14.11.25
Acho que quase todos lembram do incêndio do edifício Joelma, em São Paulo. Era fevereiro de 1974, e um curto-circuito num aparelho de...
Acho que quase todos lembram do incêndio do edifício Joelma, em São Paulo. Era fevereiro de 1974, e um curto-circuito num aparelho de ar condicionado do décimo segundo andar deu início a um incêndio que se espalhou muito rapidamente. As pessoas começaram a subir para os andares superiores, mas ali não podiam escapar do fogo e da fumaça. Quando os bombeiros chegaram, faltou água, e a escada Magirus só alcançava os andares inferiores. Muita gente começou a se jogar pelas janelas. Na contabilidade terrível: 191 mortos e 300 feridos. Treze vítimas que tentaram escapar pelo elevador ficaram presas e morreram queimadas dentro da cabine. Seus corpos não puderam ser identificados e foram enterradas juntas.
14.11.25
14.11.25
Dica de leitura Título: VERSINHO LILÁS Autora Ana Lúcia Franco
14.11.25
Ri um bocado do espanto da minha amiga: “Mas isto é um milagre!”. De queixo caído e já octogenária, como eu, ela se via, então, no ve...
Ri um bocado do espanto da minha amiga: “Mas isto é um milagre!”. De queixo caído e já octogenária, como eu, ela se via, então, no verdor dos 16 anos, belíssima, dentro de um vestido branco e longo desses preparados a capricho para as grandes ocasiões. A estola – aquela peça de tecido comprida e larga, aquele símbolo de elegância e distinção que sai do pescoço das mulheres, cai-lhes sobre os ombros e lhes desce pelas costas até quase a barra da saia – continha
14.11.25
13.11.25
Somos todos, presentemente, passageiros de um navio em perigo. Alguns já perderam até a esperança e aceitam, em silêncio, a fatalidade ...
Somos todos, presentemente, passageiros de um navio em perigo. Alguns já perderam até a esperança e aceitam, em silêncio, a fatalidade de uma catástrofe que sua covardia torna mais certa. Entretanto, alguns, se sobreviverem ao naufrágio, se recusam a morrer sem ter feito tudo para salvar, não as matérias mortas, mas as forças vivas, os calores espirituais, que são as chamas onde se acenderão novos focos.
13.11.25
13.11.25
A relação do médico neurologista e psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) com a arte fundamenta as bases para a crítica de ar...
A relação do médico neurologista e psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) com a arte fundamenta as bases para a crítica de arte e a estética psicanalítica. O seu trabalho oferece a compreensão da criação e da experiência artística, vendo a arte não apenas como um fenômeno cultural, mas como uma manifestação da vida psíquica inconsciente. Para Freud, em seu livro A Interpretação dos Sonhos, publicado em 1900, “A arte é como os sonhos e os sintomas neuróticos: ela permite o acesso aos conteúdos reprimidos e aos desejos não realizados do ser humano”.
13.11.25
13.11.25
À medida que o final do ano se aproxima, uma paleta de emoções se desenha no horizonte, refletindo a complexidade da experiência hu...
À medida que o final do ano se aproxima, uma paleta de emoções se desenha no horizonte, refletindo a complexidade da experiência humana. Este período é um convite à reflexão e à celebração, trazendo à tona tanto a alegria das confraternizações quanto a melancolia que pode acompanhar o fechamento de ciclos.
13.11.25
12.11.25
Eu iria encontrar Aristides anos depois. E muito diferente do aluno magérrimo, de vasta cabeleira algo rebelde, ar sonhador e muito in...
Eu iria encontrar Aristides anos depois. E muito diferente do aluno magérrimo, de vasta cabeleira algo rebelde, ar sonhador e muito instigante, que encantava a todos com o seu imenso conhecimento nas salas do Colégio Estadual. Aristides engordou muito, ficou um tanto calvo e não tinha mais aquela vivacidade que intimidava os professores. Não parecia mais com o jovem que todos imaginávamos que seria um gênio da literatura, quando seus flamejantes poemas se tornaram muito populares nos murais da escola.
12.11.25
12.11.25
Há quem não acredite, mas podemos nos apaixonar por uma cidade. Podemos, sim; e com a mesma intensidade que devotamos este singular sen...
