9.5.15
H á o medo do avião e o medo de avião. Carlos Drummond de Andrade escreveu um belo poema sobre a morte no avião. E chega a dizer que quem mo...
Há o medo do avião e o medo de avião. Carlos Drummond de Andrade escreveu um belo poema sobre a morte no avião. E chega a dizer que quem morre no avião, morre verticalmente. Tem muita gente que não gosta de ler esse poema...
Desejo escrever sobre o medo do avião que, sem dúvida, ocorre e ninguém pensa nisso. Antes do vôo, há muitos preparativos dentro da aeronave, que, pela repetição, entediam. Lá fora, o avião espera, angustiado, o vôo que o levará lá para cima. A subida é vertical, enquanto o vôo é horizontal, até alcançar a velocidade de cruzeiro.
Todos se arrumando, guardando suas bagagens de mão, apertando os cintos e o avião calado, esperando a hora de partir. Mas eis que chegou a vez de acelerar, correndo macio, dentro da longa pista. O avião vai sair da terra para o ar, isto é, vai decolar. O português diz uma expressão mais apropriada: descolar. Sim, o avião descola do chão. Mas, para descolar, que é uma operação difícil, a aeronave precisa de uma longa pista, toda a força do motor, momento em que ele usa toda a sua potência. Eis um momento que faz um friozinho correr pela minha espinha.
Acabou-se a descolagem e começa a viagem com a aeronave atropelando nuvens. Eis aí um espetáculo que muitos não querem nem imaginar, quanto mais ver. Eu não me canso de olhar... Tudo vai se diminuindo! Mas, o que faz medo mesmo são as quedas. As quedas no vácuo. Tenho uma neta, que se chama Raissa, que durante um vôo para Petrolina, se divertiu muito com as turbulências. Disse que foi a melhor parte do voo.
Outro momento, talvez o mais dramático do vôo, é o da aterrissagem, que o português chama aterragem. O que está certo, mais uma vez.
Dizem que são dois os momentos mais perigosos. Decolar e aterrissar. Aterrisar exige muita habilidade do piloto, sobretudo quando há chuva e muito vento. Daí, os passageiros, vez por outra, baterem palmas parabenizando o comandante pelo êxito da operação. Se a aeronave não aterrissa bem, o silêncio e o suspiro substituem o aplauso.
Mas que saudade de um vôo de avião!... E esqueçamos o poema de Drummond. Dizem que o nosso Ariano Suassuna tinha muito medo de morrer, verticalmente.
E concluimos: Não somos nós que temos medo de avião. O avião também tem...
9.5.15
3.5.15
Na noite do último sábado, para a minha surpresa, eis que o amigo, colega de jornal e de ideais espíritas, Hélio Zenaide, sobe à mesa p...
Na noite do último sábado, para a minha surpresa, eis que o amigo, colega de jornal e de ideais espíritas, Hélio Zenaide, sobe à mesa para fazer a palestra, lá no Centro Espírita Leopoldo Cirne, agora reformado e refrigerado
3.5.15
3.5.15
C ada vez pior, o trânsito de cada dia é um grande teste para nossa vida. Exige muito cuidado, muita paciência, muita coragem. E como a gent...
Cada vez pior, o trânsito de cada dia é um grande teste para nossa vida. Exige muito cuidado, muita paciência, muita coragem. E como a gente se revela, se identifica no trânsito! Dize-me como diriges e eu te direi quem és...
Afinal, como é que você está se comportando quando o sinal vermelho obriga seu veículo a parar? Será uma reação de raiva? Ou você, simplesmente, fica ouvindo aquela música, no som de seu carro, ou se põe a pensar um pouco no que tem a fazer? Seu comportamento será de irritação? E se você estiver apressado? Aí, sim, é que a indignação cresce. No entanto, esquece de que se o sinal está vermelho para você, está verde para os outros.
Mas o seu egoismo não deixa você pensar nisso. Acostume-se a enfrentar os sinais de trânsito com sabedoria. Isto só vai lhe dar saúde e paz de espírito.
E se quando você for estacionar o carro numa vaga, aparecer outro, e se antecipar na sua frente? Será que você solta um palavrão, irrita-se e bota aquela cara horrível para o sujeito?
Esteja psicologicamente preparado para o trânsito. Ele é um teste. Nada de buzinar sem necessidade. Quem assim age, vá ver que brigou com a mulher, está mentalmente enfermo ou em conflito consigo mesmo.
Não se deixe dominar pelos nervos, sentimentos negativos, pelas irritações que só fazem comprometer sua saúde, sua paz interior. No trânsito, você sabe se a pessoa é apressada, nervosa, angustiada, indiferente, egoísta, mal educada. Que bela lição dá aquele que pára seu veículo dando passagem ao outro carro que pretende entrar na avenida principal! Quanto equilíbrio emocional!
