poema
eis a fórmula
ou a forma:
a água
fura a rocha
e assim faço
o meu poema.
um poema-lâmina
(contundente)
que esmigalhe
e esfarele
como se fora
um dente.
não um poema
com o azul
da blue-blade,
mas um poema
que sangre
as maçãs da face.
um poema-lâmina
que prove e triture
as maçãs do rosto
com a mesma fome
e com o mesmo gosto
com que o primeiro homem
provou da maçã do paraíso.
este será o seu ofício:
ser lâmina e penetrar
e ferir e dissecar
e ir sempre além
do que se pode ir.
repudio o azul
de outras lâminas
diante do rosto
e do espelho
o meu poema
é uma lâmina
escura e cega
que abre sulcos
e impõe o medo
da descoberta
frente ao espelho.
da descoberta
que cada berlinense
só tem uma face
e que a outra lhe falta
quando de manhã
ao barbear-se.
da descoberta
que mesmo de frente
o berlinense
é de perfil
e que há entre
o oriental e o ocidental
um limite, uma divisão
de cimento, areia e cal.
O meu poema
poderia ser azul
como outras lâminas
mas isto cansa-me
e esqueço o lirismo
de poder dizer
que do azul da lâmina
saíram gaivotas,
verão e istmos.
meu poema não é istmo
pois nada une
apenas faz ver
de tudo a distância
e por isto é gume
e por isto é lâmina
e se quiserem
esterco, estrume,
que aduba a memória
frente ao espelho
e impõe a descoberta
de outras faces
partidas ao meio.
meu poema não é istmo,
isto nem aquilo,
meu poema é sabre e sabe
onde corre o rio
e onde incorre o risco
da descoberta de cada um
e por isto provoca
e rasga cortes
na superfície lisa
de cada um.
"A Ilha na Ostra
O poema desta publicação faz parte do livro “A ilha na ostra“, de autoria do poeta Sérgio de Castro Pinto, editado há 50 anos, em 1970, pelo Grupo Sanhauhá, com capa ilustrada pelo artista plástico Flávio Tavares.
Como professor de Cálculo Estrutural, tive oportunidade de lecionar a disciplina de Estruturas de Aço. Este material apresenta diversas características, dentre as quais podemos destacar e trazer para nossa vida.O aço é uma liga metálica composta, em sua maior parte, por ferro e carbono.
Língua
Nem prestamos atenção.
Verbos difíceis de conjugar...
Decidir é um deles, Amar, nem me fale!
Facilmente nos perdemos nos tempos,
Nos modos, nas pessoas.
A voz é o instrumento primeiro, mais natural, de expressão primordial de onde parte toda a articulação para os instrumentos externos ao corpo humano. Não é à toa, então, que durante séculos a música centro-europeia fundou-se em obras essencialmente vocais. Não é um instrumento fácil quando se quer, sobretudo, usá-lo para o serviço artístico.
Uma assinatura de Getúlio Vargas vai completar 77 anos. É a da Portaria 4.744 que em 9 de agosto de 1943 criou a Força Expedicionária Brasileira, a FEB da cobra a fumar. A providência permitiu o desembarque de mais de 25 mil brasileiros na Segunda Guerra Mundial.
Numa das encostas da Serra das Velhas, nas proximidades da Vila de Santa Fernanda, um olho d’água escorre suavemente, entre as pedras e a vegetação, formando um pequeno riacho. Mais adiante, em suas margens, dois majestosos jatobás sombreiam a correnteza, um de frente para o outro. Nessas árvores há dois pássaros.
São admiráveis as pessoas que amam a vida, lutam por ela e sabem conviver com otimismo e esperança. E nas condições mais adversas mantêm a força vital, dando tudo de bom a si e aos outros. Sobretudo as que amam a vida sem o exagerado apego às coisas materiais, atentas à fluidez do tempo e à efemeridade do existir.
Em um dos recessos do doutorado na universidade de Zaragoza, sai viajando pelo norte da Espanha. Lá fui eu de carro, seguindo o roteiro Aragon – Navarra - País Basco - Cantábria até chegar a ao principado das Astúrias, terra natal de Fernando Alonso, campeão de Fórmula 1.
Uma manhã fria e nevoenta no brejo. A cidade desfilava seus véus de esbranquiçadas gotículas como filó em vestido de noiva. Não chovia, mas a cidade lacrimejava invadindo os poros daqueles tijolos tão centenários. O sol insistia em rasgar aquele manto com seus amarelos, mas em vão.
Quem fala? – insisti. Só disse que era de Matinhas, ouvi bem. Tento lembrar alguma amizade. Na minha memória, Matinhas do coronel Eufrásio das histórias de doutor Ramos, pai de Teócrito e Wills Leal. Matinhas de Artur Moura, desembargador saudoso que elevou sua terra, antigo distrito de Alagoa Nova, a culminâncias de civilidade e educação que, nos tempos atuais, um Almeida Prado de São Paulo ou de Santos está longe de alcançar, como se viu na cena de indigência moral de um desembargador no trato com a autoridade do guarda municipal. O guarda saindo com muito mais autoridade.
O ano era 1979. Época de turbulências. Muitas mudanças na vida. A roda que não era gigante! O endereço era o edifício Gravatá, de onde dava para ver o mar. As montanhas? De Sísifo. Muitas pedras a rolar. A música era Wild Horse, minha preferida dos Rolling Stones. E as noites de sexta-feira ferviam. Ah! Se o meu fusca vermelho falasse!
Allan Kardec no capítulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos dedica cento e duas questões, da 456 à 557, ao estudo da “Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo”. Neste capítulo, o Codificador analisa a ação dos Espíritos no plano físico, que pode ocorrer de forma sutil, pela influência mental, ou claramente percebida nas diferentes manifestações mediúnicas, de efeitos físicos e intelectuais. A interferência dos desencarnados no plano físico pode, ainda, ser boa ou má, fugaz ou duradoura. Os Espíritos exercem também ação nos fenômenos da natureza.
Ele foi instruído a procurar um Teofre. Agenor lembrava-se dele, e embora sem ter maiores aproximações com o tal, sabia de seu predicado humilde. Numa volta pela rua, consultou um pequeno grupo de meninos, e um deles, de esguelha, deu uma rápida conferida na posição do sol e disse saber onde ele podia ser encontrado àquela hora. De posse do recado, saiu nas carreiras para o lugar tido em mente.
O som das ondas do mar acaricia o meu corpo como um leve afago, era o que estava precisando. Este dia que me faz voltar ao mar para sentir o afago, também me coloca no mundo real.
Já faz 14 anos que não tenho mais você aqui. O carinho e o amor ficaram em outra dimensão, em uma lembrança, num olhar solto na paisagem, num cheiro, ou no barulho de uma porta que não é aqui. Não tem ninguém para chegar, e como era bom ver você chegar… A música solitária no rádio do carro ainda toca e me toca. Agradeço tudo o que vivemos, tudo que construímos nas nossas almas.