Havia uma folha no caminho, com muitas linhas escritas, várias para serem contadas, outras tantas rasuradas. Sobre a terra, caída, solta ao sabor do vento rasteiro do fim da tarde. O chão de cimento, ornado pelo verde da grama, é aguado pelas chuvas intensas de um verão quente e, muitas vezes, molhado e abafado. E as linhas formam o esqueleto perfeito do que já fora parte de uma grande castanhola, uma costura sem agulhas, emenda da natureza.
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E o incolor repinta de verde a paisagem. Verde alegria, verde viva, verde esperança, verde que se planta na terra antes amarronzada. A terra também tem sede, deseja água. O chão transforma as irregularidades do relevo em mãos para aparar o máximo de água, contê-la, poupá-la, pensando no futuro, quando as nuvens chuvosas se forem e o sol voltar a reinar absoluto. Esse tempo é certeza de voltar.
Porém, por enquanto, o Sertão festeja as chuvas. O céu está bonito, com nuvens de um azul em negritude. Os açudes vão se recompondo, os rios almejam novas chuvas para que possam ser realmente o que já foram e não apenas um leito seco de areia. Pequenos lagos represados e mesmo poças de água criam lindas imagens.
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Onde antes havia beleza de poeticidade seca, agora há poesia em verde. As folhas e linhas se renovam, surgem caligrafias de novas escritas, a vida pede passagem...







