Sempre me intrigou o assunto da violência sexual contra as crianças. Pergunto-me: como um homem, — na maioria das vezes um familiar que sup...
Um grito através da dança
Sempre me intrigou o assunto da violência sexual contra as crianças. Pergunto-me: como um homem, — na maioria das vezes um familiar que supostamente deveria proteger (pai, padrasto, padrinho) — abusa de pré-adolescentes? Onde mora esse prazer de tamanha brutalidade? É distúrbio? Doença? Seja o que for, é abominável esse descompasso do sexo entre um adulto e uma criança, que não entende o que acontece, ainda mais aquele abuso estudado. Quais os caminhos? Quais as estratégias para atingir-se tão aberrante objetivo?
Estávamos apenas há dois dias na Itália e em tão pouco tempo coisas memoráveis já haviam nos acontecido. Muitas emoções já tínhamos vivido,...
Viagem ao meu filme predileto
Estávamos apenas há dois dias na Itália e em tão pouco tempo coisas memoráveis já haviam nos acontecido. Muitas emoções já tínhamos vivido, mas algumas surpresas ainda estavam reservadas para nós. E que surpresas!
Em nosso segundo dia em Cesenático tomamos conhecimento, por meio de Fiorenzo Presepi, do hotel Dolce Vita, que Rimini, a cidade natal de Federico Fellini, ficava logo ao sul, a apenas meia hora de trem.

Acompanhei o trabalho de Fellini desde a minha juventude. Adoro seus filmes, todos enriquecidos pela música inconfundível de Nino Rota. Eu os vejo com boa frequência.
Na lista dos 10 melhores filmes da minha vida, "Amarcord" ocupa o primeiro lugar. Depois está "O Baile", de Ettore Scolla. Em seguida vêm os outros.
Sabendo da proximidade de Rimini, combinei com Ilma, minha esposa, aproveitarmos a oportunidade de visitar a cidade. Era o nosso último dia na região, pois viajaríamos para Roma na manhã seguinte. Um dos companheiros de viagem, que também admirava Fellini, resolveu nos acompanhar.
Passamos a manhã conhecendo Cesenático, em um agradável passeio, conforme já descrevi neste Ambiente de Leitura, na postagem "Recepção à moda italiana". Almoçamos mais cedo, e em pouco tempo desembarcamos, os três, na estação ferroviária de Rimini.
No birô de informações, procuramos saber quais os maiores pontos de atração do lugar. Em nosso íntimo, sabíamos que a maior de todas as atrações era a própria cidade! Havia muito o que visitar, naquele lugar especial, cenário de muitos filmes de Fellini. Ficamos interessados em realizar o "Amarcord Tour", promovido pela entidade de turismo local, um passeio pelo lugares marcantes da filmografia do cineasta. Todavia, restou-nos apenas visitar algumas das locações do roteiro, pois uma greve ferroviária estava marcada para as 9 da noite daquele dia. Fomos obrigados, assim, a limitar o passeio.
Nossa intenção era evitar surpresas na viagem de volta a Cesenático, ainda mais sabendo que os grevistas italianos param os vagões onde quer que estejam, numa estação ou antes dela. Se isso acontecesse, teríamos que concluir o percurso caminhando pelos trilhos. Por tudo isso, compramos, de logo, os bilhetes de embarque de retorno, com o vagão e lugares marcados.

