26.8.24
Os pés dentro da ilha Falar da superfície, o que envolve, encharca e afoga, o que gruda nos pés – mangue e areia –, o cinz...
Os pés dentro da ilha
Falar da superfície,
o que envolve,
encharca
e afoga,
o que gruda nos pés
– mangue e areia –,
o cinza absoluto,
o verde disperso
nas frestas e espelhos,
26.8.24
26.8.24
Em cada época de nossa existência, sempre tentaram explicar o funcionamento do cérebro por meio de metáforas extraídas da tecnologia ...
Em cada época de nossa existência, sempre tentaram explicar o funcionamento do cérebro por meio de metáforas extraídas da tecnologia mais atualizada do momento. É famosa a descrição feita por Platão, que comparou a psique humana a uma biga puxada por dois cavalos: um deles representa a razão; o outro representa o desejo.
26.8.24
26.8.24
No final do século XVIII, no período inicial do romantismo alemão, conhecido como “Tempestade e Ímpeto”, o poeta, filósofo, médico e...
No final do século XVIII, no período inicial do romantismo alemão, conhecido como “Tempestade e Ímpeto”, o poeta, filósofo, médico e historiador Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 – 1805) revitalizou o renascimento das ideias da Antiguidade grega e romana, que buscavam a junção da beleza estética com os valores morais do comportamento humano. Schiller buscava redescobrir um ideal de unidade, perfeição, totalidade e completude, que sentia ter sido perdido ao longo dos séculos. Para desenvolver novos conceitos e romper com as formas tradicionais dos gêneros literários, ele defendeu a tese de que para cada época existe um gênero literário próprio, e que os poetas seriam os seus guardiões. O fundamento dessa argumentação está em sua obra Poesia Ingênua e Sentimental, publicada em 1795.
26.8.24
26.8.24
Três ícones marcaram o cinema francês e mundial na segunda metade do século passado, talvez para sempre. A rigor, dominaram a cena na...
Três ícones marcaram o cinema francês e mundial na segunda metade do século passado, talvez para sempre. A rigor, dominaram a cena nas décadas de 1950, 1960 e 1970. São eles Alain Delon, o bonito, Jean Paul Belmondo, o feio, e Brigitte Bardot, a sensual (e também linda, mas não agora, claro). Quanto a isso, creio que ninguém discordará, cinéfilo ou não. São figuras célebres que ocuparam o imaginário popular ao seu tempo, em torno das quais e sobre as quais foram criadas mitologias, verdadeiras ou não. Para usar a feliz expressão do presidente Macron, os três são “monumentos franceses” indiscutíveis. Autênticas unanimidades. Alguém contesta?
26.8.24
25.8.24
A mente é um jardim no qual florescem as sementes que nele são lançadas. Paisagens sombrias de ressentimentos e tristeza, se cult...
A mente é um jardim no qual florescem as sementes que nele são lançadas.
Paisagens sombrias de ressentimentos e tristeza, se cultivadas, projetam sombras espessas que nos debilitam e enfraquecem o ânimo. Em vez de estocar lixo na cabeça, cada um deve manter em sua tela mental a disposição de ajudar o próximo, de ser solidário, e de agir com bondade e compreensão. Trabalhando em favor do bem, criamos as condições de possibilidade imprescindíveis ao nosso próprio bem estar.
25.8.24
25.8.24
A carteira do trabalho é de março de 1954, quando o ministro Goulart propõe ao governo 100% de aumento ao salário mínimo. Eu traduzia t...
A carteira do trabalho é de março de 1954, quando o ministro Goulart propõe ao governo 100% de aumento ao salário mínimo. Eu traduzia telegrama no jornal O Norte e ganhava o mínimo, sem carteira, como revisor. Ganhava pouco, bem aquém do necessário, mas com leitura e intuição suficientes para invejar o texto enxuto, sem excrescência nem conectivos importados via radiotelegrafia.
Em entrevista para as “Memórias” de A União, Rubens Nóbrega, 22 anos depois de mim, também festeja a mesma experiência. Ler copiando nos atém muito mais ao significado ou valor de cada palavra ou construção, parecendo impregnar-se mais seguramente em nossa experiência cognitiva. Para o antigo tradutor, quando o lead chegou às nossas redações já nos encontrou meio desasnados pelas agências internacionais de notícia, que falseavam no conteúdo, mas nos iniciava na concisão e na forma.
25.8.24
25.8.24
As “Opera Houses” construídas pelo mundo afora não só servem para abrigar os refinados espetáculos do gênero, que são obras de arte em...
As “Opera Houses” construídas pelo mundo afora não só servem para abrigar os refinados espetáculos do gênero, que são obras de arte em que a música sinfônica, o canto lírico, a dança, o drama, a literatura e o cenário se fundem na mais completa expressão artística já concebida pela humanidade: a ópera. Elas também consolidan a arte de projetar monumentais edificações que se erguem em seu nome, e terminam por se tornar, em muitos países, suas maiores atrações turísticas.
