Existem pares de substantivos comuns, semanticamente relacionados, em que o feminino e o masculino se usam diferentemente pelos falantes, guiados pela intuição. Pergunte-se a um brasileiro se ele põe uma jarra d’água ou um jarro d’água na mesa, se ele compra um saco de café ou uma saca de café, se ele pegava a barca ou o barco para ir do Rio a Niterói... A todas essas perguntas, ele responderá sem hesitação, de
Parte do que aqui escrevo foi um sonho que tive, mas sabendo do alcance do seu saber e da sua compreensão, posso confessar que foi um desdobramento, tal a materialidade tátil do que vivi. Eu saía de um edifício, quando fui chamado, do outro lado da rua, pelo meu irmão Arturo Gouveia, um grande conhecedor de Augusto dos Anjos, para ir até o lugar em que ele se encontrava. Ali chegando, encontrei-o acompanhado do nosso querido William Costa e de uma outra pessoa, cujo nome não lembrei, e ainda não lembro. Arturo me perguntava se eu iria participar da edição mista de Augusto dos Anjos, compreendendo,
Se você confunde o bucho furado com o fofoqueiro está absolutamente errado. É do mais básico saber científico que o fofoqueiro nem sempre espalha notícias verdadeiras. Às vezes ele inventa ou adultera um fato para tornar a fofoca mais bombástica. Isso jamais ocorre com o bucho furado. Os estudos realizados pela tradicionalíssima Lies University apontam o nível de excelência das notícias dadas pelos buchos furados. E sabe por que? Porque simplesmente o que move o bucho furado é uma reação química criada no cérebro que o impede de guardar segredo.
Essa exposição era o que tinha de ser. E o que tem de ser tem muita força, como ensina a sabedoria popular. Assim, foi programada pelo Destino e gestada no "Galope do Sonho".
Acho que aqueles dois começaram a se imprensar na janela de Seu Severino por volta de 1958, o ano da primeira conquista brasileira de uma Copa do Mundo. Compunham, então, o agrupamento de televizinhos para a audiência de jogos filmados, enlatados, despachados e exibidos, somente dias depois de ocorridos, num momento em que a tecnologia ainda não oferecia ao mundo os satélites de comunicação nem as redes de tevê para transmissões ao vivo.
“... A carne, sem pão, encontrada no chão, é de todos nós, e que já era mais que tardia a nossa apatia e cinismo em insistir na ação de não reconhecermos nela nossa fisionomia”.
Carlos Fabian de Carvalho
(Pastoral do Povo de Rua)
(Comissão da Promoção da Dignidade Humana)
O poeta espalha a enormidade lúdica do desengano.
A sombra sinaliza ao homem o poder da luz que não
nos deixa esquecer que estar de pé é uma
circunstância, uma transitoriedade.
A sombra é a seta que o céu projeta sobre a soberba
da consciência bípede.
Vitor Nogueira
Não me vesti de mim,
não me cabe ser algo que não preencha o meu vazio.
O chão e o naufrágio são umidades sem esperança.
O que reveste a santidade além do manto?
Consequências ignoradas, oportunidades perdidas.
Os anjos são rústicos.
Qual verdade lustra os pés descalços?
O Brasil, com sua imensidão territorial e diversidade cultural, é um mosaico de experiências e saberes. Ao visitar lugares como Belém, onde a cultura indígena se faz presente de forma vibrante, somos convidados a refletir sobre as inúmeras dimensões que compõem a identidade brasileira. A conexão dos povos indígenas com a natureza é uma lição que ressoa profundamente, especialmente em um mundo cada vez mais afastado de suas raízes naturais.
Sou do tempo em que, sem os supercomputadores de hoje pra previsões meteorológicas, em muitas residências havia a miniatura de uma casa, de que saía uma mocinha com roupas alegres ou um cara com guarda-chuva, dependendo do barômetro. Não era um prognóstico muito seguro, claro. Como os de hoje ainda não são.
Vou registrar nestas linhas algumas imagens de meu tempo de menino até que eu possa chegar ao que sugere o título do presente texto. Começo dizendo que foi o melhor dos meus tempos. Jogava-se bola na rua, empinava-se pipa nos ventos de julho, fazia-se o pião girar absoluto em chão de terra batida e havia de se mostrar destreza e pontaria nas contendas com bolas de gude.
Um dos elementos mais fascinantes da literatura ficcional é a personagem. Quem não se lembra de figuras marcantes como Capitu, de Dom Casmurro, de Machado de Assis, com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada; Fabiano, de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, com sua luta bruta contra a miséria e a seca; a Gabriela, de Jorge Amado, com seu cheiro de cravo e canela,
Houve um tempo em que no quintal de minha casa existia um cajueiro, alto e frondoso, que preservei por muitos anos, desfrutava da sombra e colhia frutos. Os pássaros se acomodavam e faziam seus ninhos. Já estava em altura que trazia incômodo para o pequeno espaço do jardim por causa das folhas secas em excesso e do cupim a infestar o madeiramento da casa.
As curvas e a vegetação mais árida trazem belezas novas. E quilômetros só de estrada, pontilhados por cidades que surgem, que se cruzam, que ficam pelo retrovisor. Serras com nomes de suas cidades se aproximam e lançam blocos gigantes de rocha dependurados sobre uma estrutura ímpar. Serra de Santa Luzia e Serra do Teixeira se revelam com as suas pequenas bocas prontas para engolir a serpente asfáltica e as micros máquinas que vão e vem entre o Litoral e o Sertão.
Fala-se muito do Machado dos romances e dos contos, e pouco se comenta o Machado de Assis cronista. Mas o velho Bruxo também foi bom nesse gênero. Uma boa oportunidade de constatar isso é ler “Fuga do hospício”.
A felicidade é, talvez, a mais inútil das invenções humanas. Não serve para nada. Não constrói pontes, não paga contas, não resolve conflitos, não salva ninguém de um dia ruim. Ela é como a água que escorre entre os dedos de quem tenta segurá-la: quanto mais se esforça, mais se perde.
A ideia de psicopatas no poder político sempre despertou fascínio e temor, tanto nos institutos de pesquisas acadêmicas quanto na cultura popular. Psicopatas são indivíduos caracterizados por traços como falta de empatia, manipulação, charme superficial, ausência de remorso e uma inclinação para comportamentos antiéticos e até criminosos, sem que isso lhes gere culpa. Quando essas características se manifestam em líderes políticos, os impactos podem ser de terror social ou de guerras.