caracterizado, entre outros recursos, pela utilização do superlativo absoluto sintético, pela abundância das figuras de linguagem, de que se destacam as aliterações e as figuras de oposição do discurso – antítese, paradoxo e oxímoro. Em meio a tanta riqueza estilística, sempre nos despertou o interesse uma alegoria de Euclides da Cunha para explicar como se deu o confronto
28.1.22
A Física clássica ou newtoniana (de Isaac Newton – 1642–1726/27) denomina os líquidos e os gases de fluidos, substâncias que possuem a pro...
Fluidos - as novas descobertas da Ciência
A Física clássica ou newtoniana (de Isaac Newton – 1642–1726/27) denomina os líquidos e os gases de fluidos, substâncias que possuem a propriedade de fluir ou escoar e que assumem o formato do recipiente em que se encontram. O escoamento dos fluidos, muito facilmente observado nos líquidos, resulta de uma deformação ocorrida sempre que uma força é aplicada, paralelamente, à sua superfície. Essa força é denominada tensão de cisalhamento, tensão tangencial ou de tensão de corte. Nessas condições, os fluidos se deslocam com fluidez, ainda que mantenham o volume constante. Por menor que seja a tensão de cisalhamento, os fluidos sempre apresentam alguma deformação.
28.1.22
... e nem sei se aproveitei I A magia da palavra aflora quando lhe mostro, agora, como a escrita habilita nossa ...
12 esboços de estrofes que encontrei em minhas coisas...
... e nem sei se aproveitei
I
A magia da palavra aflora quando lhe mostro,
agora,
como a escrita habilita nossa mente a ver - ao ler - imagens para as quais ela se programa,
feito se cada expressão fosse de frames feita,
ou fotogramas,
28.1.22
Abro a janela e por ela o horizonte me invade os pulmões. Sinto-o na pele, na íris, na brisa, com perfume de alva. No fim do que é visto, ...
As curvas da manhã
Abro a janela e por ela o horizonte me invade os pulmões. Sinto-o na pele, na íris, na brisa, com perfume de alva. No fim do que é visto, a linha separa com gume afiado, preciso e certeiro, o céu do que é mar. Fitando seu traço oposto e difuso percebo os meandros que no firmamento tudo contornam. Aí se reforça o afã sinuoso, sempre presente na obra divina, em que a bola se ostenta voluta, do firmamento à trama do Cosmo.
28.1.22
Há situações das quais ninguém escapa no transcurso do tempo. Aos sete anos, eu decidi não rir. O riso expunha a brecha deixada pelo falec...
Enfim, um mundo melhor
Há situações das quais ninguém escapa no transcurso do tempo. Aos sete anos, eu decidi não rir. O riso expunha a brecha deixada pelo falecido dente de leite, o que me valeu o apelido “Cento e Um”, alusão à sequência “um dente, zero dente, um dente”. Logo percebi que a brecha seguinte, na progressão natural da infância, me valeria a promoção: “Mil e Um”. Melhor, então, a sisudez.
27.1.22
No livro “Mitos e imagens míticas”, do professor e tradutor José Antonio Alves Torrano são estudados diversos momentos e aspectos do pens...
Mitos e verdades: dicas de leitura
No livro “Mitos e imagens míticas”, do professor e tradutor
José Antonio Alves Torrano são estudados diversos momentos e aspectos do pensamento mítico em suas transformações e permanência nos períodos arcaico e clássico da Literatura Grega. O que é e quais são essas imagens que constituem os elementos e recursos próprios desse pensamento mítico? Como essas imagens distinguem e demarcam o verdadeiro e o falso, o justo e o injusto?
27.1.22
'No início do ano 2000 o Senhor chamou Noé da Silva e disse-lhe: “- Dentro de seis meses farei chover ininterruptamente durante 40 dia...
A Arca de Noé brasileira
'No início do ano 2000 o Senhor chamou Noé da Silva e disse-lhe: “- Dentro de seis meses farei chover ininterruptamente durante 40 dias até que todo o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal”. E ordenou, como na passagem bíblica, a construção de uma arca de madeira. No tempo certo os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.
