Morreu atuando, fazendo o que sempre fez como senhor de seus dons e do cultivo a eles dedicado, o artista plástico, professor, museólog...

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Morreu atuando, fazendo o que sempre fez como senhor de seus dons e do cultivo a eles dedicado, o artista plástico, professor, museólogo e comunicador Francisco Pereira da Silva, nosso Chico Pereira. Nosso, dos que nasceram e com ele definiram as linhas da vida a partir de Campina Grande; e nosso da acomodação fraterna à “vila”, hoje sem fronteiras econômicas, culturais e afetivas: a nossa querida João Pessoa.

Em 2023, li o livro “Para Sempre”, best-seller da escritora italiana Susanna Tamaro. A obra conta a história de Matteo, um médico ca...

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Em 2023, li o livro “Para Sempre”, best-seller da escritora italiana Susanna Tamaro. A obra conta a história de Matteo, um médico cardiologista que vive o luto há 15 anos, recordando constantemente a perda da mulher, Nora, e do filho, David, num acidente de automóvel. Após a morte do pai, Matteo procura refúgio numa montanha, e essa ligação à terra ressignifica toda a sua existência.

Melanie Klein (1882–1960) foi uma psicanalista austríaca pioneira na análise infantil, revolucionando a área ao introduzir o brincar c...

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Melanie Klein (1882–1960) foi uma psicanalista austríaca pioneira na análise infantil, revolucionando a área ao introduzir o brincar como método de investigação do inconsciente. Fundadora da teoria das relações objetais, destacou a importância da fantasia precoce, da ansiedade e dos mecanismos de
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defesa nas posições esquizoparanoide e depressiva. Ela defendeu que sentimentos como a inveja são inerentes à vida psíquica desde o início, influenciando o desenvolvimento saudável das emoções e da mente, dependendo de como são simbolizados e trabalhados internamente. A reparação surge como uma resposta intrapsíquica à frustração causada pelos impulsos destrutivos e se manifesta quando o indivíduo reconhece a ambivalência dentro de si: amor e ódio coexistindo em relação ao mesmo objeto.

Há livros que não se leem: escutam-se. Azeite, Senhora Avó!, de Aldo Lopes de Araújo, pertence a essa linhagem rara de obras que falam ...

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Há livros que não se leem: escutam-se. Azeite, Senhora Avó!, de Aldo Lopes de Araújo, pertence a essa linhagem rara de obras que falam baixo, quase em tom de confidência, como se temessem acordar os mortos que nelas habitam. Não há urgência em suas páginas. O tempo ali é outro - o tempo da cozinha antiga, do passo lento, do gesto repetido que não se cansa de existir.

Este é um texto sobre o natal, natal no seu sentido primeiro de nascimento e, sobretudo, de nascimentos, por necessitarmos nascer vária...

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Este é um texto sobre o natal, natal no seu sentido primeiro de nascimento e, sobretudo, de nascimentos, por necessitarmos nascer várias vezes e, várias vezes, refazer a nossa rota.

  DAS ALEGRIAS Não escrevo sobre alegrias, mesmo, dentre elas, a mais pura. Essa, eu deixo para viver, apreciando cada sorve...

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DAS ALEGRIAS
Não escrevo sobre alegrias, mesmo, dentre elas, a mais pura. Essa, eu deixo para viver, apreciando cada sorver de um néctar que pouco dura,

Esta é uma história real, contada pelo antropólogo Michel Alcoforado. Embora tenha o tempero necessário das fofocas da dita alta socie...

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Esta é uma história real, contada pelo antropólogo Michel Alcoforado. Embora tenha o tempero necessário das fofocas da dita alta sociedade (Eike Batista, casamento, traição…), serve maravilhosamente para demonstrar a diferença entre a alta sociedade carioca e as demais.

Hoje, somente hoje, pude refletir sobre o reencontro. Egoísmo meu. Pude sentir o calor em teu abraço e satisfação em nossos apertos de ...

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Hoje, somente hoje, pude refletir sobre o reencontro. Egoísmo meu. Pude sentir o calor em teu abraço e satisfação em nossos apertos de mãos. Ainda que breve, nosso abraço inspirou sinceridade; percebi que tua memória retornou ao passado. Logo notei que os que te acompanhavam fizeram questão de cercar-te. Fiquei incomodado, enciumado e senti raiva.

Fosse um batalhão, eu teria, ali, a patente mais rasa, pois a ordem me veio daqueles comensais quase em uníssono: “Você fez o do Natal ...

