Há pouco tempo, zapeando descontraidamente no Stumble Upon , deparei-me com uma matéria interessante da BBC World acerca da criminalização...

homofobia homossexualismo


Há pouco tempo, zapeando descontraidamente no Stumble Upon, deparei-me com uma matéria interessante da BBC World acerca da criminalização da homossexualidade adotada em legislações de mais de 100 países.

A notícia me surpreendeu principalmente ao constatar que o Brasil atuou na vanguarda, ainda no Século XIX, sendo um dos 7 primeiros países a descriminalizar a comunhão afetiva entre pessoas do mesmo sexo, à frente, inclusive, de nações mais desenvolvidas. Mesmo sob toda a carga de sua formação religiosa e dos níveis educacionais primários, a legislação e a jurisprudência brasileiras progrediram, desde cedo, baseadas no respeito aos direitos humanos, como um todo.

"Q uem tem boca, vai a Roma” - diz o ditado. Não, amigos, quem tem boca vai para toda parte. Falei sobre as mãos, sobre os olhos, sobre...

"Quem tem boca, vai a Roma” - diz o ditado. Não, amigos, quem tem boca vai para toda parte. Falei sobre as mãos, sobre os olhos, sobre os pés, e agora chegou a vez da boca. Você pode viver sem os olhos, sem as mãos, sem os pés, mas sem a boca é impossível.

Sem ela, como falar, como se alimentar, como beijar? É importante o alimento que se ingere, a água que hidrata, o remédio que se toma, mas a palavra que sai da boca é a alma da convivência. Não se convive sem a fala. Dize-me como falas e eu te direi quem és. O homem não é somente aquele que pensa, mas aquele que fala.

Se não me engano, foi Voltaire que costumava dizer a uma pessoa que lhe era apresentada: ”fala para que eu saiba quem tu és”. E como ele dava importância à fala, chegando a dizer: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Tem muita gente que bota a palavra fora. Que diz coisa que não era para se dizer, fala pelos cotovelos. Mas, a palavra não é para se desperdiçar.

Voltando à boca, Jesus, certa vez, disse: “não é o que entra na boca, que contamina o homem, e, sim, o que dela sai. “Ora, o que sai da boca é a palavra.

“Orai e vigiai para não entrardes em tentação”, receitou também o Mestre. Estejamos, portanto, atentos ao que dizemos.

Há uma mediunidade chamada Psicometria. O médium psicômetra se entrar numa sala, por exemplo, percebe tudo o que se disse naquele ambiente. As palavras dos que estiveram ali ficaram gravadas na parede. Veja aí quanta responsabilidade no falar.

A verdade é que nada se perde do que dizemos. Por isso, repitamos a advertência: muito cuidado com a palavra! Muita franqueza dói. Daí dizer Chico Xavier: “a verdade que fere é pior do que a mentira que consola”.

Aqui já falamos dos olhos, dos pés, das mãos, e vimos sua grande importância em nossa vida e da responsabilidade de usá-los. E agora falamos da boca, pois muita gente se utiliza mal da boca, não só pela má palavra como pelos venenos do fumo e da bebida alcoólica.

A fala é uma benção. Que digam os mudos. Jesus ensinava a discrição: “Que o teu falar seja sim, sim, não, não”. A palavra é tão importante que a Bíblia começa dizendo: “No princípio era o verbo”.

Ninguém soube usar tão bem a palavra como o Mestre. Tinha resposta para tudo. Só uma vez ele deu o silêncio como resposta. Justamente quando o procurador Pilatos lhe perguntou: ”O que é a verdade?” O procurador estava junto da verdade e não sabia. Jesus calou-se. Nunca um silêncio falou tão alto. Como explicar ao cético procurador o que era a verdade? Jesus poderia muito bem ter respondido: “A verdade é a lei”. Ou senão: “A verdade sou eu”. Mas o seu silêncio disse tudo. Impressionante aquele encontro entre a Verdade e a Mentira...