Noé da Silva chorava ajoelhado no quintal quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa entre as nuvens: “- Onde está a arca, Noé?”.
27.1.22
Perto de completar 73 anos, experimento brusca mudança na vida. Passei a encarar o mundo de forma bem diferente. Tornei-me uma pessoa ex...
Apenas um burguês retirado
Perto de completar 73 anos, experimento brusca mudança na vida. Passei a encarar o mundo de forma bem diferente. Tornei-me uma pessoa exageradamente cética, um tanto quanto passiva - mas, em compensação, bem mais sossegada, tranquila, na verdade aliviada, depois de mais de 50 anos de trabalho duro.
27.1.22
Está aí um dito popular com o qual devemos tomar cuidado: o tal de “dessa água eu não bebo”. Podemos acabar bebendo sim. Explico. Anos a...
Dessa água eu não bebo
Está aí um dito popular com o qual devemos tomar cuidado: o tal de “dessa água eu não bebo”. Podemos acabar bebendo sim. Explico.
Anos atrás, década de 90, eu e um amigo tomávamos a imprescindível cervejinha do final de expediente. Praia de Tambaú, pés na areia e mãos no copo, quando comentávamos nossas trajetórias de professores, época em que morávamos no interior de São Paulo,
26.1.22
Cuida! Cuida, para não entrar no labirinto do silenciar. Ele não te deixará sair. Por desejares muitas metades; penetrares em sonhos div...
Seja quem realmente você é
Cuida! Cuida, para não entrar no labirinto do silenciar. Ele não te deixará sair.
Por desejares muitas metades; penetrares em sonhos diversos; víveres incontáveis mentiras, por mais simples que sejam; fugires das verdades mais sublimes; enfim, por ser a fantasia tua vestimenta diária, já não sabes quem és, qual teu eu se faz presente.
26.1.22
“Tudo que é sólido desmancha no ar”. Ou na corrente sucessiva e sem fim dos ventos empoeirados que terminaram arruinando a casa do meu ant...
Berman, que saudade
“Tudo que é sólido desmancha no ar”. Ou na corrente sucessiva e sem fim dos ventos empoeirados que terminaram arruinando a casa do meu antigo sítio, por onde passei recentemente. Desmanchou no ar.
Como se sabe, a frase vem de
Marx, colhida por
Marshall Berman como título e corolário do seu livro mais famoso. Frase que passei por cima, deixando-me levar pela compacta solidez dos vinte anos.
26.1.22
O território Pés pousados no chão. Abro os olhos para a realidade e sint...
Tudo em terra firme (II)
O território
Pés pousados no chão. Abro os olhos para a realidade e sinto meu corpo, instrumento de reorganização da vida e luta pela sobrevivência, maturada nas instabilidades. A costura da vida não precisa ter um arremate perfeito e a junção dos pontos é retrato da multiplicidade de experiências. Sou múltipla. Preciso caber em muitos lugares, sem sair de onde estou. Preciso caber no poema e na prosa, em vozes caladas e mapas por onde transito. Meu terreno é mapeado com códigos ocultos aos quais, por vezes, nem eu tenho acesso. Sou um mix de texturas a buscar espaço onde menos se espera e ali firmo território.
25.1.22
Eduardo Frieiro, no seu livro “Os livros nossos amigos”, começa-o afirmando que “querer bem aos livros é sentimento que se parece muito...
Livros, não me livro
Eduardo Frieiro, no seu livro “Os livros nossos amigos”, começa-o afirmando que “querer bem aos livros é sentimento que se parece muito com o amor dos sexos”, pois o verdadeiro amante dos livros sente mais do que uma necessidade intelectual; física. Eles estão no quarto, na sala, cozinha, mesa. Ao pé e na cabeceira da cama. Nas travessias do amor, terreno íngreme, quantos são aqueles que recorrem a uma boa leitura, entre um choro e um travesseiro. O amante é possessivo. E aqui vale a seguinte frase: “Prefiro dar dois livros a emprestar um”. Não importando se a obra é rara ou não. Seu objeto é seu. O gozo está no tato, nos olhos e no cheiro.