As melhores cenas de Os Boas Vidas (I Vitelloni) também foram filmadas no Grand Hotel (dá até para “ouvir” a música de Nino Rota, enquanto escrevo). Sempre que podia, Fellini incluía o Grand Hotel em suas produções.
Quantas lembranças o hotel me evocou: o professor popular na bicicleta, descrevendo "le manine"; "la Volpina", ninfomaníaca; os camisas-negras se exibindo de forma ridícula; o acordeonista cego, tocando Siboney no casamento da Gradisca... Ahhhh!
O estabelecimento também foi cenário de um dos instantes mais ternos de "Amarcord." No filmes, o hotel está fechado devido ao inverno. Lá fora os rapazes realizam uma suave dança ao som da música tema do filme, simulando tocar instrumentos imaginários. Lindo momento, cheio de ternura. De arrepiar!
Seguindo para o centro visitamos o Cine Fulgor, onde Fellini teve a oportunidade de destilar todo o espírito moleque, anarquista, da sua adolescência. Algo ocorrido com a da maioria de nós.
Caminhamos pela rua onde havia uma tabacaria na qual o jovem Fellini recebe os favores adolescentes da dama proprietária, de corpo avantajado, num encontro hilariante.
Deixamos para o fim o passeio na praça Cavour, onde "La Gradisca" desfila o seu charme, sendo alvo de atenções masculinas expressivas, que hoje podem ser mal-interpretadas como assédio, mas que as mulheres de outrora adoravam, por se sentire atraentes. As italianas, pelo menos.
Ali também acontece a cena do motociclista misterioso, a percorrer em alta velocidade as ruas da cidade, especialmente a praça coberta de neve, em desafio às autoridades.
Lamento não termos tido tempo para visitar a fazenda onde o tio maluco de Fellini sobe numa árvore e grita, bem alto: “Voglio una donna! Voglio una donna!”. Ninguém consegue fazê-lo descer. Até que trazem a freira, diretora do asilo onde ele moraa, que tem metade do tamanho dele. Ela, porém, é muito braba: passa-lhe uma descompostura e ele desce!
Num restaurante da praça tomamos um vinho em homenagem a Fellini, e apressamos o nosso retorno à estação. Mas a maior surpresa estava reservada para o fim da nossa visita.
O acesso às plataformas da estação de Rimini se faz por um corredor subterrâneo, de onde sobem escadas tão íngremes que mais parecem os degraus de templos astecas. Preocupados com a iminência da partida do trem para Cesenático, subimos por essas escadas uma por uma, procurando o comboio. A nossa plataforma era a terceira, e chegamos lá em cima quase sem fôlego.

— O trem para Cesenático é esse aí mesmo!
Olhamos para trás e vimos uma mulher escorada na balaustrada de uma das escadas de acesso à plataforma mal iluminada. Ela era magra, alta, pele bronzeada, bem maquiada, elegante e vestia uma calça pantalona de veludo cotelê verde e um bustiê róseo. Estava acendendo o seu cigarro numa sofisticada piteira madrepérola.
Aproximamo-nos e Ilma perguntou encantada, pois havia mais de três semanas que estávamos na Europa, sem ouvir ninguém falar o nosso idioma:
— Você é brasileira? De onde você é?”
— Do Recife — respondeu, com o sotaque típico dos habitantes da metrópole vizinha
— Que maravilha! Nós somos da capital paraibana. Faz tempo que está na Itália?
— Mais de cinco anos.
Nisso chega o nosso amigo, que estava mais atrás. Ilma, entusiasmada, fala pra ele:
— Olha, que beleza! Ela é brasileira e nossa vizinha, lá do Recife.
— Ah! Olá. Tudo bem? E o que você faz por aqui?
— A situação não estava boa no Brasil. Vim tentar a vida na Itália. Aqui tenho muito mais oportunidades.
— Você trabalha em quê? — perguntou nosso companheiro.
— Canto e danço nas boates da região.
Ouvindo isso, comecei a prestar maior atenção na conterrânea: boa altura, rosto ligeiramente anguloso, gogó evidente, maçãs salientes, testa idem, tudo realçado por uma bandana larga. Então resolvi dar a estocada final:
— Qual é o seu nome?
— Grêice — disse ela.
Touché! Aí resolvi deixar o grupo de brasileiros deslumbrados trocando elogios e informações de viagem e fui procurar o vagão “D” do trem para Cesenático. Ainda ouvi quando nosso companheiro falou:
— Puxa! Com essa voz, esse corpo e esse bronzeado, você deve fazer o maior sucesso!
Pano, rápido!

