Soube que certo violinista, aqui da nossa terra, vez por outra, tranca-se em sua sala de música e passa horas e horas ouvindo as grandes pa...

Divina Arte

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Soube que certo violinista, aqui da nossa terra, vez por outra, tranca-se em sua sala de música e passa horas e horas ouvindo as grandes partituras, seja a Nona de Beethoven, seja uma partita de Bach, seja um concerto de Bruch. Ele é um profissional, mas tem espírito de amador, isto é, não vê a profissão só como meio de ganhar a vida. Não vê a música, que escolheu por vocação, como um jardineiro que rega o jardim mecanicamente, como se estivesse aguando pedras sem contemplar a beleza das flores.

É preciso fazer da profissão uma religião, jamais o contrário. Que o violino, que a trompa, a tuba, o fagote sejam instrumentos, mas o espírito que os anima, o espírito de músico, não perca aquele sentimento de transcendência, de religiosidade. O mesmo espírito de transcendência que animou Beethoven a compor a Nona Sinfonia, que termina com um hino à Alegria.

O espírito mecanicista, utilitarista, jamais deve prevalecer numa atividade profissional. Tudo aquilo que é feito sem amor, degenera, para não dizer embrutece. Uma prostituta faz do sexo um instrumento de trabalho, sem sentimento. Ela é uma profissional. Fazer as coisas com amor é outra coisa.

Imagine um professor que entrasse na sala de aula sem nenhum gosto pela disciplina. Que chegasse, ali, como quem "vai vender o peixe", como muitos gostam de dizer... Conheci muitos músicos que fizeram da música uma religião e não apenas uma profissão. E olhe só quem está aparecendo na minha memória para confirmar o que digo: o pianista Gerardo Parente! Um homem que fazia de seu piano um altar. Ele era todo música, seja fora ou dentro da orquestra.

Não sei, mas tenho a impressão de que os maestros vibram mais com a música que está interpretando e a orquestra que está regendo, do que os demais músicos. Quer ver um exemplo disso? O maestro Leonard Bernstein, que saltitava no tablado, suava, sorria, vibrava. O homem não vivia, a música era que vivia nele, lembrando o apóstolo Paulo quando disse: "Não sou eu quem vivo, é o Cristo que vive em mim.

Portanto, seja um profissional, mas não perca jamais o espírito amadorista, ou melhor, o espírito religioso. Faça como o violinista que citei no início, que é o meu amigo Leopoldo Nogueira. É ele quem costuma se trancar em seu home-theater e ficar horas e horas se deliciando e se sublimando com as famosas páginas musicais. Eis aí uma exemplo admirável de quem vê a música não só como profissão, mas como uma religião, a que já chamaram de Divina Arte.
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  1. Salve Mestre Sam!!!
    esse ..diria mantra...Professar e amar: eis a realidade do Artista"..em arte é fundamental.."Amar o que gosta..gostar o que ama" ...é mais ou menos assim!!
    No genérico..tudo que fizermos façamos bem feito!!..assim nas nossas tarefas rotineiras!!!
    Mas na ARTE.. requer aquela dose total de amor/intimidade/interação/sacerdócio mesmo!
    Parabéns Samuel Cavalcanti (Sam)👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
    Disse tudo em poucas palavras.
    Paulo Roberto Rocha

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  2. !!!"Professar e amar: eis a realidade do Artista"
    Disse tudo Samuel Cavalcanti(Sam)...em maior extensão sejamos integrados/amantes/ interativos em nossas formas de sermos "artesão" como profissional ou simplesmente diletante!!!
    Paulo Roberto Rocha

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  3. "Professar e amar: eis a realidade do Artista"... dise tudo num simples mantra!!
    Amar o que faz e fazer o que ama!!!
    Simples assim .
    Paulo Roberto Rocha

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