25.1.22
Estava a conversar com um amigo acerca das vaidades entre cidades que evidentemente existem nos corações e mentes de suas populações. E u...
Ciúmes
Estava a conversar com um amigo acerca das vaidades entre cidades que evidentemente existem nos corações e mentes de suas populações. E um destes casos mais marcantes ocorre por exemplo entre os habitantes que têm tempo e conhecimento de sentir tais detalhes que envolvem um certo grau de sofisticação intelectual.
25.1.22
Criei uma ilha só pra mim do deserto dos homens me isolei só queria avisar que me encontrei ao contato comigo, desejei que...
Uma ilha só pra mim
Criei uma ilha só pra mim
do deserto dos homens me isolei
só queria avisar que me encontrei
ao contato comigo, desejei
que outros homens também se descobrissem.
Eu andava assombrado e muito triste
ao olhar para o mundo em desespero
a cobiça assolando qual vespeiro
à procura da luz, sem a tocar
25.1.22
Como um rio Escrevo, quase sempre no arrastar dos dias, medindo a temperatura dos meus sentimentos. Mas também como um rio em busca do m...
Páginas soltas de um Diário Perdido (I)
Como um rio
Escrevo, quase sempre no arrastar dos dias, medindo a temperatura dos meus sentimentos. Mas também como um rio em busca do mar. Estado que me dá a chave do tempo. Com ela, posso movê-lo ao meu bel-prazer e até aprisioná-lo. Meus olhos, mesmo fechados, se converteram em lentes poderosas.
Se soubesses... Tudo tão contraditório em mim! Quero apossar-me de todas as paisagens e passagens, com suas cores, marcas, perfumes, e ao mesmo tempo desejo adormecer, até mesmo anestesiar-me, algumas vezes. Cansaço!
24.1.22
Na adolescência habitamos a mesma paisagem e fomos alimentados pela garapa da cana caiana e pisamos no barro que ficou pregado nos pés...
Conversa com a Memória
Na adolescência habitamos a mesma paisagem e fomos alimentados pela garapa da cana caiana e pisamos no barro que ficou pregado nos pés. Ramalho Leite e eu carregamos a sina de ter nascido na terra onde exala poesia e brotam sinais de bonança em cada córrego e capoeira. Entre Borborema e Bananeiras, Ramalho construiu vitórias antes de exibir o estandarte da imortalidade. No aceiro da paisagem das duas cidades encontra-se Serraria, com belas palmeiras que acenam do cocuruto das serras, impulsionando-nos a não desistir mesmo que os caminhos sejam enviesados.
24.1.22
Li há algum tempo uma pesquisa sobre a palavra mais bonita da língua portuguesa. Muitos levaram em conta apen...
A palavra mais bonita
Li há algum tempo uma pesquisa sobre a palavra mais bonita da língua portuguesa. Muitos levaram em conta apenas o conteúdo e responderam “amor”, “ética”, “democracia”, “credibilidade” e semelhantes. Essas são palavras nobres, não há dúvida, pois veiculam elevados conceitos ou sentimentos. Mas os responsáveis pela pesquisa estavam mais interessados na forma. Queriam saber das palavras como organismos sonoros ou mesmo visuais. Palavras que tinham uma beleza em si.
24.1.22
Poderíamos chamá-la de lutadora ou de guerreira e estaria muito bem, apesar do clichê. Ela foi (é) tudo isso e muito mais. Uma vencedora, ...
Elza Soares, uma brasileira
Poderíamos chamá-la de lutadora ou de guerreira e estaria muito bem, apesar do clichê. Ela foi (é) tudo isso e muito mais. Uma vencedora, por exemplo. Mas vamos chamá-la de brasileira, simplesmente, porque aí estará tudo incluído, acertos e erros, principalmente os primeiros, que errar é humano e ninguém é santo. Estou falando de Elza Soares, a cantora que, nonagenária (91 anos), nos deixou há poucos dias e teve sua extraordinária trajetória contada pelo jornalista
Zeca Camargo no livro “Elza”, da Editora Leya.
