Dedicado ao professor
Milton Marques Júnior
Milton Marques Júnior
“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...”
Descendo das cianobactérias e das arqueas,
Sou arqué, origem de aqueus, vi-os
Arquearem o belo dorso em Tróia,
Tombarem, feito uma imensa sequoia...
Sou uma Sombra! Extremófilo autotrófico
Quimiossintetizante, que nada sabe, do instante,
Do tempo, do Ser, da aflição demasiada humana.
A putrefata companhia militar ao ver-me se ufana
De haverem sido homens na Grécia de outrora;
De haverem visto o brilho da Bela Aurora;
No fundo obscuro da cava terrestre,
O orcus, berço da putrefação suprema,
Lugar onde a sombra ganha forma
Na desmaterialização a que está sujeita
Todo o húmus da bela Tróia...
Ardendo, sem luz, só oiá...
Que de não ver, acaba vendo, como nos Sertões
Na Sombra do redemoinho, Nonada, Donada
Pulula erroso e todo toleima o bicho bravo
Louco de haver se deparado com o próprio rabo
Seguindo-o feito Sombra, que vive e revira por dentro...
Ah! Soubessem, que de não ver, se acaba vendo...