Para receber a carteira de motorista exige-se um demorado curso seguido de exame prático... Mas o curso não ensina a ser cortês, a ser solidário, a respeitar o pedestre.
E quando ocorre uma batida? Qual deve ser o nosso comportamento? Nada de discussão, nada de puxar um revólver, nem se irritar. Não custa nada fazer um acordo de cavalheiros. A educação se mede nessas ocasiões.
Outro problema: o engarrafamento. Aí vem a explosão de raiva. De que adianta? Que tal ligar o som e ouvir aquela música?... Ou senão ler um livro, olhar o céu? Lembre-se de que o importante na vida é estar preparado para as eventualidades. Fuja do afobamento, que não dá em nada.
3.5.15
30.4.15
Ganhar na loteria é um sonho de bilhões de pessoas. Nesses devaneios, muitos planejam fazer um giro pelo mundo e se hospedar em locais mag...
Ganhar na loteria é um sonho de bilhões de pessoas. Nesses devaneios, muitos planejam fazer um giro pelo mundo e se hospedar em locais magníficos, de preferência em uma ilha remota, com descanso garantido, atendimento especial e a visão de paisagens fascinantes.
30.4.15
26.4.15
Q uando eu cheguei à praia, não quis acreditar no que via: o mar todo iluminado, sob um sereno céu azul, que me deixou maravilhado. Aí eu di...
Quando eu cheguei à praia, não quis acreditar no que via: o mar todo iluminado, sob um sereno céu azul, que me deixou maravilhado. Aí eu disse para mim mesmo: que bela manhã para se colocar num quadro! E imediatamente, veio a reprimenda do bom senso: por que você quer prender esta bela manhã numa tela? Não seria isso um tremendo egoísmo?
Absolutamente – retruquei. Colocando-a numa tela, a manhã se eternizaria. Não é essa a finalidade da arte? Fazer com que o efêmero se eternize? Esta manhã, que está neste momento extasiando meus olhos, pouco mais se extinguirá. E o que ficará deste flagrante de beleza?
A função da arte é transformar a efemeridade em eternidade. Mas, como não sou pintor, e sim cronista, cronista do efêmero, deixe- me ficar fruindo esta manhã que me chega de graça, graças a Deus... Pus-me a contemplá-la comovido e embevecido, o vento soprando e sobrando.
Aí me veio esta reflexão: é impossível ter maus pensamentos, numa manhã assim. Impossível alimentar ódios e ressentimentos, sujar a alma com nossas negatividades mesquinhas diante desse mar faiscante de luz, desse firmamento azul, sem um fiapo de nuvem.
E como naquele instante transitassem pessoas indiferentes à paisagem ao seu redor, senti uma profunda pena de tão pétrea indiferença. Sim, muita gente caminhando num automatismo de máquina. Conversavam, mas sobre assuntos prosaicos. Falavam sobre contas bancárias, inflação, preços de apartamentos, taxas de condomínio, eleições, violências na Síria, o terremoto do Nepal, coisas que deveriam ser comentadas em outra ocasião e em outro local, mas, diante de um espetáculo tão bonito como o que a manhã oferecia aos nossos olhos? Tenha paciência, é prosaísmo demais para o meu gosto...
Veio-me então um mau pensamento. Foi como se um anjo mau cochichasse ao meu ouvido, dizendo: “estas pessoas deveriam ficar cegas. Cegas pelo pecado de não reverenciarem as belezas da vida”.
Ora, ora, cronista, essas pessoas a que você está se referindo, já estão cegas e não sabem. A indiferença é uma espécie de cegueira. Quem não se comove mais com uma lua boiando num mar de nuvens, quem não presta a atenção a um jardim, quem não olha mais para um céu estrelado, quem não contempla um bando de crianças brincando numa praça, quem não olha mais para um flamboyant florido, não tenham dúvida, está cego e não sabe...
Deus enfeitou a Natureza para despertar alegria no homem, para torná-lo otimista ao invés de pessimista. E viva a “paisagem-terapia”.
Cuidado, portanto, com a catarata da indiferença diante das belezas da vida. Esteja antenado para as maravilhas do mundo. Lembre-se daquele amável e poético convite de Jesus, pedindo que olhássemos os lírios do campo e as aves do céu, e nada de preocupações. Vivamos o aqui e agora. Bastam a cada dia os seus cuidados, ensinou o mestre dos mestres. E cuide logo de tratar ou prevenir da catarata da indiferença. É pior do que a cegueira.
26.4.15