23.1.22
Paraíba, 23 de janeiro de 2022 A Pauta Cultural do Ambiente de Leitura Carlos Romero chega ao Episódio nº 25 em novo formato — ALCR Revi...
Pauta Cultural (Ep. 25)
Paraíba, 23 de janeiro de 2022
A Pauta Cultural do Ambiente de Leitura Carlos Romero chega ao Episódio nº 25 em novo formato — ALCR Revista — que a partir desta semana dará sequência ao registro de eventos, atualidades e participação de seus autores e leitores.
23.1.22
Certas coisas “calam” a alma, e uma desesperança preenche, subitamente, o espaço que recriamos, dia -a -dia, para existir. Após assistir ...
Um pedido de socorro pela Mata Atlântica

Certas coisas “calam” a alma, e uma desesperança preenche, subitamente, o espaço que recriamos, dia -a -dia, para existir.
Após assistir a um vídeo que me foi encaminhado pela professora e ambientalista Renata Bonfim, já fiquei assustado. Aquilo que eu remoía, previa, sentia, se configurou verdade.
O abismo humano, aquele que antecede a erosão objetiva da terra devastada, se estendeu pelas encostas de Domingos Martins.
Hoje passei pelo local do registro das primeiras imagens do desmatamento.
É muito maior do que as imagens mostram, e olha que as fotos e o vídeo retratam, de forma clara e objetiva, a tragédia ecológica.
Mas as imagens não foram capazes de traçar os limites precisos da desolação que me atingiu.
Pois não tem limite o homem com sua vulgaridade e torpeza.
Derruba-se aqui, ali, e seu entorno.
E o limite é a morte.
A busca da felicidade, do paraíso terrestre, da fuga da Covid nos grandes centros… A falta de incentivo para a preservação, o parcelamento dos terrenos familiares e necessidade de capitalização… Eis alguns dos argumentos.
E o meio ambiente? A flora, a fauna, a água, o clima….
E a certeza de que haverá vida e a beleza será preservada apesar de nós?
O que somos? Assistimos e comentamos?
O que fazemos?
Passamos no Mundo. Mas o que deixamos?
Sejamos responsáveis e nos unamos para impedir, protestar e combater o que está ocorrendo no município de Domingos Martins e demais municípios da serra do Espirito Santo ... do Brasil, pois a Mata Atlântica é frágil e depende de todos nós.
GRITOS PELO VERDE
Não interrompa o cotidiano das serpentes,
elas não buscam nos homens o seu veneno.
Verdes Versos I
O escrito, o exposto,
essas meias verdes verdades,
já não se escondem atrás de máscara.
Kioto
A redoma estilhaçada
faz frágil o ser antropocêntrico.
A névoa, agora, é cinza de morte.
A hora se apresenta túrgida de desassossego.
O suor que nasce e evapora do febril pensante
é quente, como no Holocausto de ontem.
A vidraça,
o vapor,
a névoa,
sobretudo o calor,
fundem o metal encantado de Wall Street,
em pleno Sol de meio-dia.
É o céu um espelho partido,
forjado por todos os alquimistas que acenderam o fogo da ambição.
O girassol torporoso,
refugia-se entre as pétalas
que não tombaram
ao orvalho ácido do alvorecer.
Ele é incapaz de encarar
a verdade deste Sol.
O que dizer dos seres ignotos
que se admiram nos espelhos das nuvens...
Onde está a cuspideira,
para que eu possa comemorar a soberba humana?
Homem,
mosaico de fluidos,
senhor dos pensamentos dúbios e incoerentes,
não tardes esperando que tua racionalidade te dê o norte.
Ouve os ociosos que, perdidos entre estrelas,
anteveem o simples fim.