G osto de viajar de avião. Que me perdoem Ariano Suassuna, Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Este chegou a escrever um belo poema...

Gosto de viajar de avião. Que me perdoem Ariano Suassuna, Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Este chegou a escrever um belo poema: ”A morte no avião”.

E gostoso mesmo é subir a escadinha que nos leva até o pássaro de alumínio. E tem sempre uma comissária bonita ou simpática à entrada do avião a nos desejar boa viagem.

Tudo começa com aquela arrumação de bagagens de mão. Não sei porque noto na maioria dos passageiros certa apreensão no rosto. Quase ninguém sorri.

Saímos de Lisboa para Bruxelas, que para mim foi um reencontro. Depois de tudo quieto, o avião começa a deslizar no asfalto. É o preparo para a decolagem, quando ele se desprega do solo e enfrenta as alturas. Aí a gente nota como a aeronave não é nada lá em cima. Se olharmos para baixo, vemos tudo pequeno. O avião vai atropelando as nuvens. A paisagem é polar.

O silêncio é grande. Um silêncio, às vezes, perturbado com o choro espremido de uma criança. E o que perturba um pouco são as chamadas turbulências. Dir-se-ia que a aeronave está tremendo de medo. São as quedas no vácuo. E lembrar que minha neta Raíssa, de 13 anos diz que adora as turbulências... Eu desconfio que o avião tem medo daquelas alturas. Daí a tremedeira.

Há duas coisas chatas na viagem aérea: aquela comidinha requentada, que parece comida de hospital e o apertadíssimo sanitário. Mas, as companhias aéreas sabem atenuar o medo dos senhores passageiros com aquele video defronte da cadeira.

Quanto a mim, adoro pensar e ler no avião, quando não estou na janelinha vendo aquele mar de nuvens silenciosas. Viajar de avião é ótimo, principalmente quando as jovens comissárias nos trazem a comida e o sorriso.

Gosto do silêncio dentro da aeronave. Um silêncio que faz a gente dormir e sonhar até que venha o aviso dizendo que o avião está aterrissando. Uma descida de bêbado.

Agora ele já desliza sereno no asfalto. Pouco mais é hora de pegar as bagagens e o aeroporto nos espera para uma porção de formalidades. E haja filas, morosidades, o diabo!

O baiano Dorival Caymi cantava que “é doce morrer no mar”. Não chego a dizer isto com relação ao avião.

D esde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um d...

Desde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um dia céu nublado, friozinho correndo pelo corpo, pedindo roupa mais quente. No outro dia, o sol sorrindo, aquecendo o nosso corpo, mostrando um firmamento todo azul. Dia seguinte, cai a chuva, e aí dá aquela vontade para uma caminhada debaixo d'água.

Sol e chuva, frio e calor, água e luz, que a vida é feita de contrastes. A monotonia traz depressão. Ler e ouvir boa música é muito gostoso. Dormir nem se fala. Pensar muito mais. E ainda tem mais esta: a chuva, o frio, o silêncio são condições maravilhosas para a reflexão, para a conversa interior, para o filosofar. Já o sol é propício para a distração. Dir-se-ia que o sol propicia a poesia e a chuva a filosofia. Até rimou. Lembrar que as grandes filosofias nasceram nos países frios.

Mas voltemos á crônica. Lá fora o sol esbanja luz e parece gritar para o cronista: “Saia daí. A praia está uma beleza”. E eu fico a imaginar como a praia deve estar mesmo bonita, a areia limpinha, o céu azul, o mar brincando com as ondas, feito menino...

Pra falar a verdade, gosto mais de países quentes, embora tenha nascido numa terra fria de gelar: Alagoa Nova, onde o sol é escasso e as pessoas se valem dos cobertores e da cachaça para esquentar o corpo. E eu soube que a cachaça é o que anima os festivais de arte que ali se realizam...

Mas o clima está assim, instável. Chuva hoje, sol amanhã, coisa que nunca vi antes. Que dizem os entendidos de meteorologia sobre esse fenômeno?

