Não sou nada além do que me veem e me reconhecem. Do que já fiz de bom para o outro e do que aprendi de tantos. Viver é um privilégio imenso, porém, com o risco da morte, essa mulher bela que espreita, aterroriza e estimula a viver os desafios.
Meu maior desafio, após a adolescência e um amor tóxico justo nessa fase, foi reconhecer a mim mesmo, não só como gente, mas como capaz.
Tive muita resistência a reconhecer a mim mesmo como "poeta", até que entendi que escrevo, seja o que chamem, mas escrevo a minha vida, a do tempo, a dos outros, a dos deuses e, sobretudo, a dos miseráveis, alcoólatras e deliciosos que amam seus pares sexuais e são capazes de suportar essa dor.
Se "Deus" quis fazer a pior das dores nos seres vivos, foi fazer alguns deles homossexuais.
Ao menos para os que não compreendem o porquê de terem nascido "premiados".
Sou um deles.
Jogado numa família perfeita, porém sem chances de ser. Travas, medo de inferno, pecado mortal, sem falar na vergonha. Mas algo fez a redenção: o respeito a si mesmo, um cabedal intelectual consistente, a construção de um legado que tem como valor maior o amor à vida, a defesa do amor a todas as formas de vida.
Dito tudo isso, somente para reafirmar o que há na minha poesia e além dela:
Meu jeito de ser e de defender a vida em todas as suas formas de ser.
Peço aos amigos que, quando a minha cessar, riam, alegrem-se, cantem e dancem. Se quiserem, leiam meus poemas. Não vai ser um velório, vai ser um riso meu.