Há quem não acredite, mas podemos nos apaixonar por uma cidade. Podemos, sim; e com a mesma intensidade que devotamos este singular sentimento àquela que será a eleita, nossa outra metade, enquanto estivermos cumprindo nossa missão de vida por essas dimensões. Digo isto porque fui acometido dessa inusitada paixão. E qual rincão deste mundo de Deus teria colocado em entropia, em alvoroço, minhas combalidas coronárias? Pois vou contar: esse pedaço de chão está lá em terra potiguar, mais exatamente, Mossoró.
12.11.25
12.11.25
As distâncias foram inauguradas. Segundo a velocidade, a vivência, profunda, essa experiência, talvez frutífera, tenha sido a represent...
As distâncias foram inauguradas. Segundo a velocidade, a vivência, profunda, essa experiência, talvez frutífera, tenha sido a representação do meu avesso. A vida com seu imprevisto parece não me espantar. Todos nossos planos são superficiais diante da vida. Começamos a segunda-feira como se fosse um pequeno réveillon. Quando estamos no sábado, planejamos o próximo dia útil. Existem dias inúteis? Há algum espaço de tempo em que nem a inércia possa ter proveito?
12.11.25
11.11.25
Dando prosseguimento à série sobre os Ingênuos e os Nascidos Escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves no ano de 1833,...
Dando prosseguimento à série sobre os Ingênuos e os Nascidos Escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves no ano de 1833, hoje traremos a relação das crianças que nasceram escravizadas e foram batizadas no ano de 1833 na antiga capital da Parahyba.
11.11.25
11.11.25
Gonzaga Rodrigues e Nathanael Alves foram amigos inseparáveis. Construíram um relacionamento de amizade que saiu das redações dos jo...
Gonzaga Rodrigues e Nathanael Alves foram amigos inseparáveis. Construíram um relacionamento de amizade que saiu das redações dos jornais para se consolidar no abraço familiar, estendido na conversa de confidentes nos encontros do terraço.
11.11.25
11.11.25
Língua é como roupa ou sapato – desgasta-se com o uso. Precisa ser continuamente renovada para não pe...
Língua é como roupa ou sapato – desgasta-se com o uso. Precisa ser continuamente renovada para não perder o vigor. A tendência dos falantes e escreventes, às vezes por preguiça mental, é lançar mão de clichês e modismos que debilitam a expressão, reproduzindo chavões cuja obviedade torna o texto raquítico e previsível. Usá-los é como se servir de um estoque já pronto, que dispensa o pensamento. Segundo Alcir Pécora, em “Problemas de Redação” (Martins Fontes), eles são “o túmulo do estilo”; evitá-los é condição fundamental para se pensar e escrever bem.
11.11.25
10.11.25
Gostaria de falar Sobre coisas importantes Mas prefiro as úteis Como o desejo De desfazer a história Não para qu...
Gostaria de falar
Sobre coisas importantes
Mas prefiro as úteis
Como o desejo
De desfazer a história
Não para que ela deixasse
De existir
Mas para que
Se fizesse outra
Como aquelas
Que nunca existiram
10.11.25
10.11.25
Há um silêncio peculiar que habita os espaços entre nossos pensamentos. Não é o silêncio vazio da distração, mas um silêncio carregad...
Há um silêncio peculiar que habita os espaços entre nossos pensamentos. Não é o silêncio vazio da distração, mas um silêncio carregado, denso, que surge justamente quando a mente trabalha a todo vapor. É o silêncio da aporia. É aquele momento em que a estrada da lógica simplesmente acaba. E você fica ali,
10.11.25
10.11.25
“Let the day perish wherein I was born.” (“Pereça o dia em que nasci.”) . Livro de Jó. O que resta quando o sagrado silencia e as e...
“Let the day perish wherein I was born.” (“Pereça o dia em que nasci.”).
Livro de Jó.
O que resta quando o sagrado silencia e as expectativas são destruídas, uma a uma, pela mão pesada do mundo e das circunstâncias? Resta o homem. Nu, desprotegido, porém consciente.
10.11.25
10.11.25
Fosse hoje, provavelmente as cartas de Nevita e Marcílio Franca não existiriam. Seriam substituídas por e-mails e telefonemas int...
Fosse hoje, provavelmente as cartas de Nevita e Marcílio Franca não existiriam. Seriam substituídas por e-mails e telefonemas internacionais a preços módicos. E assim não teríamos o belo livro Cartas de Berlim (Editora Ideia, João Pessoa, 2025), lançado há poucos dias. E seria uma pena, pois perderíamos esse importante registro epistolar que retrata um tempo e um mundo já passados, mas que mantém interesse sob vários aspectos.
10.11.25