Os manuais de estilística definem concisão como rigor, adequação da forma ao conteúdo. É uma característica muito próxima da clareza, pois o excesso de palavras tende a obscurecer o sentido. O conceito de concisão associa-se ao de fotoinformatividade; um texto conciso geralmente tem um bom nível de fotoinformação, já que dispensa artifícios que estão ali apenas para encher a página.
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Se a tal estratégia corresponde um baixo nível de fotoinformação, é porque o texto fatalmente descamba para o óbvio. O próprio fato de o aluno perder tempo comentando o tema já reduz a possibilidade de que venha a dizer sobre ele algo novo.
Outro meio de preencher linhas é lançar mão de “definições imprecisas”. Definir é sempre um risco; ao tentar conceituar pessoas, fenômenos, estados de alma, corre-se o risco de pecar por imprecisão. Ou por presunção. Se o objeto definido não se enquadra no juízo que se faz dele, evidencia-se logo o despropósito. Um de nossos alunos iniciou desta forma uma redação sobre a ecologia: “O meio ambiente é o cérebro do mundo, qualquer alteração na sua estrutura pode ocasionar danos que afetarão todos os seus elos.”
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Bem próximos das falsas definições estão os “preciosismos”. O emprego de palavras “difíceis” ou de enunciados herméticos relaciona-se diretamente com a pobreza de ideias e fotoinformações. O emissor geralmente os usa para impressionar a banca, sugerir uma profundidade que não tem. Deve se achar profundo quem escreve uma frase como: “Os genitores devem demonstrar amor, valorização e respeito, pois uma boa educação é uma agregação dessas percepções.” Por que não dizer simplesmente que a boa educação “é uma soma dessas virtudes?
Outro recurso de preenchimento é o “apelo aos lugares-comuns”. A farta presença deles nas redações preocupa. Dizer o que todo o mundo diz,
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Os lugares-comuns aparecem como ideias repetidas ou expressões cristalizadas que circulam inclusive fora do âmbito escolar. É preciso ler muito e consultar dicionários para escapar desses chavões. Como se cultiva pouco o hábito da leitura, eles recheiam os textos e, curiosamente, dão aos alunos a impressão de que estão... “descobrindo a pólvora”.
Um dos mais frequentes hoje é a tal “pergunta que não quer calar”. Outro é “valorizar o ter em detrimento do ser”, infalível quando se trata de criticar os efeitos do consumismo ou da globalização. A “falta de vontade política” é argumento desgastado para justificar a incompetência dos governantes que se tornam insensíveis “à voz rouca das ruas”. Se o tema envolve o futuro ou a profissão, são comuns expressões como “priorizar as habilidades”, “manter o foco nas metas” ou agir “com garra e determinação”.
Enfim, clichês é que não faltam. Para evitar o abuso vale a pena invocar a sabedoria grega, expressa neste lugar-comum eterno: a virtude está no meio.