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Fosse um batalhão, eu teria, ali, a patente mais rasa, pois a ordem me veio daqueles comensais quase em uníssono: “Você fez o do Natal e vai fazer o bacalhau do Ano Novo”. E pensar que mal havíamos terminado a ceia natalina, na casa do filho mais velho. Sempre assim: cada um levaria à mesa algo previamente combinado a fim de evitar repetições. Os Natais, sem dúvida, exigem a reunião familiar e a participação coletiva nos preparos das carnes, do arroz, da farofa, do salpicão, das saladas e sobremesas, de preferência, com pavês, ou tortas. Isso fortalece a confraternização e,

Jean-Paul Sartre, no livro As Palavras , de teor autobiográfico, recorda que começou sua vida no meio dos livros e esperava terminar s...

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Jean-Paul Sartre, no livro As Palavras, de teor autobiográfico, recorda que começou sua vida no meio dos livros e esperava terminar seus dias da mesma forma. O avô era encadernador, e o menino sentia orgulho de ser neto de um artesão especializado na confecção de “objetos sagrados”. Sim, para Sartre, o livro era um objeto sagrado e exigia muito respeito.

Sobre arte e coletivismo Agrupamentos de artistas têm lugar na História da Arte em seus vários momentos. Porém, desde o início do ...

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Sobre arte e coletivismo

Agrupamentos de artistas têm lugar na História da Arte em seus vários momentos. Porém, desde o início do século XX, essas associações se particularizaram em relação à estrutura dos ateliês, baseados anteriormente no modelo próprio das guildas medievais onde a presença

O verdadeiro espírito natalino vai além das festividades e dos encontros familiares que acontecem apenas uma vez por ano. Ele resid...

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O verdadeiro espírito natalino vai além das festividades e dos encontros familiares que acontecem apenas uma vez por ano.

Ele reside em cada gesto de bondade, em cada ato de compaixão que podemos oferecer ao próximo todos os dias. O Natal, de fato, é uma oportunidade para refletirmos sobre a importância de estarmos atentos ao que nos cerca e àqueles que precisam de nós.

Dona Nalva, minha mãe, precocemente partiu para outras dimensões, mas teve tempo ainda de guiar meus passos e os de outros três bacuris...

Dona Nalva, minha mãe, precocemente partiu para outras dimensões, mas teve tempo ainda de guiar meus passos e os de outros três bacuris até quase ao fim das adolescências (as nossas e não, é claro, a dela). No que me diz respeito, não faltaram os bons conselhos, principalmente aqueles que me alertavam sobre quão importante é selecionarmos, de maneira criteriosa, os amigos; enfim, os camaradas que estarão conosco pelas jornadas da vida.

À medida que nos aproximamos do Natal, um convite silencioso ecoa em nossos corações: como temos acolhido Jesus em nossa vida diária? ...

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À medida que nos aproximamos do Natal, um convite silencioso ecoa em nossos corações: como temos acolhido Jesus em nossa vida diária? A data que celebra o nascimento do Cristo sempre desperta emoções profundas, mas, para além das tradições e dos afetos familiares, ela nos chama a renovar a disposição íntima de seguir seus passos e fazer brilhar, em nossas atitudes, a luz que Ele legou ao mundo.

Carta ao Pai é um dos textos mais íntimos e potentes de Franz Kafka. Escrita em 1919, mas nunca entregue ao destinatário, a carta tran...

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Carta ao Pai é um dos textos mais íntimos e potentes de Franz Kafka. Escrita em 1919, mas nunca entregue ao destinatário, a carta transforma a experiência subjetiva do autor — marcada pelo medo, pela culpa e por um profundo sentimento de inadequação — em um documento literário singular, no qual a fronteira entre autobiografia, confissão e construção estética se dissolve.

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Dirigida ao pai, Hermann Kafka, a carta se estrutura como uma longa tentativa de explicar por que o filho teme o próprio pai. A narrativa é conduzida por uma voz que oscila entre a lucidez analítica e a fragilidade emocional; Kafka disseca, com precisão quase clínica, episódios da infância, gestos cotidianos e dinâmicas familiares que, em sua percepção, moldaram sua personalidade hesitante, culpada e insegura. O pai é descrito como uma figura monumental — física e simbolicamente — cuja autoridade absoluta se impunha por gritos, ironias, ameaças e expectativas inatingíveis. A criança, pequena e sensível, cresce sob a sombra de um poder que a excede, sem nunca conseguir corresponder ao modelo de força e virilidade paternas.