A rosa oriental
que nasceu aos pés do cogumelo de poeira,
já era rubra, ao brotar.
Hoje,
ganhou um toque tropical,
está mais encarnada,
herança diária
dos inocentes exangues,
que teimam em nascer,
à margem do mundo globalizado.
Os seres débeis já se esvaem
na fumaça que escreve números
em todo o céu.
E o principal protagonista
não lê os escritos das ondas,
que, insistentes,
desistiram de lavar as areias
e passaram a deixar os seus escritos,
nas memórias de uma geração.
Verdes Versos II
Nada menos humano, menos carnal que o verde.
Pútrida carne verde dos abandonados em valas.
O que é verde o corpo despreza.
Catarro, pus, vômica
sinônimos de morte.
A pele que ainda respira quando verde agoniza.
De verde apenas os seres de nosso pobre imaginário.
Nada mais vida, mais sentimento que o verde.
Morte verde
Gostaria de que o final
do ciclo dos sóis visíveis
me encontrasse bestando a apreciar bromélias.
Pensamento
A transparência dos fatos
macula-se com a palavra.
Como se a busca pelo caos
fosse brindada com louvor e êxtase.
Entropia
Em algum momento,
antes do fim absoluto,
o homem enfim olhará suas mãos
sujas com a poeira do caos.
Vegetariano
“O esquecimento jamais devolve seus reféns”
Fabrício Carpinejar
Somos formigas demais para o verde que resta.
A escada de Tistu já não existe mais,
perdeu-se no fogo verde.
Ele, felizmente, está salvo, é um anjo...
Legou-nos a metáfora de seu toque,
mas nessa fila de ir e vir
só a pele interpreta e julga
o que o olhar não entende.
Somos deuses demais para o verde que resta.
Pode chorar ingazeira, pois não se volta do esquecimento.
O tropel segue polvilhando cinzas sobre o cobre do entardecer,
e a consciência não segue os passos de seus atos.
Afinal, criamos Deus à nossa imagem,
temos a chave da vida.
Somos dementes demais para o verde que resta.
Apocalipse verde
O mar afoga as colinas onde até anteontem os passos deixavam
[ marcas de certezas.
Os três ou quatro versos que eu deixei voltaram ao sal.
Já não restam vogais,
somente rastros na rocha dos tempos.
Rezar não adianta;
na cruz – poleiro dos derradeiros papagaios –, os musgos
viçosos sobrevivem.
O VERBO partiu e levou consigo o pecado.
O mundo suspira aliviado o retorno à solidão.
O verde psicografado
Certa vez,
psicografei um beija-flor morto
na morna manhã da sensatez.
Ele me confirmou
que a turba renovará o erro de sempre.
– O desespero do luar está em teus olhos, disse-me ele.
Diz-me, rapaz,
és capaz de ver
quantas perspectivas na falsa inércia de um tronco?...
Acreditas mesmo
que um coração pode ser o centro do Universo?...
Poema à morte da ingazeira
Morre de pé o verde,
até que a inexorável gravidade
trace seu rumo definitivo:
partir para o esquecimento.
Hóstia verde
Vó Bela!
O homem é assim:
cultiva a ausência do verde,
e, quando este finalmente falta,
vende o que resta aos idólatras.
Benditos os iconoclastas
derrubadores do ídolo verde!
Vó Bela!
Será que chegará o dia
em que tomaremos em nossas bocas
uma folha verde como hóstia?
Ofertório
Certas bocas
não vestem bem as palavras.
23.1.22
Como muitos cineastas, Steven Spielberg cresceu sonhando em ser diretor de cinema. Corriam os anos 1950 quando o então adolescente Steven ...
Steven Spielberg chega aos 75 sem ficar velho
Como muitos cineastas, Steven Spielberg cresceu sonhando em ser diretor de cinema. Corriam os anos 1950 quando o então adolescente Steven Allan Spielberg, um judeu ortodoxo, nerd e fã de pulp fictions (não o filme, que ainda não havia sido rodado, mas as populares revistas de antigamente) de ação e ficção científica, até arriscou fazer algumas produtoras amadoras utilizando a câmera do pai.