Diz a modinha, que ouvi muito na minha infância: “Chuva com sol, casa-se a raposa com o rouxinol”. E eu imaginava que isso era verdade...

Mas a verdade é que tem vez que estou doido por um dia chuvoso e vice-versal

E viva a reflexão a que nos condiciona a chuva, e a distração que nos proporciona o sol. Muita água caindo do céu e muita luz iluminando os nossos caminhos...

F oi Jesus quem disse: se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Olhos bons, olhos maus. Muita gente adverte: “cuidado com o ...

Foi Jesus quem disse: se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Olhos bons, olhos maus. Muita gente adverte: “cuidado com o mau-olhado”. E há até quem diga que o mau-olhado chega a matar uma planta.

Os olhos! E muitos têm olhos mas não vêem. É grande a responsabilidade dos que vêem. Dai o valor das testemunhas de vista. Se você viu, você se comprometeu.

Disse bem o Mestre, os olhos são a candeia do corpo. Olhamos para muitas direções. Olhamos para cima, olhamos para baixo, olhamos para os lados, olhamos para trás. Este o olhar dos saudosistas.

Jesus convidou-nos a olhar os lírios do campo, dando uma lição de transcendência. Olhou para a multidão faminta e multiplicou pães. Olhou para o alto e se comunicou com o Pai. Olhou para as criancinhas e disse que o Reino dos Céus era delas. Olhou para a mulher adúltera e não a condenou. Que a condenassem os “sem pecados”. Por que lá, até hoje, não condenam o sem vergonha do adúltero? Que justiça é aquela?

Há muitos olhares: o da cobiça, o da inveja, o do ciúme, o do ódio. Mas belo é o olhar da compaixão, da compreensão, o olhar da sabedoria. Sublime é o olhar da mãe para o filhinho recém-nascido.

Um rosto que não se ilumina com um sorriso é tão triste como uma cegueira. Os olhos, cuidado com eles! É uma das nossas maiores riquezas. É a candeia do corpo, como disse Jesus. E me vem à imaginação aquele olhar do Mestre diante a multidão que o condenou. Um olhar de profunda tristeza, de muita compaixão. Afinal, eles não sabiam o que faziam.

Repitamos a sentença do Mestre: “Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Portanto, bastante cuidado, pois, com o olhar. Que ele se ilumine de muito amor, compreensão, e de muita compaixão.

Lamentável aquele que vê e faz que não vê. Confesso que jamais faria o que o samaritano fez, sobretudo considerando a insegurança dos dias atuais. Mas, na estrada de Jericó, o lugar era deserto e cheio de ladrões. Se ao menos houvesse celular naquele tempo, eu chamaria logo a polícia...

Entretanto, é preciso, vez por outra, fechar os olhos. Quando você fecha os olhos, você pensa melhor, se interioriza. O olhar distrai. É por isso que é conveniente orar de olhos fechados. Os fariseus oravam de olhos escancarados. Oravam e gritavam para todo mundo ver e ouvir. Mas Jesus aconselhava que quando fôssemos orar, entrássemos para um quarto, no maior silêncio e no maior sigilo. Tão importante foi esse silêncio, que ele, de vez em quando, deixava os apóstolos e se retirava para um lugar de muita paz. Os apóstolos então pediram: ”Mestre, ensina-nos a orar”. Foi daí que surgiu a oração do “Pai Nosso”. Orar é olhar pra dentro. Os fariseus não oravam, rezavam. Rezar é orar para fora, para todo mundo ver...

Na parábola do Bom Samaritano, um homem acudiu outro que estava caído no chão, todo ferido. Tinha sido assaltado pelos bandidos. Ele medicou-o com óleos e terminou levando-o para uma hospedaria. O samaritano não escondeu o olhar como fizeram os religiosos que ali passaram indiferentes ao sofrimento do próximo. Um samaritano, que era homem de negócios e não tinha tempo a perder....

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