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Do imposto à gastronomia
O latim está em toda a parte. Às vezes, quero me esconder dele, mas não adianta, ele sempre dá um jeito de se mostrar. Embora considerada, por muita gente, uma língua morta, a realidade me diz que ela não só está viva, mas goza de muito boa saúde.
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Meu primeiro baile
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Sorteio no Ambiente de Leitura
O Ambiente de Leitura Carlos Romero sorteou hoje, dia 22 de agosto, 3 CDs do álbum “Keys to Rio”, da pianista clássica Grace Smith-Alves. O sorteio ocorreu entre os leitores que comentaram a publicação “No caminho da música", do professor Sam Cavalcanti.
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A liberdade
Todo ser humano sonha com a liberdade, seja no campo político e social, quanto no que diz respeito à individualidade. Entretanto a liberdade nunca poderá ser vivida de forma absoluta, porque está sempre condicionada à observância de limites morais e racionais impostos para que se possa viver bem em sociedade.
Volto à marca em que havia deixado, há duas semanas, a leitura de “Os olhos no exílio” de Francisco Barreto Filho.
Os olhos no exílio (II)
Volto à marca em que havia deixado, há duas semanas, a leitura de “Os olhos no exílio” de Francisco Barreto Filho.
Queria comprar a calça que vira na vitrine. Era cara, a mesmíssima usada pela atriz da novela na televisão. Tudo atrasado: água, luz, merce...
Tudo pela calça
Queria comprar a calça que vira na vitrine. Era cara, a mesmíssima usada pela atriz da novela na televisão. Tudo atrasado: água, luz, mercearia. Sequer possuíam cartão de crédito, uma raridade não tê-lo, numa época consagrada ao fetiche de plástico.
Fala-se da melancolia como um novo mal do século, mas ela é tão antiga quanto o próprio homem. Pode-se dizer que o que nos inaugura, em ter...
A máscara de Narciso
Fala-se da melancolia como um novo mal do século, mas ela é tão antiga quanto o próprio homem. Pode-se dizer que o que nos inaugura, em termos simbólicos, é a tristeza consequente à “primeira transgressão”. Essa tristeza nos estrutura e nos reinventa.
Sucumbimos ao apetite pelo fruto proibido e em troca ganhamos o arrependimento, o selo de nostalgia que nos faz encarar continuamente a face do abismo, o outro lado de nós mesmos, a sombra da morte (contra a qual se recorta a vida em seu provisório esplendor).

Aristóteles destacou o refinamento perceptivo do melancólico, que teria mais aptidão do que os outros homens para as atividades do pensamento e da arte. O que o acomete é um desequilíbrio humoral (discrasia); nele o humor negro (melaina kole) prepondera sobre os outros humores. Mas, para o estagirita, ser dosadamente triste é vantajoso.
Foram os românticos que descobriram (e valorizaram) o charme da melancolia. Com eles a tristeza e o tédio viraram pose e se transformaram numa escolha de vida (e também de morte). Divinizavam a mulher para colocá-la fora do seu alcance. Embora dessem a entender o contrário, eles fugiam do prazer erótico, ao qual se associava a angústia decorrente do sentimento de culpa. O amor romântico era uma maldisfarçada vitória de Tânatos.
Veio a modernidade e, com ela, Freud. Entre as muitas intuições que teve o mestre vienense, destaca-se a de que o melancólico está de luto. Tão simples, mas só ele viu.