23.1.22
A revista semanal “O Cruzeiro” foi um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. Criada, em 1928, pelo jornalista paraibano Assis Chateaub...
O Amigo da Onça
A revista semanal “O Cruzeiro” foi um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. Criada, em 1928, pelo jornalista paraibano Assis Chateaubriand (Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, 1892-1968) alcançou, nos anos 1940, uma circulação média de 300 mil exemplares, quando a população do País era de 50 milhões de habitantes. Em 1954, a edição com o noticiário da morte de Getúlio Vargas chegou a vender cerca de 720 mil revistas. “O Cruzeiro” era o mais importante veículo do grande império de comunicação construído por Chateaubriand, que se tornou um dos brasileiros mais poderosos, ao ponto do jornalista Fernando Morais ter dado a sua biografia o título de “Chatô, o Rei do Brasil”.
22.1.22
Apesar de parcerias com vários compositores ligados à UFPB – José Alberto Kaplan, Ilza Nogueira , Carlos Anísio e Eli-Eri Moura – e com o...
A Arte da História
Apesar de parcerias com vários compositores ligados à UFPB – José Alberto Kaplan,
Ilza Nogueira, Carlos Anísio e Eli-Eri Moura – e com o cineasta Marcus Vilar, do NUDOC, apesar de ter sido tema da monografia da atriz Suzy Lopes para seu bacharelado de teatro da mesma universidade e de ter o painel Homenagem a Shakespeare no auditório da reitoria, não tive formação acadêmica.
Esse painel – de 1997 – e meu livro “Zé Américo foi Princeso no Trono da Monarquia”, de 84, em que penso ter demonstrado que “A Bagaceira” – teve (conscientemente ou não) influência do “Hamlet”, me remetem a uma ligação de João Batista de Brito, então do CCHLA (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes) convidando-me para dar uma palestra sobre Shakespeare num dos aniversários de nascimento e morte do Bardo, 23 de abril.
22.1.22
Quando Epitácio Pessoa, jovem ministro de Campos Sales, decidiu confiar a Clóvis Bevilacqua, seu contemporâneo da Faculdade de Recife, a c...
Não custa lembrar
Quando Epitácio Pessoa, jovem ministro de Campos Sales, decidiu confiar a Clóvis Bevilacqua, seu contemporâneo da Faculdade de Recife, a codificação das nossas leis civis, Ruy Barbosa virou a fera que era de esperar do jurista de opulenta expressão da língua no pináculo do seu prestígio. “É um rasgo do coração e não da cabeça” – reagiu certamente seguido pela opinião de todo o Brasil, exceção do Ceará. E entre decorrências grandes e pequenas, réplicas e tréplicas, veio a polêmica célebre entre Ruy e o baiano Ernesto Carneiro Ribeiro.
22.1.22
Traduzir não é tarefa fácil. Traduzir línguas clássicas, que já não se utilizam no cotidiano, como o grego arcaico de Homero é ainda mais ...
Sobre a tradução de um trecho da Ilíada
Traduzir não é tarefa fácil. Traduzir línguas clássicas, que já não se utilizam no cotidiano, como o grego arcaico de Homero é ainda mais complexo. A tradução per se requer paciência e conhecimento mais do que as duas línguas, a que se traduz e a que acolhe a tradução. Os pontos de partida e de chegada, portanto, devem ser conhecidos. Mas não é o bastante. É preciso que se conheça o contexto e o assunto do que se traduz. No caso de tradução de texto literário, é preciso que se conheça o autor, seu estilo e a estrutura do texto que se traduz. Além disso, precisamos ter a consciência de que não existe a tradução, mas uma tradução possível naquele momento, quando nos referimos aos clássicos.
21.1.22
A água escorria pela biqueira após chocar-se com força no teto e escorregar pelo leito das telhas. Era um chuveiro de alegria que deslizav...
