Das coisas marcantes da vida: ver seus objetos de estudo bem de pertinho, notar as flores silvestres nascendo entre as milenares pedra...

A Grécia é uma explosão dos sentidos

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Das coisas marcantes da vida: ver seus objetos de estudo bem de pertinho, notar as flores silvestres nascendo entre as milenares pedras de Olímpia e pensar na grandeza daquele lugar em que surgiram as Olimpíadas, assistir ao pôr do sol com o
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Templo de Hefesto, em Atenas: um dos templos antigos mais preservados do mundo, visto sob o céu carregado da capital grega. ▪ Foto: S. Zaghetto
@alexandre.zaghetto no templo de Poseidon no cabo Sunião cantarolando uma canção grega para a Sofia, ouvir uma aula do professor Dennys Xavier (@prof.dennysxavier) no local onde funcionava a Academia de Platão, ver a máscara de ouro de Agamemnon, as estátuas dos velhos deuses, as escavações no Liceu de Aristóteles, experimentar gyro, pita, souvlaki e todas as comidinhas tradicionais disponíveis, ter adoráveis companheiros de viagem, estar em Atenas no dia da Independência da Grécia e chorar porque viu uma múmia de gatinho no museu. A Grécia é, para mim, uma explosão dos sentidos.

(1) Estátua de Poseidon (também atribuída a Zeus), uma das grandes obras da escultura grega antiga, exposta no Museu Arqueológico Nacional de Atenas (MANA); (2) Esfinge de Naxos, escultura monumental originalmente dedicada ao Santuário de Delfos, atualmente preservada no Museu Arqueológico de Delfos; (3) Diadúmeno: cópia helenística em mármore (100 a.C.), encontrada na ilha de Delos, baseada no célebre bronze original do escultor grego Policleto(MANA). ▪ Imagens: S. Zaghetto

Atenas
Athena nos recebeu com um céu dramático em seu templo milenar. Neste imenso território dos sonhos concretizados, nada é pequeno ou vão. Cada mínimo detalhe de antiga Atenas é pleno de significado e dessa riqueza atemporal que constitui a nossa herança ocidental. O Parthenon, o teatro de Dionísio, a antiga ágora, a prisão de Sócrates, as cariátides impávidas, a oliveira da deusa, o templo de Hefesto e a biblioteca de Adriano tornam palpável o que até então era página nos livros.

(1) Erecteion, na Acrópole: templo do século V a.C. famoso por unir arquitetura clássica e delicadas esculturas em mármore; (2) Teatro de Dioniso, aos pés da Acrópole: palco das primeiras grandes tragédias e comédias da Grécia antiga; (3) Pórtico das Cariátides, no Erecteion: colunas em forma de figuras femininas que se tornaram um dos símbolos mais elegantes da arquitetura grega antiga. ▪ Imagens: S. Zaghetto
E algo em mim se enternece, pois justamente neste dia eu vi as primeiras papoulas vermelhas e as flores amarelas brotando entre as pedras para anunciar o parto anual da terra na primavera do hemisfério norte. Sinto-me grata por tudo e ainda com uma leve sensação de irrealidade.

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Os primeiros sinais da primavera surgem entre flores silvestres e antigas pedras das ruínas gregas, unindo delicadeza e história sob o céu mediterrâneo. ▪ Foto: S. Zaghetto

Delfos, o umbigo do mundo segundo os gregos.
Ali ficava o mais respeitado oráculo da Antiguidade. Milhares de peregrinos buscavam então a terra sagrada para ouvir a voz do deus solar. Apolo. Hoje, outros peregrinos, sedentos de passado, contemplam as ruínas milenares com respeito e deslumbrados olhos.

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O Templo de Apolo, em Delfos, aos pés do Monte Parnaso: local onde atuava o célebre oráculo consultado por reis, cidades e viajantes da Antiguidade. ▪ Foto: S. Zaghetto
Mas há silêncio em Delfos, uma ausência incômoda. Emudeceram os lábios divinos, a pitonisa dissolveu-se no tempo, cessaram os jogos, calaram-se os atores do grande teatro. Restou a esplendorosa paisagem do Parnaso e as pedras restantes a nos sussurrarem, solenes: que tudo passa: deuses e homens, templos e sonhos.

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Teatro de Delfos, construído na encosta do santuário de Apolo, com vista para o vale do rio Pleistos, na região da Fócida, Grécia. ▪ Foto: S. Zaghetto
Mas, acredite, se o visitante cessar os ruídos dentro de si, uma voz antiga se erguerá e, muito suavemente, há de repetir as palavras imortais: Γνῶθι σεαυτόν. Conhece a ti mesmo. E a sibila de Delfos ganhará vida ainda uma vez.


A Grécia é azul
Uma das primeiras lições de grego que aprendi se chamava “Atenas e o Mar”. E eu não poderia deixar a Grécia sem ver o mar, que em Homero tem uma estranha definição: é cor de vinho.

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Pôr do sol sobre o mar Egeu: a luz do fim da tarde contorna a silhueta rochosa em meio às águas calmas do Mediterrâneo oriental. ▪ Foto: S. Zaghetto
O mar Egeu é, para mim, cor de lua, de noite calma. Um lençol azul se movendo ao vento. Nele estão as ilhas, com suas casinhas adoráveis, as lojas, os burricos transportando coisas e pessoas, o cheiro do pistache e o sabor da μαστίχα.

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Ilha de Hydra, Grécia: casas brancas espalhadas pelas encostas cercam uma das paisagens marítimas mais tradicionais do mar Egeu. Foto: S. Zaghetto
A antiga Grécia vive nas ilhas, onde dormem dezenas de gatinhos que toda a comunidade acolhe e cuida. E quando partiu o nosso navio, ao pôr do sol as montanhas pareciam dissolver-se em névoa. Deixei meu coração.

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Mar Egeu ▪ Foto: S. Zaghetto

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