O mecanismo é distinto do que ocorre no luto normal: ao perder o objeto (que pode ser uma pessoa, um ideal, um valor), o sujeito se identifica com ele. E passa a tratar a si mesmo com o ressentimento que deveria ser destinado a quem o abandonou. Desprezado, o sujeito julga que não merece o afeto ou o interesse de ninguém. Perde a autoestima e se abisma numa tristeza que pode culminar no suicídio – uma forma de matar, enfim, esse outro cuja sombra caiu sobre ele.
Seja na perspectiva da teologia, seja na da filosofia ou na da psicanálise, que vê o melancólico como vítima de um jogo de forças no qual o objeto triunfa sobre o eu, ressalta-se a concepção da melancolia como uma crise do indivíduo, da subjetividade, enfim, do próprio ser. Mas é ela que orienta a nossa busca para um absoluto que desejamos, fantasiamos, e que também está em nós. Para além da triste máscara de Narciso.
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A Liturgia de Marília Arnaud
O leitor ávido por peripécias talvez conclua, equivocadamente, que “Liturgia do fim” tem palavras de mais em um enredo de menos. Mas o fato é que esse é um livro cujo principal protagonista é a linguagem, responsável pela condução de um enredo simples, frugal, mas que ganha em densidade na medida em que o narrador Inácio Boaventura mergulha de ponta-cabeça no seu universo psicológico.
Aprendi a gostar de palavra com minha mãe, que era professora e me ensinou a ler, em casa mesmo. Depois eu ganhei uma coleção bem bonitin...
Já sei ler
Aprendi a gostar de palavra com minha mãe, que era professora e me ensinou a ler, em casa mesmo.
Depois eu ganhei uma coleção bem bonitinha de livros, que se chamava "Meu Primeiro Dicionário". Por causa dessa coleção, eu pegava o "Aurélio" da casa (eu digo assim porque achava que em toda casa tinha um), e folheava para aprender palavras novas. "Apropinquar, panacéia, arrulhos, escaravelho, ósculo..." e ficava imaginando uma oportunidade de usá-las. Finalmente esse dia chegou.
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O belo pomar do Cabo Branco
O dia amanhece bem próximo ao mar, no encantado olhar do tempo, em formidável caminhar pelas deliciosas areias da praia do Cabo Branco. A sorver o gesto das ondas, que tocam e voltam sobre as esquinas da memória. A dividir a maresia com o doce prateado de suas espumas, para, depois, fincar definitiva moradia, bem ali, ao lado do extremo das Américas.
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Noel Rosa: voz miúda e muita poesia
Noel Rosa tinha voz miúda. Não era propriamente uma voz e nem poderia ser, num momento em que reinavam grandes intérpretes como Chico Alves, que gravou muitas de suas músicas. A parceria entre os dois foi ao ponto de Noel pagar com músicas um carro, que Chico Alves lhe vendeu.
São de encantadora poesia as plantinhas, sobretudo com flores, que brotam por aí, ao léu, sob o céu que nos protege.Nascem do nada, ou do t...
É assim que elas se salvam
São de encantadora poesia as plantinhas, sobretudo com flores, que brotam por aí, ao léu, sob o céu que nos protege.Nascem do nada, ou do tudo, espontaneamente, sem que ninguém cuide, sequer as veja. Ou olhe sem ver. Sem rega e sem poda, carinho só do Sol. Assim mesmo surgem lindas, em fileiras ou touceiras, às margens das pistas, calçadas e ruas.

Por vezes, desprezadas, pisadas ou arrancadas. De outras, bem amadas, tratadas ou furtadas. Se roubadas com carinho, para terem outro ninho, é bom que assim seja. Decerto se multiplicarão na medida da emoção.
Dá até para se pensar por que a Natureza investiu tanta beleza e diversidade nestes serezinhos minúsculos, frágeis e insignificantes. Inúteis não são. Sem dúvida deve haver, em todas elas, propriedades benéficas, medicinais, sabe-se lá. E haveria virtude maior do que a beleza natural, concedida pelas bênçãos da Criação? Porque até na Arquitetura, produto da criatividade humana, a “beleza é uma função”, como disse Niemeyer.

Pedalando, caminhando, principalmente pelas relvas nativas, vez por outra somos surpreendidos com recantos que inspirariam Renoir ou Monet, cujo fascínio por esses pingos bordados com que Deus salpicou o planeta se retrata magnificamente em suas obras.
São zinias, boas-noites e cravinhos-da-serra. O que mais impressiona é a exuberância que resiste ao fulgurante e luminoso calor dos trópicos. Regadas apenas com a graça das chuvas, no fim do verão secam, desaparecem e hibernam por um longo período, revitalizando-se imperceptíveis à espera de explodir novamente na próxima estação. Um fenômeno calado, invisível, que, mesmo após renascer, ainda passa despercebido por olhos que não enxergam beleza alguma na simplicidade.