Deslizar das águas
A água escorria pela biqueira após chocar-se com força no teto e escorregar pelo leito das telhas. Era um chuveiro de alegria que deslizava pela lateral da casa. E seguia trazendo felicidades ao encontrar o elemento terra. Aliás, presenteava-a com perfume, a fragrância terra molhada, gosto de infância.
21.1.22
Tem gente achando que eu sou avesso ao progresso, às modernidades. Nada disso, mas há coisas que nasceram e vão ficar do jeito que foram...
Ebook não tem cheiro
Tem gente achando que eu sou avesso ao progresso, às modernidades. Nada disso, mas há coisas que nasceram e vão ficar do jeito que foram inventadas. Para sempre! Querem um exemplo? O limpador de para-brisas. Ou não é? O tempo passa, os modelos de carros evoluem, mas aquelas duas varetas desajeitadas são daquele jeito desde o tempo do “Ford Bigode”. Não vislumbro alguma possibilidade de mudança a curto prazo.
21.1.22
Eu revi, no Canal Curta, retransmitido pela NET, “O Engenho de Zé Lins”, filme rodado em Pilar e em partes diversas do País onde Vladimir ...
O Engenho de Zé Lins
Eu revi, no Canal Curta, retransmitido pela NET, “O Engenho de Zé Lins”, filme rodado em Pilar e em partes diversas do País onde Vladimir Carvalho foi buscar depoimentos acerca da vida e da morte daquele que melhor expôs a saga do Nordeste açucareiro. Nele, os dramas atinentes ao advento das usinas e à consequente falência política e econômica dos antigos donos de banguês.
20.1.22
Os que são do meu tempo haverão de lembrar uns tais cadernos de confidências que as meninas produziam e entregavam a alguns privilegiado...
Quase cornos
Os que são do meu tempo haverão de lembrar uns tais cadernos de confidências que as meninas produziam e entregavam a alguns privilegiados para preencherem. Em cada página havia uma pergunta para os mancebos escolhidos responderem. Não ser convidado para participar desses tais cadernos era o mesmo que ser chamado de feio ou idiota. Tremenda frustração.
Passou o tempo e com o advento da internet surgiram os grupos de zap. Eles têm de um tudo, desde os grupos de família até grupos de profissão, passando por grupos de amigos - esses sim, o motivo deste escrito.
20.1.22
O olhar tem a velocidade da luz. Instantâneo, fulminante, radiográfico. Por ele flui o pensamento, ainda mais veloz. Quisera o olhar pud...
A luz que partia...
O olhar tem a velocidade da luz. Instantâneo, fulminante, radiográfico. Por ele flui o pensamento, ainda mais veloz. Quisera o olhar pudesse se acostar ao pensar e ser mais rápido que a luz.
Dos sentidos, o mais misterioso. O olhar fita, filtra, traduz em cores o que capta a íris. E pelo espectro mágico se faz pensamento, impressão, emoção. Tudo é bom quando é bom o olhar, já dizia Jesus.
20.1.22
Para as Mulheres Velhas. E as Jovens também. Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos ...
Um retrato, já não tão jovem assim...
Para as Mulheres Velhas. E as Jovens também.
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
19.1.22
Sinto a cidade do meu jeito. Gosto do paradoxo que mora nas ruas vazias, cheias de histórias para contar. Ruas feitas por gente e cheias ...
As paredes têm memórias
Sinto a cidade do meu jeito. Gosto do paradoxo que mora nas ruas vazias,
cheias de histórias para contar. Ruas feitas por gente e cheias de ausência me
apetecem. Meu olfato suga as histórias que ali ecoam. Memórias guardadas nas
paredes, folhas, chão. Consigo ouvi-las quando transbordam na falta de
transeuntes. Penso que em mim confiam e como nem tudo são flores (às vezes são
folhas), as memórias entregam-me as pedras que encontram no caminho.
19.1.22
Distinguido por Josélio Carneiro para entrevista destinada ao livro que escreve sobre a Associação de Imprensa, duas lideranças sobressaír...