25.8.24
24.8.24
Tenho buscado propósitos e significados novos para a minha vida. É um esforço no sentido de ser feliz de forma muito simples. Tenho a...
Tenho buscado propósitos e significados novos para a minha vida. É um esforço no sentido de ser feliz de forma muito simples. Tenho aprendido jardinagem, aquarela, técnicas japonesas de caligrafia e a fazer bonecas de papel, washi ningyo.
24.8.24
24.8.24
"Vou rezar para que a noite acabe Vou rezar para que a morte morra Vou rezar para que todos se salvem Vou reza...
"Vou rezar para que a noite acabe
Vou rezar para que a morte morra
Vou rezar para que todos se salvem
Vou rezar para que não haja a miséria"
(Vou rezar!)
E não prestaram atenção
No milagre dos pães....?
24.8.24
24.8.24
Na frase Eu vi minha mãe rezando , quem rezava? A mãe ou eu? Quem disser que é a mãe, cometerá um erro. Para se entender por quê, leia-...
Na frase Eu vi minha mãe rezando, quem rezava? A mãe ou eu? Quem disser que é a mãe, cometerá um erro. Para se entender por quê, leia-se o texto abaixo.
A frase é alteração de um verso da quinta trova de um longo poema de oito trovas, intitulado “Mãe”, de autoria do médico pernambucano Barreto Coutinho. O verso original dizia: “Uma vez vi-a rezando.” A trova, desgarrada do poema, tornou-se famosa com o primeiro verso alterado. Ei-la:
24.8.24
24.8.24
Em um dos seus mais belos sonetos, Camões inicia com um excepcional decassílabo, que atiça a curiosidade do leitor: “Mudam-se os tempos...
Em um dos seus mais belos sonetos, Camões inicia com um excepcional decassílabo, que atiça a curiosidade do leitor: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. No Brasil, parece que vivemos num universo paralelo, onde o tempo não passa e, por não passar, as vontades continuam as mesmas. Vivemos um tempo cediço, num atraso de dar dó, em que a pobreza se revela em todos os sentidos: da pobreza econômica, essencial para as mesquinharias de vidas ainda mais mesquinhas, à pobreza cultural, assomando nessa área, a miséria vernacular.
24.8.24
23.8.24
Na minha solitária mesa da padaria Bonfim ele identificou-se e pediu licença para sentar. Por que não? “- Eu sei que você não gosta de ...
Na minha solitária mesa da padaria Bonfim ele identificou-se e pediu licença para sentar. Por que não? “- Eu sei que você não gosta de políticos. Vários deputados já me disseram isso”.
23.8.24
23.8.24
Há postes acesos, luz amarela se esvaindo pelo chão das ruas recônditas. Gente sobrada da sociedade dos abastados, a...
Há postes acesos, luz amarela se esvaindo pelo chão das ruas recônditas. Gente sobrada da sociedade dos abastados, as mochilas nos recantos, fumaças em tiras flutuantes e se evolando pelas rachaduras das marquises. Naquele conglomerado de esquecimento, são marcados pelas rugas da pobreza em seus rostos com expressão de choro e de dor. Sobre as calçadas esburacadas procuram se esconder na noite.
23.8.24
23.8.24
Poemas em cenas de Agosto Agosto voltou, Com mar distraído. Coqueiros dançando, O verde provido. O céu emplumado, Em belo ve...
Poemas em cenas de Agosto
Agosto voltou,
Com mar distraído.
Coqueiros dançando,
O verde provido.
O céu emplumado,
Em belo vestido.
E quando o mar canta,
A onda balança.
O mundo se encanta,
E o azul me alcança.
23.8.24
23.8.24
Era um radinho pequeno, cabia na palma da mão. Compreio-o seminovo de um colega da quarta série do curso ginasial ministrado no Col...
Era um radinho pequeno, cabia na palma da mão. Compreio-o seminovo de um colega da quarta série do curso ginasial ministrado no Colégio Santa Júlia, bairro da Torre. Depois disso, nos viria o Liceu Paraibano. Aquele aparelhinho captava sinais em ondas médias e curtas antes que os de frequência modulada surgissem e se popularizassem. O meninote saudoso do interior, que então eu era, o teve por bom tempo na conta de um amigo inseparável. Um amigo com transistores e pilhas, posto que os de carne e osso ainda
23.8.24
22.8.24
Em um mundo marcado pela correria do dia a dia, muitas vezes nos esquecemos de um aspecto fundamental da nossa existência: a gratidã...
Em um mundo marcado pela correria do dia a dia, muitas vezes nos esquecemos de um aspecto fundamental da nossa existência: a gratidão.
Vivemos buscando conquistas, sonhando com novos desafios e almejando um futuro melhor.
22.8.24