Então é melhor que sejam ocultas no meio do mato, pelas bordas de falésia ou trilhas da encosta. Pelo menos vivem plenas, do jeito que nasceram, e assim são protegidas.
Certo dia, aqui do lado, avistei pela janela um montinho bem colorido. Eram todas beldroegas, que parecem as “onze horas”. Sem a menor ideia de como ali foram nascer, por detrás de um muro tosco, num terreno abandonado, encantaram ainda mais. Surpreso comentei sobre o “esconderijo” delas. E o amigo tão astuto, logo logo, respondeu: “É assim que elas se salvam”...
Foi um fato que me chamou tanto a atenção que até hoje vive na lembrança. Vez em quando ainda me aguça a curiosidade. Aconteceu por ocasião...
O púlpito
Foi um fato que me chamou tanto a atenção que até hoje vive na lembrança. Vez em quando ainda me aguça a curiosidade. Aconteceu por ocasião da festa de inauguração do busto do poeta Augusto dos Anjos, na galeria que tem o seu nome, no centro da capital paraibana.
Leonardo da Vinci, em uma de suas listas de tarefas, incluiu como tópico de pesquisa a anatomia da língua do pica-pau”. Como é possível que...
Leonardo e seus canais
Leonardo da Vinci, em uma de suas listas de tarefas, incluiu como tópico de pesquisa a anatomia da língua do pica-pau”. Como é possível que um gênio, um homem excepcional, dotado de inteligência quase divina e faculdades fora do comum, pudesse se preocupar com um assunto que na vida prática parece não ter nenhuma utilidade?

Ficou conhecido internacionalmente com a pintura “Mona Lisa" (La Gioconda), pertencente, hoje, ao acervo do Museu do Louvre (Paris). Entre suas obras não menos famosas podemos citar: "Ginevra de’ Benci" (Galeria Nacional de Arte, Washington DC); "A Madona com o Cravo" (Munique, Alemanha); "A Anunciação" e "A Adoração dos Magos" (ambos expostos na Galleria degli Uffizi Florença, Itália); "Cecila Gallerani - Dama com Arminho" (Museu Narodawe, Cracóvia, Polônia"; "Retrato de uma Desconhecida - La Belle Ferronnière" (Museu do Louvre); "A Virgem dos Rochedos" (Galeria Nacional, Londres); "A Última Ceia”...
Quem se interessar pela vida do artista-cientista-arquiteto-astrônomo-matemático, um livro escrito pelo proeminente biógrafo Walter Isaacson foi publicado, em 1997, pela editora Intrínseca com o título “Leonardo da Vinci”.
Para que saciem sua curiosidade, a língua do pica-pau pode se alongar por mais que o triplo do comprimento de seu bico. Ela se retrai para dentro do crânio quando não está sendo usada. Suas estruturas similares a cartilagens se estendem para além da mandíbula, envolvendo a cabeça da ave em uma curva para baixo, na direção das narinas. Isso é muito importante para proteger seu cérebro do impacto quando bica uma árvore, além de facilitar na busca de alimentação durante a caça às larvas. A batida com repetição contra a casca de uma árvore equivale a dez vezes à força necessária para causar a morte de um ser humano. A língua comprida e sua estrutura de suporte funcionam como uma espécie de amortecedor protegendo dos choques o cérebro do pássaro.
Os estudos de Leonardo sobre fenômenos hidráulicos se anteciparam a conceitos que, hoje são considerados próprios de estudos avançados nessa área da engenharia. Desde sua chegada à corte milanesa em 1482 até 1499, quando deixou a cidade, ele elaborou projetos de medição de vazões, canalizações, canais e irrigações e controlou instalações hidráulicas. Com o muito que aprendeu em Milão, sonhou em transformar a Toscana mediante a derivação de um canal para Florença com o desvio do rio Arno, passando por Prato, Pistoia, Serravalle e Pisa. A ideia era fertilizar essas áreas e possibilitar o estabelecimento de novos moinhos com os quais se poderia obter um lucro de 200 mil ducados anuais (um ducado era uma moeda de ouro pesando 3,5 gramas, correspondendo hoje a aproximadamente mil duzentos reais).
Seus estudos, com o apoio do amigo Nicolau Maquiavel, previam a escavação de uma enorme vala, com cerca de dez metros de profundidade, em um trecho do rio Arno localizado antes de Pisa desviando essa água para Florença com o uso de barragens.

O professor venezuelano Santos Eduardo Michelena na publicação da Hidroven “Apuntes sobre los dibujos hidráulicos de Leonardo da Vinci” em 1997, apresentou os cálculos de vazão com os dados das dimensões desse canal trapezoidal projetado por da Vinci obtidos com computadores sofisticados. A diferença do resultado obtido pelo engenheiro Michelena com o dele foi de apenas oito por cento, mesmo sem Leonardo possuir nenhum conhecimento de hidráulica superior, nem contar com nenhum recurso de informática.
Imaginem se Leonardo da Vinci vivesse nos tempos atuais?
