A API de Adalberto
Distinguido por Josélio Carneiro para entrevista destinada ao livro que escreve sobre a Associação de Imprensa, duas lideranças sobressaíram por si mesmas, no correr da sua perenidade, como se a ausência nevoenta perdesse o seu tempo:
Adalberto de Araújo Barreto e o velho José Leal, um dos fundadores, construtor da sede e presidente por mais de vinte anos.
19.1.22
Primeiro foi o anjo torto que mandou ser gauche na vida. Atendeu a ordem e tornou-se o sumo poeta brasileiro. Debaixo de mangueiras lia a ...
O sumo poeta
Primeiro foi o anjo torto que mandou ser gauche na vida. Atendeu a ordem e tornou-se o sumo poeta brasileiro. Debaixo de mangueiras lia a história de Robinson Crusoé. Num meio-dia de luz branda uma voz de ninar vinda dos longes da senzala trouxe acalento, recordava que nunca esqueceu do café quente da preta amorosa, enquanto sua mãe cosendo olhava para o garoto que dormia no berço e o pai campeava pelo mato sem fim da fazenda. Até que despertou para a vida.
18.1.22
Pequenino e elétrico, o pintor paraibano IVAN FREITAS (1932—2006) formou vivo contraste com a própria obra. Não raro era visto em estado d...
Um quintal quântico
Pequenino e elétrico, o pintor paraibano IVAN FREITAS (1932—2006) formou vivo contraste com a própria obra. Não raro era visto em estado de mal disfarçada irritação e impaciência, como se acabado de constatar que ele e aquilo que mais procura divergem de lugar, nem sequer estão próximos, nem há muito tempo antes que tenha de empreender a busca inevitável.
18.1.22
O Evangelho de hoje pode nos levar a um campo minado se não soubermos interpretar bem, de acordo com o contexto em que ele aconteceu. Je...
Então eu não sou digno?
O Evangelho de hoje pode nos levar a um campo minado se não soubermos interpretar bem, de acordo com o contexto em que ele aconteceu.
Jesus está no meio de um discurso em que prepara seus discípulos para saírem em missão. As palavras são fortes:
18.1.22
Para que toda essa vida que existe em mim possa te alcançar? Eu escrevo porque preciso. Porque algo brota dentro do peito e é maior que ...
Por que escrevo?
Para que toda essa vida que existe em mim possa te alcançar?
Eu escrevo porque preciso. Porque algo brota dentro do peito e é maior que eu. Um território santo, secreto, onde sou capaz de criar a vida e destruí-la. Gentes, bichos árvores e as próprias estrelas ao alcance da mão. Escrever é experimentar – por brevíssimos instantes – o sabor da divindade. É embriagador e atemorizante. Um poder absoluto que esmaga e hipnotiza.
17.1.22
Imagine um homem que acredita estar sendo traído pela mulher. Imagine que, quando ela aparece morta, ele é preso e se metamorfoseia. Imagi...
O cinema pelo cinema
Imagine um homem que acredita estar sendo traído pela mulher. Imagine que, quando ela aparece morta, ele é preso e se metamorfoseia. Imagine que, ao sair da prisão, logo em seguida, ele se depara com uma versão loira da falecida mulher morena. É possível conceber tudo isso? Sim. Tratando-se de David Lynch, tudo é perfeitamente possível e, porque não dizer, plausível. Esqueça, porém, uma narrativa convencional e lógica. O surreal aqui fala mais alto. Bem mais alto.
17.1.22
Poucos recursos são tão engenhosos na língua quanto o diminutivo. Ele não é apenas uma medida de tamanho ou de valor; é sobretudo uma form...
Diminutivos
Poucos recursos são tão engenhosos na língua quanto o diminutivo. Ele não é apenas uma medida de tamanho ou de valor; é sobretudo uma forma de nos colocarmos no mundo. Uma estratégia de convivência, um meio de nos relacionarmos com as pessoas. Sem o diminutivo teríamos que enfrentar tudo em grau normal, quer dizer, na crua dimensão da realidade.