Mas a força do texto não reside apenas nas acusações. Há uma complexidade moral que impede uma leitura simplista. Kafka reconhece a bondade do pai, seu esforço para sustentar a família, sua história de superação, e admite que ambos são produtos de temperamentos incompatíveis. O que se descreve não é uma denúncia, mas um impasse afetivo. Em diversos trechos, o narrador manifesta compaixão por Hermann, reconhecendo seu sofrimento diante de filhos que não correspondem às suas expectativas. A carta revela, assim, a impossibilidade de comunicação entre dois mundos subjetivos que, embora ligados pelo sangue, não encontram uma linguagem comum.

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A sensação de inadequação, a figura de uma autoridade incompreensível, a culpa difusa e onipresente. Não obstante o filho ter “sucumbido” à influência paterna, ele se defende de acusações de ingratidão, alegando que o pai reforçou o que já existia nele, aplicando todo o seu poder. Não se trata de uma acusação, mas de um diagnóstico: “Mas justo como pai você era forte demais para mim”.

Para além do valor biográfico, Carta ao Pai é fundamental para a crítica literária. Kafka revela: “Meus escritos tratavam de você”, expondo ali as queixas que não podia fazer a Hermann. A figura paterna — implacável, arbitrária e inatingível — está diretamente transposta nos personagens autoritários que infernam a vida de Josef K., em O Processo; de K., em O Castelo; e do próprio pai Samsa, em A Metamorfose.

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A figura de Hermann Kafka aparece como um pai real, concreto, mas também como um pai simbólico hipertrofiado. Ele encarna a Lei — severa, contraditória, imprevisível — que estrutura o mundo do narrador. O medo infantil se converte em uma culpa persistente, que não deriva de atos específicos, mas de uma sensação de inadequação ontológica: Kafka sente-se, desde cedo, “menos” do que o pai exige. Essa discrepância entre o Eu frágil e o Ideal imposto pelo Outro é um dos eixos centrais da carta e ecoa conceitos freudianos como o superego punitivo e a formação reativa. O pai exige força, virilidade, decisão; o filho, impossibilitado de identificá-las em si, internaliza esse olhar crítico, transformando-o em autocensura.

Ao mesmo tempo, há uma ambivalência profunda: o pai é também figura de admiração, força, proteção e até de rara ternura. Essa duplicidade — amor e temor — sustenta a estrutura da relação edipiana. O filho deseja o reconhecimento do pai, mas teme sua autoridade; busca aproximação, mas é repelido pelo excesso de poder que percebe nele. O conflito entre desejo de identificação e impossibilidade de alcançá-la gera uma subjetividade marcada pela hesitação, pela insegurança e pelo silêncio.

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A própria escrita da carta pode ser compreendida como um ato terapêutico, tentativa de reinscrever o pai numa ordem discursiva em que o filho possa enfim falar — algo que, na convivência direta, era interditado. Escrever torna-se, assim, o gesto de recuperar a palavra perdida, de criar uma distância segura que permita elaborar o trauma e transformar a dor em forma. A literatura surge como a via possível de subjetivação.

No plano estilístico, destaca-se o rigor argumentativo. Kafka compõe sua carta como se estivesse construindo um caso: enumera episódios, organiza argumentos, analisa sua própria psicologia e a do pai, tenta ser justo, tenta ser racional. Contudo, o texto é atravessado por uma dor que escapa ao controle. A frieza lógica convive com momentos de intensa vulnerabilidade, como quando recorda raros gestos de ternura do pai, os quais, em vez de consolo, aumentavam sua perplexidade e culpa.

Este texto oferece um retrato do abismo intransponível entre dois temperamentos, um choque que forjou a psique e a obra de um dos maiores escritores do século XX. Esse registro epistolar-literário constitui, portanto, uma leitura obrigatória para compreender a raiz das temáticas de alienação, culpa e autoridade que definem o universo kafkiano.

REFERÊNCIAS CARONE, Modesto. A poética do fracasso: Ensaios sobre Kafka. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
FREUD, Sigmund. O ego e o id. In: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1974.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. In: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1974.
FREUD, Sigmund. Totem e Tabu. Porto Alegre: L&PM, 2013.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
KAFKA, Franz. Carta ao Pai. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

“ Descrições Gerais da Capitania da Paraíba ” foi escrito em 1639 pelo governador/capitão-mor holandês Elias Herckmans . É um dos pouco...

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Descrições Gerais da Capitania da Paraíba” foi escrito em 1639 pelo governador/capitão-mor holandês Elias Herckmans. É um dos poucos documentos descritivos sobre a Capitania Real da Paraíba no período do domínio holandês (1634–1654).

Trata da chegada dos holandeses pelo Varadouro, entrando no Rio Paraíba em 22.12.1634. Descreve toda a capital daquela época e os prédios existentes. O autor morava no Convento de São Francisco, onde se instalaram os dirigentes holandeses.

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